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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O habeas corpus não foi conhecido por se tratar de impetração substitutiva de recurso próprio sem demonstração de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado; a fixação do regime fechado pelo Tribunal de origem, fundada na reincidência e em circunstâncias judiciais desfavoráveis, não evidenciou ilegalidade flagrante capaz de autorizar o conhecimento do writ.

Court disposition

Não conheço do habeas corpus.

Orders

  • Indeferida a liminar.
  • Não conheço do habeas corpus.
  • Publique-se.
  • Intime-se.

02

Material facts

Parties

RICARDO SALES

Paciente

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Órgão Julgador

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Manifestante

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pelo Relator No Superior Tribunal De Justiça

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A defesa alegou inexistir fundamentação concreta para a fixação do regime fechado diante da pena aplicada, sustentando que a reincidência e os maus antecedentes não justificam, por si sós, a imposição do regime fechado, sendo necessária motivação idônea; requereu a fixação do regime aberto.
Respondent
O Tribunal de origem sustentou que a dosimetria foi adequada e discricionária dentro dos limites legais, que a reincidência e os maus antecedentes justificaram a majorante e impediram a concessão de substitutivos e sursis, e que não houve bis in idem ao se utilizar a reincidência para majorar a pena e para fixar o regime por se tratarem de consequências jurídicas distintas; o Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    HC 535.063/STJ; AgRg no HC 180.365/STF; AgRg no HC 147.210/STF

    Não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto, salvo quando constatada flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado

  2. 02

    Súmula 440/STJ

    Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso com base apenas na gravidade abstrata do delito

  3. 03

    Súmula 718/STF

    A opinião do julgador sobre a gravidade abstrata do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada

  4. 04

    Súmula 719/STF

    A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea

  5. 05

    Art. 33, §2º, "c", e §3º, do Código Penal; jurisprudência do STJ (Súmula 269/STJ e acórdãos citados)

    A reincidência e as circunstâncias judiciais desfavoráveis podem, em conjunto, justificar a fixação do regime inicial fechado mesmo quando a pena aplicada for inferior a quatro anos

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O habeas corpus não foi conhecido por se tratar de impetração substitutiva de recurso próprio sem demonstração de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado; a fixação do regime fechado pelo Tribunal de origem, fundada na reincidência e em circunstâncias judiciais desfavoráveis, não evidenciou ilegalidade flagrante capaz de autorizar o conhecimento do writ.

Obiter and limits

  • O Tribunal de origem ressaltou a discricionariedade na dosimetria dentro dos limites legais e que o aumento em razão da reincidência foi legalmente aplicado.
  • Foram citadas ementas do STJ confirmando ser possível a fixação de regime fechado para réu reincidente com circunstâncias judiciais desfavoráveis mesmo quando a pena é inferior a quatro anos.
  • A utilização da agravante da reincidência tanto na segunda fase da dosimetria quanto na fixação do regime foi considerada legítima por se tratar de efeitos jurídico-legais distintos.

Court disposition

Não conheço do habeas corpus.

  • Indeferida a liminar.
  • Não conheço do habeas corpus.
  • Publique-se.
  • Intime-se.

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de RICARDO SALES, contra acórdão proferido peloTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 2 anos, 8 meses e 2 didas de reclusão, em regime fechado, como incurso no art. 155, § 1º e § 4º, III, do Código Penal. A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que denegou a ordem, nos termos do acórdão de fls. 7-18 (e-STJ). Neste writ, a defesa alega, em síntese, que inexiste fundamentação concreta para a fixação do regime fechado, diante da pena aplicada. Argumenta que a reincidência e os maus antecedentes não justificam, por si sós, a imposição do regime fechado, sendo necessária fundamentação concreta para tal decisão. Requer a concessão da ordem para que seja fixado o regime aberto para o cumprimento da pena. Indeferida a liminar (e-STJ, fls. 56-57), o Ministério Público Federal opina pela denegação da ordem (e-STJ, fls. 90-94). É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe

habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Assim, passo à análise das razões da impetração, de forma a verificar a ocorrência de flagrante ilegalidade a justificar a concessão do habeas corpus, de ofício. O Tribunal de origem assim considerou: " .. Quanto à dosimetria, verifica-se ter sido a pena-base fixada com critério e moderação em um sexto acima do menor patamar legal para a espécie, ou seja, em dois anos e quatro meses de reclusão e onze dias-multa, no piso mínimo, em razão dos maus antecedentes (condenações proferidas nos autos nº 0015891-33.2008.8.26.0050, 0019372-33.2010.8.26.0050, 0031586-51.2013.8.26.0050, 0089991-85.2010.8.26.0050, fls. 75/81). Impende ressaltar nesse ponto que, diversamente do alegado pela defesa, o cálculo da sanção, no que diz com a ponderação dos elementos a serem considerados para nortear o maior ou menor rigor a ser adotado, não se atrela a critérios matemáticos fixos ou pré-estabelecidos, antes se revestindo de certa discricionariedade, que possibilita ao julgador a adoção de parâmetros que melhor se amoldem à hipótese, de forma a se prestigiar o princípio constitucional da individualização das penas, desde que eles, é claro, se situem dentro dos limites fixados na lei, tal como

aqui aconteceu. .. Na segunda etapa do cálculo, bem reconhecida a agravante da reincidência (condenação proferida nos autos nº 0109048-45.2017.8.26.0050, fls. 76/77), incidiu o aumento de um sexto, o que elevou a sanção a dois anos, oito meses e vinte dias de reclusão, e doze dias-multa, no piso mínimo. .. A reincidência específica do réu, aliada ao seus maus antecedentes, impediu a substituição da pena privativa de liberdade por sanções alternativas e, também, a concessão do "sursis", pois nos termos do artigo 77, I, do Código Penal, tal benefício não se aplica a agente reincidente em crime doloso, como aqui ocorre, bem como impunha mesmo fosse fixado o regime prisional inicial fechado, único compatível com a condição do apelante, de pessoa refratária à lei penal, que não se emenda e teima em delinquir, o que revela a necessidade de que cumpra todos os estágios no processo de ressocialização penal. No mais, ao contrário do que sustenta a douta defesa, não configura "bis in idem" utilizar a agravante da reincidência do réu para majorar as penas na segunda etapa da dosimetria e também para fixar o regime de prisão, por serem consequências jurídico-legais distintas de um mesmo instituto, o que é expressamente estabelecido em lei." (e-STJ, fls. 15-18) Quanto ao regime prisional, de acordo com a Súmula 440/STJ, "fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de

regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito". De igual modo, as Súmulas 718 e 719/STF, prelecionam, respectivamente, que "a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada" e "a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea". Na hipótese, não obstante a reprimenda imposta seja inferior a 4 anos de reclusão, sendo o paciente reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, o paciente faz jus ao regime fechado de cumprimento de pena, nos termos do art. 33, § 2º, "c", e § 3º, do Código Penal. A seguir, ementas de acórdãos desta Corte versando a respeito da matéria e que respaldam essa solução: "DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. USO DE DOCUMENTO FALSO. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. REINCIDÊNCIA E CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. REGIME FECHADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se é possível a fixação de regime inicial fechado para réu reincidente, condenado a pena inferior a quatro anos, em razão de circunstâncias judiciais desfavoráveis. III. Razões de decidir 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite a fixação de regime inicial fechado para réus reincidentes, mesmo com pena inferior a quatro anos, quando há circunstâncias judiciais desfavoráveis.

4. A decisão do Tribunal de origem está em consonância com a Súmula 269 do STJ, que permite o regime semiaberto apenas quando as circunstâncias judiciais são favoráveis. IV. Dispositivo 5. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC n. 921.389/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 23/12/2024.) "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DESCAMINHO. DOSIMETRIA. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA PENA AQUÉM DO MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 231/STJ. NÃO CANCELAMENTO PELA TERCEIRA SEÇÃO DESTE SODALÍCIO. REGIME INICIAL FECHADO. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, " .. a despeito da argumentação defensiva, reforça-se que a Súmula n. 231 do Superior Tribunal de Justiça continua vigente e aplicável, não havendo se falar em superação ou afastamento no caso concreto. Assim, inviável o acolhimento do pedido de redução da pena aquém do mínimo legal em razão da incidência da atenuante da confissão espontânea." (AgRg no REsp n. 2.076.986/SP, relator Ministro Joel Ilan Parcionik, Quinta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 8/5/2024).

2. Ademais, no julgamento dos apelos nobres afetados para análise da controvérsia sob o rito dos recursos repetitivos, a Terceira Seção deste Sodalício entendeu devido o não cancelamento da Súmula n. 231/STJ, de modo que a redução da pena para aquém do mínimo legal pelo reconhecimento de atenuantes continua sendo inviável. 3. "É válida a imposição do regime inicial fechado ao réu reincidente que teve a circunstância judicial considerada desfavorável, mesmo quando condenado a pena inferior a 4 anos. Súmula n. 269 do STJ" (AgInt no HC 323.418/ES, relator o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/6/2016, DJe 21/6/2016).

4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp n. 2.171.014/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 11/12/2024, DJEN de 16/12/2024.) Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intime-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020

Case cited

AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020

Case cited

AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018

Case cited

AgRg no HC n. 921.389/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024

Case cited

AgRg no REsp n. 2.076.986/SP, relator Ministro Joel Ilan Parcionik, Quinta Turma, julgado em 29/4/2024

Case cited

AgRg no REsp n. 2.171.014/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 11/12/2024

Case cited

AgInt no HC 323.418/ES, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/6/2016

Case cited

art. 155, § 1º e § 4º, III, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 77, I, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, § 2º, "c", e § 3º, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 440/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 718/STF

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 719/STF

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 269/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 231/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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