Dolo Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3db4d97ccdbf40b16765c1
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
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Professional case brief
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01
Holding and result
Indefere-se a liminar porque o habeas corpus foi impetrado quando ainda pendia prazo recursal na instância de origem e porque a pretensão de absolvição dependeria de reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado na via estreita do mandamus, não havendo flagrante ilegalidade que justifique concessão de ofício.
Court disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
HERIVAN ALVES BRITO
PacienteTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS
Autoridade CoatoraAmounts and remedies
- Pena Imposta Em 1º Grau (anos De Reclusão): 5
- Dias Multa Impostas Em 1º Grau (dias): 30
- Pena Remanescente Considerada Pelo Tribunal De Origem (anos De Reclusão): 4
- Valor Da Prestação Pecuniária Determinada Pelo Tribunal De Origem (salário Mínimo): BRL 1
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
existência de dolo na conduta do paciente
- 02
ilegitimidade da via do habeas corpus para reexame de matéria fático-probatória
- 03
ilícitude ou não da prova derivada de quebra de sigilo telefônico judicialmente autorizada
- 04
requisitos para configuração do crime de associação criminosa (mínimo de três pessoas)
- 05
possibilidade de substituição da pena corporal por sanções restritivas de direitos
Party arguments
- Applicant
- A defesa sustenta constrangimento ilegal por inexistência de provas do dolo na conduta do paciente, alegando que a conduta foi meramente imprudente ao emprestar a conta bancária, sem previsão da consequência delituosa, e que o dolo eventual não está demonstrado nos autos, requerendo a absolvição.
- Respondent
- O decisum registra que não há flagrante ilegalidade a justificar habeas corpus de ofício; o writ foi impetrado enquanto pendia prazo recursal na origem; a alteração da conclusão das instâncias exigiria reexame de matéria fático-probatória vedado em habeas corpus, razão pela qual a liminar deve ser indeferida.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
AgRg no HC n. 917.080/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024
O habeas corpus não é via adequada para reexame aprofundado de fatos e provas, sendo vedado revolucionar o conjunto fático-probatório
- 02
art. 288, caput, Código Penal (conforme fundamentação do acórdão de origem)
A caracterização do crime de associação criminosa exige, para sua configuração, a participação de pelo menos três pessoas
- 03
art. 59 do Código Penal (citada no acórdão de origem)
É possível a substituição da pena corporal por sanções restritivas de direitos quando presentes as condições previstas no artigo 59 do Código Penal e demais requisitos legais
- 04
art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
Compete ao Relator indeferir liminar com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Indefere-se a liminar porque o habeas corpus foi impetrado quando ainda pendia prazo recursal na instância de origem e porque a pretensão de absolvição dependeria de reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado na via estreita do mandamus, não havendo flagrante ilegalidade que justifique concessão de ofício.
Obiter and limits
- O Superior Tribunal de Justiça busca racionalizar o uso do habeas corpus, reservando-o para prevenir ou remediar lesão ao direito de locomoção.
- A Defensoria Pública foi intimada do acórdão em 17/2/2025, indicando que o habeas corpus foi impetrado durante o prazo recursal.
Court disposition
liminar indeferida
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em benefício de HERIVAN ALVES BRITO no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS (Apelação Criminal n. 5670158-29.2021.8.09.0051). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado, em primeiro grau, por infração ao art. 171, § 2º-A, e ao art. 288, caput, ambos do Código Penal, à pena de 5 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 30 dias-multa. O Tribunal de Justiça de origem deu parcial provimento ao recurso da defesa. Eis a ementa do julgado (e-STJ fl. 16): DUPLA APELAÇÃO CRIMINAL DEFENSIVA. CONDENAÇÃO PROVISÓRIA POR FRAUDE ELETRÔNICA E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. ILICITUDE DA PROVA PRODUZIDA. IMPROCEDÊNCIA.
1) Não se há de cogitar de ilicitude da prova produzida, derivada de quebra de sigilo telefônico judicialmente autorizada. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA FUNDADA NA AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO À FRAUDE ELETRÔNICA. INVIABILIDADE.
2) Constatada a comprovação da materialidade, da autoria e do elemento subjetivo do tipo em relação aos dois recorrentes, não se há que se cogitar de absolvição por ausência de provas ou por atipicidade da conduta por inexistência de dolo, nem de desclassificação do crime para a modalidade simples. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. ABSOLVIÇÃO. NECESSIDADE.
3) Ausente prova de que um dos acusados agiu imbuído do ânimo associativo e remanescendo apenas dois que agiram de forma reiterada, impende a reforma da sentença para absolver os apelantes do crime previsto no artigo 288, caput, do Código Penal, cuja caracterização imprescinde da participação de, pelo menos, três pessoas. REGIME PRISIONAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENA CORPORAL POR SANÇÕES RESTRITIVAS DE DIREITOS. VIABILIDADE.
4) Afastado o concurso material de crimes e considerando o montante da pena definitivamente impingida aos apelantes (04 anos de reclusão), e a favorabilidade de todas as circunstâncias judiciais elencadas no artigo 59 do Código Penal, de rigor a modificação do regime de expiação para o aberto, seguido da substituição da pena corporal por duas sanções restritivas de direitos, consistentes na prestação de serviços à comunidade e na prestação pecuniária no valor correspondente a 01 (um) salário-mínimo, em condições a serem estabelecidas e fiscalizadas pelo juízo da execução. PENA PECUNIÁRIA. REDUÇÃO POR IMPULSO OFICIAL.
5) Reduz-se a pena pecuniária, por impulso oficial, para que com a reclusiva remanescente guarde relação de proporcionalidade. RECURSOS CONHECIDOS E PARCIALMENTE PROVIDOS, COM PROVIDÊNCIA TOMADA POR IMPULSO OFICIAL. Daí o presente writ, no qual sustenta a defesa constrangimento ilegal, em razão da inexistência de provas do dolo na conduta do paciente. Afirma que "a única coisa que se tem certeza é da conduta imprudente do agente, pois ao emprestar sua conta bancária, agiu de forma a facilitar a consecução do crime, sem, contudo, ser capaz de prever a consequência delituosa de seu proceder. Pode até se cogitar do dolo eventual, mas isso não está comprovado nos autos. Não se desincumbiu o estado acusação de desconstituir a constitucional presunção de inocência. Tanto é assim que o dolo eventual está simplesmente, com a devida venia, solto na fundamentação, sem a sua efetiva demonstração, carente de conteúdo" (e-STJ fl. 9). Requer, liminarmente e no mérito, a absolvição do paciente. É o relatório. Decido. Não se pode olvidar que o Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Em
consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de origem, verifiquei que a Defensoria Pública foi intimada do acórdão em 17/2/2025, o que enseja a conclusão de que o pedido de habeas corpus foi impetrado enquanto ainda estava pendente o prazo para a apresentação de recursos perante a Corte de origem. Assim, percebe-se que a estratégia adotada pela defesa na utilização de outros meios impugnativos deve ser rechaçada, tornando inviável a apreciação deste writ, notadamente quando não se verifica flagrante ilegalidade a atrair a concessão de habeas corpus de ofício, como na espécie. De mais a mais, a alteração da conclusão das instâncias de origem, com o objetivo de absolver o paciente, demandaria análise de matéria fático-probatória, o que é vedado em âmbito de habeas corpus: PROCESSO PENAL E PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FURTO DE ENERGIA ELÉTRICA. DESCLASSIFICIAÇÃO PARA ESTELIONATO. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. FRAUDE UTILIZADA PARA BURLAR A VIGILÂNCIA A VÍTIMA. AGRAVO DESPROVIDO.
1. O habeas corpus não é a via adequada para apreciar o pedido de absolvição ou de desclassificação de condutas, tendo em vista que, para se desconstituir o decidido pelas instâncias de origem, mostra-se necessário o reexame aprofundado dos fatos e das provas constantes dos autos, procedimento vedado pelos estreitos limites do mandamus, caracterizado pelo rito célere e por não admitir dilação probatória. A modificação do julgado, a fim de acolher a tese da defesa e desclassificar o delito para estelionato, exigiria revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, incabível na via eleita.
2. Nos termos do entendimento desta Corte, " O furto mediante fraude não se confunde com o estelionato. A distinção se faz primordialmente com a análise do elemento comum da fraude que, no furto, é utilizada pelo agente com o fim de burlar a vigilância da vítima que, desatenta, tem seu bem subtraído, sem que se aperceba; no estelionato, a fraude é usada como meio de obter o consentimento da vítima que, iludida, entrega voluntariamente o bem ao agente. (REsp n. 1.412.971/PE, relatora Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 7/11/2013, DJe de 25/11/2013)" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.026.865/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022).
3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 917.080/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 6/9/2024.) Ante todo o exposto, com base no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
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