Brazil Judgment

Superior Tribunal de Justiça

Devolu Odevalores Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc1757ccdbf40b16e8699

On this page

Professional case brief

Research organized from the available case record

Source document

01

Holding and result

Havendo entendimento dominante do STJ reafirmado na Pet 12.482/DF e concordante com a redação do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, o acórdão regional que afastou a aplicação do Tema 692/STJ por entender tratar-se de mera reforma da tutela antecipada contrariou a jurisprudência dominante desta Corte, justificando o conhecimento do agravo e o provimento do recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.

Court disposition

Agravo conhecido e recurso especial provido para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.

Orders

  • Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.
  • Publique-se.
  • Intime-se.

02

Material facts

Parties

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

Recorrente

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Do Agravo, Provimento Do Recurso Especial

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O INSS alega omissão do Tribunal de origem quanto ao argumento de que a reforma da decisão antecipatória pela sentença de mérito, concedendo benefício diverso e com renda mensal menor, encontra guarida no Tema 692/STJ; sustenta que a mera reforma da decisão permite a restituição dos valores recebidos indevidamente, nos termos do Tema 692/STJ, e requer provimento para determinar a devolução dos valores ou, subsidiariamente, anulação do acórdão para que o Tribunal a quo analise a matéria federal.
Respondent
O Tribunal de origem entendeu que não houve revogação da antecipação de tutela, mas apenas sua reforma (substituição de auxílio-doença por aposentadoria por invalidez), razão pela qual aplicabilidade do Tema 692/STJ foi afasta da hipótese analisada; ademais, o acórdão foi sustentado em entendimento contrário à tese repetitiva do STJ.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Tema 692/STJ; Pet 12.482/DF; art. 115, II, Lei n. 8.213/1991

    A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, podendo a devolução ser efetuada por meio de desconto que não exceda 30% da importância do benefício ainda pago

  2. 02

    Súmula 568/STJ

    O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema

  3. 03

    Código de Processo Civil (art. 927, §3º)

    A tutela de urgência possui caráter precário e seus efeitos são reversíveis, devendo a eventual modulação de efeitos ser considerada quando houver superação de jurisprudência dominante nos termos do art. 927, §3º, do CPC

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Havendo entendimento dominante do STJ reafirmado na Pet 12.482/DF e concordante com a redação do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, o acórdão regional que afastou a aplicação do Tema 692/STJ por entender tratar-se de mera reforma da tutela antecipada contrariou a jurisprudência dominante desta Corte, justificando o conhecimento do agravo e o provimento do recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.

Obiter and limits

  • A controvérsia possui natureza infraconstitucional, razão pela qual a interpretação cabível é a do STJ, nos limites da legislação infraconstitucional.
  • Quando a revogação decorre de mudança superveniente de jurisprudência dominante, a superação deve ser acompanhada de modulação dos efeitos, a critério do tribunal que promove a alteração.
  • Não se aplica, no tema da restituição de valores de tutela precária, a Súmula 126 do STJ quando a matéria for tratada como infraconstitucional pelo STF (Tema 799).

Court disposition

Agravo conhecido e recurso especial provido para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.

  • Conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada.
  • Publique-se.
  • Intime-se.

Source and reliance status

Superior Tribunal de Justiça

This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.

Judgment reading view

Judgment text

The complete available source text.

Source document

Superior Tribunal de Justiça

Judgment

Judgment

DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 651): AGRAVO DE INSTRUMENTO. RMI DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS A MAIOR EM AUXÍLIO-DOENÇA. TEMA 692/STJ. INAPLICABILIDADE.

1. A questão já foi confirmada em pedido de revisão de tese, pelo Superior Tribunal de Justiça, no Tema 692, ficando estabelecida a obrigação do autor da ação de devolver os valores do benefício previdenciário recebido em antecipação de tutela que restou revogada, o que pode ser feito, nos próprios autos, por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que lhe estiver sendo pago.

2. Entretanto, o Tema 692/STJ assegura a justeza dos julgados.

3. Na hipótese, chega à conclusão de que não houve reforma da decisão antecipatória, a qual concedeu ao autor benefício por incapacidade mais grave - aposentadoria por invalidez - do que aquela inicialmente concedida. Por óbvio, não pode ser aplicado o que fora julgado no Tema 692/STJ. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 668-670). Em seu recurso especial, o recorrente aponta violação ao artigo 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil, alegando que o Tribunal de origem foi omisso em relação ao argumento de que a reforma da "decisão antecipatória pela sentença de mérito, concedendo benefício diverso e com renda mensal menor do que o inicialmente deferido em tutela antecipada, também encontra guarida no enunciado reafirmado no Tema 692/STJ" (fl. 681). Ainda, alega afronta aos artigos 297; 302, incisos I e III; e 520, incisos I e II, e § 5º, todos do Código de Processo Civil, ao argumento de que "a mera reforma, com a modificação da decisão antecipatória de tutela, já permite a restituição dos valores recebidos indevidamente, nos termos do Tema 692/STJ" (fl. 682). Requer o provimento do recurso para que seja determinada a devolução dos valores recebidos em virtude de tutela antecipada posteriormente reformada, nos termos do previsto no Tema n. 692/STJ. Subsidiariamente, pretende a anulação do acórdão recorrido para que o Tribunal a quo manifeste-se sobre a

matéria federal que embasa a tese discutida nestes autos. O Tribunal de origem, às fls. 701-702, não admitiu o recurso especial, em razão da incidência do óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF. Em seu agravo, às fls. 710-718, o recorrente defende o afastamento do citado óbice, sustentando que não houve qualquer deficiência na fundamentação do apelo especial, uma vez que enfrentou especificamente os fundamentos do acórdão recorrido e indicou explicitamente os dispositivos da lei federal violada. Requer o conhecimento do agravo para que seja dado provimento ao recurso especial. É o relatório. A insurgência merece prosperar. Ao analisar a controvérsia, a Corte local estabeleceu que não seria o caso de aplicação do Tema 692/STJ porquanto não houve a revogação da antecipação de tutela, mas apenas a sua reforma, uma vez que apenas substituiu-se o auxílio-doença pela aposentadoria por invalidez (fls. 649-650). Ocorre que, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento da Pet 12.482/DF, de relatoria do Ministro Og Fernandes (DJe de 24/5/2022), acolheu a questão de ordem para confirmar a tese disposta no Tema Repetitivo 692/STJ, com acréscimo de redação para ajuste à nova legislação, nos seguintes termos: "a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais

recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago". Confira-se a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA REPETITIVO 692/STJ (RESP N. 1.401.560/MT). ART. 927, § 4º, DO CPC/2015. ARTS. 256-S, 256-T, 256-U E 256-V DO RISTJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE DECISÃO LIMINAR POSTERIORMENTE REVOGADA. ADVENTO DE NOVA LEGISLAÇÃO. ART. 115, INC. II, DA LEI N. 8.213/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 13.846/2019. TEMA N. 799/STF (ARE 722.421/MG): POSSIBILIDADE DA DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. QUESTÃO DE ORDEM JULGADA NO SENTIDO DA REAFIRMAÇÃO, COM AJUSTES REDACIONAIS, DO PRECEDENTE FIRMADO NO TEMA REPETITIVO N. 692/STJ.

1. A presente questão de ordem foi proposta com a finalidade de definir se o entendimento firmado no Tema Repetitivo 692/STJ (REsp n. 1.401.560/MT) deve ser reafirmado, alterado ou cancelado, diante da variedade de situações que ensejam dúvidas quanto à persistência da orientação firmada pela tese repetitiva referida, bem como à jurisprudência do STF, estabelecida em sentido contrário, mesmo que não tendo sido com repercussão geral ou em controle concentrado de constitucionalidade.

2. O CPC/1973 regulamentava a matéria de forma clara, prevendo, em resumo, que a efetivação da tutela provisória corre por conta do exequente, e a sua eventual reforma restituiria as partes ao estado anterior à concessão, o que obrigaria o exequente a ressarcir eventuais prejuízos sofridos pelo executado. A mesma lógica foi mantida pelo legislador do CPC/2015. Por conta disso que sempre se erigiu como pressuposto básico do instituto da tutela de urgência a reversibilidade dos efeitos da decisão judicial.

3. O debate surgiu especificamente no que tange à aplicação de tal regulamentação no âmbito previdenciário. Ou seja, discutia-se se as normas específicas de tal área do direito trariam solução diversa da previsão de caráter geral elencada na legislação processual.

4. A razão histórica para o surgimento dessa controvérsia na área previdenciária consiste na redação original do art. 130 da Lei n. 8.213/1991, o qual dispunha que: "Ocorrendo a reforma da decisão, será suspenso o benefício e exonerado o beneficiário de restituir os valores recebidos". Nos idos de 1997, a Lei n. 9.528 alterou completamente a redação anterior, passando a valer a regra geral do CPC, na ausência de norma especial em sentido contrário no âmbito previdenciário.

5. A partir de então, começou a amadurecer a posição no sentido da necessidade de devolução dos valores recebidos em caso de revogação da tutela antecipada, o que redundou, em 2014, no entendimento vinculante firmado pelo STJ no Tema Repetitivo 692 (REsp n. 1.401.560/MT): "A reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente recebidos.".

6. Em 2018, esta Relatoria propôs a questão de ordem sob exame, diante da variedade de situações que ensejam dúvidas quanto à persistência da orientação firmada pela tese repetitiva referida, bem como à existência de alguns precedentes em sentido contrário no STF, mesmo não tendo sido com repercussão geral ou em controle concentrado de constitucionalidade. 7. À época, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 que regulamenta a matéria no direito previdenciário trazia redação que não era clara e direta como a da legislação processual, uma vez que não referia expressamente a devolução de valores recebidos a título de antecipação dos efeitos da tutela posteriormente revogada. Tal fato, aliás, não passou despercebido pela Primeira Seção ao rejeitar os EDcl no REsp n. 1.401.560/MT fazendo menção a tal fato.

8. Foi essa redação pouco clara que gerou dúvidas e terminou ocasionando, em 2018, a propositura da questão de ordem ora sob julgamento.

9. A Medida Provisória n. 871/2019 e a Lei n. 13.846/2019, entretanto, trouxeram uma reformulação da legislação previdenciária, e o art. 115, inc. II, passou a não deixar mais qualquer dúvida: Na hipótese de cessação do benefício previdenciário ou assistencial pela revogação da decisão judicial que determinou a sua implantação, os valores recebidos devem ser devolvidos à parte adversa.

10. Se o STJ - quando a legislação era pouco clara e deixava margem a dúvidas - já tinha firmado o entendimento vinculante no Tema Repetitivo 692/STJ, não é agora que deve alterar sua jurisprudência, justamente quando a posição da Corte foi sufragada expressamente pelo legislador reformador ao regulamentar a matéria.

11. Trata-se, pois, de observância de norma editada regularmente pelo Congresso Nacional, no estrito uso da competência constitucional a ele atribuída, não cabendo ao Poder Judiciário, a meu sentir, reduzir a aplicabilidade do dispositivo legal em comento, decorrente de escolha legislativa explicitada com bastante clareza.

12. Ademais, a postura de afastar, a pretexto de interpretar, sem a devida declaração de inconstitucionalidade, a aplicação do art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 pode ensejar questionamentos acerca de eventual inobservância do art. 97 da CF/1988 e, ainda, de afronta ao verbete vinculante n. 10 da Súmula do STF.

13. O STF adota o posicionamento referido em algumas ações originárias propostas (na maioria, mandados de segurança) em seu âmbito. Porém, não o faz com caráter de guardião da Constituição Federal, mas sim na análise concreta das ações originárias. A maioria dos precedentes do STF não diz respeito a lides previdenciárias e, além disso, são todos anteriores às alterações inseridas no art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991. Na verdade, atualmente o STF vem entendendo pela inexistência de repercussão geral nessa questão, por se tratar de matéria infraconstitucional, como se verá adiante.

14. O que se discute no caso em tela é a interpretação de artigo de lei federal, mais especificamente, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 e vários dispositivos do CPC/2015. Assim, vale o entendimento do STJ sobre a matéria, pois, segundo o art. 105 da Carta Magna, é esta Corte a responsável pela uniformização da interpretação da legislação infraconstitucional no país.

15. A propósito, o STF, ao julgar o Tema 799 da Repercussão Geral (ARE 722.421/MG, j. em 19/3/2015), já firmou expressamente que a questão não é constitucional e deve, portanto, ser deslindada nos limites da legislação infraconstitucional, o que foi feito com bastante clareza pelo legislador ao trazer a nova redação do art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991. No mesmo sentido, vide o RE 1.202.649 AgR (relator Ministro Celso de Mello, Segunda Turma, j. em 20/12/2019), e o RE 1.152.302 AgR (relator Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, j. em 28/5/2019).

16. Ao propor a questão de ordem, esta Relatoria citou as seguintes particularidades processuais que supostamente seriam aptas a ensejar uma consideração específica quanto à possibilidade de revisão do entendimento firmado no Tema 692/STJ: a) tutela de urgência concedida de ofício e não recorrida; b) tutela de urgência concedida a pedido e não recorrida; c) tutela de urgência concedida na sentença e não recorrida, seja por agravo de instrumento, na sistemática processual anterior do CPC/1973, seja por pedido de suspensão, conforme o CPC/2015; d) tutela de urgência concedida initio litis e não recorrida; e) tutela de urgência concedida initio litis, cujo recurso não foi provido pela segunda instância; f) tutela de urgência concedida em agravo de instrumento pela segunda instância; g) tutela de urgência concedida em primeiro e segundo graus, cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então existente.

17. Quanto a elas, note-se que se trata basicamente do momento em que foi concedida e/ou revogada a tutela de urgência, se logo no início do feito, se na sentença, se na segunda instância, ou se apenas no STF ou no STJ. A ideia subjacente é que, em algumas hipóteses, a tutela de urgência já estaria, de certa forma, incorporada ao patrimônio jurídico da parte autora, e sua revogação poderia resultar em injustiça no caso concreto.

18. Tais situações, entretanto, são tratadas pela lei da mesma forma, não merecendo distinção do ponto de vista normativo. Ou seja, em qualquer desses casos, a tutela de urgência não deixa de ser precária e passível de modificação ou revogação a qualquer tempo, o que implicará o retorno ao estado anterior à sua concessão.

19. Situação diversa é a da tutela de urgência cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então dominante. Nesses casos, a superação do precedente deverá ser acompanhada da indispensável modulação dos efeitos, a juízo do Tribunal que está promovendo a alteração jurisprudencial, como determina o art. 927, § 3º, do CPC. Assim, como diz a norma, o próprio juízo de superação "de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos" deve ser acompanhado da modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. Dessa forma, uma eventual guinada jurisprudencial não resultará, em princípio, na devolução de valores recebidos por longo prazo devido à cassação de tutela de urgência concedida com base em jurisprudência dominante à época em que deferida, bastando que o tribunal, ao realizar a superação, determine a modulação dos efeitos.

20. Por fim, não há que se falar em modulação dos efeitos do julgado no caso em tela, uma vez que não se encontra presente o requisito do art. 927, § 3º, do CPC. Isso porque, no caso sob exame, não houve alteração, mas sim reafirmação da jurisprudência dominante do STJ.

21. Questão de ordem julgada no sentido da reafirmação da tese jurídica, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos termos a seguir: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago". (Pet n. 12.482/DF, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 11/5/2022, DJe de 24/5/2022.) Vejam-se, ainda: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RESTITUIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. TEMA 692/STJ. OBSERVÂNCIA DO ART. 115, II, DA LEI N. 8.213/91. MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL.

1. Segundo tese repetitiva consolidada no Tema 692/STJ, "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago".

2. A controvérsia não possui repercussão geral, conforme definido pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do ARE-RG 722.421, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, pois a solução da questão envolve o exame de legislação infraconstitucional.

3. A restituição dos valores provenientes de antecipação de tutela posteriormente revogada deve observar o disposto no inciso II do art. 115 da Lei n. 8.213/91, conforme definido no Tema 692/STJ, reafirmado no julgamento da Pet 12.482/DF.

4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.091.579/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 20/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. VALORES PAGOS POR DECISÃO PRECÁRIA. DEVOLUÇÃO. SÚMULA 126 DO STJ. NÃO INCIDÊNCIA. TEMA 692 DO STJ. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA: PET 12.482/DF. DESCONTO SOBRE BENEFÍCIOS DE VALOR MÍNIMO. POSSIBILIDADE.

1. No tocante ao tema da restituição de benefício previdenciário concedido por decisão judicial precária, não há falar em incidência da Súmula 126 do STJ, diante do entendimento do Supremo Tribunal Federal no Tema 799 de que se trata de questão cuja natureza é infraconstitucional e a ela atribuem-se os efeitos da ausência de repercussão geral.

2. No julgamento da Pet n. 12.482/DF, a Primeira Seção desta Corte ratificou o entendimento anteriormente firmado no julgamento do Tema repetitivo 692 do STJ, segundo o qual "a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lh estiver sendo pago".

3. O legislador, ao fixar um limite (de até 30%) para a realização do desconto nas situações em que o segurado ainda tiver percebendo um benefício, o fez estabelecendo a ponderação entre a exigibilidade da prestação pecuniária antecipada e a situação econômica do beneficiário que teve cassada a tutela judicial, dando certa margem de discricionariedade à Administração autárquica para a realização dos descontos sem deixar de levar em consideração a hipossuficiência do segurado e/ou dependente.

4. Caso em que o Tribunal de origem deu parcial provimento ao agravo de instrumento interposto pela autarquia por considerar que, não obstante a jurisprudência do STJ tenha se firmado no sentido de que a lei autoriza o desconto de até 30% do valor do benefício, a quantia resultante não pode ser inferior a um salário mínimo.

5. A interpretação adotada pela Corte Regional afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado do STJ, visto que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à devolução dos valores pagos por força de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, negando vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afrontando o art. 927, III, do CPC/2015, devendo, por isso, ser reformada.

6. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.095.972/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 7/5/2024.) Desse modo, estando o acórdão recorrido em confronto com a jurisprudência dominante desta Corte Superior de Justiça acerca do tema, de rigor o provimento do recurso especial, nos termos da Súmula 568 deste Sodalício, que assim dispõe: Súmula 568. O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso II, alínea "c", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial a fim de permitir a restituição dos valores pagos a maior em razão de decisão judicial precária posteriormente reformada . Publique-se. Intime-se.

EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS A MAIOR E M RAZÃO DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REFORMADA. POSSIBILIDADE. TEMA REPETITIVO 692/STJ. REAFIRMADO NO JULGAMENTO DA PET 12.482/DF. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

Source wording is retained. Consult the source document for its original formatting and pagination.

Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

REsp n. 1.401.560/MT (Tema 692/STJ)

Case cited

Pet 12.482/DF

Case cited

ARE 722.421/MG (Tema 799/STF)

Case cited

AgInt no REsp n. 2.091.579/PR

Case cited

AgInt nos EDcl no REsp n. 2.095.972/PR

Case cited

RE 1.202.649 AgR

Case cited

RE 1.152.302 AgR

Case cited

Súmula 568/STJ

Case cited

Súmula 126/STJ

Case cited

Art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 297; 302, incisos I e III; 520, incisos I e II, e §5º, do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 927, §3º, do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 13.846/2019

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Medida Provisória n. 871/2019

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/1973

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPC/2015

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Case-aware research

Ask AI about this case

The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.

About this LexChat collection

This page organizes the available case record for research. Verify quotations, current status, and subsequent treatment against the source document. Corrections can be reported to hello@esheria.ai.

Legal information, not legal advice. Research summaries do not replace the judgment.