AREsp 2427330 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a alteração da conclusão sobre existência ou extensão da coisa julgada exigiria reexame do conjunto fático-probatório formado nos autos, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; portanto mantém-se a decisão agravada e nega-se provimento ao agravo interno.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA; Parte Afetada: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado (negado Provimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Violação Da Coisa Julgada, Reexame Fático Probatório, Súmula 7/stj, Limites Subjetivos Da Coisa Julgada (art. 506 Cpc/2015)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Agravante
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA
Parte Afetada
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Se a pretensão do agravante configura reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7 do STJ
- 2 Alcance e limites subjetivos da coisa julgada nos termos do art. 506 do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a alteração da conclusão sobre existência ou extensão da coisa julgada exigiria reexame do conjunto fático-probatório formado nos autos, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; portanto mantém-se a decisão agravada e nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Não aplicar a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 03/09/2024 a 09/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A revisão do que foi decidido pelas instâncias ordinárias acerca da ausência de violação da coisa julgada só seria possível mediante reexame do acervo probatório dos autos, o que não é adequado em sede de recurso especial, por força da Súmula 7 do STJ. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA para desafiar decisão de minha lavra, proferida às e-STJ fls. 551/553, em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, por incidência da Súmula 7 do STJ. No presente agravo interno, a parte agravante sustenta que não se trata de reexame de fatos e provas. Argumenta que "o propósito da insurgência era e é, tão somente, obter do STJ a pronúncia sobre a extensão dos limites subjetivos da coisa julgada, vez que, conforme preceito estabelecido no art. 506 do CPC, a sentença faz coisa julgada apenas entre as partes que integraram a relação processual, sem prejudicar terceiros estranhos à lide" (e-STJ fl. 563). Requer, assim, a reconsideração da decisão impugnada ou a sua submissão ao Órgão colegiado. Impugnação às e-STJ fls. 570/596. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A revisão do que foi decidido pelas instâncias ordinárias acerca da ausência de violação da coisa julgada só seria possível mediante reexame do acervo probatório dos autos, o que não é adequado em sede de recurso especial, por força da Súmula 7 do STJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O presente agravo não merece prosperar. Como assinalado na decisão agravada, no recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação do art. 506 do CPC/2015 e defendeu ofensa à coisa julgada. No caso, o Tribunal a quo reformou a sentença, nos seguintes termos (e-STJ fl. 378): O acórdão transitou em julgado em 27.6.17. Nesse panorama, o direito da impetrante de utilizar câmaras de bronzeamento artificial realmente está assegurado pela sentença acobertada pela coisa julgada. E esta coisa julgada formada em favor da empresa matriz estende-se a todas as suas filiais já que, a rigor, para os fins e efeitos em tela, constituem uma só pessoa jurídica. Ademais, a res judicata em desfavor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) neste caso em particular tem a vocação de vincular os órgãos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária - SNVS (Lei n.º8.080/90 c. c. Lei n.º 9.782/99), dentre os quais a Vigilância Sanitária do Município de São Miguel do Oeste no caso concreto. .. Por tais razões, cumpre dar provimento ao recurso para, reformando a sentença, conceder a ordem, cassando-se o Auto de Intimação lavrado em face da impetrante e determinando-se à autoridade coatora que seabstenha de interditar as câmaras de bronzeamento artificial com fundamento única e exclusivamente na Resolução ANVISA n.º 56/09. (Grifos acrescidos). Como se observa, o Tribunal de origem decidiu a questão com base na realidade que se delineou à luz do suporte fático-probatório constante nos autos, cuja revisão é inviável no âmbito do recurso es pecial, ante o óbice estampado na Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO COLETIVA AJUIZADA PELO SINDICATO DOS TRABALHADORES FEDERAIS EM SAÚDE, TRABALHO E PREVIDÊNCIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - SINDPREV/RJ. ALCANCE DO TÍTULO EXECUTIVO RESTRITO ÀS PESSOAS DA CATEGORIA DOS TRABALHADORES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ILEGITIMIDADE DA REQUERENTE VINCULADA AO MINISTÉRIO DA SAÚDE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM O ATUAL ENTENDIMENTO DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. CONCLUSÕES ALCANÇADAS PELO ÓRGÃO JULGADOR QUANTO À COISA JULGADA. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DOS FATOS E PROVAS CONSTANTES NOS AUTOS. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 3. Ademais, ainda que assim não fosse, para alterar as conclusões alcançadas pelo órgão julgador quanto à coisa julgada, acolhendo-se as alegações recursais, seria necessário o reexame dos fatos e provas constantes nos autos, o que é vedado na via eleita ante a incidência da Súmula 7/STJ. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.086.059/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO A TODA A CATEGORIA. PRECEDENTES. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. .. 3. A revisão do entendimento do Tribunal de origem, no que se refere aos limites subjetivos da coisa julgada, a fim de afastar a conclusão pela legitimidade do servidor, ora agravado, demandaria necessariamente o reexame do conteúdo fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.349.224/TO, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) Por fim, embora não merecedor de acolhimento, o agravo interno, no caso, não se revela manifestamente inadmissível ou improcedente, razão pela qual não deve ser aplicada a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.