HC 698093 - DECISAO
Não há flagrante ilegalidade na adequação do regime prisional e na consideração da data da última prisão como data-base para contagem do prazo de concessão de benefícios quando, em razão do somatório das penas após nova condenação, o apenado deve ser transferido a regime mais gravoso; assim, o pedido liminar de...
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- Parties
- Paciente: Otavio Henrique da Silva; Coator: Décima Segunda Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 October 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Writ liminarmente indeferido
- Legal Topics
- Unificação De Penas, Progressão De Regime, Livramento Condicional, Interrupção De Prazo Para Concessão De Benefícios, Detração, Remição
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Parties
Otavio Henrique da Silva
Paciente
Décima Segunda Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo
Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 se a superveniência de nova condenação interrompe o prazo para concessão de benefícios
- 2 possibilidade de readequação do regime prisional em razão da unificação de penas
- 3 qual deve ser a data-base para contagem do prazo para concessão de benefícios
Ratio Decidendi
Não há flagrante ilegalidade na adequação do regime prisional e na consideração da data da última prisão como data-base para contagem do prazo de concessão de benefícios quando, em razão do somatório das penas após nova condenação, o apenado deve ser transferido a regime mais gravoso; assim, o pedido liminar de habeas corpus foi indeferido.
Court Disposition
Writ liminarmente indeferido
Orders
- Indefiro liminarmente o writ.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de Otavio Henrique da Silva contra ato coator proferido pela Décima Segunda Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, nos autos do agravo em execução n. 0003513-11.2021.8.26.0496, deu provimento ao agravo defensivo para cassar a interrupção de prazo para benefícios e estabelecer como data-base o dia da última prisão. Os impetrantes alegam, em síntese, que o caso admite a superação da Súmula 691/STF. Sustentam que a superveniência de condenação não deve proporcionar a interrupção do prazo para obtenção dos benefícios. Afirmam que estão trabalhando e se ressocializando, não fazendo sentido regredir de regime. Pedem, em caráter liminar e no mérito, a expedição de salvo-conduto (fls. 3/11). É o relatório. A concessão de ordem de habeas corpus demanda demonstração de plano à ilegalidade, ônus que recai sobre o impetrante, a quem cumpre instruir o feito com a prova pré-constituída de suas alegações. In casu, verifico, de plano, a inviabilidade do presente writ. O Tribunal local proveu a insurgência da defesa, readequando a data-base, pelos fundamentos seguintes (fls. 55/56): Repisa-se, não há previsão legal para alteração do marco inicial para contagem de prazo para concessão de benefícios, por conta da unificação de penas de condenação por delito praticado antes ou depois do início da execução da pena. Admitir tal situação implicaria em reconhecer tratamento diverso para situações análogas, eis que sentenciados, em cumprimento de pena, condenados a penas idênticas poderiam ter direito a concessão de benefícios em prazos diferentes, a depender da data do trânsito em julgado de suas sentenças. Entretanto, in casu, verifica-se que o sentenciado, durante o gozo de livramento condicional, cometeu novo delito, sendo preso em flagrante e posteriormente condenado, o que ensejou a unificação de penas. Nesse caso, não se pode considerar a data da primeira prisão para fins de progressão, considerando que o sentenciado permaneceu em liberdade condicional. Assim, é de rigor a reforma da decisão no que tange à interrupção do prazo para concessão de benefícios, para que seja considerada como data-base o dia da última prisão. A jurisprudência desta Corte Superior é firme em assinalar que, sobrevindo nova condenação, incumbe ao Juízo das Execuções Criminais proceder à unificação das penas, adequando o regime prisional ao resultado da soma, observadas, quando for o caso, a detração ou a remição (AgRg no HC n. 490.351/PR, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 16/4/2019). Ora, não há falar em flagrante ilegalidade na adequação do regime prisional quando, em razão do somatório das reprimendas impostas, o apenado é transferido ao regime mais gravoso, nos termos do que dispõem os arts. 111, parágrafo único, e 118, II, da Lei n. 7.210/1984, sendo irrelevante o fato de as sentenças, isoladamente, terem fixado regime inicial mais brando. Ante o exposto, indefiro liminarmente o writ. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO DE PENAS. READEQUAÇÃO A REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. Writ liminarmente indeferido.