HC 1012478 - DECISAO
O pedido liminar foi indeferido porque a matéria ainda não foi apreciada pelo Tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade que autorizasse a supressão de instância ou a superação da Súmula 691 do STF; assim, é prudente aguardar o julgamento de mérito no Tribunal a quo, devendo o STJ indeferir...
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- Parties
- Paciente: KECIANNY GARCES FURTADO; Ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar (indefirimento Liminar Pelo Stj)
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Unificação De Penas, Constrangimento Ilegal, Súmula 691 STF, Execução Penal, Conversão De Penas, Soma De Penas
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Parties
KECIANNY GARCES FURTADO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Sobre Pedido Liminar (indefirimento Liminar Pelo Stj)
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em habeas corpus na instância de origem
- 2 unificação de penas nos termos do art. 111, parágrafo único, da Lei de Execução Penal
- 3 aplicação da Súmula 691 do STF
Ratio Decidendi
O pedido liminar foi indeferido porque a matéria ainda não foi apreciada pelo Tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade que autorizasse a supressão de instância ou a superação da Súmula 691 do STF; assim, é prudente aguardar o julgamento de mérito no Tribunal a quo, devendo o STJ indeferir liminarmente.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indeferido liminarmente o Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de KECIANNY GARCES FURTADO em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 2177291-79.2025.8.26.0000. Consta dos autos que a paciente cumpria pena privativa de liberdade de 01 ano e 04 meses de reclusão em regime aberto, a qual foi convertida em restritivas de direitos, consistentes em prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária em favor da vítima. Posteriormente, sobreveio nova condenação da paciente à pena privativa de liberdade de 04 anos e 08 meses em regime semiaberto. A defesa requereu a unificação das penas, nos termos do art. 111, parágrafo único, da Lei de Execução Penal, mas o juízo indeferiu a soma das penas, determinando a expedição de mandado de prisão em desfavor da paciente. Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal, pois houve interpretação errônea do Tema n. 1.106 do Superior Tribunal de Justiça, e que a decisão promove cerceamento ilegal da liberdade da paciente, pois a unificação das penas viabilizaria a concessão de benefícios em sede de execução penal. Alegam, ainda, que o fumus boni juris advém da análise de documentos e da conferência de datas, demonstrando que o PEC referente às penas restritivas de direito é anterior ao PEC referente à pena privativa de liberdade. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a unificação das penas, nos termos do art. 111, parágrafo único, da Lei de Execução Penal. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) In casu, não visualizo manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, pois trata-se de matéria sensível e que demanda maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do Habeas Corpus impetrado no Tribunal a quo antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA