HC 917291 - DECISAO
O habeas corpus não é meio adequado para suprir recurso próprio ou revisar decisão que deixou de admitir apelação por falta de pressuposto recursal; inexistindo flagrante ilegalidade que afete a liberdade de locomoção, o pedido não deve ser conhecido nem concedido.
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus substitutivo; não identificada flagrante ilegalidade a autorizar concessão de ofício.
- Legal Topics
- Violência Doméstica, Violação De Domicílio, Ameaça, Admissibilidade De Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso, Revisão Criminal, Flagrante Ilegalidade
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Summary, issues, holding and outcome
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Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 existência de flagrante ilegalidade apta a autorizar concessão de ofício
- 3 reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso por via do habeas corpus
Ratio Decidendi
O habeas corpus não é meio adequado para suprir recurso próprio ou revisar decisão que deixou de admitir apelação por falta de pressuposto recursal; inexistindo flagrante ilegalidade que afete a liberdade de locomoção, o pedido não deve ser conhecido nem concedido.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus substitutivo; não identificada flagrante ilegalidade a autorizar concessão de ofício.
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão assim ementado (e-STJ fl. 117) : "APELAÇÃO CRIME - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - SENTENÇA PROCEDENTE - CONDENAÇÃO PELA PRÁTICA DO CRIME DE - ARTIGO 150, § 1º,VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO E AMEAÇA E ARTIGO 147, AMBOS DO CÓDIGO PENAL - INSURGÊNCIA DA DEFESA.1) PEDIDO DE CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA - NÃO CONHECIMENTO MATÉRIA AFETA AO JUÍZO DA EXECUÇÃO. 2) PLEITO ABSOLUTÓRIO E AFASTAMENTO DA CONDENAÇÃO EM DANOS MORAIS - NÃO CONHECIMENTO AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OU "ERROR IN JUDICANDO"" IN PROCEDENDO"- MERA REPRODUÇÃO LITERAL DAS ALEGAÇÕES FINAIS - OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE - ENTENDIMENTO ENDOSSADO PELA DOUTA PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA - PRECEDENTES DESTA E. CORTE. RECURSO NÃO CONHECIDO." O paciente foi condenado em primeira instância pelos delitos de violação de domicílio e ameaça, na forma dos artigos 150, §1º e 147, ambos do Código Penal", a pena de 8 meses e 12 dias de detenção, a ser cumprida em regime semiaberto. A defesa alega, em síntese, que o constrangimento ilegal gravita em torno do não conhecimento do recurso de apelação pelo tribunal de Origem. Ao final, requer liminar e definitivamente a concessão da ordem para "fins de determinar que o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná conheça do recurso em questão e se pronuncie sobre o mérito arguido pela defesa" (e-STJ fl. 11). É o relatório. Decido. É de se notar que o impetrante busca, por meio da ação constitucional que tem por objeto natural a proteção da liberdade de locomoção do indivíduo, reverter julgamento que não admitiu o processamento do apelo criminal por ausência de pressuposto recursal, o que é incabível. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA