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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Não conheço do habeas corpus por inadequação da via, e, ao examinar o mérito, não se identificou ilegalidade manifesta na dosimetria: não consta do processo a data de extinção da pena anterior que permitiria aferir o período depurador previsto no art. 64, I, do CP; a jurisprudência admite a valoração dos maus antecedentes mesmo quando antigos; há três condenações registradas justificando a exasperação da pena-base dentro da discricionariedade vinculada; e a fixação do regime inicial fechado é adequada diante da pena superior a quatro anos e das circunstâncias judiciais desfavoráveis, não configurando bis in idem.

Court disposition

não conheço do habeas corpus

Orders

  • Não conheço do habeas corpus.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

ARMANDO MIGLIOLI NETTO

Paciente

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Órgão Recorrido

Amounts and remedies

  • Pena Reclusao Original Anos: 7
  • Pena Reclusao Apelacao Anos: 7
  • Suspensao Habilitacao Original Anos: 3
  • Suspensao Habilitacao Apelacao Meses: 2

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (não Conheço Do Habeas Corpus)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta que há constrangimento ilegal na dosimetria, por desvalor indevido dos maus antecedentes em razão de condenações antigas (cerca de 20 anos), requerendo o afastamento da consideração negativa dos maus antecedentes; subsidiariamente, pleiteia redução do aumento da pena-base até o mínimo legal e a fixação do regime inicial semiaberto.
Respondent
O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ. O Tribunal, ao analisar o mérito, considerou que a jurisprudência admite a valoração dos maus antecedentes mesmo quando as condenações são antigas, salvo prova da extinção da pena que afete o período depurador; não constatou ilegalidade manifesta na dosimetria, manteve o quantum de aumento dada a existência de três condenações e entendeu adequada a fixação do regime inicial fechado, não havendo bis in idem.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 64, inciso I, do Código Penal; jurisprudência do STJ e do STF (RE 593.818/SC)

    O período depurador previsto no art. 64, I, do Código Penal afasta a configuração da agravante da reincidência, mas não impede a valoração negativa dos maus antecedentes.

  2. 02

    Jurisprudência do STJ (AgRg no REsp n. 1.672.672/CE) e entendimento desta Corte citado na decisão

    A ponderação das circunstâncias judiciais constitui discricionariedade vinculada, submetida aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

  3. 03

    art. 33, § 3º, e art. 59, do Código Penal

    A determinação do regime inicial de cumprimento da pena observará o quantum da pena e as circunstâncias previstas no art. 59 do Código Penal.

  4. 04

    Entendimento desta Corte em consonância com a Primeira Turma do STF, citado na decisão

    O habeas corpus não deve substituir o recurso próprio, salvo quando houver manifesta ilegalidade ou abuso de poder que justifique a intervenção de ofício.

  5. 05

    Precedentes do STJ (AgRg no HC n. 777.795/SC) citado na decisão

    Em casos excepcionais admite‑se a aplicação da teoria do direito ao esquecimento na valoração dos antecedentes, observando-se proporcionalidade e razoabilidade.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Não conheço do habeas corpus por inadequação da via, e, ao examinar o mérito, não se identificou ilegalidade manifesta na dosimetria: não consta do processo a data de extinção da pena anterior que permitiria aferir o período depurador previsto no art. 64, I, do CP; a jurisprudência admite a valoração dos maus antecedentes mesmo quando antigos; há três condenações registradas justificando a exasperação da pena-base dentro da discricionariedade vinculada; e a fixação do regime inicial fechado é adequada diante da pena superior a quatro anos e das circunstâncias judiciais desfavoráveis, não configurando bis in idem.

Obiter and limits

  • Admite-se, em hipóteses excepcionais, a teoria do direito ao esquecimento para a valoração dos antecedentes, com observância da proporcionalidade e razoabilidade.
  • O cômputo do período depurador inicia‑se na data do cumprimento ou extinção da pena anterior.
  • Habeas corpus não substitui recurso próprio, salvo em presença de manifesta ilegalidade, abuso de poder ou teratologia na decisão atacada.

Court disposition

não conheço do habeas corpus

  • Não conheço do habeas corpus.
  • Intimem-se.

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de ARMANDO MIGLIOLI NETTO contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1501165-31.2020.8.26.0576). Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 3 anos e 6 meses de suspensão da habilitação, por infração ao artigo 302, § 3º, e ao artigo 303, § 2º, c. c. o artigo 291, § 1º, inciso I, todos da Lei n. 9.503/1997, na forma do artigo 70, do Código Penal (e-STJ fls. 51/59). Interposta apelação, o Tribunal local deu parcial provimento ao recurso defensivo, redimensionando as penas para 7 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão e 2 meses e 27 dias de suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor (e-STJ fls. 25/50). No presente writ (e-STJ fls. 2/21), o impetrante alega que o paciente está sofrendo constrangimento ilegal, em razão da dosimetria realizada. Em primeiro lugar, se insurge quanto ao desvalor dos maus antecedentes, porquanto argumenta que as condenações utilizadas são muito antigas (20 anos), não sendo aptas a justificar a valoração negativa dessa circunstância judicial. Subsidiariamente, pugna pela redução do quantum de aumento. Se insurge ainda, quanto à fixação do regime mais gravoso, alegando ocorrência de indevido bis in idem,

pois os maus antecedentes foram tanto utilizados para exasperar a pena-base como para justificar o agravamento do regime. Dessa forma, requer, na liminar e no mérito, o afastamento da consideração negativa dos maus antecedentes; subsidiariamente, a redução do aumento arbitrado para a pena-base, fixando esta no mínimo legal, e a determinação do regime prisional inicial semiaberto. O pedido liminar foi indeferido às e-STJ fls. 582/583. O Ministério Público Federal opinou, às e-STJ fls. 589/594, pelo não conhecimento do writ. É o relatório. Decido. Inicialmente, o Superior Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, como forma de racionalizar o emprego do habeas corpus e prestigiar o sistema recursal, não admite a sua impetração em substituição ao recurso próprio. Cumpre analisar, contudo, em cada caso, a existência de ameaça ou coação à liberdade de locomoção do paciente, em razão de manifesta ilegalidade, abuso de poder ou teratologia na decisão impugnada, a ensejar a concessão da ordem de ofício. Na espécie, embora a impetrante não tenha adotado a via processual adequada, para que não haja prejuízo à defesa do paciente, passo à análise da pretensão formulada na inicial, a fim de verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Possível, assim, a análise do mérito da impetração, já nesta oportunidade. Busca-se,

no caso, o afastamento da consideração negativa dos maus antecedentes; subsidiariamente, a redução do aumento arbitrado para a pena-base, fixando esta no mínimo legal, e a determinação do regime prisional inicial semiaberto. Em primeiro lugar, o pleito de afastamento dos maus antecedentes não merece prosperar. Isso porque é cediço que a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que as condenações criminais alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, contudo, não impedem a configuração de maus antecedentes. A propósito: PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO. ROUBO MAJORADO, TRÁFICO DE DROGAS E RESISTÊNCIA. EXASPERAÇÃO DAS PENAS-BASES. MAUS ANTECEDENTES. CONDENAÇÕES ALCANÇADAS PELO TEMPO DEPURADOR. FUNDAMENTO VÁLIDO. AUSÊNCIA DE MANIFESTA ILEGALIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. ..

3. A jurisprudência desta Corte é reiterada no sentido de que, para a configuração dos maus antecedentes, a análise das condenações anteriores não está limitada ao período depurador quinquenal, previsto no art. 64, I, do CP, tendo em vista a adoção pelo Código Penal do Sistema da Perpetuidade. Precedentes. ..

5. Habeas corpus não conhecido. (HC 453.871/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, DJe 13/11/2018) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. AMEAÇA. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER. CONDENAÇÃO ANTERIOR EXTINTA HÁ MAIS DE CINCO ANOS. MAUS ANTECEDENTES. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.

1. O período depurador previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal afasta a configuração da agravante da reincidência, mas não constitui óbice à avaliação negativa da circunstância judicial dos antecedentes. Precedentes.

2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1356824/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, DJe 13/11/2018) Da mesma forma, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 593.818/SC (Rel. Ministro ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, DJe 31/8/2020), em regime de repercussão geral, firmou tese no sentido de que não se aplica para o reconhecimento dos maus antecedentes o prazo quinquenal de prescrição da reincidência, previsto no art. 64, I, do Código Penal. Em caso excepcionais, esta Corte tem admitido, a adoção da teoria do direito ao esquecimento, hipótese em que a avaliação dos antecedentes deve ser feita com observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, levando-se em consideração o lapso temporal transcorrido entre a extinção da pena anteriormente imposta e a prática do novo delito (AgRg no HC n. 777.795/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). Ressalte-se que o cômputo do período depurador inicia-se com a data do cumprimento ou extinção da pena. Na presente hipótese, não consta dos autos a data da extinção da pena considerada para os maus antecedentes do paciente, impedindo dessa forma a aferição do período depurador previsto no art. 64, I, do Código Penal, não se verificando, de plano, a ilegalidade no desvalor dos maus antecedentes. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. PENA-BASE. MAUS ANTECEDENTES. CONDENAÇÃO ANTIGA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DATA DA EXTINÇÃO DA PENA. MANTIDA A EXASPERAÇÃO. PERSONALIDADE. ERRO MATERIAL NA DECISÃO AGRAVADA. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. PRÁTICA DO DELITO EM LIBERDADE PROVISÓRIA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MINORANTE DO ART. 33, § 4º, DA LEI N. 11.343/2006 AFASTADA. MAUS ANTECEDENTES.

1. Conforme a jurisprudência predominante desta Corte Superior, condenações pretéritas, cuja extinção da pena tenha ocorrido mais de 10 anos anteriormente à prática do delito superveniente, não podem ser utilizadas para fins de valoração negativa dos maus antecedentes.

2. Não há nos autos informação quanto à extinção da pena pelo cumprimento da condenação por tentativa de roubo majorado que transitou em 1995, de modo a aferir o período depurador previsto no art. 64, I, do Código Penal, não se verificando, de plano, manifesta ilegalidade no aumento da pena-base pelos maus antecedentes, no caso.

3. A menção à valoração negativa da personalidade trata-se de erro material na decisão agravada, devendo constar "circunstâncias do crime". Desse modo, constitui fundamentação idônea a valoração negativa das circunstâncias do crime o fato de o paciente cometer o delito quando estava em liberdade provisória pela prática de delito de igual natureza, e não ter sido mais encontrado para ser citado em referido feito.

4. Constatada pela instância ordinária a existência de maus antecedentes e/ou de reincidência, afasta-se a aplicação da causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, que exige que o agente seja primário, tenha bons antecedentes, não se dedique a atividades criminosas e não integre organização criminosa. (AgRg no HC n. 695.487/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022).

5. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 787.270/RS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 15/6/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. MAUS ANTECEDENTES. DIREITO AO ESQUECIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA NO CASO CONCRETO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. PLEITO DE RECONHECIMENTO DA REDUTORA DO TRÁFICO PRIVILEGIADO. IMPOSSIBILIDADE. MAUS ANTECEDENTES. MANUTENÇÃO DO REGIME PRISIONAL FECHADO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - A parte que se considerar agravada por decisão de relator, à exceção do indeferimento de liminar em procedimento de habeas corpus e recurso ordinário em habeas corpus, poderá requerer, dentro de cinco dias, a apresentação do feito em mesa relativo à matéria penal em geral, para que a Corte Especial, a Seção ou a Turma sobre ela se pronuncie, confirmando-a ou reformando-a. II - No tocante aos maus antecedentes, a jurisprudência deste Tribunal Superior é assente no sentido de que as condenações alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes, permitindo, assim, o aumento da pena-base. III - O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n.

593.818/SC, em repercussão geral, decidiu que "Não se aplica para o reconhecimento dos maus antecedentes o prazo quinquenal de prescrição da reincidência, previsto no art. 64, I, do Código Penal" (RE n. 593.818/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 18/8/2020). IV - Outrossim, quando os registros da folha de antecedentes do réu são muito antigos, deve ser feita uma valoração com cautela, na primeira fase da pena, para evitar uma condenação perpétua, e ser possível aplicar a teoria do direito ao esquecimento. (AgRg no HC n. 613.578/RS, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe de 29/3/2021). V - Na hipótese, os antecedentes em questão (processo 467/2000 e 346/1998) remontam ambos a decurso de lapso temporal inferior a 10 (dez) anos entre o cumprimento da pena (2007 e 2008 - fls. 66 e 67) e o cometimento do fato delituoso em análise (2016), não havendo que se falar em excepcional afastamento da vetorial. VI - Na espécie, houve fundamentação concreta e idônea para o afastamento do tráfico privilegiado, lastreada nos maus antecedentes do paciente, o que afasta, por si só, a possibilidade de concessão da redutora do art. 33, parágrafo 4º, da Lei n. 11.343/06, consoante expressa previsão legal. Precedentes. VII - Mantido o afastamento da redutora do tráfico privilegiado bem, como o quantum da sanção corporal no patamar de 07 (sete) anos de reclusão, não há

que se falar em fixação de regime prisional inicial semiaberto ou aberto, até porque devidamente fundamentada a fixação do regime prisional inicial fechado, mais gravoso, em razão dos maus antecedentes do agravante, bem como incabível a substituição da pena corporal por restritiva de direitos, nos termos do art. 44, I, do Código Penal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 813.280/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 22/6/2023.) Em relação ao quantum de aumento de pena, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que os parâmetros para a exasperação da reprimenda devem observar o critério da discricionariedade juridicamente vinculada, a qual, por sua vez, está submetida os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da suficiência da reprovação e da prevenção ao crime. Ademais, a ponderação das circunstâncias judiciais não constitui mera operação aritmética, em que se atribui pesos absolutos a cada uma delas, mas é exercício de discricionariedade vinculada, o qual deve pautar-se pelo princípio da proporcionalidade. Nesse sentido (AgRg no REsp n. 1.672.672/CE, Relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Sexta Turma, julgado em 7/11/2017, DJe 14/11/2017). Na espécie, verifico que não há ilegalidade a ser sanada, uma vez que o paciente ostenta três condenações. Por fim, quanto ao regime, conforme preconiza o

art. 33, § 3º, a escolha do regime levará em conta o quantum da pena, bem como as circunstâncias previstas no art. 59 do Código Penal - § 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código. Dessa forma, tendo em vista que a pena é superior a 4 anos de reclusão e a pena-base foi fixada acima do mínimo legal, não há ilegalidade na fixação do regime inicial fechado. Nesse sentido: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS. MANUTENÇÃO DE CONDENAÇÃO. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de recurso especial, mantendo a condenação por tráfico de drogas, com base na materialidade e autoria demonstradas pelo conjunto probatório produzido nos autos, que denotou também os descabimento da pretendida desclassificação da imputação.

2. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo manteve a condenação do recorrente por tráfico de drogas com base em provas documentais e testemunhais, além de depoimentos de policiais.

3. A defesa alegou violação ao art. 28 da Lei n. 11.343/2006, sustentando que as drogas apreendidas destinavam-se ao consumo pessoal do recorrente, e pleiteou a desclassificação da imputação delitiva.

4. A defesa também alegou violação ao art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, argumentando que a conduta do recorrente preenche os requisitos para enquandramento no tráfico privilegiado e ações penais em curso não impedem a incidência da referida causa legal de diminuição de pena.

5. O recurso especial foi inadmitido pelo TJSP com base na Súmula n. 283 do STF, porque não foram impugnados todos os fundamentos do acórdão, e na Súmula n. 7 do STJ, que veda o reexame de provas em recurso especial. II. Questão em discussão 6. A questão em discussão consiste em saber se a condenação por tráfico de drogas pode ser desclassificada para posse de drogas para consumo pessoal, considerando-se as provas produzidas e a alegação de uso pessoal pelo recorrente.

7. Outra questão em discussão é a possibilidade de aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, diante dos maus antecedentes do recorrente.

8. A defesa também questiona a proporcionalidade da aplicação do regime inicial fechado para cumprimento da pena privativa de liberdade, considerando a pena aplicada e a incidência de circunstâncias judiciais. III. Razões de decidir 9. A decisão agravada foi mantida, pois a condenação por tráfico de drogas está fundamentada em provas robustas, incluindo depoimentos de policiais indicando a prática do tráfico pelo agravante e apreensão de drogas em quantidade significativa.

10. A pretensão de desclassificação da imputação para o delito de porte de drogas para consumo pessoal foi rejeitada, pois sua análise demandaria reexame de provas, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ.

11. A aplicação da causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, foi negada devido aos maus antecedentes do recorrente, conforme entendimento do TJSP. As razões do recorrente estão dissociadas dos fundamentos do acórdão impugnado, atraindo a incidência da Súmula n. 283 do STF.

12. O regime inicial fechado foi mantido com base na existência de circunstância judicial desfavorável dos maus antecedentes, em conformidade com o art. 33, §§ 2º e 3º, do CP. IV. Dispositivo e tese 13. Agravo regimental desprovido. Teses de julgamento: "1. A condenação por tráfico de drogas não pode ser desclassificada para o delito de posse de drogas para consumo pessoal sem reexame de provas, o que é vedado no recurso especial conforme Súmula n. 7 do STJ.

2. As razões do recorrente estão dissociadas dos fundamentos do acórdão impugnado, atraindo a incidência da Súmula n. 283 do STF.

3. O regime inicial fechado é justificado, no caso, pela valoração negativa da circunstância judicial dos maus antecedentes". Dispositivos relevantes citados: Lei n. 11.343/2006, arts. 28 e 33; CP, arts. 33, §§ 2º e 3º, e 44.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no R Esp 2087676/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 03.09.2024; STJ, AgRg no R Esp 2100083/PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 04.03.2024. (AgRg no AREsp n. 2.699.889/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 30/4/2025, DJEN de 7/5/2025.) DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. REGIME INICIAL DA PENA. É ADMISSÍVEL A FIXAÇÃO DE REGIME MAIS GRAVOSO COM BASE NA REINCIDÊNCIA E EM CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS, MESMO QUE A PENA SEJA INFERIOR A 4 ANOS. PRECEDENTES DESTA CORTE. BIS IN IDEM INEXISTENTE NA ESPÉCIE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que manteve o regime inicial semiaberto estipulado pelas instâncias ordinárias, apesar da pena definitiva ser inferior a 4 anos, em razão dos maus antecedentes e da reincidência do agravante. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a reincidência e os maus antecedentes impõem a fixação de regime prisional mais gravoso, mesmo que considerado o tempo de prisão provisória. III. Razões de decidir 3. A jurisprudência permite a fixação de regime mais gravoso com base na reincidência e em circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo que a pena seja inferior a 4 anos.

4. Não há bis in idem na valoração da reincidência tanto na dosimetria da pena quanto na fixação do regime prisional.

5. A pena definitiva do agravante, com ou sem detração do tempo de prisão provisória, permaneceu em patamar igual ou inferior a 4 anos, razão pela qual inalterado o regime inicial. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.698.901/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 26/2/2025, DJEN de 5/3/2025.) Nesses termos, as pretensões formuladas pelo impetrante encontram óbice na jurisprudência desta Corte de Justiça, sendo, portanto, manifestamente improcedentes. Ante o exposto, com fulcro no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

HC 453.871/SP

Case cited

AgRg no AREsp 1356824/DF

Case cited

RE 593.818/SC (STF)

Case cited

AgRg no HC n. 777.795/SC

Case cited

AgRg no HC n. 695.487/SP

Case cited

AgRg no HC n. 787.270/RS

Case cited

AgRg no HC n. 813.280/SP

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.699.889/SP

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.698.901/MG

Case cited

AgRg no HC n. 613.578/RS

Case cited

AgRg no REsp n. 1.672.672/CE

Case cited

Lei n. 9.503/1997 (art. 302, § 3º; art. 303, § 2º; art. 291, § 1º, inciso I)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal (art. 70; art. 64, inciso I; art. 59; art. 33, §§ 2º e 3º; art. 44)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 11.343/2006 (art. 28; art. 33, § 4º)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

RISTJ (art. 34, XX)

Legislation

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