HC 680529 - ACORDAO
O habeas corpus não foi conhecido por ser impetrado em substituição a recurso próprio; ademais, comprovou-se que, diante da superveniência de nova condenação que torna inviável o cumprimento simultâneo das penas (prestação de serviços à comunidade e pena privativa de liberdade), é cabível a reconversão da pena...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: WELLYSSON BRAYAM PEREIRA GOMES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pela Quinta Turma Do STJ
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Unificação De Penas, Conversão/reconversão De Pena Restritiva De Direitos, Impossibilidade De Cumprimento Simultâneo De Penas, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
WELLYSSON BRAYAM PEREIRA GOMES DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pela Quinta Turma Do STJ
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 2 possibilidade de reconversão de pena restritiva de direitos em privativa de liberdade por superveniência de nova condenação
- 3 aplicabilidade do art. 111 da LEP em relação ao art. 76 do CP
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por ser impetrado em substituição a recurso próprio; ademais, comprovou-se que, diante da superveniência de nova condenação que torna inviável o cumprimento simultâneo das penas (prestação de serviços à comunidade e pena privativa de liberdade), é cabível a reconversão da pena restritiva de direitos e a unificação das penas nos termos do art. 111 da Lei n. 7.210/84, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido
Orders
- Não conhecer do pedido.
- Habeas corpus não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, não conhecer do pedido. Os Srs. Ministros Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO DE PENA RESTRITIVA DE DIREITOS E PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME FECHADO. RECONVERSÃO. POSSIBILIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. 1. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal - STF, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. 2. A superveniência de nova condenação que impossibilite o cumprimento simultâneo das reprimendas, independentemente de a condenação à pena restritiva de direitos ser anterior ou posterior à privativa de liberdade, justifica a reconversão daquela e a consequente unificação, nos termos do art. 111 da Lei n. 7.210/84. 3. Habeas corpus não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em benefício de WELLYSSON BRAYAM PEREIRA GOMES DA SILVAcontra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que negou provimento ao Agravo de Execução Penal n.0001717-37.2021.8.26.0996, assim ementado: "AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. Unificação de penas.Conversão de penas restritivas de direitos em pena privativa de liberdade. Possibilidade. Inviabilidade de cumprimento simultâneo. Inteligência do art. 45 do CP e do art. 181, §1º, "e", da LEP. Precedentes do STJ e deste Tribunal. Decisão mantida. Recurso não provido."(fl. 47) Consta dos autos que o Juízo da Execução determinou a reconversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade, tendo em vista a impossibilidade de cumprimento das reprimendas simultaneamente.O Tribunal a quo negou provimento ao recurso da defesa. A impetrante sustenta, em síntese, que o art. 76 do Código Penal - CP autoriza o cumprimento sucessivo das penas impostas, devendo a mais leve (restritiva de direitos) ser suspensa até o total cumprimento da mais grave (privativa de liberdade). Alega que eventual reconversão de penas pode ocorrer apenas se a pena restritiva de direitos for anterior à privativa de liberdade. Indeferido o pedido de liminar e prestadas as informações, o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento dowrit(fls. 80/85). É o relatório. EMENTA HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO DE PENA RESTRITIVA DE DIREITOS E PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME FECHADO. RECONVERSÃO. POSSIBILIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. 1. Em consonância com a orientação jurisprudencial da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal - STF, esta Corte não admite habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem prejuízo da concessão da ordem, de ofício, se existir flagrante ilegalidade na liberdade de locomoção do paciente. 2. A superveniência de nova condenação que impossibilite o cumprimento simultâneo das reprimendas, independentemente de a condenação à pena restritiva de direitos ser anterior ou posterior à privativa de liberdade, justifica a reconversão daquela e a consequente unificação, nos termos do art. 111 da Lei n. 7.210/84. 3. Habeas corpus não conhecido. VOTO O presente habeas corpus não merece ser conhecido, pois impetrado em substituição a recurso próprio. Contudo, passo à análise dos autos para verificar a possível existência de ofensa à liberdade de locomoção do ora paciente, capaz de justificar a concessão da ordem de ofício. Conforme relatado, a superveniente pena de prestação de serviços à comunidade foi reconvertida em privativa de liberdade pelo Juízo da Execução, ante a sua incompatibilidade com o regime semiaberto imposto. O Tribunal a quo manteve essa decisão sob os seguinte fundamentos: Decisão: " .. WELLYSSON BRAYAM PEREIRA GOMES DA SILVA, encontra-se cumprindo pena em regime mais rigoroso, de forma que CONVERTO a(s) pena(s) restritiva(s) de direito(s), imposta(s) no processo nº 0021713-51.2018.8.26.0050 da 23ª Vara Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda-SP (PEC nº 0014269-30.2019.8.26.0050), em privativa de liberdade e fixo o regime semiaberto (prevalente) para o cumprimento da reprimenda."(fl. 34) Acórdão: " .. No caso dos autos, ao contrário do que alega o agravante, a condenação à pena restritiva de direitos não ocorreu posteriormente ao início do cumprimento da pena privativa de liberdade, mas o contrário, conforme pormenorizado acima. Isto é, após cometer, em 14/03/2018, infração tipificada no art. 155, §4º, IV, do CP, sobreveio condenação à pena privativa restritiva de direito, cujo trânsito em julgado ocorreu 11/02/2019 antes, portanto, da condenação à pena privativa de liberdade por infração ao art. 33, caput, da Lei 11.343/06, referente a fato ocorrido em 01/04/2018, e cujo trânsito em julgado se deu em 15/05/2020. De todo modo, é certo que, ante a impossibilidade de cumprimento simultâneo das sanções impostas, já que a pena restritiva de direito consiste em prestação de serviço à comunidade, correta a decisão do juízo "a quo" de converter as penas restritivas de direitos em privativas de liberdade."(fl. 52) O acórdão impugnado está em consonância com o entendimento desta Corte de que a superveniência de nova condenação que impossibilite o cumprimento simultâneo das reprimendas, independentemente de a condenação à pena restritiva de direitos ser anterior ou posterior à privativa de liberdade, justifica a reconversão daquela e a consequente unificação, nos termos do art. 111 da Lei n. 7.210/84. Nesse sentido: HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. EXECUÇÃO PENAL. CUMPRIMENTO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME SEMIABERTO. NOVA CONDENAÇÃO À PENA DE RECLUSÃO, CONVERTIDA EM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO. CONVERSÃO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE. .. 2. Esta Corte firmou entendimento no sentido de que a conversão poderá ocorrer quando houver incompatibilidade na execução da pena restritiva de direitos com a privativa de liberdade (art. 181, § 1º, alínea "e"", da LEP e art.. 44, § 5º, do Código Penal). 3. Na hipótese vertente, o ora paciente cumpria pena no regime semiaberto, com início em 25/6/2015 e término previsto para 11/6/2023. Sofreu nova condenação à pena de reclusão, em regime aberto, substituída por prestação de serviços à comunidade. O Juízo das Execuções Criminais, então, alegando impossibilidade de cumprimento simultâneo das reprimendas, converteu a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade, em consonância com a legislação de regência da matéria. Decisão mantida pelo Tribunal de origem, em sede de agravo em execução penal. 4. Nesses casos, efetivamente, conforme disposto no art. 111 da LEP, as penas devem ser unificadas. Inaplicabilidade, portanto, do art. 76 do Código Penal. 5. Inexistência de constrangimento ilegal, a justificar a concessão da ordem de ofício. 6. Habeas corpus não conhecido. (HC 421.608/RS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, DJe 1º/12/2017). PENAL E EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. NOVA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL. PACIENTE QUE CUMPRE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME SEMIABERTO. NOVA CONDENAÇÃO A SANÇÕES RESTRITIVAS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO CONCOMITANTE OU DE SUSPENSÃO DAS PENAS ALTERNATIVAS. CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS EM PRIVATIVA DE LIBERDADE QUE SE IMPÕE. NECESSIDADE DE UNIFICAÇÃO DAS PENAS. INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 76 E 111 DO CÓDIGO PENAL E DO ART. 181, § 1º DA LEP. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. II - Esta Corte pacificou entendimento no sentido de que, no caso de nova condenação a penas restritivas de direito a quem esteja cumprindo pena privativa de liberdade em regime fechado ou intermediário, é inviável a suspensão do cumprimento daquelas - ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, nos termos do art. 111 da LEP, deve-se proceder à unificação das penas, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal. Habeas Corpus não conhecido. (HC 346.851/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 5/5/2016). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PACIENTE QUE CUMPRIA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO A PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS. POSSIBILIDADE DE UNIFICAÇÃO DAS REPRIMENDAS. OBSERVÂNCIA DA REGRA INSERTA NO ART.111 DA LEI DE EXECUÇÕES PENAIS. DECISÃO MANTIDA PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O entendimento firmado nesta Corte é de que, sobrevindo nova condenação, somente é possível a manutenção da pena restritiva de direitos na hipótese em que exista compatibilidade no cumprimento simultâneo das reprimendas. (HC 326.481/RS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 25/08/2015, DJe 01/09/2015). 2. Independentemente de a condenação à pena restritiva de direitos ser anterior ou posterior à sanção privativa de liberdade, o único critério utilizável para manter a pena substitutiva é a compatibilidade de cumprimento simultâneo das reprimendas, quando da unificação.(HC 328.923/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 09/12/2015). 3. Agravo Regimental improvido. (AgRg no HC 311.138/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 15/3/2016). HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS EM PENA PRIVATIVAS DE LIBERDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE E LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO DAS PENAS. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. - Quanto ao tema, a jurisprudência desta Corte adota o posicionamento de que, em caso de superveniente condenação, a pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade caso não haja a possibilidade de cumprimento simultâneo das penas. Ainda, é entendido que apenas as penas restritivas de direitos consistentes em prestação pecuniária e perda de bens são passíveis de cumprimento simultâneo com penas privativas de liberdade, independentemente do regime destas. Precedentes. - Na hipótese dos autos a conversão foi devidamente realizada. O paciente foi condenado ao cumprimento de penas restritivas de direitos consistentes na prestação de serviços à comunidade e limitação de fim de semana, referente às execuções n. 2 e 10, respectivamente. Posteriormente, obteve condenações a penas de reclusão, fixadas tanto em regime fechado quanto em regime semiaberto. Dessa forma, em razão da incompatibilidade do cumprimento simultâneo das penas, de rigor se faz a conversão das penas restritivas de direitos em privativa de liberdade em razão da unificação das penas, nos termos do art. 111 da Lei de Execução Penal, afastando-se, portanto, o disposto no art. 76 do Código Penal. - Habeas corpus não conhecido. (HC 326.460/SP, Rel. Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, DJe 10/9/2015). Ante o exposto, voto pelo não conhecimento do habeas corpus.