Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc3db7ccdbf40b17048b6
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- Jurisdiction
- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Reconsideração E Concessão Da Ordem
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- Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Reconsideração E Concessão Da Ordem
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Professional case brief
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01
Holding and result
Apesar da natureza nociva da cocaína, a quantidade apreendida (92 g de cocaína e 78 g de maconha) não foi considerada suficientemente relevante para demonstrar maior reprovabilidade apta a manter a pena-base acima do mínimo legal, razão pela qual a pena-base foi reduzida ao mínimo legal e a reprimenda definitiva redimensionada para 5 anos de reclusão e 500 dias-multa.
Court disposition
Decisão reconsiderada; habeas corpus concedido para reduzir a pena-base ao mínimo legal e redimensionar a pena definitiva.
Orders
- Pena-base reduzida para 5 anos de reclusão e 500 dias-multa, no valor unitário mínimo.
- Mantida a compensação da agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea.
- Pena definitiva fixada em 5 anos de reclusão e 500 dias-multa, com regime inicial fechado.
- Publique-se e intime-se.
02
Material facts
Parties
GABRIEL FELIPE DE JESUS DANTAS DA SILVA
Paciente/agravanteAmounts and remedies
- Cocaína (g): 92
- Maconha (g): 78
- Pena Definitiva (anos): 5
- Dias Multa: 500
03
Procedural history
Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Reconsideração E Concessão Da Ordem
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Idoneidade da fundamentação para exasperação da pena-base
- 02
Consideração conjunta da natureza e da quantidade da droga na dosimetria
- 03
Suficiência da quantidade apreendida para justificar pena-base acima do mínimo legal
Party arguments
- Applicant
- Sustentou constrangimento ilegal pela ausência de fundamentação idônea para justificar a exasperação da pena-base; alegou que a nocividade da substância deve ser analisada conjuntamente com a quantidade e que, sendo ínfima a quantidade, mostra-se inidônea a exasperação da pena-base.
- Respondent
- As instâncias ordinárias defenderam que a natureza da droga (cocaína) impõe maior reprovação e, em conjunto com a quantidade apreendida (92 g de cocaína e 78 g de maconha), justificaria a fixação da pena-base acima do mínimo legal; citaram estudo sobre danos da cocaína e precedentes que valorizam natureza e quantidade na dosimetria.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 59 do Código Penal
Na dosimetria, orientar-se pelas circunstâncias previstas no caput do art. 59 do Código Penal
- 02
art. 42 da Lei n. 11.343/2006
Em crime de tráfico, considerar de forma preponderante a natureza e a quantidade da substância, bem como personalidade e conduta social do agente
- 03
art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006
Crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006
- 04
art. 619 do Código de Processo Penal
Embargos de declaração cabem para suprir omissão, ambiguidade, contradição ou erro material conforme art. 619 do CPP
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Apesar da natureza nociva da cocaína, a quantidade apreendida (92 g de cocaína e 78 g de maconha) não foi considerada suficientemente relevante para demonstrar maior reprovabilidade apta a manter a pena-base acima do mínimo legal, razão pela qual a pena-base foi reduzida ao mínimo legal e a reprimenda definitiva redimensionada para 5 anos de reclusão e 500 dias-multa.
Obiter and limits
- Citação de estudo da Revista Brasileira de Psiquiatria sobre danos causados pelo consumo de cocaína (relação com eventos neurovasculares).
- Jurisprudência da Corte Superior no sentido de que apreensão de quantidade não expressiva de droga não constitui, isoladamente, motivo apto à manutenção de prisão cautelar e não autoriza, isoladamente, exasperação da pena-base.
Court disposition
Decisão reconsiderada; habeas corpus concedido para reduzir a pena-base ao mínimo legal e redimensionar a pena definitiva.
- Pena-base reduzida para 5 anos de reclusão e 500 dias-multa, no valor unitário mínimo.
- Mantida a compensação da agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea.
- Pena definitiva fixada em 5 anos de reclusão e 500 dias-multa, com regime inicial fechado.
- Publique-se e intime-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de agravo regimental interposto por GABRIEL FELIPE DE JESUS DANTAS DA SILVA contra a decisão monocrática de minha lavra (fls. 319-321), que não conheceu do habeas corpus . Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 6 (seis) anos de reclusão, no regime inicial fechado, e ao pagamento de 600 (seiscentos) dias-multa, como incurso no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. O Tribunal local negou provimento ao apelo defensivo (fls. 09-13). No writ, a impetrante sustentou constrangimento ilegal porquanto ausente fundamentação idônea para justificar a exasperação da pena-base. Alegou que houve indevida valoração da natureza da droga apreendida e defende que a nocividade da substância deve ser analisada conjuntamente com a quantidade. Asseverou que Em sendo ínfima a quantidade, como no caso dos autos, mostra-se inidônea a exasperação da pena-base em razão da valoração negativa da natureza da droga apreendida. (fl. 7). Requereu a concessão da ordem de habeas corpus para reduzir a pena-base, fixando-a no mínimo legal . O habeas corpus não foi conhecido (fls. 319-321). Neste recurso, a agravante reitera os termos da impetração, sustentando que (fl. 336): a nocividade da substância apreendida deve ser analisada conjuntamente com a quantidade. Em sendo ínfima a quantidade, como no caso dos autos, mostra-se inidônea a exasperação da pena-base em razão da
valoração negativa da natureza da droga apreendida. Busca, assim, que seja reconsiderada a decisão agravada ou submetido o presente recurso ao Órgão Colegiado. É o relatório. DECIDO. Considerando a verificação da plausabilidade jurídica dos argumentos defensivos, procedo à nova análise do pleito monocraticamente, tornando sem efeitos a decisão fls. 319-321. O Tribunal local manteve a fixação da pena-base acima do mínimo legal nos seguintes termos (fls. 11-12; grifamos): Como exposto no relatório, não há discussão acerca da materialidade e/ou da autoria delitiva, mas sim de aspectos relacionados à primeira fase dosimétrica. Nesse ponto, o juízo singular negativou a vetorial da natureza da droga, com a seguinte fundamentação: "Na primeira fase, guiado pelas diretrizes do art. 59, do Código Penal, e art. 42, da Lei Antidrogas, observo que a natureza da droga prejudica o condenado (apreensão de cocaína - f. 35). A culpabilidade foi normal. O sentenciado registra maus antecedentes, todavia, postergo sua valoração para fase posterior em razão da reincidência. A personalidade e conduta social do agente não foram delineadas. As circunstâncias, os motivos e consequências do crime foram normais à espécie. Logo, fixo a pena-base no patamar de 6 (seis) anos e 600 (seiscentos) dias-multa." (f.
171) Tenho que a sentença merece ser mantida nesse aspecto, tendo em vista a idoneidade da fundamentação utilizada para a negativação da vetorial específica da Lei de Drogas. Veja-se que, quanto à natureza da droga, conforme reconhecido na sentença, a conduta do apelante merece maior reprovação por parte do Estado-Juiz, visto que foi apreendida cocaína, substância altamente nociva e de elevado poder de toxicodependência. A exemplo, cito estudo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria sobre os danos causados pelo consumo de cocaína1: "o número de relatos de casos de acidentes vasculares cerebrais (AVC) associados ao consumo de psicoestimulantes (cocaína e anfetamínicos) é tão significativo que uma relação causal pode ser pressuposta. Todas as vias de administração da cocaína já foram associadas à ocorrência de eventos neurovasculares. Um dado preocupante é que a cocaína é considerada uma causa comum de AVC em indivíduos jovens sem outros fatores de risco para a patologia. Vários tipos de eventos neurovasculares associados à cocaína têm sido descritos: hemorragia sub-aracnóidea, AVC hemorrágico intraparenquimatoso, AVC isquêmico e acidente isquêmico transitório, além de patologias que envolvem a medula espinhal.9-12 O mecanismo pelo qual a cocaína pode provocar AVC em indivíduos sem alterações vasculares evidentes não é certo." Ainda, deve ser mencionada a diversidade da
droga encontrada com o réu/recorrente, visto que, além da cocaína mencionada pelo juízo na fase dosimétrica, também foi localizada pelos policiais o entorpecente maconha (17 trouxinhas: 78 g). Ademais, mesmo que as circunstâncias fossem analisadas em conjunto, a quantidade de droga não pode ser considerada tão diminuta a ponto de neutralizar a vetorial, uma vez que consistiu em 155 trouxinhas de cocaína (92 g). Como se vê, as instâncias ordinárias sopesaram negativamente a quantidade e a natureza da droga apreendida para exasperar a pena-base na primeira fase da dosimetria. No entanto, a despeito da natureza da droga, a quantidade de entorpecente apreendido - 92g de cocaína e 78g de maconha - não pode ser considerada suficientemente relevante a ponto de fixar a pena-base acima do mínimo legal, pois não demonstra, por si só, maior reprovabilidade da conduta delituosa prevista no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A pena-base, desse modo, deve ser reduzida ao mínimo legal. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS . TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. PENA-BASE. QUANTIDADE NÃO EXPRESSIVA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "Em se tratando de crime de tráfico de drogas, como ocorre in casu, o juízo, ao fixar a pena, deve considerar, com preponderância sobre o previsto no artigo 59 do Estatuto Repressivo, a natureza e a quantidade da substância entorpecente, a personalidade e
a conduta social do agente, consoante o disposto no artigo 42 da Lei n. 11.343/2006" (AgRg no HC n. 736.623/MS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 24/5/2022, DJe de 30/5/2022.) 2. No caso, a decisão agravada afastou o acréscimo da pena-base pois, não obstante a natureza gravosa da droga apreendida, trata-se, no caso, de quantidade que não é expressiva (220,7g de cocaína e 163,690g de maconha), o que vai ao encontro da orientação desta Corte Superior, no sentido de que a apreensão de quantidade não relevante de droga não constitui, de forma isolada, motivo apto à manutenção da segregação cautelar.
3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 834.172/PA, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024 - grifamos) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. OMISSÃO. VÍCIO CONSTATADO. TRÁFICO DE DROGAS DOSIMETRIA. PENA-BASE. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. EMBARGOS ACOLHIDOS.
1. Consoante o disposto no art. 619 do Código de Processo Penal, a oposição de embargos de declaração enseja, em síntese, o aprimoramento da prestação jurisdicional, por meio da retificação do julgado que se apresenta omisso, ambíguo, contraditório ou com erro material.
2. São inadmissíveis, portanto, quando, a pretexto da necessidade de esclarecimento, aprimoramento ou complemento da decisão embargada, objetivam, em essência, o rejulgamento do caso.
3. O Juízo sentenciante, atado à discricionariedade juridicamente vinculada, deve atentar-se para as singularidades do caso concreto e, na primeira etapa do procedimento trifásico, guiar-se pelas circunstâncias relacionadas no caput do art. 59 do Código Penal. Tratando-se de crime previsto na Lei de Drogas, deve considerar, ainda, de forma preponderante, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, bem como a personalidade e a conduta social do agente, a teor do estabelecido no art. 42 da Lei n. 11.343/2006.
4. Nos autos em exame, apesar de a natureza da substância constituir elemento preponderante a ser considerado na dosimetria da reprimenda, foi apreendida quantidade não elevada de drogas, montante inerente ao próprio crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006.
5. Embargos acolhidos para suprir a omissão, e tornar a reprimenda imposta ao réu definitiva em 6 anos, 6 meses e 22 dias de reclusão e 657 dias-multa. (EDcl no HC n. 835.645/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023 - Quantidade de droga apreendida: 241 g de cocaína - grifamos) Fixadas essas premissas, passo a redimensionar a pena do paciente. Na primeira fase de aplicação da pena, fixo a pena-base no mínimo legal: 05 (cinco) anos de reclusão e 500 (quinhentos) dias-multa, no valor unitário mínimo. Na segunda etapa, mantenho a compensação da agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea (fl. 185), restando a pena inalterada. Na terceira fase, ante a ausência de causas de aumento ou de diminuição, fica estabelecida a reprimenda definitiva em 05 (cinco) anos de reclusão e 500 (quinhentos) dias-multa, no valor unitário mínimo, mantido o regime inicial fechado. Ante o exposto, reconsidero a decisão fls. 319-321 e concedo a ordem de habeas corpus para redimensionar as penas do paciente, nos termos desta decisão, mantido, no mais, o édito condenatório. Publique-se. Intimem-se.
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