REsp 1743987 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque a Corte de origem enfrentou e fundamentou as questões necessárias ao julgamento (afastando omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015) e porque a reforma pretendida exigiria reexame do contexto fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ, o que impede o...
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- Parties
- Agravante: MAURICIO DE PAULA CARDOSO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual 05/03/2024 a 11/03/2024)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Vício De Fundamentação, Decisão Surpresa, Efeito Translativo, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial, Reexame De Matéria Fático Probatória
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Parties
MAURICIO DE PAULA CARDOSO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual 05/03/2024 a 11/03/2024)
Legal Issues
- 1 alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão/cerceamento de defesa)
- 2 configuração de decisão surpresa em razão de consideração de informações da autoridade coatora
- 3 incidência da Súmula 7/STJ e impossibilidade de reexame de provas
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque a Corte de origem enfrentou e fundamentou as questões necessárias ao julgamento (afastando omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015) e porque a reforma pretendida exigiria reexame do contexto fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ, o que impede o conhecimento do recurso, inclusive perante alegada divergência jurisprudencial.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Agravo interno não provido
- Negar provimento ao recurso
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 11/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. DECISÃO SURPRESA. EFEITO TRANSLATIVO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Inexiste decisão surpresa pela consideração de fatos e provas trazidas pela autoridade tida como coatora em informações no curso de mandado de segurança. 3. É inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ. 4. A incidência da Súmula 7/STJ quanto ao mesmo ponto controvertido impede o conhecimento do recurso especial também pela divergência jurisprudencial. 5. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, Agravo interno interposto por MAURICIO DE PAULA CARDOSO, contra a decisão que não conheceu do Recurso Especial, em razão da inexistência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015 e pela aplicação da Súmula 7 do STJ. Argumenta a parte agravante, em síntese, que: i) houve vício no acórdão da origem quanto ao cerceamento de defesa pela vedação de acesso ao processo administrativo; ii) configura-se decisão supresa e violadora dos limites do efeito translativo a consideração pelo colegiado de dados e fatos constantes nas informações prestadas pela autoridade imputada como coatora, sem anterior debate pelas partes; iii) não incidir a Súmula 7/STJ sobre a alegação, tida como não contrariada pela autoridade coatora, de impedimento de acesso aos autos administrativos; e iv) ser inaplicável a Súmula 7/STJ na hipótese de recurso especial pela divergência. Por fim, pugna pela reforma da decisão agravada. Sem impugnação da parte agravada. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. DECISÃO SURPRESA. EFEITO TRANSLATIVO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Inexiste decisão surpresa pela consideração de fatos e provas trazidas pela autoridade tida como coatora em informações no curso de mandado de segurança. 3. É inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ. 4. A incidência da Súmula 7/STJ quanto ao mesmo ponto controvertido impede o conhecimento do recurso especial também pela divergência jurisprudencial. 5. Agravo interno não provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Quanto à alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, verifica-se que a Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material. A propósito, na forma da jurisprudência: Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 " (AgInt no AREsp n. 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). Assim, não é necessário mencionar decisão surpresa na hipótese. A configuração dessa nulidade pressupõe que a conclusão ju rídica alcançada pelo julgador não decorre de previsão objetiva do ordenamento, extrapolando "o desdobramento causal, jurídico e natural, da controvérsia", bem como funda-se em fatos, pedidos ou causas de pedir alheios à controvérsia colocada (AgInt nos EDcl no RMS n. 70.168/BA, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 4/4/2023), o que não ocorre na hipótese de embasar-se em provas e argumentos colacionados pela autoridade indicada como coatora em mandado de segurança. No mais, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, acerca do impedimento de acesso aos autos administrativos pelo impetrante, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: "O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem interpretação de cláusulas contratuais e revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmulas n. 5 e 7 do STJ)" (AgInt no AREsp n. 2.190.821/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023). A incidência desse óbice impede o conhecimento do recurso também pela divergência jurisprudencial (AgInt no REsp n. 2.078.873/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/10/2023, DJe de 18/12/2023). Isso posto, nego provimento ao recurso.