AREsp 2828077 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem examinou expressamente as questões essenciais (ausência de omissão), sustentou fundamento constitucional relevante (art.5º, XXXV, CF) o que exige recurso extraordinário ao STF conforme Súmula 126/STJ, e porque a modificação da conclusão sobre inépcia...
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- Parties
- Agravante: ERBE INCORPORADORA 037 S/A; Apelada/contestante: Caixa Econômica Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Decisão Colegiada (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Vícios Construtivos Em Imóvel, Omissão/embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc/2015), Ausência De Interesse De Agir, Inépcia Da Petição Inicial, Súmula 126/stj, Súmula 7/stj, Suspensão Do Processo Tema 1.198/stj, Litigância Predatória
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Parties
ERBE INCORPORADORA 037 S/A
Agravante
Caixa Econômica Federal
Apelada/contestante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Decisão Colegiada (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Existiu omissão no acórdão recorrido (art. 1.022 CPC/2015)?
- 2 É cabível agravo em recurso especial diante de fundamentação constitucional e infraconstitucional no acórdão (incidência da Súmula 126/STJ)?
- 3 É possível reexaminar a inépcia da inicial em recurso especial (limitação da Súmula 7/STJ)?
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem examinou expressamente as questões essenciais (ausência de omissão), sustentou fundamento constitucional relevante (art.5º, XXXV, CF) o que exige recurso extraordinário ao STF conforme Súmula 126/STJ, e porque a modificação da conclusão sobre inépcia exigiria reexame de provas e fatos vedado pela Súmula 7/STJ; assim, não há razão para suspender o feito pelo Tema 1.198/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão agravada
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 10/06/2025 a 16/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. VÍCIOS CONSTRUTIVOS EM IMÓVEL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DO ACÓRDÃO. SÚMULA 126/STJ. TESE DE INÉPCIA DA INICIAL. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu a matéria submetida à sua apreciação manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide. Dessa forma, não havendo omissão, contradição ou obscuridade no aresto recorrido, inexiste ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015. 2. O Tribunal de origem rejeitou a alegação de falta de interesse processual com base em fundamento constitucional (art. 5º, XXXV, da Constituição Federal), de modo que a recorrente deveria ter interposto recurso extraordinário ao eg. STF. Diante disso, incide o entendimento do STJ de que "É inadmissível recurso e special, quando o acordão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário (Súmula nº 126/STJ)" (AgInt no AREsp 2.625.934/SP, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). 3. O Tribunal de origem rejeitou a tese de inépcia da inicial apontando que há correspondência mínima entre a descrição de vícios construtivos constantes na petição e as provas juntadas aos autos, com descrição adequada da causa de pedir e do pedido. A modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, inviável em recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO EXMO. SR. MINISTRO RAUL ARAÚJO (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por ERBE INCORPORADORA 037 S/A em face de decisão desta relatoria, que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial. A agravante requer a suspensão do processo, até o julgamento do Tema n. 1.198/STJ, em que se discutirá a possibilidade de o juiz, ao identificar litigância predatória, exigir que a parte autora emende a petição inicial com documentos que lastreiem minimamente as pretensões deduzidas em juízo. Alega que "não há de prosperar o entendimento pela ausência de negativa de prestação jurisdicional, pois a fundamentação trazida no acórdão não rechaça os argumentos constantes dos embargos de declaração, que permanecem, consequentemente, ignorados" (fl. 686). Insiste na alegação de inépcia da inicial, porque a parte autora formulou pedido genérico, e na tese de ausência de interesse de agir, tendo em vista que não houve prévia tentativa de resolver o litígio na via administrativa. Defende, ainda, o afastamento do óbice da Súmula 126/STJ. Impugnação às fls. 699-707. É o relatório. EMENTA CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. VÍCIOS CONSTRUTIVOS EM IMÓVEL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DO ACÓRDÃO. SÚMULA 126/STJ. TESE DE INÉPCIA DA INICIAL. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu a matéria submetida à sua apreciação manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide. Dessa forma, não havendo omissão, contradição ou obscuridade no aresto recorrido, inexiste ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015. 2. O Tribunal de origem rejeitou a alegação de falta de interesse processual com base em fundamento constitucional (art. 5º, XXXV, da Constituição Federal), de modo que a recorrente deveria ter interposto recurso extraordinário ao eg. STF. Diante disso, incide o entendimento do STJ de que "É inadmissível recurso e special, quando o acordão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário (Súmula nº 126/STJ)" (AgInt no AREsp 2.625.934/SP, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). 3. O Tribunal de origem rejeitou a tese de inépcia da inicial apontando que há correspondência mínima entre a descrição de vícios construtivos constantes na petição e as provas juntadas aos autos, com descrição adequada da causa de pedir e do pedido. A modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, inviável em recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno desprovido. VOTO EXMO. SR. MINISTRO RAUL ARAÚJO (Relator): A decisão agravada deve ser mantida. Primeiro, reitera-se que o desfecho do Tema n. 1.198/STJ não é capaz de alterar o resultado da presente demanda, tendo em vista que tanto as instâncias ordinárias quanto esta Corte Superior já consideraram a petição inicial apta - isto é, já se afastou qualquer indício de litigância predatória. Não há, portanto, necessidade de se suspender o feito. Na origem, o eg. TRF da 3ª Região rejeitou expressamente as alegações de inépcia da inicial e de ausência de interesse de agir, nestes termos: De fato, caracteriza-se o interesse de agir, figurado no art. 3º, CPC, por uma necessidade de recorrer ao Judiciário, para a obtenção do resultado pretendido, independentemente da legitimidade ou legalidade da pretensão, numa relação de necessidade e adequação, por ser primordial a provocação da tutela jurisdicional apta a produzir a correção da lesão arguida na inicial. No caso concreto, busca a parte autora o ressarcimento de valores a que entende fazer jus, em razão da constatação de vícios construtivos em imóvel do Programa Minha Casa Minha Vida, conforme a prefacial. Em se tratando o contrato de mútuo habitacional, de documento comum, de modo que se a autora, parte vulnerável no processo, alegar a dificuldade na sua obtenção, se mostra possível a determinação para que a ré promova a sua juntada. Assim, o documento requerido pelo Juiz a quo não é necessário para a propositura da presente ação. Ressalte-se que, em sede de contestação, a CEF não juntou a cópia do contrato de financiamento habitacional, quando poderia tê-lo feito. (..) Ademais, cumpre consignar que, em razão da garantia da inafastabilidade da jurisdição, prevista no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, o acesso ao Judiciário para pleitear a indenização por danos decorrentes de vícios de construção não pode ser obstado somente porque a parte autora não buscou a priori obter, na esfera administrativa, tal ressarcimento. (..) Com efeito, o requerimento administrativo, embora necessário, pode ser suprido por qualquer comunicação sobre os vícios construtivos, ou seja, prescinde de rigor formal, bem como pela eventual oposição da parte contrária do pedido indenizatório. (..) Compulsando os autos verifica-se que a autora apelante promoveu a notificação extrajudicial das apeladas, mas não houve resposta por parte delas (IDs 278632498 e 278632499). Destarte, a extinção processual combatida não merece subsistir, vênias todas, porquanto apenas tem o condão de adiar a discussão judicial do litígio. Portanto, de rigor a superação da extinção processual com base no fundamento de ausência de interesse de agir, reformando a r. sentença extintiva, com o retorno do feito à origem, em prosseguimento de tramitação, ausente sujeição sucumbencial ao presente momento processual. (..) Outrossim, no caso dos autos, para comprovar sua condição de mutuária, a parte autora juntou comprovante de residência e termo de recebimento do imóvel integrante do PMCMV e PAR (IDs 278632415 e 278632417). Portanto, os documentos colacionados comprovam que a parte autora celebrou contrato de financiamento de imóvel integrante do Programa Minha Casa Minha Vida, além de ter demonstrado que comunicou à CEF a existência de . Por isso, é desprovida de fundamento jurídico a sentença que vícios de construção não reconhece essa documentação para ao menos dar suporte ao interesse de agir necessário ao processamento do feito judicial. Inexiste, portanto, omissão no acórdão de 2º grau. Acerca das questões de fundo, vale notar que o Tribunal de origem rejeitou a alegação de falta de interesse processual com base em fundamento constitucional (art. 5º, XXXV, da Constituição Federal), de modo que a recorrente deveria ter interposto recurso extraordinário ao eg. STF. Diante disso, incide o entendimento do STJ de que "É inadmissível recurso especial, quando o acordão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário (Súmula nº 126/STJ)" (AgInt no AREsp 2.625.934/SP, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024, DJe de 25/10/2024). De qualquer modo, a Corte a quo anotou que a autora apresentou pedidos administrativos de solução do litígio à Caixa Econômica Federal - os quais não foram respondidos. Logo, o argumento de que a parte autora não buscou a prévia solução administrativa da pretensão não encontra suporte nos fatos da causa - cujo exame, vale lembrar, compete exclusivamente às instâncias ordinárias (Súmula 7/STJ). A respeito da tese de inépcia da inicial, a reforma do acórdão de origem demandaria apurar se a descrição dos vícios construtivos, apresentada pela parte autora, possui mínima correspondência com as provas documentais juntadas ao feito e se não constitui descrição padronizada de defeitos estruturais, já repetida em outras demandas - juízo, contudo, obstado pela Súmula 7/STJ. Nesse sentido: "A alteração das conclusões adotadas pela Corte de origem - quanto à não configuração da inépcia da inicial - demandaria necessariamente novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto no enunciado sumular n. 7 deste Tribunal Superior, por ambas as alíneas do permissivo constitucional" (AgInt no AREsp 2.664.018/MS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 9/10/2024 ). Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.