Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbdca7ccdbf40b16c9aed
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- Brazil
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Habeas Corpus / Não Conhecimento
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- Habeas Corpus / Não Conhecimento
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Professional case brief
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01
Holding and result
O habeas corpus não é meio apropriado para substituir recurso próprio; contudo, analisando o mérito, a exasperação da pena-base em 1/2 foi considerada devidamente fundamentada pelo juízo de origem com base nos maus antecedentes do paciente (três processos anteriores), em consonância com o art. 59 do Código Penal e com a jurisprudência do STJ que não impõe frações obrigatórias; assim, não houve constrangimento ilegal apto a justificar a atuação desta Corte, razão pela qual não se conhece do habeas corpus.
Court disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- A remessa de informações foi dispensada.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
MICHAEL ROCHA AUGUSTO
PacienteMinistério Público Federal
ManifestanteAmounts and remedies
- Pena Primeira Instancia Anos: 6.75
- Pena Reformada Anos: 6
- Dias Multa Inicial: 16
- Dias Multa Reformado: 15
03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Não Conhecimento
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
admissibilidade do habeas corpus em substituição ao recurso próprio
- 02
valoração das circunstâncias judiciais no art. 59 do Código Penal
- 03
possibilidade de redução da pena-base e obrigação de adoção de frações (1/6 ou 1/8)
- 04
existência de constrangimento ilegal na exasperação da pena-base para 1/2
Party arguments
- Applicant
- A defesa alegou constrangimento ilegal em razão da exasperação excessiva da pena-base, sustentando que deveria ser observada a fração de 1/6 por circunstância negativada ou 1/8 do intervalo entre mínima e máxima, requerendo a redução do aumento de 1/2 para 1/6 ou para 1/8.
- Respondent
- O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem. A decisão recorrida justificou a exasperação pela existência de maus antecedentes devidamente comprovados, aplicando acréscimo de metade na pena-base em conformidade com o art. 59 do Código Penal e com a jurisprudência do STJ, sustentando inexistência de ilegalidade.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 59, do Código Penal
análise das circunstâncias judiciais para fixação da pena-base
- 02
art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal
princípio da razoável duração do processo
- 03
jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (diversos AgRg e precedentes citados no acórdão)
não há direito subjetivo do réu à adoção de fração específica (1/6, 1/8 ou outra) para cada circunstância judicial; exigência de fundamentação e proporcionalidade na exasperação da pena
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O habeas corpus não é meio apropriado para substituir recurso próprio; contudo, analisando o mérito, a exasperação da pena-base em 1/2 foi considerada devidamente fundamentada pelo juízo de origem com base nos maus antecedentes do paciente (três processos anteriores), em consonância com o art. 59 do Código Penal e com a jurisprudência do STJ que não impõe frações obrigatórias; assim, não houve constrangimento ilegal apto a justificar a atuação desta Corte, razão pela qual não se conhece do habeas corpus.
Obiter and limits
- O relator tem faculdade de decidir liminarmente habeas corpus quando a pretensão se conforma com súmula ou jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores.
- A dosimetria da pena insere-se em juízo de discricionariedade do julgador, passível de revisão nesta Corte apenas em caso de inobservância de parâmetros legais ou flagrante desproporcionalidade.
- A análise das circunstâncias do art. 59 do Código Penal não atribui pesos absolutos e não admite critério meramente matemático para exasperação da pena.
Court disposition
não conheço do habeas corpus
- A remessa de informações foi dispensada.
- Intimem-se.
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de MICHAEL ROCHA AUGUSTO contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no julgamento da Apelação Criminal n. 1531048-58.2024.8.26.0228. Consta dos autos que o paciente foi condenado, em primeiro grau de jurisdição, às penas de 6 anos e 9 meses de reclusão, a ser cumprida em regime prisional inicialmente fechado, e 16 dias-multa, pela prática da infração penal capitulada no art. 157, §1º, do Código Penal (roubo impróprio). Inconformada, a defesa apelou e o Tribunal a quo proveu parcialmente o apelo para fixar-lhe as penas de 6 anos de reclusão, sendo mantido o regime prisional inicialmente fechado, e 15 dias-multa. No presente mandamus, a defesa aponta constrangimento ilegal em razão da exasperação da pena-base em fração que aponta ser exagerada e desproporcional, uma vez que não foi observada a fração de 1/6 por circunstância negativada ou 1/8 do intervalado entre mínima e máximo do preceito secundário. Diante disso, requer a concessão da ordem para que seja diminuída a pena na primeira fase da dosimetria, com redução do patamar de aumento de 1/2 para 1/6 da pena mínima, ou para 1/8 do intervalado entre mínima e máximo do preceito secundário. A remessa de informações foi dispensada. O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem. É o relatório. Decido. Inicialmente, o Superior
Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, como forma de racionalizar o emprego do habeas corpus e prestigiar o sistema recursal, não admite a sua impetração em substituição ao recurso próprio. Cumpre analisar, contudo, em cada caso, a existência de ameaça ou coação à liberdade de locomoção do paciente, em razão de manifesta ilegalidade, abuso de poder ou teratologia na decisão impugnada, a ensejar a concessão da ordem de ofício. Na espécie, embora a impetrante não tenha adotado a via processual adequada, para que não haja prejuízo à defesa do paciente, passo à análise da pretensão formulada na inicial, a fim de verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Acerca do rito a ser adotado para o julgamento desta impetração, as disposições previstas nos arts. 64, III, e 202, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforme com súmula ou com a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores ou a contraria (AgRg no HC 513.993/RJ, Relator Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/06/2019, DJe 01/07/2019; AgRg no HC 475.293/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe 03/12/2018; AgRg no HC 499.838/SP, Relator Ministro JORGE
MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/04/2019, DJe 22/04/2019; AgRg no HC 426.703/SP, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018 e AgRg no RHC 37.622/RN, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n.45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC 268.099/SP, Relator Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido (EDcl no AgRg no HC 324.401/SP, Relator Ministro GURGEL
DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 06/08/2019, DJe 13/08/2019). Possível, assim, a análise do mérito da impetração, já nesta oportunidade. Busca-se, no caso, a redução da pena-base, por alegada violação ao princípio da proporcionalidade. Preliminarmente, cabe ressaltar que a dosimetria da pena se insere-se em um juízo de discricionariedade do julgador, atrelada às particularidades fáticas do caso concreto e subjetivas do agente, somente passível de revisão por esta Corte no caso de inobservância dos parâmetros legais ou de flagrante desproporcionalidade. No caso, a pena-base foi exasperada aos seguintes fundamentos (e-STJ fl. 68): Base fixada com adequado acréscimo de metade, considerados os maus antecedentes do acusado (Processos nº 0830181-83.2009.8.26.0050, nº 0007552-56.2006.8.26.0050 e nº 0087379-19.2006.8.26.0050, f. 161/163). Esta majoração é perfeitamente válida,
observando o comando imposto pelo art. 59, do Código Penal, que determina a análise das circunstâncias judiciais para a fixação da pena-base, dentre elas a vida pregressa do agente. E, plenamente justificado o aumento adotado pelo d. Juízo de origem, considerada a necessidade de um Juízo de reprovabilidade da conduta proporcional às circunstâncias judiciais que são desfavoráveis ao acusado. Assim, incogitável a redução da base ao mínimo legal ou a adoção de menor fração de aumento. Em relação ao quantum de aumento de pena na primeira fase da dosimetria, a jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que os parâmetros para a exasperação da reprimenda devem observar o critério da discricionariedade juridicamente vinculada, a qual, por sua vez, está submetida os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da suficiência da reprovação e da prevenção ao crime. Por tais razões, não se admite a adoção de critério meramente matemático, atrelado apenas ao número de circunstâncias judiciais desfavoráveis. Deve-se, na verdade, analisar os elementos que indiquem eventual gravidade concreta do delito, além das condições pessoais de cada agente, de forma que uma circunstância judicial desfavorável poderá receber mais desvalor que outra, exatamente em obediência aos princípios da individualização da pena e da própria proporcionalidade. Diante disso, a análise das circunstâncias
judiciais do art. 59 do Código Penal não atribui pesos absolutos para cada uma delas, a ponto de ensejar uma operação aritmética dentro das penas máximas e mínimas cominadas ao delito. Assim, é possível até mesmo que o magistrado fixe a pena-base no máximo legal, ainda que tenha valorado tão somente uma circunstância judicial, desde que haja fundamentação idônea e bastante para tanto (AgRg no REsp 143071/AM, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, DJe 6/5/2015). Ademais, o réu não tem direito subjetivo à utilização das frações de 1/6 sobre a pena-base, 1/8 do intervalo entre as penas mínima e máxima ou mesmo outro valor. Tais parâmetros não são obrigatórios, porque o que se exige das instâncias ordinárias é a fundamentação adequada e a proporcionalidade na exasperação da pena (AgRg no HC nº 707.862/AC, relator Ministro OlindoMenezes - Desembargador Convocado do TRF/1.ª Região -, Sexta Turma, DJe de 25/02/2022). Ainda nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CONHECIMENTO DO WRIT. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. QUANTIDADE E NATUREZA DOS ENTORPECENTES E MAUS ANTECEDENTES. INEXISTÊNCIA DE DESPROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - O writ foi impetrado contra acórdão do Tribunal local, em substituição a recurso próprio, de modo que não deve ser
conhecido, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. II - Consoante jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, "não há direito subjetivo do réu à adoção de alguma fração específica para cada circunstância judicial, seja ela de 1/6 sobre a pena-base, 1/8 do intervalo supracitado ou mesmo outro valor. Tais frações são parâmetros aceitos pela jurisprudência do STJ, mas não se revestem de caráter obrigatório, exigindo-se apenas que seja proporcional o critério utilizado pelas instâncias ordinárias" (AgRg no HC n. 803.187/SP, Quinta Turma, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, DJe de 2/6/2023). III - Não há ilegalidade na exasperação da pena-base no patamar de 02 (dois) anos e 03 (três) meses acima da pena mínima, em razão da quantidade e da natureza dos entorpecentes apreendidos (780g de maconha e 487g de cocaína), bem como em razão dos maus antecedentes do paciente, uma vez que em conformidade com os parâmetros estabelecidos por essa Corte Superior. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 902.648/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 17/6/2024.) No caso, as instâncias de origem estabeleceram a pena-base acima do mínimo legal de forma proporcional, pois baseada nos maus antecedentes apresentados pelo paciente, o qual conta com três processos anteriores e definitivos, o que resultou na exasperação da reprimenda
basilar em 1/2. Ante os parâmetros usualmente estabelecidos por esta Corte em situações semelhantes, não se verifica rigor excessivo no incremento da pena na primeira fase dosimétrica, sendo proporcional e adequado à hipótese. Assim, a pretensão formulada pela impetrante encontra óbice na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e na legislação penal, de forma que não vislumbro constrangimento ilegal apto a justificar a atuação desta Corte, de ofício. Ante o exposto, com base no art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus. Intimem-se.
EMENTA
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