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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Conheceu-se do agravo para examinar o recurso especial e, contudo, tornou-se inviável conhecer do recurso especial porque a alteração pretendida demandaria reexame de circunstâncias fático-probatórias, providência vedada em sede de recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; assim, manteve-se a inadmissão do recurso especial.

Court disposition

Conheço do agravo e não conheço do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ.

Orders

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

VERA LUCIA DOS SANTOS

Agravante

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE

Apelado

Amounts and remedies

  • Pena Primeira Instancia Anos: 16.833
  • Multa Primeira Instancia Dias: 717
  • Pena Tribunal Anos: 11.333
  • Multa Tribunal Dias: 572
  • Base Dosimetria Anos: 7.5

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (admissibilidade)

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
A agravante alegou negativa de vigência ao disposto no art. 59, caput do Código Penal e art. 42 da Lei 11.343/2006 e sustentou a desnecessidade de reexame do conjunto fático-probatório, questionando a valoração da quantidade de droga (considerada ínfima) adotada na dosimetria.
Respondent
O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ, por exigir reexame de prova para alterar a conclusão; o Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do recurso.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula n. 7, STJ

    A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial (limitação ao cabimento do recurso especial).

  2. 02

    AgRg no HC n. 734.699/SC, Quinta Turma, 19/12/2022

    A natureza e a quantidade da droga integram um vetor judicial único e devem ser examinadas em conjunto para a adequada fixação da pena (individualização da pena prevista no art. 42 da Lei n. 11.343/06).

  3. 03

    AREsp n. 2.509.552/SP, Quinta Turma, 3/12/2024; AgRg no HC n. 938.320/PE, Quinta Turma, 13/11/2024

    A modulação da fração de diminuição da pena (no tráfico privilegiado, de 1/6 a 2/3) é ato discricionário do julgador, admitida dentro da margem legal desde que fundamentada.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Conheceu-se do agravo para examinar o recurso especial e, contudo, tornou-se inviável conhecer do recurso especial porque a alteração pretendida demandaria reexame de circunstâncias fático-probatórias, providência vedada em sede de recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ; assim, manteve-se a inadmissão do recurso especial.

Obiter and limits

  • A natureza e a quantidade da droga constituem um único vetor para a dosimetria, não sendo possível cindir sua análise.
  • O juiz possui discricionariedade para modular a fração do tráfico privilegiado dentro do intervalo legal, desde que fundamente a escolha.

Court disposition

Conheço do agravo e não conheço do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ.

  • Publique-se.
  • Intimem-se.

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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por VERA LUCIA DOS SANTOS contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE que inadmitiu o recurso especial. Em primeira instância, a agravante foi condenada como incursa nas penas 33 da Lei 11.343/2006 c/c art. 2º da Lei 12.850/2013, à pena privativa de liberdade, em regime inicialmente fechado, em 16 ano e 10 meses de reclusão e 717 dias - multa. O Tribunal deu parcial provimento ao apelo defensivo de VERA para redimensionar a pena, fixando-a em 11 anos e 4 meses em regime de cumprimento de pena semiaberto e 572 dias-multa. A defesa interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, para alegar negativa de vigência ao disposto no art. 59, caput do Código Penal e 42 da Lei 11.343/2006 (fls. 4297-4305). O recurso foi inadmitido na origem devido à incidência da Súmula n. 7, STJ (fls. 4400-4409). Nas razões do agravo em recurso especial, a defesa sustenta a desnecessidade de reexame do conjunto fático-probatório (fls. 4431-4437). O Ministério Público Federal, por sua vez, opinou pelo não conhecimento do recurso (fls. 5129-5136). É o relatório. DECIDO. Tendo em vista os argumentos apresentados pela parte agravante para refutar os fundamentos da decisão de admissibilidade da origem, conheço do agravo e passo a examinar o recurso especial. A agravante VERA recorre

da dosimetria da pena pelo crime de tráfico, alegando desproporcionalidade quanto à valoração em relação à quantidade de droga apreendida, que considera ínfima. No caso, acerca da dosimetria da pena, a Corte de origem assim se manifestou: "Constato que, na primeira fase da dosimetria, o sentenciante considerou em desfavor da ré, além da natureza e quantidade da droga, os antecedentes criminais, afirmando que "Quanto aos antecedentes criminais, são desfavoráveis, uma vez que a sentenciada foi condenada nos autos da Ação Penal n.º 201221200428, com sentença transitada em julgado, porém será apreciada apenas a título de reincidência, evitando-se bis in idem". (..). Destarte, afasto a fundamentação dos antecedentes da recorrente para afirmar que a mesma NÃO OSTENTA ANTECEDENTES CRIMINAIS. Dito isto, constato que restam desfavoráveis à recorrente a natureza e a quantidade da droga, portanto, duas circunstancias judiciais. Contudo, ao realizar o cálculo dosimétrico, ao meu ver, o sentenciante exacerbou na fixação da pena, ao dosá-la em 09 anos de reclusão. Logo, considerando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e a presença de duas circunstâncias judiciais desfavoráveis à recorrente, redimensiono a pena base anteriormente fixada pelo sentenciante, para dosá-la em 07 anos e 06 meses de reclusão." Observo que as instâncias ordinárias reconheceram a existência de elementos

de prova suficientes para fundamentar o decreto condenatório da recorrente, em relação à dosimetria da pena aplicada. Ademais, ainda consoante a jurisprudência desta Corte, " a natureza e a quantidade da droga são elementos que integram um vetor judicial único, não sendo possível cindir a sua análise. Somente quando examinadas em conjunto (tipo de droga e quantidade) será possível ao julgador compreender adequadamente a gravidade concreta do fato e proceder à devida individualização da pena, que é o objetivo almejado pelo legislador com as disposições do art. 42 da Lei n. 11.343/06" (AgRg no HC n. 734.699/SC, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe 22/12/2022). Ainda: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DOSIMETRIA. TRÁFICO PRIVILEGIADO. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. FRAÇÃO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO DE 1/6 MANTIDA. FUNDAMENTOS CONCRETOS. ÓBICES DAS SÚMULAS 7 e 83 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. ..

6. A modulação da fração de diminuição da pena, dentro da margem legal de 1/6 a 2/3, é ato discricionário do julgador, e no presente caso, foi fundamentada. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. (AREsp n. 2.509.552/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/12/2024, DJe de 17/12/2024.) "DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. TRÁFICO PRIVILEGIADO. FRAÇÃO MODULADORA ADEQUADA E PROPORCIONAL AO CASO. AGRAVO DESPROVIDO. ..

5. O juiz possui discricionariedade para aplicar a redução no patamar que entender necessário, desde que fundamentado. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A quantidade e a natureza da droga podem ser consideradas para modulação da minorante do tráfico, desde que não utilizadas na primeira fase da dosimetria.

2. O juiz possui discricionariedade para aplicar a redução no patamar necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do crime." (AgRg no HC n. 938.320/PE, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 13/11/2024, DJe de 29/11/2024.) Para alterar a conclusão do acórdão impugnado seria imprescindível reexaminar as circunstâncias fáticas do caso, providência inviável em sede de recurso especial, conforme dispõe a Súmula n. 7, STJ: "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.". Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no HC n. 734.699/SC (Quinta Turma, rel. mencionada)

Case cited

AREsp n. 2.509.552/SP (Quinta Turma, rel. Min. Daniela Teixeira)

Case cited

AgRg no HC n. 938.320/PE (Quinta Turma, rel. mencionada)

Case cited

art. 33 da Lei 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 42 da Lei 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 2º da Lei 12.850/2013

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 59, caput, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 7, STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 83, STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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