AREsp 2390698 - ACORDAO
A condenação por violação de domicílio foi mantida porque a palavra da vítima, corroborada por testemunhos e pela confissão parcial do réu, é suficiente para comprovar autoria e materialidade nos termos do art. 150 do CP; aceitar a tese de atipicidade ou desclassificação exigiria reexame do conjunto...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Igor Moraes Otero; Ministério Público (contrarrazões): MPDFT; Ofendida/vítima: L.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Pela Quinta Turma Agravo Regimental Conhecido E Negado Provimento
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; nego provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Violação De Domicílio (art. 150 Cp), Exercício Arbitrário Das Próprias Razões (art. 345 Cp), Súmula 7/stj, Reexame De Provas, Substituição Da Pena (art. 44 Cp)
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Parties
Igor Moraes Otero
Agravante/recorrente
MPDFT
Ministério Público (contrarrazões)
L.
Ofendida/vítima
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Pela Quinta Turma Agravo Regimental Conhecido E Negado Provimento
Legal Issues
- 1 se a conduta configura o crime de violação de domicílio (art. 150 CP) ou exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 CP)
- 2 se a revisão do acórdão demandaria reexame do conjunto fático-probatório, implicando a incidência da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
A condenação por violação de domicílio foi mantida porque a palavra da vítima, corroborada por testemunhos e pela confissão parcial do réu, é suficiente para comprovar autoria e materialidade nos termos do art. 150 do CP; aceitar a tese de atipicidade ou desclassificação exigiria reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7/STJ, pelo que o agravo regimental foi desprovido.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; nego provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental.
- Publique-se.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CRIME DE VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. TESE DE ATIPICIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Igor Moraes Otero contra decisão monocrática que conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial, com base na incidência da Súmula 7/STJ. O agravante sustenta a não incidência da Súmula 7/STJ para a análise do recurso especial interposto, uma vez que não haverá reexame fático-probatório da causa, alegando que a conduta deveria ser enquadrada no art. 345 do Código Penal, e não no art. 150 do mesmo diploma. Requer a reconsideração da decisão ou o provimento d o agravo regimental. O Ministério Público apresentou contrarrazões. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a conduta do recorrente configura o crime de violação de domicílio ou o exercício arbitrário das próprias razões; (ii) determinar se a revisão do acórdão demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, o que implicaria a incidência da Súmula 7/STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A palavra da vítima, corroborada por depoimentos de testemunhas e a confissão parcial do réu, é suficiente para manter a condenação pelo crime de violação de domicílio, nos termos do art. 150 do Código Penal. 4. A conduta do recorrente, ao adentrar a residência da vítima sem autorização, configura o crime de violação de domicílio, sendo inaplicável a desclassificação para exercício arbitrário das próprias razões, por ausência de pretensão legítima do réu. 5. A revisão da condenação exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 6. A decisão monocrática agravada está em consonância com a jurisprudência consolidada da 5ª Turma do STJ, que reiteradamente aplica a Súmula 7/STJ em casos que demandam reavaliação de provas. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
RELATÓRIO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o último relatório contido nos autos (e-STJ, fls. 413/414). O agravante requer a reconsideração da decisão ou o provimento de seu recurso pelo colegiado. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CRIME DE VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. TESE DE ATIPICIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Igor Moraes Otero contra decisão monocrática que conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial, com base na incidência da Súmula 7/STJ. O agravante sustenta a não incidência da Súmula 7/STJ para a análise do recurso especial interposto, uma vez que não haverá reexame fático-probatório da causa, alegando que a conduta deveria ser enquadrada no art. 345 do Código Penal, e não no art. 150 do mesmo diploma. Requer a reconsideração da decisão ou o provimento d o agravo regimental. O Ministério Público apresentou contrarrazões. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a conduta do recorrente configura o crime de violação de domicílio ou o exercício arbitrário das próprias razões; (ii) determinar se a revisão do acórdão demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, o que implicaria a incidência da Súmula 7/STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A palavra da vítima, corroborada por depoimentos de testemunhas e a confissão parcial do réu, é suficiente para manter a condenação pelo crime de violação de domicílio, nos termos do art. 150 do Código Penal. 4. A conduta do recorrente, ao adentrar a residência da vítima sem autorização, configura o crime de violação de domicílio, sendo inaplicável a desclassificação para exercício arbitrário das próprias razões, por ausência de pretensão legítima do réu. 5. A revisão da condenação exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 6. A decisão monocrática agravada está em consonância com a jurisprudência consolidada da 5ª Turma do STJ, que reiteradamente aplica a Súmula 7/STJ em casos que demandam reavaliação de provas. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. VOTO O agravo regimental é tempestivo e indicou os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual deve ser conhecido. No entanto, não verifico elementos suficientes para reconsiderar a decisão proferida, cuja conclusão mantenho pelos seus próprios fundamentos (e-STJ, fls. 413-416): Trata-se de agravo regimental interposto por IGOR MORAES OTERO, contra decisão proferida pela Presidência desta Corte que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. O agravante sustenta: a) "não há deficiência das razões do recurso especial, por conseguinte não é o caso de infringência à Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, uma vez que a defesa demonstrou que não houve correspondência fática entre a conduta do agravante com o que estabelece o comando legal do art. 150 do Código Penal, uma vez que a conduta se enquadra no disposto no art. 345 do Código Penal" (e-STJ fl. 397); e b) houve impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada. Requer reconsideração da decisão agravada ou provimento do agravo regimental. Contrarrazões apresentadas pelo MPDFT às e-STJ fls. 408-410. É o relatório. Reexaminados os autos e com fundamento no art. 258, § 3º, do RISTJ, reconsidero a decisão agravada e passo ao exame do recurso especial interposto com amparo na alínea a do permissivo constitucional, no qual desafia acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, assim ementado (e-STJ fls. 287-288): APELAÇÃO CRIMINAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. RECURSO DA DEFESA. VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. ABSOLVIÇÃO E DESCLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. PENA RESTRITIVA DE DIREITO. CABIMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Nos crimes cometidos no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, normalmente praticados na ausência de testemunhas, a palavra da vítima assume especial relevo, sendo apta a embasar o decreto condenatório. 2. O tipo penal de violação de domicílio, previsto no artigo 150, "caput", do Código Penal, estabelece ser crime entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências. 3. Os relatos da vítima, tanto na fase inquisitorial como em juízo, corroborados pelo depoimento judicial de informante e da parcial confissão do réu, no sentido de que esse entrou na residência dela, sem autorização, impõem a manutenção da condenação pelo crime de violação de domicílio. 4. Tendo em vista que o crime de violação de domicílio não foi praticado com emprego de violência ou grave ameaça e que foram preenchidos os requisitos do artigo 44 do Código Penal, cabível a substituição da pena privativa de liberdade por 1 (uma) restritiva de direitos, a ser fixada pelos Juízo das Execuções Penais, com a revogação da suspensão condicional da pena, por ser benefício subsidiário e menos favorável ao réu. 5. Recurso parcialmente provido. O recorrente foi condenado à pena de 1 mês de detenção em regime aberto, como incurso no art. 150, caput, do Código Penal c/c art. 5º, III, da Lei 11.343/2006. O Tribunal de origem deu parcial provimento à apelação interposta pela defesa, a fim de substituir a pena privativa de liberdade por uma restritiva de direitos, a ser fixada pelo Juízo das Execuções Penais, e revogar a suspensão condicional da pena, por ser benefício subsidiário e menos favorável ao réu. Nas razões do recurso especial alega-se violação do art. 150 do CP, pois: a) a conduta do réu não configura o crime de violação de domicílio, mas sim de exercício arbitrário das próprias razões; e b) "o recorrente buscou obter, por esforço próprio, a recuperação de bens que estavam no interior do apartamento de L., sobre os quais ele entendia ter o legítimo direito de reaver. Assim, o comportamento do acusado, ao ingressar e permanecer na casa da ofendida, foi a maneira inábil que ele encontrou para reaver alguns de seus pertences que haviam ficado naquela residência, intenção esta que ele entendia ser legítima" (e-STJ fl. 334). Para melhor elucidação da controvérsia, necessário transcrever a fundamentação utilizada pelo Tribunal a quo acerca da materialidade e autoria do crime de violação de domicílio (e-STJ fls. 294-296): Delineado os contornos do acervo probatório, verifica-se que, diversamente do argumentado pela Defesa técnica, a conduta do agente se amolda ao crime de violação de domicílio. Ademais, as provas produzidas são suficientes para a condenação do apelante. (..) Na delegacia e em juízo, a vítima declarou que o acusado, sem autorização, após acessar o prédio usando a senha, entrou em seu apartamento, aproveitando-se que a porta estava destrancada. O depoimento da ofendida foi corroborado pela oitiva judicial de seu filho, o qual relatou que o réu ingressou no local, sem autorização dos moradores. Acrescente-se que o réu confirmou, na fase inquisitorial e judicial, que entrou no apartamento da vítima, porque a porta estava destrancada e que não obteve autorização prévia. Portanto, não há que se falar em inconsistência ou divergência nos depoimentos da vítima que, em verdade, foram uníssonos no sentido de que houve a violação de domicílio. Ainda que os informantes e o réu tenham mencionado que, à época do relacionamento, o apelante possuía acesso à residência da vítima, essa versão, em nada enfraquece a conclusão pela materialidade do delito ora processado. (..) Em relação à atipicidade da conduta por ausência de dolo - porque o apelante apenas teria ido recolher alguns pertences - cumpre consignar que a jurisprudência pátria é majoritária no sentido de que a violação de domicílio é crime de mera conduta, ou seja, basta que o indivíduo adentre ou permaneça na residência alheia sem a permissão necessária. (..) Também não merece guarida o pedido subsidiário de desclassificação da conduta para a de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do Código Penal). (..) Para que fosse configurado o delito acima descrito, a alegada pretensão do autor deveria ser legítima. Entretanto, conforme declaração da vítima e de seu filho, o réu fora até a residência para recolher presentes que havia dado para a ofendida. Não convence, portanto, a versão do acusado de que, ao invadir o local, o fez com o objetivo de reaver bens próprios. A alegação está isolada e não guarda consonância com as demais provas orais produzidas. Logo, diante do quadro probatório produzido, pelo qual não há dúvida quanto à autoria e à materialidade do delito de violação de domicílio, incabível a desclassificação da conduta para exercício arbitrário das próprias razões (art. 345 do Código Penal), sendo, de rigor, a manutenção da condenação do acusado como incurso no artigo 150, "caput", do Código Penal combinado com o artigo 5º, inciso III, da Lei n. 11.340/2006. A reforma do julgado demandaria reexame do conjunto fático-probatório, medida obstada pela Súmula 7/STJ. Nesse sentido: PENAL. PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INVASÃO DE DOMICÍLIO, LESÃO CORPORAL NO ÂMBITO DOMÉSTICO, AMEAÇA E INCÊNDIO EM CASA HABITADA. PLEITO DE RECONHECIMENTO DA ATIPICIDADE DA CONDUTA DO ART. 150, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL - CP. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DO VERBETE N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. QUALIFICADORA DO CRIME DE INCÊNDIO. CASA HABITADA OU, NO MÍNIMO, DESTINADA À HABITAÇÃO. INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. REGIME INICIAL DE PENA. NÃO INDIC ADOS NO RECURSO ESPECIAL OS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. ÓBICE DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem considerou que a prática do crime de invasão restou comprovada, de modo que entender de forma diversa e reconhecer a atipicidade conduta, como pretendido, demandaria o revolvimento das provas carreadas aos autos, procedimento sabidamente inviável na instância especial, a teor do óbice da Súmula n. 7 desta Corte. (..) 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.093.101/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023.) Ante o exposto, reconsidero a decisão de fls. 383-386 e, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, b, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. Reforço que a decisão monocrática agravada está de acordo com a jurisprudência da 5ª Turma desta Corte. Veja-se: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. AUDIÊNCIA POR VIDEOCONFERÊNCIA. RETIRADA DO RÉU DA SALA DE AUDIÊNCIA VIRTUAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. ATIPICIDADE DA CONTUDA. INVIABILIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. LEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. No caso em que a audiência para oitiva da vítima e da testemunha é realizada por meio de videoconferência, a interpretação mais consentânea com o disposto no art. 217 do CPP é a de que o réu pode ser impedido de acompanhar os depoimentos. Busca-se, assim, a fidedignidade da prova colhida e a preservação da dignidade e intimidade dos depoentes, que seriam prejudicadas pela presença do réu, mesmo à distância. 2. A defesa não conseguiu demonstrar o prejuízo suportado, nos termos do artigo 563 do CPP (princípio pas de nullité sans grief). 3. A condenação foi fundamentada em robusto conjunto probatório, incluindo depoimentos colhidos nas fases policial e judicial. A revisão do julgado demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável nesta instância especial, conforme a Súmula 7 do STJ. 4. O cometimento do crime na presença dos filhos da vítima é suficiente para determinar o incremento da pena relativamente ao vetor das circunstâncias do delito. 5. As consequências do crime, incluindo múltiplas lesões corporais e constrangimento público à vítima, justificam a negativação da vetorial. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.492.577/RO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 13/8/2024.) EMENTAPROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL CONTRA A MULHER EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. PROVAS SUFICIENTES E IDÔNEAS. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A defesa pretende a absolvição do réu por insuficiência probatória quanto à autoria e à materialidade da prática do delito tipificado no art. 129, § 13º, do Código Penal - CP, c/c art. 5º da Lei nº 11.340/2006, ao fundamento de que a vítima não foi ouvida em juízo, de que as testemunhas são indiretas e de que o laudo pericial não apresenta a dinâmica dos fatos. 2. Conforme consignado na decisão agravada, o Tribunal de origem destacou que as declarações da ofendida, em solo policial, restaram devidamente corroboradas pelos depoimentos judiciais dos policiais, da vizinha da vítima, bem como pelo laudo pericial indicativo das lesões sofridas por ela. Além disso, asseverou-se que a versão exculpatória do réu restou isolada nos autos e, inclusive, contraditória ao longo da persecução penal. 3. De outro lado, nota-se que, ainda que a vítima não tenha comparecido na audiência de instrução, as suas declarações extrajudiciais foram devidamente amparadas por provas judicializadas (depoimentos das testemunhas) e por prova não repetível (exame pericial). 4. Reitero que os depoimentos das testemunhas - policiais e vizinha - não são de "ouvir dizer", como alega a defesa. O fato de não terem presenciado o fato principal não as qualifica como testemunhas indiretas, mas, sim, testemunhas diretas de fatos posteriores ao crime, aptas a corroborarem o ocorrido. Nesse sentido, os policiais relataram ter encontrado a vítima lesionada e ensanguentada, logo após o crime, tendo ela apontado o acusado como autor das lesões. Ainda, o policial, em juízo, afirmou ter visto sangue na residência em que coabitavam o réu e a ofendida. A vizinha, por sua vez, noticiou que a vítima foi à sua casa e pediu um pano para usar no caminho até a UPA. 5. Diante desse cenário, nos termos do acórdão recorrido, a prática delitiva restou comprovada por conjunto probatório suficiente e idôneo, de maneira que, para entender de modo diverso, ou seja, pela absolvição por insuficiência probatória, seria necessário rever as circunstâncias fáticas e as provas constantes nos autos, providência vedada pela Súmula n. 7 do STJ. Precedentes. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.478.173/DF, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 6/8/2024, DJe de 9/8/2024.) Por fim, para superar as conclusões alcançadas na origem e chegar às pretensões apresentadas pela parte, é imprescindível a reanálise do acervo fático-probatório dos autos, o que impede a atuação excepcional desta Corte. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.