AREsp 1873035 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório para reconhecer a injusta provocação e a incidência do art. 129, § 4º, do CP, hipótese vedada pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal de origem concluiu pela ausência de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: JOSE FERNANDES DE BRITO; Ofendida/vítima: ofendida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Violência Doméstica, Lesão Corporal, Dosimetria Da Pena, Causa De Diminuição De Pena (art. 129, § 4º, Cp), Redução De Pena, Súmula 7/stj, Reexame De Prova
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Parties
JOSE FERNANDES DE BRITO
Agravante/recorrente
ofendida
Ofendida/vítima
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do art. 129, § 4º, do Código Penal (causa de diminuição de pena)
- 2 comprovação da injusta provocação da vítima
- 3 vedação ao reexame do conjunto fático-probatório pela Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão recursal exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório para reconhecer a injusta provocação e a incidência do art. 129, § 4º, do CP, hipótese vedada pela Súmula 7 do STJ; o Tribunal de origem concluiu pela ausência de comprovação da injusta provocação e pela desproporcionalidade da conduta do apelante.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por JOSE FERNANDES DE BRITO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre apresentado por JOSE FERNANDES DE BRITO, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: APELAÇÃO. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CRIME DE LESÃO CORPORAL. ARTIGO 129, § 9º, DO CÓDIGO PENAL C/C A LEI 11.343/06. DOSIMETRIA DA PENA. ATENUANTE DA CONFISSÃO. FIXAÇÃO AQUÉM DO MÍNIMO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA .. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA. ART. 129, § 4º, DO CÓDIGO PENAL. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS. 4 . Na hipótese vertente, é fato que o apelante e a ofendida discutiram no dia dos fatos, no entanto, a defesa não cuidou de comprovar a existência do requisito da injusta provocação da vítima. 5. Infere-se do interrogatório do apelante, que este alega ter cado muito nervoso quando viu a esposa chegando em casa na garupa de da moto de um rapaz e, durante a discussão, acabou atingido a ofendida. Nota-se, ainda que o apelante tenha agido por motivo de relevante valor moral ou sob o domínio de violenta emoção, o acervo probatório dos autos não comprovou a injusta provocação da vítima, restando demonstrado que o apelante agiu de forma desarrazoada e desproporcional, pois valendo-se de sua superioridade física, desferiu soco no rosto da vítima, causando-lhe as lesões descritas no laudo de exame de corpo de delito. Assim, impossível a incidência do § 4º, do artigo 129 do Código Penal. 6. Recurso conhecido e improvido. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 129, § 4º, do CP, no que concerne à ocorrência de clara e injusta provocação para a incidência da redução de pena prevista no dispositivo tido por violado, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): "Conforme se extrai do próprio voto, não restam dúvidas que a vítima permaneceu em lugar incerto fora de sua residência ingerindo bebida alcoólica, mesmo após ter se desentendido com o companheiro, e que chegou em casa embriagada de madrugada sendo conduzida por um desconhecido em uma moto. Ora! O fato descrito se enquadra nos moldes do § 4º, do art. 129 do CP. O recorrente agiu impelido de relevante valor moral, violenta emoção, logo em seguida à provocação da vítima. Ademais, não há que se falar em ausência de provocação da vítima quando as duas versões afirmam que além da vítima ter permanecido ingerindo bebida alcoólica após primeira discussão, somente retornou para casa de madrugada sendo conduzida por pessoa desconhecida, quando novamente discutiu com o Recorrente. Não há como negar que a referida situação não implique em relevante valor moral e excessiva emoção, quando tratamos de pessoas que convivem maritalmente e que, além do estado em que a vítima se encontrava ainda houve discussão antes da agressão, portanto clara a injusta provocação da vítima. Assim sendo, o reconhecimento e aplicação da acusa de diminuição de pena, do § 4º, do art. 129 do CP, é medida que se impõe" (fl. 207). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: "Defende o apelante que deve ser aplicada referida causa de diminuição, no seu patamar máximo, pois teria cometido o ato impelido por relevante valor moral, logo em seguida a injusta provocação da vítima. .. Para configuração da mencionada causa de redução da pena é necessário que o agente cometa o delito por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima. .. Infere-se do interrogatório do apelante, que este alega ter ficado muito nervoso quando viu a esposa chegando em casa na garupa de uma moto de um rapaz e, durante a discussão, acabou atingido a ofendida. Nota-se, ainda que o apelante tenha agido por motivo de relevante valor moral ou sob o domínio de violenta emoção, o acervo probatório dos autos não comprovou a injusta provocação da vítima, restando demonstrado que o apelante agiu de forma desarrazoada e desproporcional, pois valendo-se de sua superioridade física, desferiu soco no rosto da vítima, causando-lhe as lesões descritas no laudo de exame de corpo de delito (evento1, autos do IP) .. Na hipótese vertente, é fato que o apelante e a ofendida discutiram no dia dos fatos, no entanto, a defesa não cuidou de comprovar a existência do requisito da injusta provocação da vítima. .. Nesse compasso, impossível o reconhecimento da incidência do § 4º, do artigo 129 do Código Penal, uma vez que não restou demonstrado que o recorrente agiu sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima" (fls. Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que para dissentir da conclusão do Tribunal de origem seria necessária, a toda evidência, a incursão no conjunto fático-probatório carreado aos autos. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CALÚNIA. ART. 138, CAPUT, COMBINADO COM ART. 141, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. .. PLEITO ABSOLUTÓRIO.AUSÊNCIA DE DOLO, ERRO DE TIPO E ATIPICIDADE DA CONDUTA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Ante o que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante por falta de dolo, erro de tipo ou atipicidade da conduta, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.127.790/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 12/02/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. .. AFRONTA AOS ARTS. 17 E 18, AMBOS DO CP. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME IMPOSSÍVEL. DOLO DA CONDUTA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO E DE DIMINUIÇÃO DO QUANTUM FIXADO À TÍTULO DE MULTA. MATÉRIAS PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PLEITO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. .. . .. 2. Cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a embasar o decreto condenatório, ou a ensejar a absolvição, bem como analisar a existência de dolo na conduta do agente e as possíveis excludentes de ilicitude ou mesmo eventual ocorrência de uma das excludentes de culpabilidade aplicáveis ao caso. Compete, também, ao Tribunal a quo, examinar o quantum a ser fixado a título de prestação pecuniária, com base nas condições econômicas do acusado. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 3. É assente que "a averiguação da existência ou não do nexo de dependência entre as condutas, capaz de afirmar pela incidência ou não do princípio da consunção, esbarra no óbice da Súmula 07 desta Corte, na medida em que exige incursão na matéria fático-probatória dos autos, o que é inviável na via especial." (REsp 810.239/RS, Rel, Min. GILSON DIPP, QUINTA TURMA, DJ 09/10/2006) . .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 824.317/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 28/03/2016.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. DECISÃO DE IMPRONÚNCIA. ALEGADA PRESENÇA DE PROVAS DA MATERIALIDADE DO CRIME. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar se, ao final da primeira fase do procedimento escalonado do juri, há provas ou não para pronunciar, impronunciar, desclassificar ou absolver sumariamente o acusado, bem como verificar se, por ocasião da decisão de pronúncia, eventual qualificadora se mostra improcedente ou descabida. Incidência do enunciado 7 da Súmula deste STJ" (AgRg no AREsp n. 636.030/BA, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 1º/3/2016, DJe de 9/3/2016). .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.474.204/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 08/09/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. .. 3. CONTROVÉRSIA SOBRE A JUSTA CAUSA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. O entendimento da Corte local se assentou no arcabouço probatório que subsidiou o oferecimento da denúncia. Assim, eventual conclusão em sentido contrário, para se afirmar que há justa causa para a ação penal, demandaria indevida incursão no arcabouço dos autos, o que não se admite na via eleita, nos termos do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Como é de conhecimento, a análise de eventual violação da norma infraconstitucional não pode demandar o revolvimento dos fatos e das provas carreados aos autos, porquanto as instâncias ordinárias são soberanas no exame do acervo probatório. Dessa forma, não é dado a esta Corte Superior se imiscuir nas conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, acerca da ausência de justa causa para a ação penal, em virtude da ausência de indícios mínimos de autoria. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.624.540/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04/12/2018, DJe 14/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes, que versam sobre outras hipóteses de aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ: AgRg no AREsp 1.648.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.780.664/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 22/02/2021; AgRg no AREsp 1.375.089/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019; AgRg no REsp 1.821.134/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/12/2019; AgRg no AREsp 1.275.084/TO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/06/2019; AgRg no AREsp 1.348.814/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 04/02/2019; AgRg no AREsp 1.480.030/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AgRg nos EDcl no AREsp 1.344.238/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 12/12/2018; AgRg no AREsp 589.412/MG, relator. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe de 02/02/2015; AgRg no AREsp 1.433.019/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 05/04/2019; AgRg no AREsp 1.733.622/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 08/02/2021; REsp 1.621.899/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 07/12/2020; AgRg nos EDcl no AREsp 1.713.529/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/09/2020; REsp n. 1.777.169/AL, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/05/2019; AgRg no REsp n. 1.767.963/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26/08/2020; AgRg no AREsp n. 1.738.871/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 27/11/2020; AgRg no AgRg no REsp n. 1.845.089/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 23/11/2020; AgRg no REsp n. 1.679.603/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 19/02/2018; AgRg no REsp n. 1.857.774/RS, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/06/2020; AgRg no AREsp n. 1.213.878/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.