AREsp 2837659 - DECISAO
Conhecido o agravo, decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a condenação foi fundada em elementos de prova constantes dos autos (depoimentos policiais, declarações da vítima na delegacia e laudo pericial) e a pretensão de revisão demandaria reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ, autorizando-se,...
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- Parties
- Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Violência Doméstica, Lesão Corporal, Prova, Contraditório, Indenização Por Dano Moral, Súmula 7/stj, Inadmissão De Recurso Especial
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Existência de provas da autoria e materialidade
- 2 Admissibilidade de declarações prestadas na fase policial com contraditório postergado
- 3 Possibilidade de reexame de provas e alcance da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Conhecido o agravo, decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a condenação foi fundada em elementos de prova constantes dos autos (depoimentos policiais, declarações da vítima na delegacia e laudo pericial) e a pretensão de revisão demandaria reexame de provas, vedado pela Súmula 7/STJ, autorizando-se, assim, a manutenção da decisão condenatória e a não admissão do recurso especial com fundamento no art. 932, VIII, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, II, a, parte final, do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Agrava-se de decisão que não admitiu recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, assim ementado: Violência doméstica. Lesão corporal. Provas. Fração. Dano moral. 1 - Os depoimentos dos policiais, harmônicos e coerentes, na delegacia e em juízo, corroborado pelas declarações da vítima na delegacia - de que a ré a agrediu, fazendo com que caísse no chão - e laudo de exame de corpo de delito que atestou as lesões no corpo da vítima, compatíveis com seu relato na delegacia, são provas suficientes do crime de lesão corporal contra mulher. 2 - O e. STJ tem admitido, para aumento da pena-base, por circunstância judicial desfavorável, adotar as frações de 1/8 entre o mínimo e o máximo da pena em abstrato, e 1/6 da pena mínima em abstrato, assim como não adotar nenhum critério matemático, desde que haja fundamentação idônea e concreta, baseada na discricionariedade vinculada do julgador. Desproporcional a fração adotada, reduz-se a pena-base. 3 - Nos crimes de violência contra a mulher cometidos no âmbito doméstico e familiar, havendo pedido expresso na denúncia, admite-se, na sentença condenatória criminal, fixar indenização mínima a título de dano moral, independentemente de instrução probatória (STJ, R Esp 1.643.051/MS). 4 - Para se fixar indenização por dano moral devem ser levados em conta critérios de proporcionalidade e razoabilidade, atendidas a gravidade do fato, a extensão do dano e condições econômicas do ofensor, e do ofendido. Fixada em valor não compatível com o dano sofrido pela vítima e a situação financeira do obrigado, deve ser reduzida a indenização. 5 - Apelação provida em parte. (e-STJ fls. 590/591) A defesa aponta a violação dos arts. 386, VII do CPP e 129, § 13 do CP, alegando, em síntese, que inexistem provas provas da autoria delitiva para fundamentar a condenação, salientando que "a vítima não foi ouvida em juízo, restando somente a versão apresentada na Delegacia, configurando violação ao princípio do contraditório, que assegura às partes o direito de questionar e confrontar as provas durante o julgamento." (e-STJ fl. 634) Contrarrazões às e-STJ fls. 653/656. Manifestação do Ministério Público Federal pelo não provimento do recurso às e-STJ fls. 729/737. É o relatório. Decido. A irresignação não prospera. Os elementos existentes nos autos informam que a recorrente foi condenada à pena de 1 ano e 2 meses de reclusão, em regime aberto, pela prática do crime do art. 129, § 13, do Código Penal. A defesa alega que inexistem provas provas da autoria delitiva para fundamentar a condenação, salientando que "a vítima não foi ouvida em juízo, restando somente a versão apresentada na Delegacia, configurando violação ao princípio do contraditório, que assegura às partes o direito de questionar e confrontar as provas durante o julgamento. Anota-se, de início, que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a absolver, condenar ou desclassificar a imputação feita ao acusado. Óbice do enunciado n. 7 da Súmula deste STJ (ut, AgInt no AREsp n. 1.265.017/DF, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 24/5/2018). Ainda no mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. ABSOLVIÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. IMPOSIÇÃO DE REGIME MENOS GRAVOSO. IMPOSSIBILIDADE. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL E REINCIDÊNCIA. DETRAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A se considerar que o Tribunal a quo manteve a condenação do réu, por entender que as palavras da vítima prestadas na fase inquisitorial foram corroboradas pelos testemunhos judicializados dos policiais e por laudo de lesão corporal, relatório médico e fotografias, acolher o pedido de absolvição demandaria o reexame de provas, incabível em habeas corpus. 2. Não obstante a reprimenda do réu ser inferior a 4 anos, a reincidência do insurgente e a avaliação de circunstância judicial avaliada em seu desfavor justificam a imposição de regime semiaberto. 3. Identificado que o acórdão recorrido não tratou do pedido de aplicação da detração, o assunto não pode ser conhecido, a fim de não se incorrer em indevida supressão de instância. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 867.797/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 29/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. LESÃO CORPORAL. PALAVRA DA VÍTIMA NA FASE DO INQUÉRITO CORROBORADA PELA PROVA PERICIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 155 DO CPP. INVERSÃO DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "A jurisprudência desta Corte Superior orienta que, em casos de violência doméstica, a palavra da vítima tem especial relevância, haja vista que em muitos casos ocorrem em situações de clandestinidade" (HC 615.661/MS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 30/11/2020). 2. "Perícias e documentos, mesmo produzidos na fase do inquérito policial, constituem-se efetivamente em prova, com contraditório postergado para a ação penal, sem refazimento necessário na ação penal" (AgRg no AREsp n. 1.704.610/SP, relator Ministr o Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 20/10/2020, DJe de 26/10/2020). 3. Hipótese em que a condenação foi lastreada não apenas nas declarações da vítima, prestadas na fase policial, mas também na prova pericial, de contraditório postergado, que atestou a lesão de natureza leve narrada na denúncia, de forma que não se verifica contrariedade ao art. 155 do CPP. Outrossim, a pretendida revisão do julgado demanda reexame de provas, o que esbarra na Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.123.567/SP, relator Ministro Olindo Menezes - Desembargador Convocado do TRF 1ª Região -, Sexta Turma, DJe de 28/10/2022.) No caso, consta do acórdão que "os depoimentos dos policiais, harmônicos e coerentes, na delegacia e em juízo, corroborados pelas declarações da vítima na delegacia - de que a ré "partiu para cima" dela e começou a enforcá-la, momento em que caiu no chão e bateu o braço e joelho - e laudo de exame de corpo de delito que atestou as lesões no corpo da vítima, compatíveis com seu relato na delegacia, são provas suficientes do crime de lesão corporal contra mulher." (e-STJ fls. 593/594). Diante do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, a, parte final, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Intimem-se. EMENTA