Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbdca7ccdbf40b16c9a2d
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
More details
- Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido assentou-se em fundamento autônomo e suficiente (a falta de prova nos autos, tempestivamente produzida pela acusação, quanto aos maus antecedentes ou trânsito em julgado) que não foi impugnado nas razões recursais, incorrendo-se no óbice da Súmula 283 do STF; assim, não se conheceu do recurso com fundamento no art. 255, §4º, I do RISTJ.
Court disposition
Não conheço do recurso especial
Orders
- Recurso especial não conhecido.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
RecorrenteEric Luiz da Silva Rosa
RecorridoAmounts and remedies
- Pena Inicial Meses: 42
- Dias Multa Inicial: 16
- Pena Reduzida Meses: 33
- Dias Multa Reduzida: 12
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Violação ao art. 59 do Código Penal pela exclusão dos maus antecedentes na dosimetria
- 02
Meios de prova admissíveis para comprovar maus antecedentes (certidão cartorária vs. consulta eletrônica)
- 03
Ônus da acusação para produzir prova dos antecedentes
- 04
Impugnação insuficiente do acórdão recorrido e óbice da Súmula 283 do STF
Party arguments
- Applicant
- O Ministério Público alega que o Tribunal violou o art. 59 do Código Penal ao afastar a valoração negativa dos antecedentes, pois havia condenação com trânsito em julgado em 28/08/2019 que deveria ser considerada; sustenta ser desnecessária a juntada de certidão cartorária, podendo a prova ser feita por consulta ao sítio eletrônico do Tribunal, e requer o restabelecimento dos maus antecedentes e a exasperação da pena.
- Respondent
- O Tribunal de origem sustentou que cabia à acusação, tempestivamente, produzir prova idônea dos maus antecedentes ou da reincidência (mesmo que mediante informações extraídas do sítio eletrônico), o que não ocorreu; por isso decotou os maus antecedentes, e tal fundamento não foi impugnado no recurso especial.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Código Penal
Art. 59 do Código Penal (critério de individualização da pena)
- 02
Código Penal
Art. 155, § 4º, inciso I do Código Penal (tipo penal aplicável à condenação do réu)
- 03
AgRg no AREsp 549.303/ES, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/05/2015
É desnecessária a juntada de certidão cartorária para provar maus antecedentes ou reincidência; admitem-se informações extraídas do sítio eletrônico do Tribunal
- 04
Súmula 283, Supremo Tribunal Federal
Súmula 283 do STF (inadmissibilidade do recurso quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento e o recurso não abrange todos)
- 05
Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça
Art. 255, § 4º, inciso I do Regimento Interno do STJ (fundamento para não conhecimento)
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o acórdão recorrido assentou-se em fundamento autônomo e suficiente (a falta de prova nos autos, tempestivamente produzida pela acusação, quanto aos maus antecedentes ou trânsito em julgado) que não foi impugnado nas razões recursais, incorrendo-se no óbice da Súmula 283 do STF; assim, não se conheceu do recurso com fundamento no art. 255, §4º, I do RISTJ.
Obiter and limits
- O Tribunal de origem reconheceu precedente do STJ admitindo informações extraídas do sítio eletrônico como meio de prova, mas entendeu que cabia à acusação promover a juntada tempestiva de documento idôneo.
- O juízo colegiado não deve determinar diligências probatórias em substituição ao ônus da acusação na fase de julgamento do recurso de apelação.
Court disposition
Não conheço do recurso especial
- Recurso especial não conhecido.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição da República, contra o v. acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (fls. 247-256). Consta dos autos que Eric Luiz da Silva Rosa foi condenado, em primeira instância, pela prática do crime de furto qualificado, previsto no art. 155, § 4º, inciso I, do Código Penal, à pena de 3 (três) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime aberto, e ao pagamento de 16 (dezesseis) dias-multa (fls. 177-184). O Tribunal de origem negou provimento ao apelo do réu, mantendo a condenação, mas, de ofício, reestruturou e reduziu a pena-base para 2 (dois) anos e 9 (nove) meses de reclusão e 12 (doze) dias-multa, afastando a valoração negativa dos antecedentes (fls. 254). Nas razões do recurso especial (fls. 310-317), o Ministério Público alega que o Tribunal de origem violou o art. 59 do Código Penal ao afastar a valoração negativa dos antecedentes, argumentando que a condenação transitada em julgado em 28/08/2019 deveria ser considerada para caracterizar os maus antecedentes (fls. 315-316). O recorrente sustenta que é desnecessária a prova de certidão cartorária para atestar os maus antecedentes, sendo possível a comprovação por consulta ao sítio eletrônico do Tribunal, conforme entendimento do Superior
Tribunal de Justiça (fls. 315-316). Por fim, o Ministério Público pede o provimento do recurso especial para que sejam restabelecidos os maus antecedentes, com a consequente exasperação da pena do recorrido (fls. 317). Apresentadas as contrarrazões (fls. 320-325), o recurso foi admitido na origem (fls. 330-332) e os autos encaminhados a esta Corte Superior. É o relatório. DECIDO. Cinge-se a controvérsia a perquirir se o art. 59 do Código Penal restou violado pelo acórdão proferido na origem, em razão de o Tribunal ter afastado a negativação dos antecedentes na dosimetria da pena do recorrido, ao argumento de que não haveria nos autos prova do trânsito em jugado do processo criminal utilizado pela sentença para tal valoração. O parquet argumenta, em síntese, que "o fato de a CAC juntada aos autos encontrar-se desatualizada não é fundamento suficiente para que a pena do recorrido não seja individualizada de forma correta, já que é perfeitamente possível a simples consulta por meio do sítio eletrônico do Tribunal." (fl. 316). Sobre referida quaestio, o Tribunal de origem assim se manifestou (fls. 296-297, grifei): "Não desconheço que, consoante entendimento (não vinculante) do Superior Tribunal de Justiça, "é desnecessária a juntada de certidão cartorária como prova de maus antecedentes ou reincidência, admitindo, inclusive, informações extraídas do sítio eletrônico de Tribunal
como evidência nesse sentido" (AgRg no AR Esp 549.303/ES, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 19/05/2015, D Je 29/05/2015). Entretanto, entendo que cabe à acusação fazer prova nos autos, tempestivamente, acerca da configuração dos maus antecedentes e/ou reincidência do agente, ainda que com a juntada de informações extraídas do sítio eletrônico de Tribunal. Assim, a me ver, descabe ao juízo criminal, na fase do julgamento colegiado, determinar diligências para produção de provas em detrimento da defesa, sendo tal providência ônus da acusação. Portanto, não tendo aportado aos autos, até o momento do julgamento do recurso de apelação, a CAC atualizada do réu ou outro documento idôneo e completo que comprovasse o trânsito em julgado da condenação anterior, não há que se falar em obscuridade do acordão que decotou os maus antecedentes do réu." Da análise dos autos, constata-se que o Tribunal de origem fundamentou o decote da circunstância judicial dos antecedentes da dosimetria da pena do réu por entender que caberia a acusação, de forma tempestiva, fazer a prova a respeito da configuração dos maus antecedentes ou reincidência do réu, ônus do qual o Ministério Público, nestes autos, não teria se desincumbido. Verifica-se, contudo, que o recorrente, em suas razões recursais, não impugnou especificamente este fundamento utilizado pelo acórdão recorrido. Ao
contrário, limitou-se a alegar que o Tribunal poderia por uma simples consulta verificar a situação criminal do réu, sem enfrentar a questão central que embasou a decisã o, qual seja, de quem seria o ônus de comprovar os antecedentes do recorrido. Incide, portanto, ao caso, o óbice da Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Com efeito, o acórdão recorrido assentou-se em fundamento autônomo e suficiente para manter o afastamento da causa de diminuição de pena - a demonstração da dedicação a atividades criminosas por meio de condenação transitada em julgado por crime posterior - o qual não foi impugnado nas razões recursais. Ante o exposto, com fulcro no art. 255, § 4º, inciso I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do recurso especial, nos termos da fundamentação retro. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.