Dosimetriadapena Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc00a7ccdbf40b16e1100
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
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- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a pretensão de excluir ou redimensionar a pena de multa exigiria reexame do conjunto fático-probatório acerca da situação econômica do réu, providência vedada pela Súmula 7/STJ; além disso, não há previsão legal para exclusão da pena de multa por hipossuficiência, existindo a possibilidade de parcelamento na execução (art. 50 CP c/c art. 169 LEP).
Court disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
ADRIANO HEMERSON FERREIRA FEITOSA
Agravante Counsel: Defensoria PúblicaMinistério Público Federal
ManifestanteAmounts and remedies
- Pena De Reclusão (anos): 8
- Dias Multa: 21
03
Procedural history
Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
violação alegada aos arts. 49 e 60 do Código Penal quanto à pena de multa
- 02
possibilidade de exclusão ou redução da pena de multa por hipossuficiência
- 03
necessidade de reexame do conjunto fático-probatório para aferição da capacidade econômica do réu
- 04
incidência da Súmula 7/STJ como óbice ao recurso especial
Party arguments
- Applicant
- Sustenta violação aos arts. 49 e 60 do Código Penal, alegando ser assistido pela Defensoria Pública e hipossuficiente, de modo que a pena de multa deve ser excluída ou redimensionada em razão de sua situação econômica.
- Respondent
- O Tribunal a quo e o Ministério Público afirmam que a pena de multa é autônoma (art. 32 do CP) e não pode ser excluída por alegada hipossuficiência sem previsão legal; a revisão exigida pelo recorrente demandaria reexame do conjunto fático-probatório sobre a situação econômica do réu, obstado pela Súmula 7/STJ; admite-se parcelamento na execução (art. 50 CP c/c art. 169 LEP).
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 32 do Código Penal
A pena de multa é autônoma e não cabe sua exclusão por hipossuficiência sem previsão legal
- 02
art. 50 do Código Penal c/c art. 169 da Lei de Execução Penal
Possibilidade de parcelamento da pena de multa na execução penal
- 03
Súmula 7/STJ
Vedação ao reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial
- 04
art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do RISTJ
Fundamento formal para conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Conheceu-se do agravo e decidiu-se não conhecer do recurso especial porque a pretensão de excluir ou redimensionar a pena de multa exigiria reexame do conjunto fático-probatório acerca da situação econômica do réu, providência vedada pela Súmula 7/STJ; além disso, não há previsão legal para exclusão da pena de multa por hipossuficiência, existindo a possibilidade de parcelamento na execução (art. 50 CP c/c art. 169 LEP).
Obiter and limits
- Citou precedentes do STJ sobre a impossibilidade de reexame de provas para revisar a dosimetria da pena (AgRg no REsp n. 1.821.536/MG)
- Transcreveu e utilizou como fundamento jurisprudencial o REsp n. 2.150.238/MG (rel. Min. Daniela Teixeira) sobre dosimetria e pena de multa
- Citou precedente AgRg no AREsp n. 2.460.435/MG relativo à dosimetria e prestação pecuniária
Court disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ADRIANO HEMERSON FERREIRA FEITOSA contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí que inadmitiu o apelo nobre com fundamento na Súmula n. 7/STJ. Consta dos autos que o Juízo de primeiro grau condenou o ora agravante como incurso nas sanções do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código Penal, à pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, no regime inicial fechado, mais 21 dias-mula (fls. 411/451). O Tribunal a quo deu parcial provimento ao recurso de apelação criminal ali interposto pela defesa (fls. 550/565), nos termos da ementa a seguir transcrita: APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO MAJORADO. DUAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA. EMPREGO DE ARMA DE FOGO. CONCURSO DE PESSOAS. AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE POTENCIALIDADE LESIVA DA ARMA DE FOGO. PRECEDENTE STJ. HIPOSSUFICIÊNCIA. MULTA MANTIDA. APELO PARCIALMENTE PROVIDO.
1. Sobre a causa de aumento pelo uso de arma de fogo no crime de roubo: Não ficou demonstrada a potencialidade lesiva da arma de fogo para fins de configurar a aplicação da causa de aumento, uma vez que o objeto não se presta para o que usualmente se destina, como: arremessar "projéteis empregando a força expansiva dos gases, gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara, normalmente solidária a um cano, que tem a função de dar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil" (anexo III do Decreto n. 10.030/2019). Com isso, conforme precedente do STJ, deve-se afastar a presente causa de aumento.
2. Sobre a pena de multa: A pena de multa é autônoma e não cabe sua exclusão em razão da alegação de condição de hipossuficiente do apelante, uma vez que não se encontra previsão legal. Sem prejuízos de pleito de parcelamento perante o Juízo da Execução Penal, conforme art. 50 do Código Penal c/c art. 169 da Lei de Execução Penal.
3. Recurso conhecido e parcialmente provido. Nas razões do especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, o recorrente alega, em síntese, violação aos arts. 49 e 60, ambos do Código Penal, sob o argumento de que "trata-se de apelante assistido pela Defensoria Pública, portanto, com poucos recursos financeiros. Sua situação econômica crítica resta patente e, desse modo, deve ser levada em consideração na fixação da pena. Revelar-se-ia de uma crueldade ingente apená-lo com o pagamento de multa que pode comprometer, mais ainda, sua própria subsistência e a de sua família." (fls. 590/598). Menciona, ademais, que "a aferição da pena aplicada ao caso sob comento em relação à quantidade de dias multa, deve ser revista por este Tribunal Cidadão, devendo então ser revisto e redimensionada a pena de multa" (fl. 597). Ao final, " requer que o presente recurso especial seja conhecido e tenha dado o seu provimento para reformar o aresto condenatório que manteve a condenação do réu em multa, havendo clara violação do disposto no artigo 49 e 60, do Código Penal " (fl. 597). Apresentadas as contrarrazões (fls. 600/610), o especial foi inadmitido na origem pela incidência da Súmula n. 7/STJ (fls. 612/615). Daí a apresentação do presente agravo (fls. 619/624), no qual se refuta o fundamento apresentado utilizado pelo Tribunal de origem e se reiteram os argumentos expendidos no
apelo nobre. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso (fls. 656/663). Eis a ementa do parecer: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182 DO STJ. NÃO COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07 STJ. PELO NÃO PROVIMENTO DO AGRAVO. É o relatório. Decido. Sem razão o recorrente, em seu reclamo. O Tribunal a quo, ao analisar os elementos de fato e de prova carreados aos autos, no que importa ao caso, assim se manifestou, in verbis (fls. 550/565, grifos no original): Por fim, a defesa pretende que seja desconsiderada a pena de multa, alegando que o Apelante é hipossuficiente e não possui recursos suficientes para arcar com a referida despesa sem que isso venha a prejudicar o seu sustento e de sua família. Não merece prosperar o pleito do Apelante. Sem delongas. A pena de multa é autônoma e encontra-se ao lado das demais penas previstas no art. 32 do Código Penal. Não cabendo sua exclusão em razão da alegação de condição de hipossuficiente do apelante, uma vez que não se encontra previsão legal para acolhimento do pedido. Oportuno destacar ainda a possibilidade do pagamento parcelado da pena de multa perante o Juízo da Execução Penal, conforme art. 50 do Código Penal c/c art. 169 da Lei de Execução Penal. Da análise dos
excertos acima transcritos, verifica-se que o Tribunal de origem, mediante análise dos elementos de fato e de prova produzidos nos autos, manifestou-se pela manutenção das penas de multa. Dessa forma, estando a conclusão do Tribunal de origem lastreada nas provas dos autos, desconstituir as conclusões do Tribunal a quo, como pretende a Defesa, demandaria inevitável aprofundamento no material fático-probatório dos autos, providência que encontra óbice na Súmula 7/STJ. Com efeito, nos termos da jurisprudência desta eg. Corte Superior, "Reavaliar a fixação da pena de multa, como intenta o embargante nas razões recursais, implicaria no inevitável reexame do conjunto fático-probatório dos autos que se faria necessário para a apuração da situação econômica do réu" (AgRg no REsp n. 1.821.536/MG, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 06/08/2019, DJe de 13/08/2019). No mesmo sentido, colaciono os seguintes precedentes: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. DOSIMETRIA. PENA DE MULTA. PROPORCIONALIDADE E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais que, em julgamento de embargos infringentes, confirmou a dosimetria da pena, incluindo a pena de multa proporcional à privativa de
liberdade, fixada na sentença condenatória. O recorrente sustentou violação aos arts. 49 e 60 do Código Penal, alegando desproporcionalidade e ausência de individualização adequada da pena de multa. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) verificar se a fixação da pena de multa observou os limites de proporcionalidade e individualização previstos em lei; e (ii) analisar se é cabível o reexame do acervo fático-probatório dos autos em sede de recurso especial. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acórdão recorrido aplica corretamente os critérios de dosimetria da pena, considerando as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do Código Penal e o sistema trifásico de fixação da pena, adotando parâmetros objetivos para justificar a proporcionalidade entre a pena privativa de liberdade e a pena de multa.
4. A fundamentação da decisão demonstra que a pena de multa foi estabelecida com base na situação econômica presumida do réu, conforme informações colhidas nos autos, sem evidência de desrespeito aos princípios constitucionais da legalidade, proporcionalidade e individualização da pena.
5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que a reavaliação da dosimetria da pena, incluindo o critério de proporcionalidade da pena de multa, demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ.
6. A pretensão recursal, ao sustentar a inadequação do patamar fixado para a pena de multa, exigiria a revisão de premissas fáticas adotadas pelo Tribunal de origem, o que é vedado na via do recurso especial. IV. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (REsp n. 2.150.238/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/02/2025, DJEN de 25/02/2025, grifei). PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SONEGAÇÃO FISCAL. ICMS. CONDENAÇÃO CONFIRMA PELO TRIBUNAL A QUO. ALEGADA NECESSIDADE DE MAJORAÇÃO DA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA JÁ AUMENTADA PELA CORTE ESTADUAL. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA DA PENA. VALORAÇÃO NEGATIVA DE CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL. CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. VALOR DEVIDO CONSIDERADO NÃO EXPRESSIVO DIANTE DO MONTANTE ARRECADADO PELO ESTADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que, nos termos do art. 45 do CP, a fixação do valor da prestação pecuniária deve observar o montante do dano a ser reparado e a capacidade econômica do condenado.
2. O art. 45, § 1.º, do Código Penal estabelece que o valor da prestação pecuniária será fixado pelo juiz em valor não inferior a 1 (um), nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. Assim, estabelecido o valor da prestação pecuniária dentro dos limites legalmente fixados e com amparo na análise do caso concreto, o acolhimento do pleito de majoração da quantia imposta exigiria reexame fático-probatório, o que não é possível em recurso especial, nos termos da Súmula 7 desta Corte Superior. Precedentes. 3. É sabido que às consequências do delito devem ser entendidas como o resultado da ação do agente, a avaliação negativa de tal circunstância judicial mostra-se escorreita se o dano causado ao bem jurídico tutelado se revelar superior ao inerente ao tipo penal.
4. Com efeito, em relação aos crimes fiscais/tributários, como na espécie, nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte, admite-se a exasperação da pena-base com fundamento nas consequências do crime em razão do valor da sonegação fiscal, quando considerado expressivo (AgRg no AREsp n. 1.778.761/PB, Sexta Turma, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), DJe de 04/10/2022). No caso, a Corte local, entendeu que a redução do imposto devido pelo recorrido no valor principal de pouco mais de 500 mil reais não se revelou excessivo a ensejar a valoração negativa das consequências do delito, diante da arrecadação total de ICMS do Estado de Minas Gerais que, em média, é de 35 bilhões de reais ao ano.
5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 2.460.435/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 30/11/2023, DJe de 05/12/2023, grifei.) Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.
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