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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Embora o habeas corpus substitutivo de recurso próprio não devesse ser conhecido, verificou-se flagrante ilegalidade na dosimetria: a quantidade de entorpecente apreendida (aproximadamente 7 porções de cocaína totalizando ~30 g e 1 porção de maconha ~85 g) é inexpressiva para justificar a elevação da pena-base nos termos do art. 42 da Lei 11.343/2006; entretanto, a utilização da reincidência na segunda fase foi considerada regular. Assim, redimensionou-se a pena para 5 anos e 10 meses de reclusão e 583 dias-multa, concedendo-se a ordem de ofício.

Court disposition

Não conheço do presente habeas corpus; concedo, todavia, a ordem de ofício para redimensionar a pena imposta.

Orders

  • Não conhecer do presente habeas corpus
  • Conceder a ordem de ofício para redimensionar a pena para 5 anos e 10 meses de reclusão
  • Fixar 583 dias-multa
  • Publicar-se
  • Intimem-se

02

Material facts

Parties

LUCAS SAMUEL ALTHAUS

Paciente

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Apelante

Amounts and remedies

  • Pena Tribunal Origem Anos: 6
  • Pena Tribunal Origem Meses: 9
  • Pena Tribunal Origem Dias: 20
  • Dias Multa Tribunal Origem: 677
  • Pena Redimensionada Anos: 5
  • Pena Redimensionada Meses: 10
  • Dias Multa Redimensionada: 583
  • Quantidade Cocaína Gramas Aproximados: g 30
  • Quantidade Maconha Gramas Aproximados: g 85
  • Porcoes Cocaína: 7
  • Porcoes Maconha: 1

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão (não Conhecimento Do Writ; Concessão De Ordem De Ofício Para Redimensionamento Da Pena)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A defesa alega que a dosimetria foi fixada com fundamentação inidônea, pois a quantidade de droga apreendida (aproximadamente 30 g de cocaína) não é idônea para justificar o aumento da pena-base; sustenta, ainda, que a reincidência foi utilizada indevidamente em duplicidade (bis in idem) por também ter sido considerada como antecedentes, e requer a redução da pena.
Respondent
O Ministério Público estadual recorreu sustentando que a condenação e a dosimetria estão justificadas pela quantidade e natureza do entorpecente apreendido; as instâncias ordinárias valoraram negativamente as circunstâncias do delito e aplicaram agravo por reincidência na segunda fase da dosimetria.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 42 da Lei n. 11.343/2006

    Na fixação da reprimenda nos crimes da Lei n. 11.343/2006, deve-se valorar, com preponderância sobre as demais circunstâncias judiciais, a natureza e a quantidade da droga.

  2. 02

    art. 59 do Código Penal

    As circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal devem ser examinadas de forma idônea na dosimetria.

  3. 03

    Súmula n. 444 do STJ

    Condenações não transitadas em julgado não podem fundamentar maus antecedentes.

  4. 04

    Súmula n. 7 do STJ

    É vedado a esta Corte reexaminar o conjunto fático-probatório para absolver quando houve fundamentação das instâncias inferiores.

  5. 05

    art. 33, §2º, "b", do Código Penal

    Regime inicial de cumprimento da pena previsto no art. 33, §2º do Código Penal orienta a fixação do regime quando afastadas circunstâncias judiciais desfavoráveis.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Embora o habeas corpus substitutivo de recurso próprio não devesse ser conhecido, verificou-se flagrante ilegalidade na dosimetria: a quantidade de entorpecente apreendida (aproximadamente 7 porções de cocaína totalizando ~30 g e 1 porção de maconha ~85 g) é inexpressiva para justificar a elevação da pena-base nos termos do art. 42 da Lei 11.343/2006; entretanto, a utilização da reincidência na segunda fase foi considerada regular. Assim, redimensionou-se a pena para 5 anos e 10 meses de reclusão e 583 dias-multa, concedendo-se a ordem de ofício.

Obiter and limits

  • Precedente citado: quantidade inexpressiva de droga (ex.: 2,56 g de crack) não pode justificar exasperação da pena-base (AgRg no AREsp 1605930/SP).
  • As condenações transitadas em julgado pelo art. 28 da Lei 11.343/2006 não podem ser usadas para fundamentar maus antecedentes, conforme precedentes e Súmula 444 do STJ.

Court disposition

Não conheço do presente habeas corpus; concedo, todavia, a ordem de ofício para redimensionar a pena imposta.

  • Não conhecer do presente habeas corpus
  • Conceder a ordem de ofício para redimensionar a pena para 5 anos e 10 meses de reclusão
  • Fixar 583 dias-multa
  • Publicar-se
  • Intimem-se

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de LUCAS SAMUEL ALTHAUS, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - TJRS (Apelação Criminal n. 5005020-73.2020.8.21.0017/RS). Extrai-se dos autos que o Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Lajeado julgou improcede ação penal para absolver o paciente então denunciado pela suposta prática do crime de tráfico majorado de entorpecentes. O Ministério Público estadual interpôs recurso e o Tribunal de origem deu provimento à apelação para condenar o apelado ao cumprimento da pena de 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 677 dias-multa, no mínimo legal, pela prática do crime de tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei n. 11.343/06). Neste writ, a defesa alega que a dosimetria da pena foi fixada com fundamentação inidônea, violando o art. 59 do Código Penal e o art. 42 da Lei 11.343/2006. Sustenta que a quantidade de droga apreendida não constitui fator idôneo para justificar o incremento da pena-base, uma vez que não ultrapassou 30g de cocaína. Adicionalmente, argumenta que a reincidência do paciente foi utilizada de forma indevida para agravar a pena, configurando bis in idem, pois também considerado como antecedentes. Requer a concessão da ordem, em liminar e no mérito, para reduzir a pena. Liminar

indeferida (fls. 100/101). Informações prestadas (fls. 108/130). O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do writ, contudo, pela concessão da ordem de ofício (fls. 138/143). É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável a análise do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Verifico, todavia, flagrante ilegalidade na dosimetria, a atrair a concessão da ordem de ofício. Senão, vejamos. Preliminarmente, no momento da fixação da reprimenda dos crimes abarcados pela Lei n. 11.343/2006, o julgador deve valorar, com preponderância sobre as demais circunstâncias judiciais, a natureza e a quantidade da droga, de acordo com o que dispõe o art. 42 da referida lei. No caso, quanto à elevação da pena-base do delito de tráfico, assentaram as instâncias ordinárias que o aumento estaria justificado na quantidade e natureza do entorpecente apreendido. Veja o seguinte recorte da fundamentação do Voto relator (fls. 24/25): "II - Dosimetria da pena Tendo em vista a condenação do denunciado pela prática do delito de tráfico de entorpecentes, impositiva a fixação das reprimendas. Examinando as

vetoriais previstas no artigo 59 do Código Penal, em consonância com o artigo 42 da Lei de Drogas, entendo que a culpabilidade do réu não excedeu ao ordinário; o acusado ostenta maus antecedentes - evento 2, CERTANTCRIM1, ação penal nº. 017/2.17.0005190-5, que será utilizada, contudo, para aplicar a agravante da reincidência; inexistem elementos aptos à valoração da personalidade e conduta social do denunciado; os motivos e consequências do crime são inerentes ao tipo penal; não há falar em comportamento da vítima; as circunstâncias do delito, nos termos do artigo 42 da Lei de Drogas, merecem especial reprovação, notadamente diante da significativa quantidade de cocaína apreendida. Assim, fixo a pena-base em 05 anos e 10 meses de reclusão. A seguir, aplicada a agravante da reincidência, exaspero a sanção na fração de 1/6, do que resulta a pena provisória de 06 anos, 09 meses e 20 dias de reclusão, a qual converto em pena definitiva ante a ausência de causas modificadoras. Na sequência, por se tratar o apelante de réu reincidente, mantém-se o cumprimento da pena em regime inicial fechado, nos termos do artigo 33, §2º, alínea "b", a contrario sensu, do Código Penal, justamente aquele que se encontra em escala superior ao comando legal. Ainda, fixo a pena de multa em 677 dias-multa, à razão do mínimo legal." Todavia tenho que a quantidade não é significativa - "07 (sete) porções

de cocaína, pesando, aproximadamente, 30g (trinta gramas), bem como 01 (uma) porção de maconha, pesando, aproximadamente, 85g (oitenta e cinco gramas)" (e-STJ fl. 26) - e, por isso, não tem força para justificar o aumento da pena-base. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. INVIABILIDADE. CONDENAÇÃO FUNDAMENTADA IDONEAMENTE. DOSIMETRIA. PENA-BASE. ANTECEDENTES. CONDENAÇÕES ANTERIORES. ART. 28 DA LEI N. 11.343/2006. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N. 444 DO STJ. QUANTIDADE E NATUREZA DA DROGA. MINORANTE. TRÁFICO PRIVILEGIADO. NÃO RECONHECIMENTO. HABITUALIDADE CRIMINOSA. REGIME INICIAL. SEMIABERTO. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS FAVORÁVEIS. PERDIMENTO DE BENS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. É incabível a absolvição do réu, por esta Corte Superior, com fundamento na insuficiência probatória, se os juízos antecedentes apontaram, fundamentadamente, elementos concretos acerca da existência de autoria e materialidade do crime, colhidos sob o crivo do contraditório, a fim de subsidiar a condenação. Para entender de forma diversa, seria necessário reexaminar o conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula n. 7 do STJ.

2. As condenações transitadas em julgado pelo crime do art. 28 da Lei n. 11.343/2006 não podem ser utilizadas para fundamentar os maus antecedentes do sentenciado. Precedentes. Constitui, igualmente, fundamentação inidônea para sopesar negativamente essa vetorial do art. 59 do CP a utilização de condenações não transitadas em julgado, nos termos da Súmula n. 444 do STJ.

3. Não obstante a natureza do entorpecente apreendido seja adotada de alto poder viciante, se a quantidade apreendida foi inexpressiva, no caso ora analisado - 2,56 g de crack -, mostra-se manifestamente desproporcional sopesar tais circunstâncias para justificar a exasperação da pena-base. Do contrário, qualquer agente que fosse apreendido com cocaína, ainda que com uma porção com peso de 1 g, deveria ter a sua pena-base estabelecida acima do mínimo legal - a pretexto de correta aplicação do disposto no art. 42 da Lei n. 11.343/2006 -, o que, evidentemente, não se coaduna com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 4. É idôneo o argumento despendido pela Corte local para não aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas consistente na habitualidade do réu na traficância, conforme demonstrado pelos fatos e pelas provas dos autos.

5. Uma vez fixada a sanção definitiva acima de 4 anos e abaixo de 8 anos, se a única motivação adotada pelas instâncias de origem para fixar o modo mais gravoso de cumprimento de pena eram as circunstâncias judiciais desfavoráveis, ao serem elas afastadas, deve ser estabelecido o regime inicial semiaberto, nos termos do art. 33, § 2º, "b", do CP.

6. Não há como conhecer da pretensão recursal que visa ao reexame do perdimento de bens confiscados, em razão da sua utilização para o tráfico de drogas, por esbarrar no óbice da Súmula n. 7 deste Superior Tribunal. Precedente.

7. Agravo regimental parcialmente provido, apenas para redimensionar a pena do agravante para 5 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 500 dias-multa. (AgRg no AgRg no AREsp 1605930/SP, relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 5/5/2020, DJe 13/5/2020, grifei.) De outro lado, observa-se que não houve valoração negativa dos antecedentes, e a condenação anterior foi utilizada apenas para fundamentar o incremento da pena na segunda fase da dosimetria, a título de reincidência. Nesse contexto, não verifico a existência de bis in idem na hipótese, não havendo falar em flagrante ilegalidade nesse ponto. Fixadas essas balizas, passo redimensionamento da dosimetria da pena. Na primeira fase, afastada a valoração negativa das circunstâncias do crime, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, a pena-base fica no mínimo legal de 5 anos de reclusão e 500 dias-multa. Na segunda etapa, pela reincidência, a pena é elevada em 1/6 e alcança o patamar de 5 anos e 10 meses de reclusão, e 583 dias-multa, tornando-se, assim, definitiva, ante a ausência de outras causas modificativas. Mantido, no mais, o acórdão impetrado. Diante do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente habeas corpus. Concedo, todavia, a ordem de ofício, para redimensionar a pena imposta para 5 anos e 10 meses de reclusão, e 583 dias-multa, nos termos da fundamentação exposta. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Apelação Criminal n. 5005020-73.2020.8.21.0017/RS (TJRS)

Case cited

AgRg no AgRg no AREsp 1605930/SP, rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 5/5/2020, DJe 13/5/2020

Case cited

Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 42 da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, §4º da Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 59 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, §2º, "b", do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 444 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 7 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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