Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dcf547ccdbf40b176aeba
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- Judgment
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- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Habeas Corpus / Liminar Concedida, Em Parte
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Professional case brief
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01
Holding and result
Houve flagrante ilegalidade na primeira fase da dosimetria por manutenção da negativação das circunstâncias com fundamento em meio cruel não pronunciado nem quesitado e por utilização indevida da fração de exasperação; assim, afastou‑se a negativação das circunstâncias, aplicou‑se exasperação de 1/6 sobre a pena mínima abstrata (fixando pena‑base em 14 anos), manteve‑se aumento de 1/12 na segunda fase (passando para 15 anos e 2 meses) e manteve‑se a redução da tentativa em 1/2 na terceira fase, resultando pena definitiva de 7 anos e 7 meses de reclusão, mantendo‑se o regime inicial fechado.
Court disposition
Ordem liminarmente concedida, em parte, para redimensionar a reprimenda definitiva imposta ao paciente Gilberto Florentino Saturnino para 7 anos e 7 meses de reclusão, mantido o regime inicial fechado, na Ação Penal n. 0013026-96.2017.8.06.0173, Vara Única Criminal da comarca de Tianguá/CE.
Orders
- Conceder liminarmente, em parte, para redimensionar a reprimenda definitiva para 7 anos e 7 meses de reclusão.
- Manter o regime inicial fechado.
- Intime-se o Ministério Público estadual.
- Publique-se.
02
Material facts
Parties
GILBERTO FLORENTINO SATURNINO
PacienteTribunal de Justiça do Ceará
Órgão Prolator Do AcórdãoMinistério Público estadual
NotificadoAmounts and remedies
- Pena Condenacao Original Meses: 104
- Pena Base Apos Primeira Fase Meses (14 Anos): 168
- Pena Apos Segunda Fase Meses (15 Anos E 2 Meses): 182
- Pena Definitiva Meses (7 Anos E 7 Meses): 91
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Liminar Concedida, Em Parte
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
revisão da dosimetria
- 02
negativação das circunstâncias do crime com fundamento em meio cruel não pronunciado nem quesitado
- 03
fração aplicável para exasperação da pena (1/6 vs 1/8)
- 04
compensação da atenuante da confissão com agravante do recurso que impossibilitou a defesa
- 05
fração de diminuição da tentativa (1/2 vs 2/3)
- 06
possibilidade de revisão da condenação por habeas corpus
- 07
fixação do regime inicial fechado
Party arguments
- Applicant
- Pede revisão da dosimetria aplicada na Ação Penal n. 0013026-96.2017.8.06.0173, requerendo: a) afastamento da negativação das circunstâncias do crime por reconhecer-se indevido o reconhecimento de meio cruel não pronunciado nem quesitado; b) alteração da fração de exasperação de 1/6 para 1/8; c) compensação da atenuante da confissão com a agravante do recurso que impossibilitou a defesa; d) alteração da fração de diminuição da tentativa de 1/2 para 2/3, por entender que as lesões não implicaram perigo concreto de vida e o iter ficou distante da consumação.
- Respondent
- Sustenta-se, implicitamente nas decisões de instância inferior, a manutenção da condenação e das valorações fático-probatórias; é apontado que a utilização do habeas corpus para revisão ampla da condenação é inadmissível e que reexame probatório é inviável na via estreita do writ; não se verificou flagrante ilegalidade apta a afastar a compensação parcial da atenuante da confissão com a agravante nem a fração de diminuição da tentativa aplicada.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
AgRg no AREsp n. 1.737.903/MS, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 28/6/2021
Quando uma circunstância judicial for negativada com fundamento correspondente a uma qualificadora do delito, é necessária a quesitação
- 02
entendimento jurisprudencial citado no acórdão
Os limites da discricionariedade do juiz para exasperação referem‑se a 1/6 sobre a pena mínima ou 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Houve flagrante ilegalidade na primeira fase da dosimetria por manutenção da negativação das circunstâncias com fundamento em meio cruel não pronunciado nem quesitado e por utilização indevida da fração de exasperação; assim, afastou‑se a negativação das circunstâncias, aplicou‑se exasperação de 1/6 sobre a pena mínima abstrata (fixando pena‑base em 14 anos), manteve‑se aumento de 1/12 na segunda fase (passando para 15 anos e 2 meses) e manteve‑se a redução da tentativa em 1/2 na terceira fase, resultando pena definitiva de 7 anos e 7 meses de reclusão, mantendo‑se o regime inicial fechado.
Obiter and limits
- O habeas corpus não se presta à revisão ampla de condenação imposta e mantida pelas instâncias ordinárias.
- O reexame probatório é inviável na via estreita do habeas corpus, razão pela qual certas alegações dependentes de prova não foram apreciadas nesta sede.
Court disposition
Ordem liminarmente concedida, em parte, para redimensionar a reprimenda definitiva imposta ao paciente Gilberto Florentino Saturnino para 7 anos e 7 meses de reclusão, mantido o regime inicial fechado, na Ação Penal n. 0013026-96.2017.8.06.0173, Vara Única Criminal da comarca de Tianguá/CE.
- Conceder liminarmente, em parte, para redimensionar a reprimenda definitiva para 7 anos e 7 meses de reclusão.
- Manter o regime inicial fechado.
- Intime-se o Ministério Público estadual.
- Publique-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO O presente habeas corpus, impetrado em nome de GILBERTO FLORENTINO SATURNINO - condenado por homicídio qualificado tentado a 8 anos e 8 meses de reclusão -, atacando-se o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (fls. 17/27 - Revisão Criminal n. 0623713-39.2025.8.06.0000), comporta, de pronto, parcial acolhimento. Com efeito, busca a impetração revisão da dosimetria - na condenação proferida na Ação Penal n. 0013026-96.2017.8.06.0173 (fls. 40/43), da Vara Única Criminal da comarca de Tianguá/CE, mantida em grau de apelação (fls. 29/37) -, com: a) o afastamento da negativação das circunstâncias do crime, aduzindo ser indevido o reconhecimento de meio cruel não pronunciado nem quesitado (fls. 11/12); b) a alteração da fração de exasperação de 1/6 para 1/8 (fls. 12/14); c) compensação da atenuante da confissão com a agravante do recurso que impossibilitou a defesa (fls. 8/9); e d) alteração da fração de diminuição da tentativa de 1/2 para 2/3, sustentando que as lesões não implicaram perigo concreto de vida e que o iter ficou distante da consumação (fl. 10). Embora se trate de writ apresentado com o objetivo de revisar, novamente, a condenação imposta e mantida pelas instâncias ordinárias, o que é inadmissível, do atento exame dos autos, observo a ocorrência de flagrante constrangimento ilegal na primeira fase da dosimetria, pois: a) o Tribunal de origem manteve
a negativação das circunstâncias do crime (fl. 27), com fundamento no meio cruel (fl. 41), em desacordo com o entendimento desta Corte Superior, segundo o qual, quando uma circunstância judicial for negativada com fundamento correspondente a uma qualificadora do delito, a quesitação é necessária (AgRg no AREsp n. 1.737.903/MS, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 28/6/2021); e b) a fração utilizada para exasperar a pena-base por vetor negativado - no valor de 1/6 cada, sobre o intervalo da pena qualificada abstrata (fl. 41) - está em desacordo com o entendimento jurisprudencial de que os limites da discricionariedade do juiz se referem a 1/6 sobre a pena mínima ou 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima. Registre-se que, em relação às alegações de ilegalidade na compensação da atenuante da confissão com a agravante do recurso que impossibilitou a defesa - por se tratar de confissão qualificada e parcial (fls. 34/37) - e fração de diminuição da tentativa - aplicada em 1/2, considerando o iter criminis, por se tratar de tentativa cruenta, com golpes de marreta em região vital, aproximando-se da consumação (fls. 29/30); então, concluir de forma diversa demandaria reexame probatório, inviável na via estreita do habeas corpus -, não foi verificada a ocorrência de flagrante ilegalidade apta a superar o óbice de utilização indevida da impetração para revisar
condenação imposta e mantida pelas instâncias ordinárias. Então, necessário redimensionar a reprimenda imposta: na primeira fase, afastada a negativação das circunstâncias e mantida a das consequências (fl. 41), exaspera-se a pena-base em 1/6 sobre a pena mínima abstrata, fixando-a em 14 anos de reclusão. Na segunda fase, mantida a compensação parcial da atenuante da confissão com a agravante do recurso que impossibilitou a defesa, aumenta-se a reprimenda em 1/12, passando para 15 anos e 2 meses de reclusão. Na terceira fase, mantida a fração redutora da tentativa em 1/2 (fl. 41), resulta a pena em 7 anos e 7 meses de reclusão. Finalmente, considerando a reprimenda corporal imposta e a negativação das consequências do crime (fl. 41), não há ilegalidade na fixação do regime inicial fechado e no indeferimento da substituição da pena. Em face do exposto, concedo liminarmente a ordem impetrada, em parte, para redimensionar a reprimenda definitiva imposta ao paciente Gilberto Florentino Saturnino para 7 anos e 7 meses de reclusão, mantido o regime inicial fechado, na Ação Penal n. 0013026-96.2017.8.06.0173, da Vara Única Criminal da comarca de Tianguá/CE. Intime-se o Ministério Público estadual. Publique-se.
EMENTA PENAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. PRETENSÃO DE REVISÃO DA CONDENAÇÃO IMPOSTA E MANTIDA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DO WRIT. DOSIMETRIA. PRIMEIRA FASE. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. NEGATIVAÇÃO. MEIO CRUEL. QUALIFICADORA QUE NEM SEQUER CONSTA DA PRONÚNCIA. DESCABIMENTO. FRAÇÃO DE EXASPERAÇÃO. PENA REDIMENSIONADA. CONSTRANGIMENTO PARCIAL EVIDENCIADO. Ordem liminarmente concedida, em parte, nos termos do dispositivo.
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