Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3db5367ccdbf40b167942e
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- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
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- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Exame Do Recurso Especial (admissibilidade E Mérito)
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- Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Exame Do Recurso Especial (admissibilidade E Mérito)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se o entendimento consolidado de que a incidência de circunstância atenuante não permite reduzir a pena abaixo do mínimo legal, em conformidade com o Tema 158 do STF e o Tema 190 do STJ, de modo que não cabe ao STJ suprimir ou superar a Súmula 231; por isso, negou-se provimento ao recurso especial.
Court disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
FRANCISCO MARCOS DA SILVA ARAUJO
AgravanteTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
Órgão Prolator Da Decisão Agravada03
Procedural history
Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Exame Do Recurso Especial (admissibilidade E Mérito)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
possibilidade de redução da pena abaixo do mínimo legal por incidência de atenuante
- 02
superação da Súmula 231 do STJ e competência para rever precedentes vinculantes
- 03
admissibilidade do recurso especial diante de orientação consolidada dos Tribunais Superiores
Party arguments
- Applicant
- Sustenta a defesa que deveria ser aplicada a atenuante de confissão espontânea para reduzir a pena provisória abaixo do mínimo legal, alegando a inconstitucionalidade da Súmula 231 do STJ por violar a reserva legal, a proporcionalidade e a segurança jurídica, requerendo a superação do entendimento sumulado e efeito suspensivo ao recurso especial.
- Respondent
- O Colegiado de origem e a manifestação ministerial sustentaram que a Súmula 231 do STJ encontra respaldo no Tema 158 (STF) e no Tema 190 (STJ), possuindo eficácia vinculante, e que o critério trifásico do artigo 68 do CP não admite redução da pena abaixo do mínimo legal; aplicou-se a Súmula 83 do STJ para inadmitir o recurso especial, sendo indevida a superação do entendimento vinculante pelo STJ.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Tema 158 do STF (repercussão geral) e Súmula 231/STJ
A incidência de circunstância atenuante não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal
- 02
artigo 68, do Código Penal
O método trifásico de dosimetria (art. 68, CP) limita a discricionariedade judicial na segunda fase, respeitando limites mínimo e máximo
- 03
Tema 158 do STF; entendimento do próprio STJ expresso no acórdão citado (REsp n. 1.869.764/MS)
A função de uniformização jurisprudencial do STJ não autoriza revisão de tese fixada em repercussão geral do STF
- 04
artigo 927, III, do CPC, c/c artigo 3º do CPP
Precedentes vinculantes devem ser observados pelas Cortes de Justiça (estabilidade, integridade e coerência do sistema de precedentes)
- 05
Tema 158 do STF; princípios constitucionais mencionados no acórdão
Os limites mínimo e máximo da pena são de observância obrigatória em respeito ao princípio da reserva legal
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se o entendimento consolidado de que a incidência de circunstância atenuante não permite reduzir a pena abaixo do mínimo legal, em conformidade com o Tema 158 do STF e o Tema 190 do STJ, de modo que não cabe ao STJ suprimir ou superar a Súmula 231; por isso, negou-se provimento ao recurso especial.
Obiter and limits
- A superação da Súmula 231 está limitada ao Supremo Tribunal Federal, não cabendo antecipatory overruling pela Terceira Seção do STJ.
- O surgimento de institutos de justiça penal negociada, como colaboração premiada e acordo de não persecução penal, não justifica a revisão da Súmula 231, pois possuem requisitos próprios e aplicabilidade específica.
Court disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por FRANCISCO MARCOS DA SILVA ARAUJO, contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ que inadmitiu recurso especial apresentado contra acórdão proferido na Apelação Criminal n. 0007360-35.2019.8.14.0040, assim ementado: APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO SIMPLES - AFASTAMENTO DA SÚMULA 231, DO C. STJ. INCABÍVEL. TEMAS 158, DO EXCELSO STF E 190, DO C. STJ. JURISPRUDÊNCIA VINCULANTE DE APLICAÇÃO COMPULSÓRIA POR PARTE DAS CORTES DE JUSTIÇA - RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. O acórdão recorrido tratou da apelação criminal interposta por Francisco Marcos da Silva Araújo, condenado por roubo simples, buscando a aplicação da atenuante de confissão espontânea para redução da pena abaixo do mínimo legal. A defesa argumentou pelo afastamento da Súmula 231 do STJ, que impede tal redução. O relator, Desembargador Leonam Gondim da Cruz Júnior, negou provimento ao recurso, fundamentando-se nos Temas 158 do STF e 190 do STJ, que consolidam a aplicação compulsória da súmula, afirmando que não há ofensa aos princípios constitucionais da reserva legal, proporcionalidade e individualização da pena (fls. 173-177). A parte interpôs Recurso Especial, alegando violação ao artigo 65, inciso III, "d", do Código Penal, pela não aplicação da atenuante de confissão espontânea, devido ao óbice da Súmula 231 do STJ. Sustentou a inconstitucionalidade da súmula, por ferir
princípios como a reserva legal e a segurança jurídica, e requereu a superação do entendimento sumulado, além do efeito suspensivo ao recurso (fls. 181-193). O Recurso Especial foi inadmitido pelo Desembargador Roberto Gonçalves de Moura, Vice-Presidente do TJ/PA, que aplicou a Súmula 83 do STJ, afirmando que a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida, e negou o efeito suspensivo pleiteado (fls. 204-206). A Defesa apresentou Agravo em Recurso Especial, argumentando contra a aplicação da Súmula 83 do STJ, afirmando que a questão da superação da Súmula 231 está em debate avançado, com novos argumentos e entendimento constitucional mais garantista. Requereu a admissão do Recurso Especial para apreciação pelo STJ, destacando a necessidade de revisão da súmula à luz dos princípios constitucionais e da individualização da pena (fls. 208-223). Parecer do Ministério Público Federal pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (fls. 260-263 ). É o relatório. DECIDO. Preenchid os os requisitos formais e impugnados os fundamentos da decisão agravada, conheço do agravo e passo ao exame do recurso especial. No que interessa à solução da controvérsia, tem-se que o Colegiado de origem declinou as seguintes razões (fls. 174-175 - grifamos): A apelação encontra-se adequada, tempestiva, com interesse da parte e legitimidade desta de recorrer.
Preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos de admissibilidade, conheço-a, por conseguinte. No mérito, a defesa requer a aplicação da atenuante de confissão espontânea de forma a reduzir a pena provisória para abaixo do patamar mínimo do tipo penal, pugnando pelo afastamento da Súmula 231, do Colendo Superior Tribunal de Justiça. Não tem razão. Como é cediço, o Excelso Supremo Tribunal Federal já sedimentou, em sede de repercussão geral, que o verbete em comento não ofende os princípios constitucionais da reserva legal, da proporcionalidade e da individualização da pena (Tema de Repercussão Geral n. 158). Ademais, no âmbito do próprio Colendo Superior Tribunal de Justiça, além da súmula ora guerreada, foi firmado o Tema Repetitivo n. 190, cuja tese preconiza que o critério trifásico trazido pelo artigo 68, do Código Penal, não admite a extrapolação dos patamares mínimo e máximo para a aplicação da pena. Nessa esteira, o conteúdo da Súmula 231 do c. STJ já foi amplamente debatido nas Cortes Supremas, tendo, inclusive, adquirido contornos vinculantes (Tema n. 158, STF e Tema n. 190, STJ) de aplicaçã o compulsória por parte das Cortes de Justiça (cf. artigo 927, III, do CPC, c/c o artigo 3º, do CPP). Nesse contexto, agiu corretamente o Juízo sentenciante ao não reduzir a pena intermediária do apelante para patamar aquém do mínimo legal previsto no artigo 157, do Código
Penal, posto ser exatamente essa a orientação vigente, a qual vem sendo aplicada normalmente pelo Tribunais Superiores, não havendo que se falar em superação do entendimento vinculante (overrunling). Para melhor ilustrar, colaciono recente decisão da Corte Cidadã: Não há a possibilidade de reduzir a pena aquém do mínimo legal na segunda etapa da dosimetria. De fato, em 14/08/2024, houve o julgamento conjunto, na Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, dos REsps n. 1.869.764/MS, n. 2.052.085/TO e n. 2.057.181/SE, ocasião em que foi mantida a incidência do enunciado da Súmula n. 231/STJ, o qual preconiza que a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. A ementa do julgado foi assim redigida: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE E IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA PENA ABAIXO DO MÍNIMO LEGAL. PRECEDENTE VINCULANTE EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 158. ESTABILIDADE, INTEGRIDADE E COERÊNCIA DO SISTEMA DE UNIFORMIZAÇÃO DE PRECEDENTES. POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO RESTRITA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRINCÍPIOS DA RESERVA LEGAL, DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA E DA PROPORCIONALIDADE. INDISPONIBILIDADE JUDICIAL DOS LIMITES MÍNIMO E MÁXIMO DA PENA. VALIDADE DA SÚMULA 231 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ANTE A METODOLOGIA
DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA INSTITUÍDA PELO CÓDIGO PENAL. INSTITUTOS DA JUSTIÇA PENAL NEGOCIADA. REQUISITOS ESPECÍFICOS. RECURSOS ESPECIAIS DESPROVIDOS. I - Os Recursos Especiais n.º 1.869.764-MS, n.º 2.052.085-TO e n.º 2.057.181-SE foram afetados à Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça para reavaliação do enunciado da Súmula n.º 231 do STJ, que estabelece a impossibilidade de que a incidência de circunstância atenuante reduza a pena abaixo do mínimo legal. O relator propôs a superação do entendimento consolidado (overruling), com modulação de efeitos para evitar a modificação de decisões já transitadas em julgado. II - Existem duas questões em discussão: (i) ante a existência do tema 158 da repercussão geral, avaliar se é possível a superação do entendimento enunciado pela Súmula n.º 231, STJ, pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça; e (ii) examinar a (im)possibilidade de incidência de atenuante induzir pena abaixo do mínimo legal. III - O precedente firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral (RE n.º 597.270) estabelece, com eficácia vinculante, que a incidência de circunstância atenuante genérica não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, em respeito aos princípios constitucionais da reserva legal, da proporcionalidade e da individualização da pena. IV - A função de uniformização jurisprudencial atribuída ao Superior
Tribunal de Justiça não autoriza a revisão de tese fixada em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, dado o caráter vinculante desses precedentes, em atenção à estabilidade, à integridade e à coerência do sistema de uniformização de precedentes. V - Não se extrai da atuação do Supremo Tribunal Federal nenhum indicativo de que a Corte esteja inclinada a rever o Tema 158, o que impossibilita a aplicação do instituto do anticipatory overruling pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça. VI - No plano judicial, a discricionariedade do magistrado deve respeitar os limites mínimos e máximos estabelecidos em lei, em conformidade com o princípio da reserva legal, que veda a modificação dos parâmetros previstos pelo legislador. VII - O método trifásico de dosimetria da pena adotado pelo Código Penal (art. 68, CP) limita a discricionariedade judicial na segunda fase e impõe o respeito ao mínimo e máximo legal, de modo que as circunstâncias atenuantes não podem resultar em penas abaixo do mínimo abstratamente cominado pelo tipo penal. VIII - A fixação de penas fora dos limites legais implicaria violação ao princípio da legalidade e usurpação da competência legislativa, o que comprometeria a separação de poderes e criaria um sistema de penas indeterminadas, incompatível com a segurança jurídica. IX - O surgimento de institutos de justiça penal negociada, como a
colaboração premiada e o acordo de não persecução penal, não justifica a revisão do entendimento da Súmula n.º 231, STJ, pois esses instrumentos possuem requisitos próprios e são aplicados em contextos específicos que não alteram a regra geral estabelecida para a dosimetria da pena. Recursos especiais desprovidos. Teses de julgamento: 1. A incidência de circunstância atenuante não pode reduzir a pena abaixo do mínimo legal, conforme o entendimento vinculante do Supremo Tribunal Federal no Tema 158 da repercussão geral.
2. O Superior Tribunal de Justiça não possui competência para revisar precedentes vinculantes fixados pelo Supremo Tribunal Federal.
3. A circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. (REsp n. 1.869.764/MS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, relator para acórdão Ministro Messod Azulay Neto, Terceira Seção, julgado em 14/8/2024, DJe de 18/9/2024). Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se.
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