AREsp 2432736 - DECISAO
Rejeitaram-se os embargos porque não havia omissão, contradição ou obscuridade a ser suprida: a decisão embargada fundamentou claramente que, apesar da CDHU ser sociedade de economia mista, o imóvel possui destinação pública prevista na Constituição, fundamento constitucional suficiente para impedir o reconhecimento...
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- Parties
- Embargante: ANTÔNIO DE SOUSA LIMA FILHO (ANTÔNIO); Parte: COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE SÃO PAULO - CDHU
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados.
- Legal Topics
- Usucapião Extraordinária, Embargos De Declaração, Omissão (art. 1.022 Do Cpc), Súmula Nº 126 Do STJ, Súmula Nº 340 Do STF, Destinação Pública De Imóvel (art. 183, §3º E Art. 191, Parágrafo Único, Cf), Natureza Jurídica Da CDHU
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Parties
ANTÔNIO DE SOUSA LIMA FILHO (ANTÔNIO)
Embargante
COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE SÃO PAULO - CDHU
Parte
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula nº 126 do STJ
- 2 Se a Súmula nº 340 do STF trata de matéria infraconstitucional
- 3 Natureza jurídica da CDHU como sociedade de economia mista e suas consequências
Ratio Decidendi
Rejeitaram-se os embargos porque não havia omissão, contradição ou obscuridade a ser suprida: a decisão embargada fundamentou claramente que, apesar da CDHU ser sociedade de economia mista, o imóvel possui destinação pública prevista na Constituição, fundamento constitucional suficiente para impedir o reconhecimento da usucapião, e aplicou a Súmula nº 126 do STJ, de modo que os aclaratórios buscavam mero reexame do decidido.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados.
Orders
- Rejeito os embargos de declaração.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por ANTÔNIO DE SOUSA LIMA FILHO (ANTÔNIO) contra decisão monocrática de minha relatoria, assim ementada: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. USUCAPIÃO DE IMÓVEL DA CDHU. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO INTERPOSTO. SÚMULA Nº 126 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. (e-STJ, fl. 426) Nas razões dos presentes declaratórios, afirmou que (1) não se aplica a Súmula nº 126 do STJ; (2) a Súmula nº 340 do STF versa sobre matéria infraconstitucional, não sendo fundamento para a improcedência liminar do pedido; (3) a COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE SÃO PAULO - CDHU possui natureza de sociedade de economia mista, sendo regida pelas normas de direito privado. Foi apresentada impugnação (e-STJ, fls. 441-451). É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece prosperar. Da ausência de violação do art. 1.022 do CPC De acordo com a jurisprudência desta Corte, a contradição ou obscuridade remediáveis por embargos de declaração são aquelas internas ao julgado embargado, devidas à desarmonia entre a fundamentação e as conclusões da própria decisão. Já a omissão que enseja o oferecimento de embargos de declaração consiste na falta de manifestação expressa sobre algum fundamento de fato ou de direito ventilado nas razões recursais e sobre o qual deveria manifestar-se o juiz ou o tribunal e que, nos termos do CPC, é capaz, por si só, de infirmar a conclusão adotada para o julgamento do recurso (arts. 1.022 e 489, § 1º, do CPC). Nas razões deste aclaratório, ANTÔNIO defendeu que (1) não se aplica a Súmula nº 126 do STJ; (2) a Súmula nº 340 do STF versa sobre matéria infraconstitucional, não sendo fundamento para a improcedência liminar do pedido; (3) a COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL E URBANO DO ESTADO DE SÃO PAULO - CDHU possui natureza de sociedade de economia mista, sendo regida pelas normas de direito privado. Contudo, sem razão. Constou expressamente na decisão embargada que, a despeito de a CDHU ser uma sociedade de economia mista, não se afigura possível o reconhecimento da usucapião do imóvel em questão, por se tratar de unidade habitacional destinada à moradia da população de baixa renda, o que configura sua destinação pública, nos termos do que dispõe o art. 183, § 3º, e 191, parágrafo único, da Constituição Federal. Nesse contexto, foi aplicada a Súmula nº 126 do STJ, segundo o qual "É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário". Observa-se, dessa forma, que não foi demonstrado nenhum vício na decisão embargada a ensejar a integração do julgado, porquanto a fundamentação adotada na decisão é clara e suficiente para respaldar a conclusão alcançada. Esse, inclusive, é o posicionamento desta Corte, a saber: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO. NÃO CONFIGURADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. INOBSERVÂNCIA DE URGÊNCIA NO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA TESE FIRMADA NOS RESPS. 1.696.396/MT E 1.704.520/MT ACERCA DA TAXATIVIDADE MITIGADA DO ROL DO ART. 1.015 DO NOVO CPC/2015. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não há ofensa ao art. 1.022, do CPC/15, porquanto o Tribunal de origem decidiu a matéria de forma fundamentada. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. .. 5. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.430.725/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 6/3/2024) Nesse sentido, é forçoso reconhecer que a parte pretende, na verdade, o rejulgamento da causa. Em suma, a pretensão desborda das hipóteses de cabimento dos aclaratórios, previstas no art. 1.022 do CPC. Nessas condições, REJEITO os embargos de declaração. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, §4º, ou 1.026, §2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. IMÓVEL COM DESTINAÇÃO PÚBLICA. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO INTERPOSTO. SÚMULA Nº 126 DO STJ. OMISSÕES NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS REJEITADOS.