PUIL 5405 - DECISAO
O pedido de uniformização não merece conhecimento porque a solução da controvérsia exige interpretação de lei estadual/local que regula o plano de assistência dos servidores, matéria que foge à competência do Superior Tribunal de Justiça para uniformização de direito federal; assim, o STJ não pode uniformizar...
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- Parties
- Requerente: A. P. S. (menor); Requerido: IPE-SAÚDE - Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 April 2026
- Procedural Posture
- Pedido De Uniformização De Interpretação De Lei / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- pedido não conhecido
- Legal Topics
- Uniformização De Jurisprudência, Competência Do Superior Tribunal De Justiça, Interpretação De Lei Local, Coparticipação Em Plano De Saúde
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Parties
A. P. S. (menor)
Requerente
IPE-SAÚDE - Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul
Requerido
Procedural Posture
Pedido De Uniformização De Interpretação De Lei / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento do pedido de uniformização nos Juizados Especiais da Fazenda Pública (art. 18 da Lei n.12.153/2009)
- 2 competência do STJ para interpretar lei estadual/local
- 3 legalidade da cobrança de coparticipação prevista em lei estadual por plano de autarquia estadual
Ratio Decidendi
O pedido de uniformização não merece conhecimento porque a solução da controvérsia exige interpretação de lei estadual/local que regula o plano de assistência dos servidores, matéria que foge à competência do Superior Tribunal de Justiça para uniformização de direito federal; assim, o STJ não pode uniformizar entendimentos que dependam da exegese de legislação local.
Court Disposition
pedido não conhecido
Orders
- pedido não conhecido
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de pedido de uniformização de interpretação de lei apresentado por A. P. S. (menor), com fundamento no art. 18 da Lei nº 12.153/2009, contra acórdão da Primeira Turma Recursal da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: "RECURSO INOMINADO. PRIMEIRA TURMA RECURSAL DA FAZENDA PÚBLICA. IPE-SAÚDE. INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO RIO GRANDE DO SUL. AUTORIZAÇÃO E CUSTEIO DE TRATAMENTO. DEPENDENTE DE SEGURADO. MENOR. DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR. POSSIBILIDADE DE COBERTURA. AUTORIZADA A COBRANÇA DA COPARTICIPAÇÃO DO SEGURADO EM PERCENTUAL CONFORME A CATEGORIA E FAIXA SALARIAL DO SEGURADO TITULAR. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO DA PARTE AUTORA DESPROVIDO." (e-STJ fl. 28) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ fls. 32/34). A requerente sustenta, em síntese, que há divergência entre o acórdão da Turma Recursal e o entendimento de outras Turmas recursais, em especial, indica precedente da 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Estado do Paraná. Argumenta ainda ser o entendimento da Turma Recursal do Paraná harmônico à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a coparticipação não pode ser fator restritor severo ao acesso aos serviços prestados pelo plano de saúde. Requer, ao final, o provimento do pedido para afastar "(..) totalmente a coparticipação no caso em tela ou, ainda, limitando o valor da mesma ao mesmo valor cobrado para as consultas médicas, tal como havia decidido a MM. Juíza a quo." (e-STJ fls. 13). É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece ser conhecida. Com efeito, a Lei nº 10.259/2001 regula os Juizados Especiais Federais Cíveis e Criminais. O pedido de uniformização de interpretação de lei, previsto no art. 14, § 4º, da Lei nº 10.259/2001, é cabível, perante o Superior Tribunal de Justiça, quando o entendimento adotado pela Turma Nacional de Uniformização (TNU), em questões de direito material federal, contrariar súmula ou jurisprudência dominante no âmbito desta Corte. Em se tratando de Juizados Especiais da Fazenda Pública, o art. 18 da Lei nº 12.153/2009 ainda prevê o cabimento do pedido de uniformização dirigido ao STJ quando houver divergência entre decisões proferidas por turmas recursais de diferentes estados sobre questões de direito material federal, ou quando a decisão contrariar súmula ou jurisprudência dominante do tribunal. Na espécie, a requerente se insurge contra acórdão proferido pela Primeira Turma Recursal da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, no qual se debate o fornecimento de tratamento multidisciplinar a dependente segurado portador de transtorno do espectro autista. O acórdão recorrido assegurou o tratamento, todavia, entendeu lícita a cobrança de coparticipação prevista em lei estadual, a qual regula as regras de atendimento do plano de saúde por autarquia estadual aos servidores público do Estado do Rio Grande do Sul. Assim, o debate deduzido nos autos perpassa necessariamente o exame de lei estadual que refoge os limites jurisdicionais do Superior Tribunal de Justiça, ainda que sob o argumento de uniformização de jurisprudência. Nesse sentido: "ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI FEDERAL. PLANO DE ASSISTÊNCIA BÁSICA À SAÚDE DO SERVIDOR. PREVISÃO DE ASSISTÊNCIA BÁSICA E COMPLEMENTAR. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. INVIABILIDADE DO INCIDENTE. 1. O recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Caso em que o acórdão recorrido manteve a sentença, a qual julgou parcialmente procedente o pedido para tornar nulo a cobrança dos tratamentos e serviços utilizados pelo autor (tomografia de coerência óptica, injeção intraocular de lucentis, injeção intraocular de lucentis, tomografia de coerência óptica, injeção intraocular de lucentis, facectomia com lente intra-ocular), uma vez que "não resta claro se acobertado pelo plano básico ou complementar, devendo nesse caso prevalecer o princípio do "indubio pro consumidor", ante sua vulnerabilidade presumida". 3. O agravante defende, em síntese, a "validade das limitações impostas nas leis e decretos municipais". Assim sendo, a solução da controvérsia, caso acolhida, demanda interpretação de lei local, escapando à competência uniformizadora desta Corte, nos estritos termos dos art. 18, § 3º, e 19 da Lei n. 12.153/2009. 4. Consoante jurisprudência dessa Corte, "a atuação do Superior Tribunal adstringe-se ao exame do direito federal, não lhe cabendo proceder à exegese da legislação local, nem mesmo para efeito de uniformização de jurisprudência, sob pena de exorbitar da sua competência constitucional, incidindo, na espécie, mutatis mutandis, o Enunciado da Súmula 280/STF, segundo a qual "por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário"" AgInt nos EDcl no PUIL n. 2.342/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, julgado em 12/4/2023, DJe de 24/4/2023. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no PUIL n. 3.446/PA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 15/8/2023, DJe de 17/8/2023 - grifou-se) "PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. RECUSA EM AUTORIZAR REALIZAÇÃO DE EXAME PARA TRATAMENTO DE DOENÇA GRAVE. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. NÃO CABIMENTO. I - Na origem, trata-se de ação ajuizada contra o Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém objetivando rescisão do contrato de plano de saúde e a devolução em dobro dos valores descontados indevidamente diante da recusa em autorização de exame para tratamento de doença grave. II - Na sentença, julgaram-se parcialmente procedentes os pedidos para declarar a inconstitucionalidade incidental da expressão "que poderá se viabilizar através de financiamento ao segurado", constante do art. 18, ii, do anexo único do Decreto municipal n. 37.522/00, que regulamenta a Lei municipal n. 7.984/99, além da nulidade do plano de financiamento n. 19016/17 e a consequente devolução dos valores indevidamente cobrados equivalente a R$ 68,07 (sessenta e oito reais e sete centavos), devidamente corrigidos e atualizados, nos termos do art. 1º-F, da Lei n. 9.494/97 (STF - Rcl 19.240 AgR/RS), a contar da data do desconto indevido. III - No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corte não conheceu do pedido de uniformização de interpretação de lei. IV - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não merece conhecimento o pedido de uniformização de lei federal, na hipótese em que a solução da controvérsia passou pela interpretação da legislação local. V - A Lei n. 12.153/2009 prevê a uniformização de interpretação de lei para os Juizados Especiais da Fazenda Pública, no âmbito dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Os arts. 18 e 19 do referido diploma legal dispõem sobre o cabimento do instrumento processual. VI - A Lei n. 10.259/2001 também previu a utilização do instrumento de uniformização de interpretação de Lei Federal nos juizados especiais federais direcionado ao Superior Tribunal de Justiça. VII - Ainda que se trate de alegada contrariedade à súmula do STJ, o pedido de interpretação de lei federal dirigido ao Superior Tribunal de Justiça somente é cabível quando presente dissenso interpretativo circunscrito a questões de direito material reguladas por legislação federal. VIII - A exegese do art. 18, § 3º, da Lei n. 12.153, de 22 de dezembro de 2009, não pode permitir que o Superior Tribunal de Justiça opere como inexistente terceira instância para trato das questões fundadas em leis locais, usurpando competência dos Tribunais de Justiça e afastando-se da sua função de Corte constitucionalmente destinada à uniformização da interpretação da legislação federal. IX - A solução do presente caso passou pela interpretação da legislação local, qual seja, o Decreto municipal n. 35.522/2000 e a Lei municipal n. 7.984/1999, o que torna inviável o conhecimento do pedido de uniformização de lei federal. No mesmo sentido: (AgInt no PUIL n. 2.998/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Seção, julgado em 16/11/2022, DJe de 18/11/2022,AgInt no PUIL n. 2.121/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 30/11/2021, DJe de 2/12/2021 e AgInt no PUIL n. 1.802/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 24/11/2020, DJe de 1/12/2020.) X - Agravo interno improvido." (AgInt no PUIL n. 3.431/PA, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 14/11/2023, DJe de 17/11/2023 - grifou-se) Ante o exposto, não conheço do pedido. Publique-se. Intimem-se. EMENTA