HC 1010909 - DECISAO
Não se constatou flagrante ilegalidade no ato coator; o acórdão contém fundamentação idônea (valoração negativa das circunstâncias judiciais) para imposição do regime semiaberto, e, ademais, não se mostra cabível Habeas Corpus como substitutivo de recurso próprio, razão pela qual foi indeferida a liminar.
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- Parties
- Paciente: CRISTIANO LINDEMAIER MOREIRA; Órgão Prolator Do Ato Coator: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- indefere liminarmente o Habeas Corpus
- Legal Topics
- Violência Doméstica, Regime Inicial De Cumprimento Da Pena, Constrangimento Ilegal, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Circunstâncias Judiciais, Súmula 719 STF
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Parties
CRISTIANO LINDEMAIER MOREIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Órgão Prolator Do Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 legalidade do regime inicial de cumprimento da pena
- 2 possibilidade de Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio
- 3 fundamentação idônea para agravamento do regime prisional
Ratio Decidendi
Não se constatou flagrante ilegalidade no ato coator; o acórdão contém fundamentação idônea (valoração negativa das circunstâncias judiciais) para imposição do regime semiaberto, e, ademais, não se mostra cabível Habeas Corpus como substitutivo de recurso próprio, razão pela qual foi indeferida a liminar.
Court Disposition
indefere liminarmente o Habeas Corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de CRISTIANO LINDEMAIER MOREIRA em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. DELITOS DE CÁRCERE PRIVADO, AMEAÇA E CONTRAVENÇÃO DE VIAS DE FATO. PALAVRA DA VÍTIMA. EM CRIMES COMETIDOS NO ÂMBITO DOMÉSTICO E FAMILIAR, ESPECIALMENTE EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO, O DEPOIMENTO DA VÍTIMA DETÉM ELEVADO VALOR PROBATÓRIO QUANDO COERENTE, FIRME E HARMÔNICO COM OS DEMAIS ELEMENTOS DOS AUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADES OU EXCLUDENTES DE ILICITUDE. IMPOSSIBILIDADE DE CONSUNÇÃO ENTRE OS DELITOS, HAJA VISTA QUE TUTELAM BENS JURÍDICOS DIVERSOS E SE CONSUMAM DE FORMA AUTÔNOMA. REDIMENSIONAMENTO DA PENA. REDUÇÃO DO QUANTUM DE AUMENTO DECORRENTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS E AGRAVANTES. REGIME SEMIABERTO, À LUZ DO NOVO MONTANTE DA PENA E CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 3 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, no regime semiaberto, 1 mês e 10 dias de detenção e 19 dias de prisão simples, respectivamente, pela prática dos crimes previstos nos artigos 148, § 1º, I e IV, 147, ambos do Código Penal; e 21 do Decreto-Lei n.º 3.688/41. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto não há fundamentação idônea para fixação de regime inicial de cumprimento da pena mais gravoso do que o cabível em razão da pena imposta, considerando o disposto no art. 33, § 2º, do CP, tendo em vista que as circunstâncias judiciais são favoráveis e a sanção penal não é superior a 4 anos. Destaca, ainda, que o regime inicial de cumprimento da pena foi fixado em contrariedade ao enunciado da Súmula 719 do STF, havendo seu agravamento sem fundamentação idônea. Requer, em suma, que seja alterado o regime inicial de cumprimento da pena para o aberto. É o relatório. Decido. A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020). Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício. Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação quanto ao regime inicial de cumprimento da pena: Ainda, em face do quantum relativo ao delito de cárcere privado, e das circunstâncias judiciais desfavoráveis, em atenção ao disposto no art. 33, § 2º, alínea "a", e §3º, do Código Penal, como referido no decisum, o regime de cumprimento da pena deverá ser o semiaberto. De resto, permanecem inalterados os comandos sentenciais (fl. 19). Nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 do Código Penal, para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena o julgador deverá observar a quantidade de pena aplicada, a primariedade do réu e a eventual existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Além disso, devem ser observados os enunciados das Súmulas n. 440 do Superior Tribunal de Justiça, e nºs. 718 e 719 do Supremo Tribunal Federal, segundos os quais é vedada a fixação de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta somente com base na gravidade abstrata do delito. Ademais, segundo a jurisprudência do STJ e a legislação pátria, acima citada, é considerada motivação idônea para o fim de imposição de regime mais severo do que a pena aplicada: a) a reincidência, ainda que não seja específica (§ 2º do art. 33 do CP); b) a existência de circunstância judicial desfavorável, nos termos do art. 59 do CP (§ 3º do art. 33 do CP) e; c) a gravidade concreta do delito. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: EREsp n. 1.970.578/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe de 6.3.2023; AgRg no AgRg no AREsp n. 2.435.525/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 6.6.2024; AgRg no HC n. 836.416/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 3.5.2024; AgRg no HC n. 859.680/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no HC n. 842.514/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 901.630/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 3.7.2024; AgRg no HC n. 905.390/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 12.6.2024; AgRg no AREsp n. 2.465.687/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 11.6.2024. Acresça-se que, de acordo com a Súmula n. 269 do STJ, é admissível a adoção do regime prisional semiaberto para reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos, se favoráveis as circunstâncias judiciais. Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência desta Corte, pois, conforme se extrai do trecho do acórdão supratranscrito, há elemento idôneo para a fixação do regime semiaberto, em especial a valoração negativa de circunstâncias judiciais. Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA