AREsp 2170478 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque as alegações relativas ao art. 1.022 do CPC/2015 foram genéricas, atraindo a Súmula 284 do STF; houve óbice da Súmula 283 do STF quanto à impugnação de decisão anterior; o prazo prescricional para compensação tributária inicia-se a partir dos pagamentos indevidos conforme art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FOZ DO CHAPECÓ ENERGIA S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão/julgamento Sessão Virtual De 22/05/2025 a 28/05/2025
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Violação Do Art. 1.022 Do Cpc/2015, Art. 7º Da Lei N. 8.906/1994, Compensação Tributária, Prazo Prescricional, Multa Por Embargos De Declaração Protelatórios, Súmula N. 284 Do STF, Súmula N. 283 Do STF, Súmula N. 7 Do STJ
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Parties
FOZ DO CHAPECÓ ENERGIA S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão/julgamento Sessão Virtual De 22/05/2025 a 28/05/2025
Legal Issues
- 1 alegada omissão e falta de fundamentação do acórdão (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 alegada violação ao art. 7º da Lei n. 8.906/1994
- 3 incidência das Súmulas n. 284 e 283 do STF
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque as alegações relativas ao art. 1.022 do CPC/2015 foram genéricas, atraindo a Súmula 284 do STF; houve óbice da Súmula 283 do STF quanto à impugnação de decisão anterior; o prazo prescricional para compensação tributária inicia-se a partir dos pagamentos indevidos conforme art. 168, I c.c. art. 165, I do CTN; e a análise da multa por embargos de declaração protelatórios (art. 1.026, § 2º CPC) implicaria reexame do conjunto fático, atraindo a Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/05/2025 a 28/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF. ART. 7º DA LEI N. 8.906/1994. ÓBICE DA SÚMULA N. 283 DO STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 168, INCISO I, C/C ART. 165, INCISO I, DO CTN. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Em relação à alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, a agravante limitou-se a afirmar, de forma genérica, que o acórdão recorrido incorreu em omissão e falta de fundamentação, sem citar quais seriam essas omissões nem desenvolver argumentos específicos, atraindo o comando da Súmula n. 284 do STF, a inviabilizar o conhecimento dessa parcela recursal. 2 . Quanto ao desrespeito ao art. 7º da Lei n. 8.906/1994, o Tribunal de origem consignou que a embargante não impugnou o acórdão embargado propriamente, mas decisão anterior. Incide a Súmula n. 283 do STF. 4. No tocante à compensação tributária, o prazo para restituição do indébito via compensação inicia-se a partir dos pagamentos indevidos, conforme dispõe o art. 168, inciso I, c.c. o art. 165, inciso I, do CTN. 5. A análise do art. 1.026, § 2º, do CPC, sobre a penalidade por embargos de declaração protelatórios, demandaria reexame do acervo fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula n. 7/STJ. 6. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por FOZ DO CHAPECÓ ENERGIA S.A. contra decisão por mim proferida, na qual o agravo foi conhecido para se conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (fls. 919-924). Pondera a parte agravante que a decisão monocrática não abordou a exclusão da multa aplicada, o que requer reanálise. Solicita a apreciação sobre o início do prazo prescricional em caso de compensação tributária e afirma que a decisão monocrática aplicou jurisprudência inadequada ao caso. Não foi apresentada resposta ao agravo interno (fl. 941). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF. ART. 7º DA LEI N. 8.906/1994. ÓBICE DA SÚMULA N. 283 DO STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 168, INCISO I, C/C ART. 165, INCISO I, DO CTN. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Em relação à alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, a agravante limitou-se a afirmar, de forma genérica, que o acórdão recorrido incorreu em omissão e falta de fundamentação, sem citar quais seriam essas omissões nem desenvolver argumentos específicos, atraindo o comando da Súmula n. 284 do STF, a inviabilizar o conhecimento dessa parcela recursal. 2 . Quanto ao desrespeito ao art. 7º da Lei n. 8.906/1994, o Tribunal de origem consignou que a embargante não impugnou o acórdão embargado propriamente, mas decisão anterior. Incide a Súmula n. 283 do STF. 4. No tocante à compensação tributária, o prazo para restituição do indébito via compensação inicia-se a partir dos pagamentos indevidos, conforme dispõe o art. 168, inciso I, c.c. o art. 165, inciso I, do CTN. 5. A análise do art. 1.026, § 2º, do CPC, sobre a penalidade por embargos de declaração protelatórios, demandaria reexame do acervo fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula n. 7/STJ. 6. Agravo interno desprovido. VOTO O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. A parte agravante alega violação do art. 1.022 do CPC/2015, afirmando genericamente que o acórdão recorrido foi omisso e careceu de fundamentação ao não serem abordados todos os argumentos da apelação, especialmente os precedentes judiciais. Contudo, a falta de especificidade nas alegações atrai a aplicação da Súmula n. 284 do STF e impede o conhecimento dessa parte do recurso. Nessa linha: AgInt no AREsp n. 1.546.431/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 22/4/2020, DJe de 24/4/2020. O Tribunal de origem, ao analisar os embargos de declaração, observou que a embargante não impugnou diretamente o acórdão embargado, mas, sim, uma decisão anterior a ele. Por essa razão, aplica-se a Súmula n. 283 do STF, que impede o conhecimento do recurso. Esse entendimento é corroborado por precedentes como o AgInt no AREsp n. 2.290.902/SP e o AgInt no REsp n. 2.101.031/RJ. Quanto ao prazo prescricional, o Tribunal a quo concluiu que (fl. 767): Tem razão, a meu ver, o Fisco, uma vez que os créditos do contribuinte nasceram com os pagamentos indevidos, e é a partir desses pagamentos indevidos que se inicia o prazo para a restituição do indébito via compensação, nos termos do art. 168, I c/c art. 165, I, do Código Tributário Nacional. (grifos no original) A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp n. 1.269.570/MG sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, seguiu a orientação do Supremo Tribunal Federal estabelecida em repercussão geral. Segundo tal entendimento, para ações ajuizadas a partir de 9/6/2005, aplica-se o art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, de modo que o prazo prescricional para tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, contados a partir do pagamento antecipado, conforme o art. 150, § 1º, do CTN. Precedentes: AgInt no AREsp n. 1.338.692/MS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 15/8/2019, DJe de 23/8/2019. Por fim, no tocante à multa, o Tribunal de origem, ao julgar os embargos declaratórios , consignou (fl. 794): Como se vê, os embargos são inadmissíveis ou infundados, caracterizando-se, ainda, como manifestamente protelatórios, diante da clareza e completude do acórdão embargado, razão pela qual se impõe aplicar ao embargante multa de 2% sobre o valor da causa atualizado, com base no §2º do artigo 1.026 do Código de Processo Civil. O pedido de afastamento da multa aplicada com base no art. 1.026, § 2º, do CPC esbarra no óbice da Súmula n. 7 do STJ, pois eventual análise do caráter protelatório dos embargos também exigiria o reexame do conjunto fático dos autos. Nesse norte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DOS PRAZOS. COMPROVAÇÃO. CALENDÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TEMPESTIVIDADE. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATAÇÃO. SERVIÇOS EDUCACIONAIS. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. COMPROVAÇÃO. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. OMISSÕES. AUSÊNCIA. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTEO DE DEFESA. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATOS CONSTITUTIVOS. REEXAME. SUMULA Nº 7/STJ. MULTA ART. 1.026, § 2º, DO CPC. EMBARGOS PROTELATÓRIOS. MULTA. REEXAME DOS FATOS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. No caso, a parte juntou, no ato da interposição do recurso especial, cópia do calendário do Tribunal de Justiça local que atestou a suspensão dos prazos recursais. 2. Afastada a intempestividade do recurso especial, o mérito do recurso especial deve ser enfrentado. 3. Não viola os artigos 489 e 1.022 do Código de Processo Civil nem importa deficiência na prestação jurisdicional o acórdão que adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, para decidir de modo integral a controvérsia posta. 4. A determinação para realizar provas é uma faculdade do magistrado, incumbindo-lhe sopesar sua necessidade e indeferir diligências inúteis, protelatórias ou desnecessárias. 5. Na hipótese, acolher a pretensão recursal quanto à necessidade de produção de provas demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável ante a natureza excepcional da via eleita, a teor do disposto na Súmula nº 7/STJ. 6. No caso, houve comprovação da contratação dos serviços educacionais para o curso de enfermagem, bem como o inadimplemento das parcelas reclamadas. 7. Na hipótese, a análise do artigo 1.026, § 2º, do CPC, que trata da multa por interposição de embargos de declaração protelatórios, demandaria reexame do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável em recurso especial, sob pena de violação da Súmula nº 7/STJ. 8. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para afastar a intempestividade do recurso especial. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.937.192/MG, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 1/3/2024.) Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, a qual foi proferida com fundamentos suficientes e em consonância com o entendimento pacífico deste Tribunal, não se deve prover o agravo i nterno que contra ela se insurge. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.