AREsp 2449453 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão e o recurso especial pretendeu rediscutir fatos e provas sobre a culpa pela rescisão contratual, matéria vedada em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; decidiu-se ainda majorar honorários em favor da parte...
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- Parties
- Agravante: VARZEA GRANDE SHOPPING S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Violações De Dispositivo Do CPC (arts. 489 E 1.022), Culpa Pela Rescisão Contratual, Atraso Na Inauguração De Empreendimento Comercial, Rescisão Contratual E Devolução De Valores (res Sperata), Súmulas 5 E 7 Do STJ, Honorários Advocatícios (art. 85, §11, Cpc)
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Parties
VARZEA GRANDE SHOPPING S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 preliminar de omissão e ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 2 mérito: alegada violação dos arts. 111, 113 e 422 do Código Civil
- 3 possibilidade de reexame de fatos e provas em recurso especial diante da alegada culpa pela rescisão contratual
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão e o recurso especial pretendeu rediscutir fatos e provas sobre a culpa pela rescisão contratual, matéria vedada em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; decidiu-se ainda majorar honorários em favor da parte contrária com base no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majoram-se os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por VARZEA GRANDE SHOPPING S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 345): APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C RESTITUIÇÃO DE VALORES - CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE PONTO COMERCIAL - SHOPPING CENTER - INOBSERVÂNCIA DO PRAZO CONTRATUAL À ENTREGA DO EMPREENDIMENTO E INÍCIO DAS ATIVIDADES - RESCISÃO CONTRATUAL POR CULPA EXCLUSIVA DO EMPREENDEDOR/RÉU - DEVOLUÇÃO DA RES SPERATA - DEVIDA - MULTA PELA EXTINÇÃO DO VÍNCULO CONTRATUAL - INDEVIDA - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. "Não sendo cumprido o prazo estabelecido para entrega do espaço comercial, restando claro que o Shopping Center não foi inaugurado, é razoável a conclusão de que o apelante ensejou a resolução do contrato. Comprovado que a rescisão contratual decorreu do inadimplemento do empreendedor-administrador, inadmissível se beneficiar com o pagamento de multa contratual e demais cominações. No caso, comprovado que o shopping center descumpriu os termos contratuais, procede a ação que visa obter a devolução dos valores pagos a título de res sperata." (TJMT - 1ª Câmara de Direito Privado - RAC 0011714- 46.2015.8.11.0002, Rel. Des. Sebastião Barbosa Farias, julgado em 11/07/2017, D Je 18/07/2017) Rejeitados ambos os embargos de declaração opostos (fls. 386 e 426), com aplicação de multa no julgamento dos segundos. No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, violação dos arts. 111, 113 e 422 do Código Civil, sob a alegação de que não teria sido observada a anuência tácita da recorrida com a prorrogação da inauguração do Shopping Center, pelo que seria incabível a devolução de valores pagos a título de res sperata. Aponta divergência jurisprudencial com arestos de outros tribunais. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fl. 517). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 528 - 544), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 571 - 583). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. Inicialmente, não há falar em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem solucionou a lide em conformidade ao que foi apresentado em juízo. Verifica-se que o acórdão recorrido possui fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. Verifica-se ainda que, em relação à apontada ofensa aos arts. 111, 113 e 422 do Código Civil e à divergência jurisprudencial suscitada, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça. Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à culpa de recorrente pela rescisão contratual, exige o reexame de fatos e provas e de cláusulas contratuais, o que é vedado, em recurso especial, pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. A propósito, cito o seguinte precedente: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESOLUÇÃO CONTRATUAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. ATRASO NA ENTREGA DAS OBRAS. CULPA DA CONSTRUTORA. SÚMULA Nº 7 DO STJ. RESTITUIÇÃO IMEDIATA E INTEGRAL DOS VALORES PAGOS. SÚMULA Nº 543 DO STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DE CADA DESEMBOLSO E JUROS DE MORA DESDE A CITAÇÃO. AGRAVO CONHECIDO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. No caso dos autos, o acórdão estadual recorrido afirmou que foi a construtora quem deu causa à propositura da ação de resolução do contrato, pois incorreu em atraso na entrega das obras. Nesses termos não é possível acolher a alegação recursal de que a extinção do contrato se deu por culta dos consumidores sem esbarrar na Súmula nº 7 do STJ. 2. Na hipótese de resolução do contrato por culpa do promitente vendedor, a restituição das parcelas pagas pelo consumidor deve ser integral e imediata ( Súmula nº 543 do STJ). 3. A correção monetária deve incidir desde o efetivo desembolso dos valores pagos os juros de mora desde a citação. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.250.781/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 17/2/2025, DJEN de 20/2/2025.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CULPA PELA RESCISÃO CONTRATUAL. ATRASO NA INAUGURAÇÃO DO EMPREENDIMENTO COMERCIAL. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.