Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbcb17ccdbf40b16c12cf
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- Superior Tribunal de Justiça
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01
Holding and result
Negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, incluindo o entendimento de que o deslocamento de agravantes/qualificadoras para a primeira fase da dosimetria exige fundamentação concreta, e porque eventual reforma demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ.
Court disposition
nego provimento ao recurso especial
Orders
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
RecorrenteJuliano de Arruda dos Santos
RecorridoFelipe Theodoro de Carvalho
RecorridoAmounts and remedies
- Pena Juliano (anos): 3
- Pena Felipe (meses): 35
- Dias Multa Aplicados (cada Réu): 14
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Julgamento
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
possibilidade de utilização das qualificadoras sobressalentes para exasperar a pena-base
- 02
incidência da qualificadora do repouso noturno na primeira fase da dosimetria
- 03
aplicação do art. 59 do Código Penal
- 04
limites ao reexame fático-probatório em recurso especial
Party arguments
- Applicant
- O Ministério Público alegou violação ao art. 59 do Código Penal, sustentando que, uma vez reconhecidas as qualificadoras sobressalentes, estas devem repercutir na fixação da pena-base, requerendo o restabelecimento dos aumentos da pena-base e dos regimes anteriormente fixados.
- Respondent
- O acórdão de origem (apelação da defesa) entendeu ser indevida a utilização simultânea de pluralidade de qualificadoras para qualificar o crime e, ainda, para exasperar a pena-base; verificou ausência de fundamentação concreta quanto à valoração do repouso noturno e reduziu a pena, neutralizando a exasperação na pena-base.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
jurisprudência do STJ (AgRg no REsp n. 2.055.648/MG e outros precedentes citados)
O deslocamento de agravantes ou causas de aumento de pena para a primeira fase da dosimetria não pode ser automático, exigindo fundamentação concreta.
- 02
Súmula 83/STJ, mencionada no acórdão
Súmula 83/STJ aplica-se quando o acórdão recorrido se harmoniza com a jurisprudência desta Corte, impedindo reforma no recurso especial por ausência de violação federal manifestamente demonstrada.
- 03
Súmula 7/STJ, mencionada no acórdão
Súmula 7/STJ veda o reexame do conjunto fático-probatório pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso especial.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, incluindo o entendimento de que o deslocamento de agravantes/qualificadoras para a primeira fase da dosimetria exige fundamentação concreta, e porque eventual reforma demandaria reexame fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ.
Obiter and limits
- A prática do furto no período noturno pode, dependendo do caso e com fundamentação concreta, ser considerada como circunstância judicial desfavorável para exasperar a pena-base.
- A opção do juiz entre aumento mínimo e máximo deve ser motivada com base nos meios empregados e nas circunstâncias concretas que tornaram o crime mais grave; a mera quantidade de qualificadoras não determina automaticamente a exasperação.
Court disposition
nego provimento ao recurso especial
- Nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO contra acórdão de fls. 315-324, que deu parcial provimento à apelação da defesa. Consta dos autos que Juliano de Arruda dos Santos e Felipe Theodoro de Carvalho, ora recorridos, foram denunciados e condenados em primeiro grau como incursos no artigo 155, § 4º, incisos I, II e IV, do Código Penal. Juliano foi condenado às penas de 3 anos de reclusão (regime fechado) e pagamento de 14 dias-multa, no piso, e Felipe às penas de 2 anos e 11 meses de reclusão (regime fechado) e pagamento de 14 dias-multa, no piso. A sentença utilizou uma das qualificadoras para configurar a forma qualificada do delito e as demais como circunstâncias judiciais desfavoráveis para exasperar a pena-base. O Tribunal de origem, no entanto, decidiu por reduzir a pena do crime, afastando o aumento da pena-base, entendendo que a pluralidade de qualificadoras não pode ser usada para configurar a forma qualificada do delito e, as demais, como circunstâncias judiciais desfavoráveis para exasperar a pena-base. No recurso especial, o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO sustenta violação ao art. 59 do Código Penal, alegando que, uma vez reconhecidas as qualificadoras sobressalentes, estas devem repercutir na fixação da pena-base. Requer o provimento do recurso para restabelecer a sentença de primeiro grau quanto aos
aumentos das penas-base decorrentes das qualificadoras sobressalentes, bem como os regimes de pena anteriomente fixados. O recurso foi admitido pela Corte de origem (fls. 357). Contrarrazões não foram apresentadas (fls. 357). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo provimento do recurso especial, nos termos da seguinte ementa (fls. 366-371): RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA. PENA-BASE. MAIS DE UMA QUALIFICADORA. AS DEMAIS PODEM SER UTILIZADAS PARA EXASPERAR A PENA BASE. PRECEDENTES. PROVIMENTO. É o relatório. Decido. O recurso é tempestivo e infirma os fundamentos do acórdão impugnado. Passo à análise do mérito. A controvérsia trazida no recurso cinge-se à possibilidade de utilização das qualificadoras sobressalentes para exasperar a pena-base, conforme o art. 59 do Código Penal. O acórdão recorrido encontra-se assim fundamentado (fls. 322-323): Entretanto, o cálculo da pena comporta reparos. A base para cada um dos réus foi fixada em 1/4 acima do mínimo, considerado o prejuízo sofrido pela vítima, que não recuperou os objetos furtados. Também nesta fase foi considerada a presença de três qualificadoras, duas para aumentar a pena base, já que a outra se presta para qualificar o delito. Contudo, não se pode erigir o montante do valor subtraído como discrímen para a exacerbação, não havendo, ademais, na conduta dos réus, elementos suficientes a autorizar o acréscimo. Depois,
este relator vem entendendo que a opção do juiz entre o aumento mínimo e o máximo não deve levar em conta, unicamente, o número de qualificadoras, mas sim os meios empregados e as circunstâncias que tornaram o crime mais grave, justificando tais fatos na sentença. Sem esse detalhamento, pode o delito qualificado deixar de receber o aumento, até porque o tipo penal secundário já prevê pena mais severa para o delito. Logo, não é, necessariamente, a quantidade de qualificadoras que determina a fixação acima da fração mínima, mas a ocorrência de algum fato específico, demonstrativo de culpabilidade exacerbada, que a respeitável sentença, neste caso, não apontou. O acórdão recorrido, ao afastar a transposição da qualificadora do § 1º, do art. 155 do CP para a primeira fase, considerou que o juízo sentenciante não demonstrou que o fato de o crime ter sido praticado no período noturno troxe maior reprovabilidade da conduta. Assim, embora a prática do delito de furto no período noturno possa, a depender do caso, ser considerada como circunstância judicial desfavorável, tal providência não se mostra possível na hipótese dos autos. Com efeito, "O deslocamento do repouso noturno para a primeira fase não é obrigatório, cabendo ao julgador, no exercício de seu livre convencimento motivado, decidir pela sua valoração. No caso, o Tribunal de origem decidiu pela neutralidade dessa
circunstância, não se verificando a apontada violação à lei federal" (REsp n. 2.145.783/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025.) No mesmo sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRIME DE FURTO QUALIFICADO. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME NEGATIVADAS. PERÍODO NOTURNO. EXIGÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CASO CONCRETO. NÃO DEMONSTRADO QUE A CIRCUNSTÂNCIA CONTRIBUIU PARA A PRÁTICA OU OCULTAÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Esta Corte tem se posicionado no sentido de ser possível ao Órgão Judiciário, com base nas circunstâncias do caso concreto, fundamentar a exasperação da pena-base em razão de o delito ter sido cometido durante o repouso noturno. 1.2. Na hipótese, não há fundamento concreto para manter como negativa a circunstância judicial "circunstâncias do crime" em razão do delito ter sido cometido no período noturno, uma vez que não demonstrada que tal circunstância contribuiu para a prática ou ocultação do ilícito.
2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.139.120/AL, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024.) DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. FURTO QUALIFICADO. MAJORANTE DO REPOUSO NOTURNO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais contra decisão monocrática que deu provimento ao recurso defensivo, concedeu ordem de habeas corpus de ofício e estendeu os efeitos da decisão a corréu.
2. A parte agravante alega que, afastada a causa de aumento de pena relativa ao repouso noturno, tal peculiaridade fática deve ser considerada na fixação da pena-base, em observância aos princípios da proporcionalidade e da não proteção deficiente. II. Questão em discussão 3. A discussão consiste em saber se, afastada a causa especial de aumento de pena do repouso noturno, tal peculiaridade fática deve obrigatoriamente ser analisada na fixação da pena-base do crime de furto qualificado. III. Razões de decidir 4. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.888.756/SP, fixou a tese de que a causa de aumento prevista no § 1º do art. 155 do Código Penal não incide no crime de furto na sua forma qualificada (§ 4º).
5. A possibilidade de considerar a prática do furto durante o repouso noturno na dosimetria da pena foi aberta, mas não é objeto de tese vinculante, pois a liberdade valorativa do julgador na análise das circunstâncias judiciais é incompatível com premissas jurídicas vinculantes.
6. O deslocamento de agravantes ou causas de aumento de pena para a primeira fase da dosimetria não pode ser automático, exigindo fundamentação concreta, em aplicação analógica dos fundamentos que ensejaram a edição da Súmula n. 443/STJ. Na espécie, as penas impostas estão dentro da discricionariedade atribuída ao julgador e atendem à função de prevenção e repressão do crime, conforme a realidade fática estampada pelas instâncias inferiores. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental não provido. .. (AgRg no REsp n. 2.055.648/MG, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 6/5/2025, DJEN de 9/5/2025.) O acórdão recorrido se harmoniza com a jurisprudência desta Corte, razão pela qual incide, na hipótese, a Súmula 83/STJ, também aplicável aos recursos especiais interpostos com fulcro na alínea "a" do permissivo constitucional. Além disso, concluindo a Corte de origem que as circunstâncias foram comuns ao delito, a inversão de tal entendimento também esbarra na Súmula 7 desta Corte, por demandar reexame fático-probatório. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
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