Brazil Judgment

Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O habeas corpus não foi conhecido por constituir tentativa de substituição da via própria da revisão criminal após o trânsito em julgado; o Superior Tribunal de Justiça não tem competência geral para revisar acórdãos de instância originária, estando limitada às hipóteses de seus próprios julgados (art.105, I, e, CF); ausente ilegalidade flagrante no acórdão e considerada adequada a aplicação do direito e a dosimetria da pena, impõe-se o não conhecimento do writ com fundamento no art.210 do Regimento Interno do STJ.

Court disposition

Não conheço do habeas corpus

Orders

  • Não conhecer do habeas corpus.
  • Cientifique-se o Ministério Público Federal.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

JAÍLSON ABACHERLI FERREIRA

Paciente

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA

Autoridade Coatora

Ministério Público Federal

Órgão Ministerial

Amounts and remedies

  • Pena Anos: 19
  • Pena Meses: 9
  • Pena Dias: 20

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta-se constrangimento ilegal porque a condenação por organização criminosa teria sido fundada exclusivamente em conversa obtida pelo aplicativo WhatsApp, sem apreensão de armas, munições ou outros elementos materiais; a pena (19 anos, 9 meses e 20 dias) seria desproporcional e aumentada sem fundamentação adequada, violando o princípio da individualização da pena (art.5º, XLVI, CF); o paciente é réu primário sem antecedentes, circunstância atenuante (art.65, I, CP); requer-se redução da pena para o mínimo legal.
Respondent
Alega-se que o writ foi manejado como substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado, o que é inadequado e subverte competências; o STJ só processa revisão criminal nos seus próprios julgados (art.105, I, e, CF); não há ilegalidade flagrante no acórdão impugnado; a dosimetria da pena foi corretamente aplicada; o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do habeas corpus ou pela denegação da ordem.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 5º, XLVI, da Constituição Federal

    Princípio da individualização da pena

  2. 02

    art. 65, I, do Código Penal

    Atenuante relativa à primariedade

  3. 03

    art. 105, I, e, da Constituição Federal

    Competência do Superior Tribunal de Justiça para revisão criminal limitada aos seus próprios julgados

  4. 04

    precedentes do STJ (AgRg no HC n. 789.984/GO, AgRg no HC n. 914.206/RJ, AgRg no HC n. 876.697/MG) e art. 105, I, e, CF

    Impossibilidade de admissão de habeas corpus substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado

  5. 05

    artigo 647-A do Código de Processo Penal

    Avaliação de ilegalidade flagrante para concessão de habeas corpus de ofício

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O habeas corpus não foi conhecido por constituir tentativa de substituição da via própria da revisão criminal após o trânsito em julgado; o Superior Tribunal de Justiça não tem competência geral para revisar acórdãos de instância originária, estando limitada às hipóteses de seus próprios julgados (art.105, I, e, CF); ausente ilegalidade flagrante no acórdão e considerada adequada a aplicação do direito e a dosimetria da pena, impõe-se o não conhecimento do writ com fundamento no art.210 do Regimento Interno do STJ.

Obiter and limits

  • O advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do habeas corpus quando manejado como substitutivo de revisão criminal, por subversão de competências
  • O habeas corpus não pode ser utilizado para reexaminar matéria já decidida em apelação com trânsito em julgado, cabendo a via revisional própria

Court disposition

Não conheço do habeas corpus

  • Não conhecer do habeas corpus.
  • Cientifique-se o Ministério Público Federal.
  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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Superior Tribunal de Justiça

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DECISÃO Trata-se de Habeas Corpus com pedido de liminar impetrado em favor de JAÍLSON ABACHERLI FERREIRA no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Consta dos autos que o paciente foi condenado definitivamente à pena de 19 (dezenove) anos, 9 (nove) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, pela prática dos delitos previstos nos arts. 33, caput, e 35, caput, c/c o art. 40, V, todos da Lei n. 11.343/2006; 17, c/c o art. 19, ambos da Lei n. 10.826/2006; e 2º da Lei n. 12.850/2013, na forma do art. 69 do Código Penal, no âmbito da Operação Fantasia. Sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto o paciente foi condenado pelo crime de organização criminosa com base exclusivamente em uma conversa obtida pelo aplicativo WhatsApp, sem apreensão de armas, munições ou qualquer material ilícito que comprovasse a prática do crime. Alega que a pena aplicada ao paciente revela-se desproporcional, tendo sido aumentada de forma inadequada e sem fundamentação concreta, em afronta ao princípio da individualização da pena, previsto no art. 5º, XLVI, da Constituição Federal. Aduz que o paciente é réu primário e não possui antecedentes criminais, circunstâncias que deveriam ter sido consideradas como atenuantes nos termos do art. 65, I, do Código Penal. Por fim, assevera que a condenação baseou-se exclusivamente em uma conversa

virtual, sem a apresentação de evidências materiais que comprovassem de forma efetiva sua participação em organização criminosa, evidenciando a fragilidade das provas e que a elevação da pena não teve fundamentação idônea, violando o princípio da legalidade e da proporcionalidade exigida no processo penal. Requer, liminarmente e no mérito, a redução da pena imposta ao paciente pelo crime de organização criminosa para o mínimo legal. A liminar foi indeferida (fls. 260-261) e vieram aos autos as informações prestadas pela origem (fls. 267-586), tendo o Ministério Público Federal apresentado parecer opinando pelo não conhecimento do habeas corpus ou pela denegação da ordem (fls. 590-602). É o relatório. O presente writ foi impetrado contra o acórdão que julgou a ação penal originária em 21/2/2017, com trânsito em julgado em 13/5/2020 (fl. 580). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, instrumento que não pode ser manejado no caso, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. ..

2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL.

1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023).

2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022.

3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) A propósito do disposto no artigo 647-A do CPP, verifico que o acórdão impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício. Analisados os fundamentos adotados no ato judicial impugnado, observa-se a adequada aplicação do direito ao caso concreto, nada havendo a ser reparado na dosimetria da pena. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no HC n. 914.206/RJ, rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024

Case cited

AgRg no HC n. 789.984/GO, rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023

Case cited

AgRg no HC n. 876.697/MG, rel. Ministro Jesuíno Rissato, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024

Case cited

Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 10.826/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 12.850/2013

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal, art. 69

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 5º, XLVI, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 65, I, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 105, I, e, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

artigo 647-A do Código de Processo Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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