AREsp 1870780 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria impugnada demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7 do STJ, e porque o Tribunal de origem motivou a manutenção do valor de R$1.000,00 com fundamento na proporcionalidade, na condição socioeconômica das...
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- Parties
- Agravante: FRANCISCO DOS SANTOS MACHADO; Tribunal a Quo: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (art. 105, Iii, Alínea A, Cf/88) / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Violência Doméstica E Familiar Contra a Mulher, Ameaça, Danos Morais, Quantum Indenizatório, Súmula 7/stj, Lei Maria Da Penha, Capacidade Econômica Das Partes
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Parties
FRANCISCO DOS SANTOS MACHADO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS
Tribunal a Quo
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (art. 105, Iii, Alínea A, Cf/88) / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 valoração do dano moral pelo juízo criminal e exigência de fundamentação quanto à capacidade econômica das partes
- 2 incidência da Súmula n. 7 do STJ vedando revolvimento fático-probatório
- 3 aplicação da Lei Maria da Penha em crimes praticados no âmbito doméstico e familiar
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a matéria impugnada demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7 do STJ, e porque o Tribunal de origem motivou a manutenção do valor de R$1.000,00 com fundamento na proporcionalidade, na condição socioeconômica das partes e em precedentes locais, o que afastou a alegação de ausência de fundamentação adequada quanto ao quantum indenizatório.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por FRANCISCO DOS SANTOS MACHADO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS, assim resumido: PENAL. AMEAÇA EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER. MATERIALIDADE E AUTORIA. INDENIZAÇÃO. Comprovado o crime de ameaça, deve ser mantida a condenação nos termos da sentença. O crime de ameaça é formal e se consuma quando é idônea para atemorizar a vítima, como no caso, em que ela procurou a autoridade policial, requereu medidas protetivas e ofereceu a representação criminal. Vale lembrar que a Lei Maria da Penha visa proteger a integridade física e psicológica da mulher vítima de violência doméstica, justamente em razão de sua particular condição de vulnerabilidade. Portanto, toda e qualquer agressão cometida neste contexto constitui conduta penalmente relevante. A embriaguez voluntária do réu não o exime da sua responsabilidade penal (art. 28, inciso II, do Código Penal). Dolo caracterizado. Mantém-se o valor mínimo fixado para indenização por danos morais, devidamente fundamentado na sentença. Apelação desprovida (fl. 172) Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, no que concerne à desproporcionalidade na fixação do quantum indenizatório a título de danos morais decorrentes do ilícito penal de ameaça, trazendo os seguintes argumentos: É consabido que a condenação em danos morais pelo juízo criminal tem por objetivo fixar um valor mínimo reparatório pelos danos percebidos pela vítima de um ilícito penal, sem prejuízo quanto à possibilidade de que se possa apurar no juízo cível o valor efetivamente devido em razão do delito. (fls. 198). A referida lei alterou significativamente do Código de Processo Penal, passando a conferir maior celeridade à reparação da vítima pelos danos sofridos em decorrência da conduta criminosa praticada pelo ofensor. (fls. 199). Portanto, segundo a jurisprudência consolidada desta e. Corte, em se tratando de crimes praticados no âmbito doméstico e familiar contra a mulher, é possível a fixação, pelo juízo criminal, de um valor mínimo de reparação a título de danos morais em favor da ofendida, contanto que se observem os seguintes requisitos: i) o pedido de indenização deve ter sido formulado expressamente pela ofendida; e ii) a indenização deve levar em consideração a extensão do dano e a capacidade econômica das partes. (fls. 201). De ver-se, pois, que Tribunal de Justiça local não realizou a devida análise acerca das condições econômicas das partes, tendo se limitado a estabelecer breves e genéricas ilações acerca da capacidade econômica do ora recorrente de arcar com a indenização por danos morais, do que decorre que a fixação do valor da indenização a título de danos morais não se quedou devidamente fundamentada, devendo ser reduzida ante à sua flagrante desproporcionalidade e irrazoabilidade. (fls. 201). Convém destacar, ademais, que, em julgados recentes do próprio Tribunal de Justiça local, julgando casos em que foram praticados crimes de lesão corporal no contexto de violência doméstica contra a mulher, fixou a condenação a título de danos morais no valor mínimo de R 300,00 (trezentos) reais, bastante aquém, portanto, do valor que fora fixado no Acórdão confirmatório, considerando-se que o presente caso trata de infração penal de menor ofensividade quando comprado com o crime do art. 129, CP. (fls. 202). É, no essencial, o relatório. Decido. No tocante à controvérsia, na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Como se vê, foi mantido o valor de R$1.000,00 (um mil reais) estabelecido na sentença, cujos fundamentos foram os seguintes, no ponto: (ID 15863573): "Considerando os requisitos de proporcionalidade e razoabilidade, condição socioeconômica das partes e os precedentes do e. TJDFT, os danos morais devem ser fixados em R$ 1.000,00 (um mil reais)." Assim, a condição financeira do embargante foi considerada na fixação da indenização. A quantia arbitrada na sentença e mantida no acórdão justificou-se pelo abalo psicológico sofrido pela vítima, mostrando-se razoável e proporcional na espécie. No mais, o fato de o embargante ser assistido pela Defensoria Pública, por si só, não leva à automática conclusão de que não possui condição de arcar com o valor fixado, R$1.000,00, condizente com sua profissão de jardineiro. Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que para dissentir da conclusão do Tribunal de origem seria necessária a incursão no conjunto fático-probatório carreado aos autos. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CALÚNIA. ART. 138, CAPUT, COMBINADO COM ART. 141, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. .. PLEITO ABSOLUTÓRIO.AUSÊNCIA DE DOLO, ERRO DE TIPO E ATIPICIDADE DA CONDUTA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Ante o que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante por falta de dolo, erro de tipo ou atipicidade da conduta, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.127.790/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 12/02/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. .. AFRONTA AOS ARTS. 17 E 18, AMBOS DO CP. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME IMPOSSÍVEL. DOLO DA CONDUTA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO E DE DIMINUIÇÃO DO QUANTUM FIXADO À TÍTULO DE MULTA. MATÉRIAS PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PLEITO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. .. . .. 2. Cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a embasar o decreto condenatório, ou a ensejar a absolvição, bem como analisar a existência de dolo na conduta do agente e as possíveis excludentes de ilicitude ou mesmo eventual ocorrência de uma das excludentes de culpabilidade aplicáveis ao caso. Compete, também, ao Tribunal a quo, examinar o quantum a ser fixado a título de prestação pecuniária, com base nas condições econômicas do acusado. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 3. É assente que "a averiguação da existência ou não do nexo de dependência entre as condutas, capaz de afirmar pela incidência ou não do princípio da consunção, esbarra no óbice da Súmula 07 desta Corte, na medida em que exige incursão na matéria fático-probatória dos autos, o que é inviável na via especial." (REsp 810.239/RS, Rel, Min. GILSON DIPP, QUINTA TURMA, DJ 09/10/2006) . .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 824.317/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 28/03/2016.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO. DECISÃO DE IMPRONÚNCIA. ALEGADA PRESENÇA DE PROVAS DA MATERIALIDADE DO CRIME. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "É assente que cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático e probatório a fim de analisar se, ao final da primeira fase do procedimento escalonado do juri, há provas ou não para pronunciar, impronunciar, desclassificar ou absolver sumariamente o acusado, bem como verificar se, por ocasião da decisão de pronúncia, eventual qualificadora se mostra improcedente ou descabida. Incidência do enunciado 7 da Súmula deste STJ" (AgRg no AREsp n. 636.030/BA, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 1º/3/2016, DJe de 9/3/2016). .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.474.204/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 08/09/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. .. 3. CONTROVÉRSIA SOBRE A JUSTA CAUSA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. O entendimento da Corte local se assentou no arcabouço probatório que subsidiou o oferecimento da denúncia. Assim, eventual conclusão em sentido contrário, para se afirmar que há justa causa para a ação penal, demandaria indevida incursão no arcabouço dos autos, o que não se admite na via eleita, nos termos do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Como é de conhecimento, a análise de eventual violação da norma infraconstitucional não pode demandar o revolvimento dos fatos e das provas carreados aos autos, porquanto as instâncias ordinárias são soberanas no exame do acervo probatório. Dessa forma, não é dado a esta Corte Superior se imiscuir nas conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, acerca da ausência de justa causa para a ação penal, em virtude da ausência de indícios mínimos de autoria. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.624.540/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04/12/2018, DJe 14/12/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes, que versam sobre outras hipóteses de aplicação do enunciado da Súmula n. 7/STJ: AgRg no AREsp 1.648.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.780.664/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 22/02/2021; AgRg no AREsp 1.375.089/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019; AgRg no REsp 1.821.134/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/12/2019; AgRg no AREsp 1.275.084/TO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/06/2019; AgRg no AREsp 1.348.814/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 04/02/2019; AgRg no AREsp 1.480.030/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AgRg nos EDcl no AREsp 1.344.238/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 12/12/2018; AgRg no AREsp 589.412/MG, relator. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe de 02/02/2015; AgRg no AREsp 1.433.019/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 05/04/2019; AgRg no AREsp 1.733.622/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 08/02/2021; REsp 1.621.899/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 07/12/2020; AgRg nos EDcl no AREsp 1.713.529/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/09/2020; REsp n. 1.777.169/AL, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/05/2019; AgRg no REsp n. 1.767.963/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26/08/2020; AgRg no AREsp n. 1.738.871/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 27/11/2020; AgRg no AgRg no REsp n. 1.845.089/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 23/11/2020; AgRg no REsp n. 1.679.603/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 19/02/2018; AgRg no REsp n. 1.857.774/RS, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/06/2020; AgRg no AREsp n. 1.213.878/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.