AREsp 2555476 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque a pretensão de revisar a base de cálculo dos honorários implicaria reexame do conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula nº 7 do STJ) e o tribunal de origem razoavelmente concluiu que o proveito econômico da autora corresponde ao valor atualizado...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: TANQUES PARTICIPAÇÕES LTDA.; Agravada: ANTÔNIA PRADO LINHARES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; majoração dos honorários em 5% até o limite de 20% em favor de ANTÔNIA PRADO LINHARES.
- Legal Topics
- Usucapião Especial Urbana, Honorários Advocatícios Sucumbenciais, Base De Cálculo, Proveito Econômico, Valor Da Causa, Súmula Nº 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
TANQUES PARTICIPAÇÕES LTDA.
Agravante
ANTÔNIA PRADO LINHARES
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Qual é a base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais (valor da causa ou proveito econômico)
- 2 Possibilidade de revisão do valor do proveito econômico sem reexame fático-probatório
- 3 Aplicabilidade da Súmula nº 7 do STJ ao pedido de revisão
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque a pretensão de revisar a base de cálculo dos honorários implicaria reexame do conjunto fático-probatório (vedado pela Súmula nº 7 do STJ) e o tribunal de origem razoavelmente concluiu que o proveito econômico da autora corresponde ao valor atualizado do imóvel, justificando a fixação dos honorários sobre o valor da causa; por fim, procedeu-se à majoração de 5% dos honorários até o limite de 20% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; majoração dos honorários em 5% até o limite de 20% em favor de ANTÔNIA PRADO LINHARES.
Orders
- CONHEÇO do agravo
- NÃO CONHECER do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por TANQUES PARTICIPAÇÕES LTDA. (TANQUES) contra decisão que não admitiu seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 433-444). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, TANQUES alegou a violação do art. 85, §2º, do CPC, ao sustentar que a base de cálculo dos honorários deve ser o valor do proveito econômico auferido, descontados os montantes relativos aos direitos possessórios e às benfeitorias correspondentes, e não sobre o valor atualizado da causa. (1) Da base de cálculos dos honorários advocatícios sucumbenciais Em suas razões recursais, TANQUES alegou a violação do art. 85, §2º, do CPC, ao defender que os honorários devem ser calculados com base no proveito econômico obtido, após dedução dos valores referentes aos direitos possessórios e às benfeitorias correspondentes, e não sobre o valor atualizado da causa. Ponderou, ainda, a "inadequação do montante total do imóvel no valor de R$ 150.000,00 como base para os honorários, considerando que esse valor não condiz com a realidade do mercado imobiliário na área periférica do Município Sobral/CE" (e-STJ, fls. 388-389). Sobre o tema, o Tribunal de origem assentou que, para a fixação dos honorários advocatícios, o proveito econômico é o montante obtido pelo vencedor da demanda, que, neste caso, corresponde ao valor atualizado do bem, conforme transcrição a seguir: O essencial a ser destramado nesta seara recursal diz respeito a higidez da sentença em relação aos honorários de sucumbência, que foram fixados no importe de 10% sobre o valor atualizado da causa, determinado pelo Juízo a quo, que, segundo o apelante, a base de cálculo, utilizada como parâmetro para obter o valor dos honorários, não poderia ser o valor da causa, mas sim o valor do proveito econômico obtido pela apelada. É bom de ver que o Código de Processo Civil é muito claro ao estabelecer que o juiz condenará a parte vencida a ressarcir a parte vencedora em honorários advocatícios de no mínimo 10% sobre o valor da condenação e no máximo 20%. É incontestável que, ao fazer um cálculo básico do valor da condenação, os honorários advocatícios se converterão a um valor certo e determinado. Inexistindo qualquer possibilidade de fixação em percentual abaixo destes valores. Ora, não é demais lembrar que o proveito econômico nada mais é do que o ganho obtido pela parte vencedora, sem que tenha sido a outra parte condenada a pagar quantia de igual valor. Assim compreendido chega-se a conclusão que o ganho da parte autora com a aquisição da propriedade do bem corresponde ao valor atualizado do imóvel, logo desmerece repreensão a decisão. Nesse contexto, depreende-se do acórdão recorrido que, na situação em questão, o valor do proveito econômico obtido pela autora equivale também ao valor atualizado da causa, tendo como referência o montante atualizado do imóvel adquirido por usucapião. Assim, rever as conclusões quanto ao montante do proveito econômico e a inadequação do valor total do imóvel com parâmetro para a fixação dos honorários advocatícios demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula nº 7 do STJ. O recurso, portanto, não merece ser conhecido quanto ao ponto. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em favor de ANTÔNIA PRADO LINHARES, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA. PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS AUTORAIS. HORORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALOR DA CAUSA. PROVEITO ECONÔMICO. MONTANTE ATUALIZADO DO BEM OBJETO DA USUCAPIÃO. REVISÃO. SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.