Brazil Judgment

Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso próprio sem demonstrar ilegalidade flagrante; além disso, a dosimetria está dentro da discricionariedade judicial e não há violação manifesta dos parâmetros legais ou flagrante desproporcionalidade que justifique o remédio constitucional.

Court disposition

não conhecido

Orders

  • Não conheço do habeas corpus.
  • Publique-se e intimem-se.

02

Material facts

Parties

MÁRCIO ALEXANDRE VIEIRA DOS SANTOS

Paciente

JOÃO PEDRO DOS SANTOS BARROS

Paciente

DIEGO DE JESUS PEIXOTO

Paciente

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Não Conhecimento (decisão)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A impetrante alega constrangimento ilegal pela aplicação cumulativa das majorantes do art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, requerendo a aplicação do art. 68, parágrafo único, para que seja adotada apenas a majorante mais gravosa (fração de 2/3 pelo emprego de arma de fogo).
Respondent
O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento da impetração e, caso conhecida, pela denegação da ordem. O Tribunal entendeu que o habeas corpus não pode substituir recurso próprio salvo em caso de ilegalidade flagrante, ausente na espécie, e que a dosimetria é juízo discricionário do julgador, não havendo violação manifesta dos parâmetros legais.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.

    O habeas corpus não substitui recurso próprio, salvo em caso de ilegalidade flagrante.

  2. 02

    AgRg no HC 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021.

    A dosimetria da pena insere-se em juízo de discricionariedade do julgador, só passível de revisão por esta Corte em caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade.

  3. 03

    AgRg no AREsp n. 1.178.691/MS, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 3/5/2018, DJe de 9/5/2018.

    Havendo mais de uma majorante do delito de roubo, é possível utilizar uma delas como majorante e considerar as demais como circunstâncias desfavoráveis ou para elevar a pena-base.

  4. 04

    alegação da impetrante (art. 68, parágrafo único, do Código Penal)

    Aplicação de apenas uma causa de aumento, prevalecendo a que mais aumente, conforme art. 68, parágrafo único, do Código Penal.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca substituir recurso próprio sem demonstrar ilegalidade flagrante; além disso, a dosimetria está dentro da discricionariedade judicial e não há violação manifesta dos parâmetros legais ou flagrante desproporcionalidade que justifique o remédio constitucional.

Obiter and limits

  • Necessidade de racionalização do uso do habeas corpus para evitar sua utilização desvirtuada e a subversão do sistema recursal.
  • Não cabe habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos excepcionais de ilegalidade flagrante.

Court disposition

não conhecido

  • Não conheço do habeas corpus.
  • Publique-se e intimem-se.

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus, sem pedido de liminar, impetrado em favor de MÁRCIO ALEXANDRE VIEIRA DOS SANTOS, JOÃO PEDRO DOS SANTOS BARROS e DIEGO DE JESUS PEIXOTO, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (Apelação Criminal nº 0802320-91.2022.8.19.0073). Consta dos autos que os pacientes foram condenados como incursos no art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, do Código Penal às penas de 07 (sete) anos, 04 (quatro) meses e 26 (vinte e seis) dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 16 (dezesseis) dias-multa, à razão unitária mínima (Marcio Alexandre Vieira dos Santos e João Pedro dos Santos Barros) e 10 (dez) anos, 04 (quatro) meses e 13 (treze) dias de reclusão em regime inicial fechado, e ao pagamento de 25 (vinte e cinco) dias-multa, à razão unitária mínima (Diego de Jesus Peixoto). O Tribunal local negou provimento ao apelo defensivo (fls. 06-23). Neste writ, a impetrante alega constrangimento ilegal em razão da aplicação cumulativa das causas de aumento de pena previstas no art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, do Código Penal. Afirma que a jurisprudência admite a aplicação de apenas uma causa de aumento, prevalecendo a que mais aumente a pena, conforme o art. 68, parágrafo único, do Código Penal. Requer a concessão da ordem de habeas corpus, para aplicar o art. 68, parágrafo único, do Código Penal,

impondo-se um só aumento, na fração de 2/3, pela causa de aumento do emprego de arma de fogo. Informações prestadas às fls. 147-151 e 152-155. Parecer do MPF às fls. 177-183, opinando pelo não conhecimento da impetração e, se conhecida, pela denegação da ordem. É o relatório. Decido. O Superior Tribunal de Justiça, considerando a necessidade de racionalização do emprego do remédio heroico que reiteradamente é impetrado de maneira desvirtuada, alheia aos preceitos constitucionais e legais, entende ser incabível a impetração de habeas corpus substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal, sob pena subversão do sistema recursal e indevida supressão de instância. Nesse sentido: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO "HABEAS CORPUS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE FLAGRANTE. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL, IMPETRADO QUANDO O PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DA VIA RECURSAL CABÍVEL NA CAUSA PRINCIPAL AINDA NÃO HAVIA FLUÍDO. INADEQUAÇÃO DO PRESENTE REMÉDIO. PRECEDENTES. NÃO CABIMENTO DE CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado quando em curso o prazo para interposição do recurso cabível. O recurso especial defensivo, interposto, na origem, após a prolação da decisão agravada, apenas reforça o óbice à cognição do pedido veiculado neste feito autônomo. .. (AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS. APREENSÃO DE DROGAS E MATERIAL CARACTERÍSTICO DO TRÁFICO. NECESSIDADE DE RESGUARDAR A ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.

1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício. .. (AgRg no HC n. 946.588/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 25/10/2024). Além disso, inexiste ilegalidade flagrante que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, porque, de acordo com o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo de discricionariedade do julgador, atrelado às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade (AgRg no HC 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021), situação não verificada na espécie. Ademais, a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é no sentido de que Havendo mais de uma majorante do delito de roubo, é possível que uma delas seja utilizada como tal e que as demais sejam consideradas como circunstâncias desfavoráveis, seja para agravar a pena na segunda etapa da dosimetria (caso conste no rol do art. 61, II, do CP), seja para elevar a pena-base na primeira fase do cálculo. (AgRg no AREsp n. 1.178.691/MS, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 3/5/2018, DJe de 9/5/2018.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

(AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.)

Case cited

AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.

Case cited

(AgRg no HC n. 946.588/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 25/10/2024).

Case cited

(AgRg no HC 710.060/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/12/2021, DJe de 17/12/2021)

Case cited

(AgRg no AREsp n. 1.178.691/MS, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 3/5/2018, DJe de 9/5/2018.)

Case cited

art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 68, parágrafo único, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 61, II, do CP

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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