Documentonovo Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dba6d7ccdbf40b16a8af7
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
More details
- Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
Negou-se provimento ao agravo interno porque os documentos juntados não configuram 'novos' (destinavam-se a comprovar fato anterior), sua apreciação exigiria reexame probatório incompatível com o recurso especial e o Tribunal de origem, com base no acervo probatório, concluiu pela ausência de nexo causal entre a enfermidade e as atividades laborais, sendo vedada a modificação desse juízo fático-probatório pela Súmula 7/STJ.
Court disposition
agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
02
Material facts
Parties
VALTER DA CUNHA JUNIOR
Agravante03
Procedural history
Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Caracterização de documento novo
- 02
Cerceamento de defesa alegado pela parte
- 03
Contradição entre o laudo pericial e demais provas
- 04
Vedação ao reexame de matéria fático-probatória no recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 05
Existência de nexo causal entre doença e atividades laborativas
- 06
Admissibilidade da prova emprestada
Party arguments
- Applicant
- Sustenta haver contradição entre o laudo pericial e as demais provas, cerceamento de defesa pela ausência de vistoria no ambiente de trabalho, juntada de documento médico comprobatório da moléstia incapacitante e inaplicabilidade da Súmula 7/STJ por haver premissas já delimitadas no acórdão de origem; pede reconsideração ou julgamento pelo colegiado.
- Respondent
- O Tribunal/Relator entendeu que os documentos juntados não são novos por se destinarem a comprovar fato anterior, que sua apreciação exigiria reexame probatório vedado nesta via recursal, que a valoração das provas é tarefa das instâncias ordinárias nos termos do CPC/2015 (arts.370 e 371), e que o Tribunal de origem concluiu pela inexistência de nexo causal, aplicando-se a Súmula 7/STJ, motivo pelo qual o agravo interno deve ser desprovido.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 434 do CPC/2015; art. 435 do CPC/2015
Parte deve instruir a inicial/contestação com os documentos necessários; exceção apenas para documentos supervenientes
- 02
arts. 370 e 371 do CPC/2015
Formação da convicção pelo juiz com base na livre apreciação das provas (persuasão racional)
- 03
Súmula 7/STJ
Vedação ao reexame de matéria fático-probatória pelo STJ
- 04
art. 489 do CPC; art. 1.022 do CPC/2015
Regra sobre fundamentação das decisões e embasamento do julgamento
- 05
art. 373, I, do novo CPC
Ônus da prova sobre o autor para demonstrar fato constitutivo do direito
- 06
art. 105, inciso III, alínea a, da CF/88
Competência para apreciação de recursos especiais e limites quanto a súmulas e lei federal
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque os documentos juntados não configuram 'novos' (destinavam-se a comprovar fato anterior), sua apreciação exigiria reexame probatório incompatível com o recurso especial e o Tribunal de origem, com base no acervo probatório, concluiu pela ausência de nexo causal entre a enfermidade e as atividades laborais, sendo vedada a modificação desse juízo fático-probatório pela Súmula 7/STJ.
Obiter and limits
- A produção probatória destina-se ao convencimento do julgador, que pode indeferir provas consideradas irrelevantes
- Não há cerceamento de defesa quando o julgador entende pela suficiência do acervo probatório
- A prova emprestada é admitida desde que respeitados os requisitos legais e o contraditório, o que não restou demonstrado nos autos
Court disposition
agravo interno desprovido
- Negar provimento ao agravo interno
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/04/2025 a 30/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela.
EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DOCUMENTO NOVO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA AFASTADO. CONTRADIÇÃO ENTRE AS PROVAS. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICO-PROBATÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO-ACIDENTE. NEXO CAUSAL ENTRE A DOENÇA E AS ATIVIDADES LABORATIVAS. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Os documentos apresentados pelo agravante não podem ser considerados novos porque, nos termos do consignado pelas instâncias ordinárias, visavam comprovar fato anterior (moléstia incapacitante), já devidamente alegada nas petições anteriores. Ademais, a deliberação de tal documento não seria possível nesta esfera recursal, por implicar exame de matéria probatória.
2. Concluir em sentido diverso e modificar o que foi decidido pelos órgãos de origem sobre a suficiência de provas e sobre a inexistência de contradição entre o laudo e as demais provas demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que seria vedado no recurso especial (Súmula 7 do STJ).
3. Tendo o Tribunal de origem entendido pela ausência do nexo causal entre a doença e o trabalho a ensejar a concessão do benefício acidentário, a modificação dessa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ.
4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por VALTER DA CUNHA JUNIOR contra decisão monocrática proferida pelo Ministro Mauro Campbell Marques, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, assim ementada (e-STJ, fl. 576): PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ARTS. 489 E 1022 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO OCORRÊNCIA. AUXÍLIO-ACIDENTE. INEXISTÊNCIA DE REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA. NULIDADE DA PERÍCIA. REEXAME DE CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICO-PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA TORNADA SEM EFEITO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. O agravante, em suas razões, defende que "nada justifica a contradição entre o laudo pericial e as demais provas dos autos. O laudo carece de fundamentação/justificativa adequada" (e-STJ, fl. 588). Alega que as "incontáveis divergências nos autos, a ausência da necessária vistoria no ambiente de trabalho do autor, ocasionou prejuízos irreparáveis ao direito do autor, caracterizando cerceamento do direito de defesa" (e-STJ, fl. 588). Reconhece que "a simples necessidade de maior esforço para o exercício de atividade habitual e/ou restrição para determinadas atividades também enseja a concessão do benefício acidentário" (e-STJ, fl. 588). Aduz a
inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, porque todas as premissas já estão devidamente delimitadas no acórdão de origem, não havendo falar em reanálise de fatos ou provas, mas tão somente avaliar se a aplicação d a legislação. Busca, assim, a reconsideração da decisão agravada ou o julgamento deste recurso pelo colegiado. Foi apresentada petição pelo agravante requerendo a juntada de documento novo, referente à moléstia incapacitante noticiada nos autos (e-STJ, fls. 599 e 602). Não foi apresentada impugnação (e-STJ, fl. 606). É o relatório.
EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DOCUMENTO NOVO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA AFASTADO. CONTRADIÇÃO ENTRE AS PROVAS. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICO-PROBATÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO-ACIDENTE. NEXO CAUSAL ENTRE A DOENÇA E AS ATIVIDADES LABORATIVAS. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Os documentos apresentados pelo agravante não podem ser considerados novos porque, nos termos do consignado pelas instâncias ordinárias, visavam comprovar fato anterior (moléstia incapacitante), já devidamente alegada nas petições anteriores. Ademais, a deliberação de tal documento não seria possível nesta esfera recursal, por implicar exame de matéria probatória.
2. Concluir em sentido diverso e modificar o que foi decidido pelos órgãos de origem sobre a suficiência de provas e sobre a inexistência de contradição entre o laudo e as demais provas demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que seria vedado no recurso especial (Súmula 7 do STJ).
3. Tendo o Tribunal de origem entendido pela ausência do nexo causal entre a doença e o trabalho a ensejar a concessão do benefício acidentário, a modificação dessa conclusão demandaria incursão no acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ.
4. Agravo interno desprovido.
VOTO Os argumentos do agravante não são aptos a ilidir os fundamentos da decisão recorrida, a qual, por isso, merece ser mantida. De início, foi apresentada documentação nova após o julgamento do agravo interno, tratando de documento médico relativo à moléstia incapacitante noticiada nos autos (e-STJ, fls. 599 e 602). Contudo, a regra prevista no art. 434 do CPC/2015, segundo a qual incumbe à parte instruir a inicial ou a contestação com os documentos que forem necessários para provar o direito alegado, somente pode ser excepcionada se, após o ajuizamento da ação, surgirem documentos novos, ou seja, decorrentes de fatos supervenientes ou que somente tenham sido conhecidos pela parte em momento posterior, nos termos do art. 435 do CPC/2015. Na hipótese dos autos, os documentos apresentados pelo agravante não podem ser considerados novos porque, nos termos do consignado pelas instâncias ordinárias, visavam comprovar fato anterior (moléstia incapacitante), já devidamente alegada nas petições anteriores. Veja-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA REQUERIDA.
1. Não há falar em ofensa ao art. 1022 do CPC/15, porquanto todas as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia foram apreciadas pelo Tribunal a quo, sendo que não caracteriza omissão ou falta de fundamentação a mera decisão contrária ao interesse da parte, tal como na hipótese dos autos. Precedentes.
2. Nos termos da jurisprudência deste Tribunal Superior, a regra prevista no art. 434 do CPC/15, segundo a qual incumbe à parte instruir a inicial ou a contestação com os documentos que forem necessários para provar o direito alegado, somente pode ser excepcionada se, após o ajuizamento da ação, surgirem documentos novos, ou seja, decorrentes de fatos supervenientes ou que somente tenham sido conhecidos pela parte em momento posterior, nos termos do art. 435 do CPC/15, o que não ocorreu no caso sub judice. Incidência da Súmula 83/STJ.
3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.611.144/MS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 28/9/2020, DJe de 1/10/2020.) Além disso, a deliberação sobre tal documento não seria possível nesta esfera recursal, por implicar exame de matéria probatória, procedimento inviável na via eleita. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC E 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. ALEGAÇÃO DE FATO NOVO NAS RAZÕES DE AGRAVO INTERNO. INOVAÇÃO RECURSAL. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
1. Da análise do agravo de fls. 1530/1541 (e-STJ), verifica-se que o agravante não impugnou, especificamente, todos os fundamentos da decisão agravada, de modo que o agravo em recurso especial não mereceu conhecimento, haja vista a incidência do inciso V do art. 21-E do RISTJ. 2. "Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. O cotejo com as premissas fáticas de que partiu o aresto faz-se imprescindível". (AgInt no AREsp 600.416/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/11/2016, DJe 18/11/2016). 3. "Acerca do alegado fato novo noticiado pelo agravante com a juntada de documento na interposição do agravo interno, para além de tratar-se de inadmissível inovação recursal, tampouco seria dado a este Tribunal deliberar, em primeira mão, sobre o seu conteúdo, haja vista envolver discussão sobre matéria probatória, o que lhe é vedado na via recursal especial, conforme assentado na Súmula n. 7/STJ". (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.210.235/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023).
4. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.080.397/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 1/7/2024.) No tocante às alegações de cerceamento de defesa e de contradição do laudo com as demais provas, verifica-se que a valoração das provas e a aptidão dos demais elementos probatórios para o deslinde da lide são enfatizados pelo Código de Processo Civil de 2015, que manteve em sua sistemática o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado - adotado pela norma adjetiva revogada (arts. 130 e 131 do CPC/1973) -, conforme o disposto nos arts. 370 e 371, segundo os quais compete ao juiz a direção da instrução probatória, apreciando livremente as provas produzidas nos autos, a fim de formar a sua convicção acerca da controvérsia submetida a sua apreciação. Com efeito, os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional autorizam o julgador a determinar as provas que entende necessárias à solução da controvérsia, assim como o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou meramente protelatórias. Destarte, a produção probatória se destina ao convencimento do julgador e, sendo assim, pode o juiz rejeitar a produção de determinadas provas, em virtude da irrelevância para a formação de sua convicção, como bem fundamentou o acórdão recorrido. Logo, não há falar em cerceamento
de defesa quando o julgador entende pela suficiência do acervo probatório para a formação de sua convicção, como ocorreu nos autos, haja vista que as instâncias originárias atestaram a higidez das provas apresentadas e a suficiência dos esclarecimentos prestados para subsidiar a solução do litígio. E muito menos há que se falar em contradição do laudo com as demais provas, pois "o desfecho do laudo judicial é convincente, não se podendo, portanto, chegar à conclusão diversa dele, e considerando a falta, na espécie, do nexo de causalidade e da incapacidade laboral, em que pese o inconformismo do autor, outro não poderia ser o desfecho da demanda senão a não concessão do benefício acidentário pleiteado, até porque, em matéria infortunística, é necessária a demonstração inequívoca daqueles elementos, componentes do binômio em que se assenta a reparação infortunística" (e-STJ, fl. 438). Sendo assim, para infirmar a conclusão do Tribunal de origem de que não ficou caracterizado cerceamento de defesa e de que não há contradição nas provas (considerando a valoração do laudo pericial produzido), seria necessário o reexame do substrato fático-probatório levado em consideração pelas instâncias ordinárias, o que é vedado no âmbito do recurso especial em virtude do óbice do enunciado da Súmula n. 7/STJ. Ademais, com relação à alegada ocorrência do nexo de causalidade entre a moléstia da
parte recorrente e o exercício de suas atividades funcionais, bem como existência de redução da capacidade laboral, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim se manifestou sobre o tema (e-STJ, fls. 434-438 - sem destaque no original): Indefiro, de pronto, os pedidos formulados pelo segurado em suas razões recursais, porquanto o laudo pericial, como se verá, tem elementos suficientes para embasar o convencimento do juízo, não carecendo da produção de mais informações. E, se ao magistrado cabe a condução do processo, é ele quem deve analisar a necessidade ou não da elaboração de qualquer prova para decidir com segurança, podendo julgar desnecessários outros esclarecimentos se já formou sua convicção. Sendo o destinatário da prova, é dele, portanto, a decisão, a teor dos arts. 370 e 464, do novo CPC. (..) Desse modo, verifica-se que o auxiliar do juízo atestou de forma categórica a inexistência do nexo causal e da incapacidade laboral no presente caso, de sorte que não restou suficientemente configurada a perda ocupacional aventada na exordial, inviabilizando, consequentemente, a pretendida reparação no âmbito da legislação infortunística. Já o segurado, por sua vez, não infirmou ou mesmo contrariou tecnicamente o conteúdo da prova técnica produzida no processo, não se desincumbindo, consequentemente, do ônus de demonstrar o fato constitutivo de seu direito, como lhe
seria de mister nos termos do art. 373, I, do novo CPC, de sorte que a consequência natural é perder a demanda, conforme ensina Humberto Theodoro Júnior, in "Curso de Direito Processual Civil", 38ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, vol. I, p. 382: (..) Nesse contexto, tendo em mente que o desfecho do laudo judicial é convincente, não se podendo, portanto, chegar à conclusão diversa dele, e considerando a falta, na espécie, do nexo de causalidade e da incapacidade laboral, em que pese o inconformismo do autor, outro não poderia ser o desfecho da demanda senão a não concessão do benefício acidentário pleiteado, até porque, em matéria infortunística, é necessária a demonstração inequívoca daqueles elementos, componentes do binômio em que se assenta a reparação infortunística. Ausente qualquer um deles, a indenização é indevida. Verifica-se que o Tribunal de origem, com base na situação fática e nas provas dos autos, concluiu pela inexistência de nexo causal entre as atividades laborais desenvolvidas pela parte agravante e a enfermidade que a acomete. Dessa forma, a modificação do julgado, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento
do recurso especial. Sendo assim, incide a Súmula 7/STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Nesse sentido (sem destaque no original): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 1.022 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO QUE CONCLUIU PELA INEXISTÊNCIA DE NEXO CAUSAL A JUSTIFICAR A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. ALTERAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PEDIDO DE RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO, A SER CONVERTIDO EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL PARA PROCESSAR E JULGAR AS LIDES DECORRENTES DE ACIDENTE DE TRABALHO. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA MANTIDA AINDA QUE POR OUTROS FUNDAMENTOS.
1. Não merece prosperar a tese de violação do art. 1.022 do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada.
2. Tendo o Tribunal de origem entendido pela ausência do nexo causal entre a doença e o trabalho, o que impossibilita a concessão do benefício acidentário, a modificação dessa conclusão demanda incursão no acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ.
3. Uma vez afastado o nexo causal, a hipótese é de improcedência do pleito de obtenção do benefício acidentário, e não de remessa à Justiça Federal. No entanto, caso entenda devido, pode a parte autora intentar nova ação no Juízo federal competente para obter benefício não-acidentário, uma vez cumpridos os demais requisitos, posto que diversos o pedido e a causa de pedir.
4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.832.068/RJ, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-ACIDENTE. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA. NEXO CAUSAL. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
1. O Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento pacífico quanto à legalidade da prova emprestada, desde que sejam atendidos os requisitos legais e assegurada a garantia do contraditório e da ampla defesa, pressupostos estes que não restaram respeitados nos autos.
2. A instância de origem, com base no acervo fático probatório da lide, entendeu prejudicada a análise do nexo de causalidade em razão da inexistência de incapacidade laboral, razão pela qual a sua reapreciação esbarra no óbice da Súmula 7 do STJ.
3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.783.300/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 18/2/2022.) PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO-ACIDENTE. INCAPACIDADE LABORAL PERMANENTE NÃO RECONHECIDA NA ORIGEM. ALTERAÇÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DA SÚMULA 44/STJ. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 518/STJ. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. O Tribunal de origem, com base na situação fática e nas provas dos autos, concluiu pela inexistência de nexo causal entre as atividades laborais desenvolvidas pela parte agravante e a enfermidade que a acomete. Dessa forma, a modificação do julgado, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e provas, e não de valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o seguimento do recurso especial. Sendo assim, incide a Súmula 7 do STJ, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
2. O recurso especial não é a via recursal adequada para exame de ofensa a enunciado de súmula, por não se enquadrar no conceito de tratado ou lei federal de que trata o art. 105, inciso III, alínea a, da CF/88.
3. Agravo interno do particular que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.587.168/SP, relator Ministro Manoel Erhardt, Desembargador Convocado do Trf5, Primeira Turma, julgado em 27/9/2021, DJe de 29/9/2021.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.