HC 685892 - DECISAO
Concedeu-se a ordem porque este Tribunal firmou entendimento (REsp n. 1.557.461/SC) de que a unificação das penas não altera a data-base para a concessão de benefícios; assim, a data para fins de futuros benefícios deve ser a da última prisão ou da última infração disciplinar, e a alteração da data-base com base...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: Adriana Pires Lima; Autoridade Coatora: Nona Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 September 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Ordem Concedida
- Outcome
- Ordem concedida
- Legal Topics
- Unificação De Penas, Data Base Para Benefícios, Marco Interruptivo, Cálculo De Pena
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Adriana Pires Lima
Paciente
Nona Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Ordem Concedida
Legal Issues
- 1 se a unificação de penas altera a data-base para concessão de benefícios na execução penal
- 2 existência de marco interruptivo entre execuções penais
- 3 aplicação do art. 111 da LEP
Ratio Decidendi
Concedeu-se a ordem porque este Tribunal firmou entendimento (REsp n. 1.557.461/SC) de que a unificação das penas não altera a data-base para a concessão de benefícios; assim, a data para fins de futuros benefícios deve ser a da última prisão ou da última infração disciplinar, e a alteração da data-base com base apenas na unificação configura excesso de execução.
Court Disposition
Ordem concedida
Orders
- Fixar como termo a quo para futuros benefícios da execução penal a data da última prisão ou a data da última infração disciplinar do paciente.
- Comunique-se com urgência.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se dehabeas corpus,com pedido liminar, impetrado em favor deAdriana Pires Lima, apontando-se como autoridade coatora a Nona Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (Agravo em Execução Penal n.0011418-56.2020.8.26.0996). Narram os autos que a paciente, desde 12/9/2014, cumpre pena de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão. Consta queo Juízo da Vara de Execuções Penais indeferiu o pedido de retificação do cálculo da pena noPEC n. 0003508-53.2017.8.26.0520. O recurso interposto pela paciente teve o provimento negado pela Corte estadual. Daí o presentemandamus, em que a impetrante alega quea r. decisão prolatada não merece prosperar, haja vista que não houve solução de continuidade entre o cumprimento das execuções(fl. 5). Destaca queo cálculo de penas considera o dia do término da execução n. 879.368 como marco interruptivo do cumprimento de penas, passando a data de início da presente execução a viger como termo inicial para direitos prisionais. No entanto, tal raciocínio viola o art. 111 da LEP, haja vista que as penas estão unificadas e não houve solução de continuidade entre elas. Assim, não há que se falar em marcos interruptivos no cumprimento da pena, devendo a data-base para fins de benefícios ser a data do último ingresso do apenado no sistema prisional(fl. 5). Requer, inclusive em liminar,a retificação docálculo de penas de fls. 243/244 do PEC n. 0003508-53.2017.8.26.0520 (doc. 1 anexo), considerando-se como data-base para a previsão de benefícios a data do último ingresso do apenado no sistema prisional(fl. 9). Indeferida a liminar, prestadas as informações de praxe, o Ministério Público Federal opinou, pelas palavras do Subprocurador-Geral da República Roberto Luís Oppermann Thomé, pelo não conhecimento do writ, mas pela concessão da ordem de ofício (fls. 103/106). É o relatório. Da análise dos autosverifico a existência de nítido constrangimento ilegal a ser sanado, o que autoriza a concessão da ordem. Isso porque a Terceira Seção desta Corte, no julgamento do REsp n. 1.557.461/SC, ocorrido no dia 22/2/2018, alterou o anterior posicionamento jurisprudencial, passando a entender que a superveniência do trânsito em julgado da sentença condenatória não serve de novo parâmetro para fixação da data-base para concessão de benefícios à execução,não podendo, assim, ser desconsiderado o período de cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado após e já apontado como falta grave. Como dito no voto condutor, é preciso ressaltar que a unificação de nova condenação definitiva já possui o condão de recrudescer o quantum de pena restante a ser cumprido pelo reeducando, logo, a alteração da data-base para concessão de novos benefícios, a despeito da ausência de previsão legal, configura excesso de execução, baseado apenas em argumentos extrajurídicos. Com razão o nobre Subprocurador-Geral da República quando destacou, em seu parecer, o seguinte (fl. 105): .. Infere-se dos autos que a apenada ora paciente cumpria pena (s) infligida (s) e alusiva (s) a quatro execuções penais, com término previsto para 13/07/2019, tendo sido beneficiada com progressão a regime prisional aberto em 10/09/2013 e presa em flagrante por novo crime cometido em 12/09/2014, retomando o cumprimento de execuções anteriores sob regime prisional fechado (e-STJ, fl. 41); em 10/04/2017 sobreveio em juízo competente nova sentença condenatória ratificada por acórdão em 23/08/2018 impondo pena corporal de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão sob regime inicial fechado por prática de crimes tipificados nos artigos 157, §2º, incisos I e II e 158, §3º do CP (roubo majorado por emprego de arma de fogo e concurso de agentes e extorsão mediante restrição à liberdade da vítima) (e-STJ, fl. 25). Ambas instâncias ordinárias competentes firmaram que "se as penas relativas às execuções físicas foram integralmente cumpridas e declaradas extintas em data anterior ao início da execução atual, não podem compor o cálculo de pena relativo à nova condenação" (e-STJ, fl. 42). Conquanto cediços cultura jurídica e elevado espírito público dos ínclitos julgadores, tal veredito não deve-se manter por encontrar-se em desarmonia com hodierno entendimento desta Corte de que "unificação das penas, por si só, não altera a data-base para concessão de novos benefícios, devendo ser considerada a data da última prisão ou a data da última infração disciplinar" (STJ, 6ªT, AgRg no HC 456329/MT, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe 28/2/2020). Nesse diapasão veja-se este precedente: .. Ante o exposto,concedoa ordempara fixar como termo a quo defuturos benefícios da execução penal a data da últimaprisão ou a data da última infração disciplinar do paciente. Comunique-se com urgência. Intime-se o Ministério Público estadual desta decisão. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. UNIFICAÇÃO DE PENAS. MARCO INICIAL PARABENEFÍCIOS. DATA DA ÚLTIMA PRISÃO OU FALTA GRAVE. ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP N. 1.557.461/SC, JULGADO PELA TERCEIRA SEÇÃO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO. PARECER ACOLHIDO. Ordem concedida nos termos do dispositivo.