Brazil Judgment

Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Negou-se provimento ao agravo regimental porque a pretensão de reanalisar a existência de dolo específico e de contumácia demandaria revolvimento de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ, e porque o agravante não demonstrou elementos aptos a afastar o óbice da Súmula 83/STJ, não indicando precedentes contemporâneos nem realizando distinguishing em relação ao acórdão recorrido.

Court disposition

negou provimento ao agravo regimental

Orders

  • Negou provimento ao agravo regimental.
  • Decisão agravada mantida.

02

Material facts

Parties

LUIS NOLDIN

Agravante

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Turma (decisão Colegiada)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O agravante solicitou reconsideração da decisão monocrática e pretendia a análise da alegada ausência de dolo específico (dolo de apropriação do ICMS) e da contumácia, visando eventual absolvição.
Respondent
Houve apresentação de contrarrazões sustentando a manutenção da decisão recorrida; em essência defende-se que as conclusões sobre dolo e contumácia assentam em premissas fático-probatórias e que o agravo não afastou os óbices das Súmulas 7 e 83 do STJ, não tendo indicado precedentes contemporâneos nem realizado distinguishing.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula 7/STJ

    É vedado ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, reexaminar fatos e provas decididos pelas instâncias ordinárias (proibição de revolvimento fático-probatório).

  2. 02

    Súmula 83/STJ

    A adequada impugnação à Súmula 83/STJ exige indicação de precedentes contemporâneos ou demonstração de distinção (distinguishing) entre os precedentes e o caso concreto para afastar óbice.

  3. 03

    art. 2º, II, Lei n. 8.137/1990; RHC 163.334/SC (precedente citado)

    A tipificação do art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 exige demonstração do dolo de apropriação (dolo específico), aferido pela contumácia delitiva.

  4. 04

    AgRg no RHC n. 147.556/MT (Ministra Laurita Vaz)

    Decisão monocrática do Relator fundada em jurisprudência dominante do STJ não viola o princípio da colegialidade, sendo possível sua reapreciação pelo órgão colegiado mediante agravo regimental.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Negou-se provimento ao agravo regimental porque a pretensão de reanalisar a existência de dolo específico e de contumácia demandaria revolvimento de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ, e porque o agravante não demonstrou elementos aptos a afastar o óbice da Súmula 83/STJ, não indicando precedentes contemporâneos nem realizando distinguishing em relação ao acórdão recorrido.

Obiter and limits

  • O Superior Tribunal de Justiça não é terceira instância revisora; o recurso especial tem finalidade de uniformização da lei federal, não de reexame probatório.
  • Decisão monocrática do Relator pode ser proferida quando estiver em conformidade com jurisprudência dominante, sem violar princípio da colegialidade.

Court disposition

negou provimento ao agravo regimental

  • Negou provimento ao agravo regimental.
  • Decisão agravada mantida.

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Superior Tribunal de Justiça

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRETENSÃO DE ANÁLISE DA AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO E CONTUMÁCIA. REEXAME DAS CONCLUSÕES ORIGINÁRIAS. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ÓBICE DA SÚMULA 83/STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, não há como afastar as premissas fáticas e probatórias estabelecidas pelas instâncias ordinárias, soberanas em sua análise, pois, na via estreita do recurso especial, a incursão em tais elementos esbarraria no óbice do enunciado 7 da Súmula deste Superior Tribunal de Justiça.

2. No caso em comento, o exame do dolo específico e da contumácia, da forma pretendida pelo recorrente, exige revolvimento fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial.

3. A adequada impugnação à Súmula 83/STJ pressupõe a indicação de precedentes atuais, com a demonstração de que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou, ao menos, demonstração de que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes por meio de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese.

4. Agravo regimental desprovido.

RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por LUIS NOLDIN (fls. 540-549) contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, pela incidência das Súmulas 182, 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça (fls. 528-535). A parte recorrente pugna pela reconsideração da decisão agravada , com o provimento do agravo regimental. Foram apresentadas contrarrazões. É o relatório.

EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRETENSÃO DE ANÁLISE DA AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO E CONTUMÁCIA. REEXAME DAS CONCLUSÕES ORIGINÁRIAS. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ÓBICE DA SÚMULA 83/STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, não há como afastar as premissas fáticas e probatórias estabelecidas pelas instâncias ordinárias, soberanas em sua análise, pois, na via estreita do recurso especial, a incursão em tais elementos esbarraria no óbice do enunciado 7 da Súmula deste Superior Tribunal de Justiça.

2. No caso em comento, o exame do dolo específico e da contumácia, da forma pretendida pelo recorrente, exige revolvimento fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial.

3. A adequada impugnação à Súmula 83/STJ pressupõe a indicação de precedentes atuais, com a demonstração de que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou, ao menos, demonstração de que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes por meio de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese.

4. Agravo regimental desprovido.

VOTO O agravo regimental é tempestivo e indicou os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual deve ser conhecido. É cabível registrar, quanto à decisão monocrática proferida, acerca das reiteradas manifestações desta Corte no sentido de que, "não viola o princípio da colegialidade a decisão monocrática do Relator calcada em jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a possibilidade de submissão do julgado ao exame do Órgão Colegiado, mediante a interposição de agravo regimental" (AgRg no RHC n. 147.556/MT, Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, DJe 25/6/2021). Nesse sentido, confiram-se ainda: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONCE SSÃO DO WRIT POR DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE NÃO CONFIGURADO. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO DE USO PERMITIDO (ART. 12 DA LEI N. 10.826/2003). PEQUENA APREENSÃO DE MUNIÇÃO (3 MUNIÇÕES DO TIPO OGIVAL CALIBRE 12), DESACOMPANHADA DE ARMA DE FOGO. BEM JURÍDICO. INCOLUMIDADE PÚBLICA PRESERVADA. PERIGO NÃO CONSTATADO. INEXISTÊNCIA DE POTENCIALIDADE LESIVA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. MANUTENÇÃO DA DECISÃO QUE SE IMPÕE.

1. A decisão monocrática proferida por Relator não afronta o princípio da colegialidade e tampouco configura cerceamento de defesa, sendo certo que a possibilidade de interposição de agravo regimental contra a respectiva decisão, como ocorre na espécie, permite que a matéria seja apreciada pela Turma, o que afasta absolutamente o vício suscitado pelo agravante. III - Plenamente possível, desta forma, que seja proferida decisão monocrática por Relator, sem qualquer afronta ao princípio da colegialidade ou cerceamento de defesa, quando todas as questões são amplamente debatidas, havendo jurisprudência dominante sobre o tema, ainda que haja pedido de sustentação oral (AgRg no HC n 654.429/SP, Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/6/2021). ..

4. Agravo regimental improvido (AgRg no HC 536.663/ES, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021). AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. PRISÃO PREVENTIVA. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. PERICULUM LIBERTATIS. REITERAÇÃO CRIMINOSA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. A decisão agravada não descurou do princípio da colegialidade, visto que visualizou situação abarcada pelo inciso XX do art. 34 do Regimento Interno deste Superior Tribunal (aplicável também ao recurso em habeas corpus, por força do art. 246 do RISTJ), que autoriza o Relator a decidir o habeas corpus, monocraticamente, quando a decisão impugnada se conformar com a jurisprudência dominante acerca do tema. ..

4. Agravo regimental não provido (AgRg no RHC 147.759/PE, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021). Avançando, não verifico elementos suficientes para reconsiderar a decisão proferida, cuja conclusão mantenho pelos seus próprios fundamentos (fls. 531-534): No que tange ao argumento acerca da inexistência do dolo específico de apropriação por parte do recorrente, o que ensejaria sua absolvição, a análise implicaria necessário reexame de fatos e de provas constantes dos autos, o que encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. Na esteira da jurisprudência dominante desta Corte, a superação do óbice da Súmula 83/STJ exige que o recorrente colacione precedentes deste Superior Tribunal de Justiça, contemporâneos ou supervenientes a seu favor, ou demonstre alguma distinção entre os julgados mencionados na decisão agravada e o caso em exame, o que não fez. Nesse sentido: .. Para a configuração da conduta típica do art. 2º, II, da Lei n. 8.137/1990 é necessária a demonstração do dolo de apropriação (dolo específico), que é aferida pela contumácia delitiva. Na hipótese dos autos, a inadimplência fiscal foi observada de maneira contínua nos períodos de março, abril e julho de 2018 a janeiro de 2019, o que, conforme a orientação jurisprudencial do STJ, é suficiente para caracterizar o dolo de apropriação, conforme destaco: .. Por fim, acerca da

alegação de dissídio jurisprudencial, entendo que o julgamento do Tribunal de origem se amolda à tese jurídica firmada no RHC 163.334/SC, incidindo, portanto, o óbice da Súmula 83 do STJ. O precedente apontado fixou tese no sentido de que a tipificação do delito do art. 2º, II, da Lei n. 8.137/90, exige a demonstração do dolo de apropriação do ICMS cobrado de forma contumaz, conforme segue a ementa: .. O recorrente sustenta que não foi demonstrado o dolo e nem a contumácia. No entanto, da análise do precedente firmado pelo STF a contumácia deve ser compreendida como a conduta sistemática, o que foi noticiado na sentença para os períodos de março, abril e julho de 2018 a janeiro de 2019. Assim, de acordo com a sentença e o acórdão, cotejando com o que ficou decidido no precedente superveniente do STF, não se verifica uma flagrante ausência de dolo a ser reconhecida de ofício, o que ensejaria eventual atipicidade da conduta, nem mesmo divergência em relação ao julgado. Não obstante os esforços perpetrados pelo ora agravante, não constato fundamentos suficientes a infirmar a decisão impugnada. Da análise do presente recurso, verifico que a conclusão do acórdão recorrido está calcada nas premissas fáticas e probatórias acostadas aos autos, de maneira que rever o entendimento da Corte local demandaria reexame do conjunto fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. No

caso em exame, o exame do dolo específico e da contumácia, da forma pretendida pelo recorrente, exige revolvimento fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial. In casu, a pretensão é de alterar as conclusões sobre os fatos e provas do processo, para alcançar resultado favorável na demanda. Isso nada mais é do que o revolvimento do que já foi soberanamente julgado pelas instâncias ordinárias. Portanto, não é possível o acolhimento do recurso com a simples revaloração de fatos, mas, diferentemente, seria necessário o revolvimento do conjunto probatório, medida obstada pela Súmula 7/STJ. Sabe-se que "o Superior Tribunal de Justiça não é terceira instância revisora ou Corte de apelação sucessiva. O recurso especial é excepcional, de fundamentação vinculada, com forma e conteúdo próprios, que se destina a atribuir a adequada interpretação e uniformização da lei federal, e não ao rejulgamento da causa, à moda de recurso ordinário ou de apelação, sob pena de se tornar uma terceira instância recursal" (AgRg no AREsp n. 2.409.008/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 16/8/2024). No mais, conforme consignado na decisão agravada, a adequada impugnação à Súmula 83/STJ pressupõe a indicação de precedentes atuais, com a demonstração de que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não

estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou, ao menos, demonstração de que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes através de distinguishing, o que não ocorreu na hipótese. Dessa forma, tendo em vista que a parte não apresentou argumentos aptos a alterar a compreensão anteriormente firmada, a manutenção da decisão agravada é medida que se impõe. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no RHC n. 147.556/MT, Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 25/6/2021

Case cited

AgRg no HC n 654.429/SP, Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/6/2021

Case cited

AgRg no HC 536.663/ES, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021

Case cited

AgRg no RHC 147.759/PE, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.409.008/SP, rel. Ministro Jesuíno Rissato, Sexta Turma, julgado em 13/8/2024, DJe 16/8/2024

Case cited

RHC 163.334/SC

Case cited

Lei n. 8.137/1990

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 83/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 10.826/2003

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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