HC 955644 - DECISAO
Havendo revisão criminal em trâmite originada da mesma decisão e pendente de julgamento, aplica-se o princípio da unirrecorribilidade, o que torna inadmissível a impetração simultânea de habeas corpus com idêntica pretensão; por isso o writ não pode ser conhecido e a matéria deve ser apreciada na via recursal...
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- Parties
- Paciente: ROBERTO CARLOS RODRIGUES; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (concomitância Com Revisão Criminal)
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Unirrecorribilidade, Ilicitude De Provas, Dosimetria Da Pena, Reconhecimento De Autoria, Regime De Cumprimento De Pena
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Parties
ROBERTO CARLOS RODRIGUES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (concomitância Com Revisão Criminal)
Legal Issues
- 1 incidência do princípio da unirrecorribilidade diante de revisão criminal pendente
- 2 admissibilidade do habeas corpus concomitante com revisão criminal ou recurso com mesma finalidade
- 3 adequação da apelação e da revisão criminal para impugnação de sentença condenatória
Ratio Decidendi
Havendo revisão criminal em trâmite originada da mesma decisão e pendente de julgamento, aplica-se o princípio da unirrecorribilidade, o que torna inadmissível a impetração simultânea de habeas corpus com idêntica pretensão; por isso o writ não pode ser conhecido e a matéria deve ser apreciada na via recursal própria pela instância estadual.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- pedido liminar indeferido (fls. 858/859)
- não conheço do habeas corpus
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ROBERTO CARLOS RODRIGUES, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO na Apelação Criminal n. 0059371-90.2012.8.26.0577. Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime previsto no art. 155, § 4º, inciso II, do Código Penal, à pena de 04 (quatro) anos, 09 (nove) meses e 18 (dezoito) dias de reclusão, no regime inicial fechado. Neste writ, a parte impetrante defende a absolvição do paciente, ao argumento de que a autoria não está devidamente comprovada, uma vez que as provas são frágeis, e que o reconhecimento com base no porte físico do acusado é vago. Afirma, ainda, que a pena deve ser fixada abaixo do patamar mínimo legal. Requer, liminarmente e no mérito, o reconhecimento da ilicitude das provas e a absolvição do paciente, ou, subsidiariamente, a revisão da dosimetria da pena, pleiteando a aplicação da pena abaixo do mínimo legal, o regime aberto para o cumprimento da pena, e a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. O pedido liminar foi indeferido às fls. 858/859. Foram prestadas informações às fls. 865/868 e 869/873. O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 877/879, opinando pelo não conhecimento do writ. É o relatório. DECIDO. A impetração não pode ser conhecida. Conforme bem apontado pelo Tribunal de origem nas informações prestadas às fls. 869/873, há tramitação concomitante da Revisão Criminal n. 2279268-51.2024.8.26.000 tirada da mesma decisão, a qual, inclusive, já está na fase de julgamento virtual, iniciado em 21/11/2024. Nessa hipótese, diante da incidência do postulado da unirrecorribilidade, é inadmissível a dupla inquinação do decisum por instrumentos processuais diversos, mostrando-se recomendável aguardar a análise da questão, na via recursal da revisão criminal, por parte do Tribunal estadual. Destaco, no ponto, o seguinte leading case da Terceira Seção do STJ: HABEAS CORPUS. SENTENÇA CONDENATÓRIA. NULIDADES. HABEAS CORPUS IMPETRADO NA ORIGEM DE FORMA CONTEMPORÂNEA À APELAÇÃO, AINDA PENDENTE DE JULGAMENTO. MESMO OBJETO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COGNIÇÃO MAIS AMPLA E PROFUNDA DA APELAÇÃO. RACIONALIDADE DO SISTEMA RECURSAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. . 2. A tutela constitucional e legal da liberdade humana justifica algum temperamento aos rigores formais inerentes aos recursos em geral, mas não dispensa a racionalidade no uso dos instrumentos postos à disposição do acusado ao longo da persecução penal, dada a necessidade de também preservar a funcionalidade do sistema de justiça criminal, cujo poder de julgar de maneira organizada, acurada e correta, permeado pelas limitações materiais e humanas dos órgãos de jurisdição, se vê comprometido - em prejuízo da sociedade e dos jurisdicionados em geral - com o concomitante emprego de dois meios de impugnação com igual pretensão. 3. Sob essa perspectiva, a interposição do recurso cabível contra o ato impugnado e a contemporânea impetração de habeas corpus para igual pretensão somente permitirá o exame do writ se for este destinado à tutela direta da liberdade de locomoção ou se traduzir pedido diverso em relação ao que é objeto do recurso próprio e que reflita mediatamente na liberdade do paciente. Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões idênticas deve ser reservado ao recurso previsto para a hipótese, ainda que a matéria discutida resvale, por via transversa, na liberdade individual. 4. A solução deriva da percepção de que o recurso de apelação detém efeito devolutivo amplo e graus de cognição - horizontal e vertical - mais amplo e aprofundado, de modo a permitir que o tribunal a quem se dirige a impugnação examinar, mais acuradamente, todos os aspectos relevantes que subjazem à ação penal. Assim, em princípio, a apelação é a via processual mais adequada para a impugnação de sentença condenatória recorrível, pois é esse o recurso que devolve ao tribunal o conhecimento amplo de toda a matéria versada nos autos, permitindo a reapreciação de fatos e de provas, com todas as suas nuanças, sem a limitação cognitiva da via mandamental. Igual raciocínio, mutatis mutandis, há de valer para a interposição de habeas corpus juntamente com o manejo de agravo em execução, recurso em sentido estrito, recurso especial e revisão criminal. .. . 10. Habeas corpus não conhecido. (HC n. 482.549/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julgado em 11/03/2020, DJe de 03/04/2020; grifamos). No mesmo sentido, confira-se, ainda, o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA DEFESA NO TRIBUNAL DE ORIGEM E HABEAS CORPUS IMPETRADO NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA CONTRA O MESMO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE SOLUÇÃO DEFINITIVA DA PRETENSÃO REVISIONAL NA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Hipótese em que os embargos de declaração contra o acórdão impugnado no habeas corpus, opostos pela Defesa em data anterior à impetração do writ nesta Corte, ainda não foram analisados pela Corte estadual. Desse modo, a ausência de solução definitiva da pretensão revisional na instância ordinária, em razão da pendência de julgamento do referido recurso defensivo, evidencia óbice intransponível à análise do writ, pois a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a tramitação concomitante de recursos e habeas corpus manejados contra o mesmo ato, sob pena de violação do princípio da unirrecorribilidade. Precedentes. 2. A propósito, .. uma vez transitada em julgado a condenação e aviada revisão criminal, que está em processamento, a impetração simultânea do habeas corpus com o mesmo objetivo de reformar o decreto condenatório fere o princípio da unirrecorribilidade e causa verdadeiro tumulto processual, inclusive com risco de decisões conflitantes e de burla ao critério funcional de fixação de competência entre os diversos órgãos fracionários do Tribunal. (AgRg no HC n. 674.869/PE, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 24/5/2022, DJe de 30/5/2022, grifei.)" (AgRg no HC n. 782.869/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 27/3/2023, DJe 30/3/2023). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 823.845/GO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 13/06/2023, DJe de 19/06/2023). Diante desse cenário fático-processual, qualquer pronunciamento imediato desta Corte Superior quanto ao pleito vindicado pelo impetrante seria precoce, além de implicar a subversão da essência do remédio heroico e o alargamento inconstitucional de sua competência para julgamento de habeas corpus. (AgRg no HC 733.563/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/05/2022, DJe de 16/05/2022). Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA