AREsp 2532464 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial em razão de óbices processuais reiterados: deficiência de fundamentação por ausência de indicação precisa de dispositivos legais (Súmula 284/STF), impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e falta de prequestionamento...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE CONCEIÇÃO DO COITÉ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Verbas Salariais, Ônus Da Prova, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Súmulas Constitucionais, Responsabilidade Fiscal
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Parties
MUNICÍPIO DE CONCEIÇÃO DO COITÉ
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 284/STF pela ausência de indicação precisa do dispositivo legal violado
- 2 distribuição do ônus da prova quanto ao alegado inadimplemento salarial
- 3 óbie da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de provas
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial em razão de óbices processuais reiterados: deficiência de fundamentação por ausência de indicação precisa de dispositivos legais (Súmula 284/STF), impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e falta de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF); determinou-se, ainda, majoração dos honorários advocatícios em 15% com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE CONCEIÇÃO DO COITÉ contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. SERVIDOR PÚBLICO. VERBAS SALARIAIS. INADIMPLÊNCIA. MUNICÍPIO. PAGAMENTO DEVIDO. PROCEDÊNCIA. CUSTAS PROCESSUAIS. ENTE FEDERATIVO. ENCARGO. DISPENSA. CONDENAÇÃO. HONORÁRIOS. APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INOBSERVÂNCIA. SENTENÇA. REFORMA PARCIAL EX OFFICIO. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 373 do CPC, no que concerne ao descumprimento do ônus probatório pelo demandante na hipótese em que não comprovou o alegado inadimplemento salarial, trazendo a seguinte argumentação: O v. acórdão não merece, em hipótese alguma, prosperar, haja vista que, conforme já restou demonstrado, uma vez que, não havendo prova do efetivo requerimento administrativo, não há que se falar em direito constituído. Ademais, cumpre esclarecer que não houve comprovação do efetivo exercício de trabalho prestado pela parte recorrida em dezembro de 2012, assim, não devendo prosperar o acórdão combatido. Do mesmo modo, conforme já alegado no recurso de apelação, para gerar a obrigação de pagamento pelo ente público ao servidor municipal, mister se faz a comprovação do efetivo labor do mês em contenda, ônus de incumbência da recorrida (fls. 187-188). O ônus da prova é de fundamental importância quando não há prova de determinado fato no processo. Mas se não há prova, é necessário que o sistema trace os critérios a ser trilhados pelo juiz para chegar à solução da demanda. Desta feita, merece reparos o acórdão recorrido, vez que, conforme sedimentado entendimento legal, doutrinário e jurisprudencial, o ônus probatório recai sobre aquele que alega, qual seja, a recorrida/autora da Ação de Cobrança. .. Deste modo, o acórdão vergastado deixou de levar em consideração o quanto prequestionado pelo recorrente em referência ao ônus da prova que, obviamente, deveria ter sido da recorrida, especialmente porque não há provas nos autos do efetivo pedido e/ou negativa administrativa (fl. 188). Deste modo, Excelência, a parte autora da Ação de Cobrança, ora recorrida, não se desincumbiu do ônus de comprovar o fato constitutivo de seu direito, razão pela qual requer seja modificado o acórdão recorrido, diante da violação legal aqui aventada (fl. 189). Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente discorre a respeito da legitimidade e responsabilidade pelo pagamento despesas de exercícios anteriores que podem conduzir o Município recorrente ao desequilíbrio fiscal, trazendo a seguinte argumentação: Cumpre salientar que o Município recorrente recebeu a Prefeitura na transição sem documentações de natureza administrativa, contábil e financeira, impossibilitando ao atual gestor a realização do pagamento de qualquer despesa proveniente de exercícios anteriores, haja vista a necessidade de observar as exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. Desta forma, no que tange ao pagamento do vencimento de dezembro/2012, o ente público, através da atual gestão, restou impossibilitado de aferir a existência da suposta dívida, haja vista que nenhum documento contábil ou financeiro foi entregue (fl. 189). Quanto à terceira controvérsia, a parte recorrente defende a impossibilidade de alteração do montante arbitrado na condenação ao pagamento de honorários advocatícios, trazendo a seguinte argumentação: Requer, ainda, a reforma do valor arbitrado no acórdão recorrido quando a condenação em honorários sucumbenciais, haja vista ter tido, neste aspecto, uma modificação da sentença, de ofício, o que não pode ser admitido (fl. 189). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) De igual sorte: "A ausência de particularização dos incisos do artigo supostamente violado, inviabilizam a compreensão da irresignação recursal, em face da deficiência da fundamentação do apelo raro" (AgRg no AREsp n. 522.621/PR, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12/12/2014.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15/2/2022. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: De outro lado, como bem pontuou o magistrado precedente, é incontroverso o fato de que o ora apelante reconheceu em dezenas de casos semelhantes o direito de seus servidores ao recebimento de verbas inadimplidas no período indicado na inicial. Portanto, demonstrado o fato constitutivo do direito da autora, cabia ao réu, para não ser compelido ao pagamento das verbas, provar fato extintivo, modificativo ou impeditivo do direito perquirido, conforme preceito do artigo 333, inciso II, do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu (fl. 166). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à distribuição do ônus probatório das partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "a alteração das conclusões adotadas pela instância ordinária, no que diz respeito ao ônus da prova, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ". (AgInt no AREsp 1.190.608/PI, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 24/4/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.606.233/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.060.371/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 17/8/2020; e REsp 1.812.278/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 29/10/2019. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Na mesma linha: "Quanto às alegações de excesso de prazo, em conjunto com os pedidos de absolvição ou de redimensionamento da pena, com abrandamento de regime e substituição da pena por restritivas de direitos, a recorrente não indicou os dispositivos legais considerados violados, o que denota a deficiência da fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência do enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal." (AgRg nos EDcl no REsp n. 1.977.869/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 20/6/2022.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009; AgInt no AREsp n. 2.029.025/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 29/6/2022; AgRg no REsp n. 1.779.821/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 18/2/2021; AgRg no REsp n. 1.986.798/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022. Ademais, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso Quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp n. 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022. Quanto à terceira controvérsia, novamente incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Portanto, descabe falar em violação, na hipótese, aos princípios da vedação à reformatio in pejus e à decisão surpresa, porquanto a fixação de honorários (e consequentemente, a sua correção, quando equivocada), tratando-se de verba de natureza alimentar, constitui matéria de ordem pública (fl. 232). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA