Devolu Odevalores Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dcdc17ccdbf40b175d2e3
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Recurso Especial / Julgamento
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- Recurso Especial / Julgamento
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Professional case brief
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01
Holding and result
O recurso foi provido com fundamento na orientação do Tema 692/STJ e em complementação que admite liquidação nos próprios autos, determinando que a reforma da tutela antecipada revogada impõe a devolução dos valores percebidos, podendo tal devolução ser efetuada por desconto sobre eventual benefício em curso até o limite de 30%.
Court disposition
Provido o recurso especial para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada
Orders
- Reforma do acórdão recorrido
- Determinar a devolução dos valores percebidos a título de tutela antecipada posteriormente revogada
- Possibilidade de liquidação nos próprios autos com desconto que não exceda 30% de eventual benefício em curso
- Intimem-se
02
Material facts
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrentesegurado
RecorridoAmounts and remedies
- Perda Auditiva Constatada (%): 7.73
- Nível Mínimo Segundo a Tabela De Fowler (%): 9
- Percentual Máximo De Desconto Permitido (%): 30
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Julgamento
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Possibilidade de devolução de valores recebidos a título de tutela antecipada posteriormente revogada
- 02
Aplicabilidade do Tema 692/STJ e do art. 115, II, da Lei 8.213/91
- 03
Possibilidade de liquidação nos próprios autos e limite de desconto de 30%
- 04
Relevância da provisoriedade da tutela e do regime de execução provisória
Party arguments
- Applicant
- Sustenta o INSS que uma interpretação sistemática das normas (arts. 297, p. único; 302, I; 520, I e II; 927, III do CPC; arts. 876, 884 e 885 do CC; art. 115, II, da Lei 8.213/91; art. 3º da LICC) indica que, mesmo sendo o benefício de natureza alimentícia, não há vedação à restituição dos valores pagos em sede de antecipação de tutela posteriormente revogada, devendo ser admitida a devolução e a liquidação nos próprios autos.
- Respondent
- O entendimento do acórdão recorrido (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) foi no sentido de que a incapacidade laborativa não ficou demonstrada e que, como regra, valores de natureza alimentar percebidos de boa-fé não seriam restituíveis, aplicando-se princípio da irrepetibilidade/vedação à devolução de verbas alimentares quando recebidas de boa-fé.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Tema 692/STJ; art. 115, II, Lei 8.213/1991
A reforma de decisão que antecipa efeitos da tutela final obriga o autor a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos
- 02
Complementação do Tema 692/STJ; art. 520, II, CPC/2015 (art. 475-O, II, CPC/1973)
A devolução pode ser realizada por meio de desconto que não exceda 30% do benefício eventualmente ainda pago ao autor
- 03
Arts. 475-O, I e II e 811, I e III do CPC/1973; arts. 297, 302, I e III; 520, I e II e §5º do CPC/2015
O dever de ressarcimento decorre da provisoriedade da antecipação de tutela e do regime de execução provisória, previsto no CPC/1973 e mantido no CPC/2015
- 04
Súmula 568/STJ
O relator, monocraticamente no STJ, poderá dar ou negar provimento quando houver entendimento dominante acerca do tema
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O recurso foi provido com fundamento na orientação do Tema 692/STJ e em complementação que admite liquidação nos próprios autos, determinando que a reforma da tutela antecipada revogada impõe a devolução dos valores percebidos, podendo tal devolução ser efetuada por desconto sobre eventual benefício em curso até o limite de 30%.
Obiter and limits
- O dever de ressarcimento já era aplicado na vigência do CPC/1973 e foi reafirmado com o CPC/2015
- Rejeitada a modulação dos efeitos do julgado por se tratar de reafirmação da jurisprudência dominante
- A edição da MP n. 871/2019 e da Lei n. 13.846/2019 apenas esclareceu norma já consolidada
Court disposition
Provido o recurso especial para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada
- Reforma do acórdão recorrido
- Determinar a devolução dos valores percebidos a título de tutela antecipada posteriormente revogada
- Possibilidade de liquidação nos próprios autos com desconto que não exceda 30% de eventual benefício em curso
- Intimem-se
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado: Acidentária - Encanador industrial - Lesões nos ouvidos (PAIR) - Incapacidade laborativa não comprovada - Perda auditiva bilateral constatada inferior (7,73%) ao nível mínimo exigível para tanto, segundo a Tabela de Fowler (9,0 %) - Auxílio-acidente indevido - Restituição dos valores pagos a título de tutela antecipada inadmissível em razão do princípio da irrepetibilidade ou da não-devolução de verbas alimentares, quando recebidas de boa-fé pelo segurado - Sentença de procedência reformada - Improcedência do pedido declarada - Recurso oficial provido para esse fim (fl. 145). Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 177-179). No recurso especial, interposto com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição Federal, o recorrente aponta negativa de vigência aos arts. 297, parágrafo único, 302, I, 520, I e II, 927, III, do CPC, 876, 884 e 885 do Código Civil, 115, II, da Lei 8.213/91 e 3º da LICC, pois "uma interpretação sistemática das normas envolvidas na questão indica que, mesmo que se considere o benefício previdenciário de natureza alimentícia não há vedação para que os valores pagos em sede de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sejam restituídos aos cofres da Autarquia Previdenciária" (fl.
212). Requer, ao final, o provimento do recurso. Apresentadas as contrarrazões, o recurso especial foi inadmitido pelo Tribunal de origem. Devolvidos os autos para juízo de retratação (fls. 296-297), o acórdão recorrido restou mantido (fls. 354-360). Em seguida, o recurso especial foi admitido (fls. 367-368). É o relatório. Passo a decidir. Com relação à alegada violação ao art. 1.022, I e II, do CPC/2015, considero a matéria prequestionada, pelo que passo à análise do mérito. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do Tema repetitivo 692/STJ, definiu ser legítima a restituição de valores percebidos pelo segurado, em virtude do cumprimento de decisão judicial precária posteriormente revogada, sendo certo, ainda, que não houve qualquer modulação dos efeitos do julgado. Importante frisar que a tese jurídica firmada no Tema 692/STJ foi complementada para incluir a possibilidade de liquidação nos próprios autos, restando assim definida: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos, na forma do art. 520, II,
do CPC/2015 (art. 475-O, II, do CPC/1973). Confira-se a ementa do referido julgado: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA PETIÇÃO. QUESTÃO DE ORDEM NO TEMA REPETITIVO 692/STJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA POSTERIORMENTE REVOGADA. ART. 115, II, DA LEI 8.213/1991. COMPLEMENTAÇÃO DA TESE JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE LIQUIDAÇÃO NOS MESMOS AUTOS. ARTS. 520, II, DO CPC/2015 E 475-O, II, DO CPC/1973. ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO CONFIGURADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
1. Em análise, embargos de declaração opostos contra acórdão da Primeira Seção do STJ, o qual julgou questão de ordem, no sentido da reafirmação da tese jurídica no Tema 692/STJ, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos termos a seguir: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago." 2. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para eliminar a obscuridade, contradição ou suprir a omissão existente no julgado, além de corrigir erro material, não permitindo em seu bojo a rediscussão da matéria.
3. Não obstante o voto proferido na Questão de Ordem no Tema 692/STJ tenha sido claro quanto à possibilidade de liquidação nos próprios autos, quando reformada a decisão que lastreava a execução provisória, com base no art. 520, I e II, do CPC/2015 (art. 475-O, I e II, do CPC/1973), a tese jurídica não fez nenhuma referência a essa questão.
4. Por essa razão, a fim de evitar desnecessárias controvérsias derivadas do julgamento da presente Questão de Ordem, pertinente uma complementação no conteúdo da tese jurídica consagrada no Tema 692/STJ, para incluir, expressamente, a possibilidade de liquidação nos próprios autos, na forma do art. 520, I e II, do CPC/2015 (art. 475-O, I e II, do CPC/1973).
5. Solução do caso concreto: Embargos de declaração do INSS parcialmente acolhidos, para complementar a tese jurídica firmada no Tema 692/STJ.
6. Tese jurídica firmada: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos, na forma do art. 520, II, do CPC/2015 (art. 475-O, II, do CPC/73)." (EDcl na Pet n. 12.482/DF, relator Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, julgado em 9/10/2024, DJe de 11/10/2024.) No voto condutor do julgamento, consignou-se expressamente que: Mais uma vez, não lhe assiste razão, uma vez que o acórdão ora embargado deixou claro que o dever de ressarcimento dos valores indevidamente recebidos decorre da própria provisoriedade da antecipação de tutela e do regime de execução provisória, que já era vigente no CPC/1973, na forma dos arts. 475-O, I e II, e 811, I e III, e foi mantido pelo CPC/2015, como se observa dos arts. 297, 302, I e III, e 520, I e II, e § 5º. Inclusive, sobre a questão, restou inequívoca a compreensão de que o posicionamento adotado no tema repetitivo ora em debate já era aplicado antes da expressa determinação legislativa de devolução dos valores indevidamente recebidos pelo segurado (art. 115, II, da Lei
8.213/1991), conforme se observa do trecho a seguir (..): Com o advento da nova redação trazida pela MP n. 871/2019 e pela Lei n. 13.846/2019, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/91 não deixa mais qualquer dúvida: Na hipótese de cessação do benefício previdenciário ou assistencial pela revogação da decisão judicial que determinou a sua implantação, os valores recebidos devem ser devolvidos à parte adversa. Se o STJ - quando a legislação era pouco clara e deixava margem a dúvidas - já tinha firmado o entendimento vinculante no Tema Repetitivo 692/STJ, não é agora que deve alterar sua jurisprudência, justamente quando a posição da Corte foi sufragada expressamente pelo legislador reformador ao regulamentar a matéria. Outrossim, em estreita conexão com o presente tópico, foi a rejeição do pedido de modulação dos efeitos do julgado - para que a tese fosse aplicada somente aos casos de decisões provisórias concedidas a partir da publicação do acórdão do recurso repetitivo, ou, sucessivamente, a partir da vigência da MP 871/2019, que deu origem ao direito material de repetição do indébito -, pois, como bem ressaltou o Relator originário, "não há que se falar em modulação dos efeitos do julgado no caso em tela, uma vez que não se encontra presente o requisito do art. 927, § 3º, do CPC. Isso porque, no caso sob exame, não houve alteração, mas sim reafirmação da jurisprudência
dominante do STJ" .. Como se vê, o voto condutor dos embargos de declaração na PET 12.482/DF esclareceu que o dever de ressarcimento dos valores indevidamente recebidos já era previsto desde o CPC/73 e que o posicionamento adotado no tema repetitivo ora em debate já era aplicado antes da expressa determinação legislativa de devolução dos valores indevidamente recebidos pelo segurado. Inclusive, esse foi o motivo pelo qual não se determinou a modulação dos efeitos do julgado desde o primeiro julgamento do Tema 692/STJ. Portanto, deve ser provido o recurso especial, com fundamento na orientação contida na Súmula 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema." Isso posto, dou provimento ao recurso especial, para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada. Intimem-se.
EMENTA
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