Brazil Judgment

GILSONEI MARIO DA SILVA v. VALE S.A.

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01

Holding and result

A decisão regional indeferiu a justiça gratuita porque o reclamante percebia salário superior a 40% do teto do RGPS, mas o TST, ao julgar o Tema 21, firmou tese de que o pedido de gratuidade formulado por quem recebe acima desse patamar pode ser instruído por documento particular firmado pelo interessado sob as penas da lei, sendo indevido o indeferimento sem observância dessa orientação; por isso, a autodeclaração de hipossuficiência foi suficiente para afastar o óbice e deferir o benefício, com suspensão da exigibilidade dos honorários sucumbenciais.

Court disposition

Agravo provido e recurso de revista provido

Orders

  • Deferidos os benefícios da justiça gratuita à parte reclamante.
  • Determinada a suspensão da exigibilidade dos honorários advocatícios decorrentes da sucumbência recíproca pelo prazo de 02 anos, nos termos do art. 791-A, § 4º, parte final, da CLT.
  • Vedada a utilização de créditos oriundos do presente processo ou de outra demanda para fins de pagamento da parcela.

02

Material facts

Parties

GILSONEI MARIO DA SILVA

Agravante/reclamante

VALE S.A.

Agravada/reclamada

Amounts and remedies

  • Teto Percentual: 40
  • Honorarios Suspensao Anos: 2

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Em Embargos De Declaração Em Recurso De Revista Com Agravo / Acórdão Da 5ª Turma Do TST

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustentou que não possui condições de arcar com os custos do processo sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, que a autodeclaração de hipossuficiência não foi infirmada por outro elemento técnico ou documental, e que faz jus aos benefícios da justiça gratuita.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    IRR-277-83.2020.5.09.0084 (Tema 21 da Tabela de Recursos de Revista Repetitivos)

    É possível a concessão da gratuidade da justiça fundada exclusivamente em autodeclaração, nos termos do § 3º do art. 99 do CPC, observadas as teses fixadas no Tema 21 dos recursos repetitivos do TST.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

A decisão regional indeferiu a justiça gratuita porque o reclamante percebia salário superior a 40% do teto do RGPS, mas o TST, ao julgar o Tema 21, firmou tese de que o pedido de gratuidade formulado por quem recebe acima desse patamar pode ser instruído por documento particular firmado pelo interessado sob as penas da lei, sendo indevido o indeferimento sem observância dessa orientação; por isso, a autodeclaração de hipossuficiência foi suficiente para afastar o óbice e deferir o benefício, com suspensão da exigibilidade dos honorários sucumbenciais.

Court disposition

Agravo provido e recurso de revista provido

  • Deferidos os benefícios da justiça gratuita à parte reclamante.
  • Determinada a suspensão da exigibilidade dos honorários advocatícios decorrentes da sucumbência recíproca pelo prazo de 02 anos, nos termos do art. 791-A, § 4º, parte final, da CLT.
  • Vedada a utilização de créditos oriundos do presente processo ou de outra demanda para fins de pagamento da parcela.

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A C Ó R D Ã O

5ª Turma

GMMAR/abl/abn

I - AGRAVO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO DE REVISTA COM AGRAVO. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA NATURAL. RECLAMAÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. AUTODECLARAÇÃO COMO MEIO DE PROVA. TEMA Nº 21 DA TABELA DE RECURSOS DE REVISTA REPETITIVOS. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. Afasta-se o óbice indicado na decisão monocrática e remete-se o agravo de instrumento para análise do Colegiado. Agravo conhecido e provido. II - RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017.

1. Cinge-se a controvérsia sobre os critérios para a concessão da gratuidade de justiça à pessoa natural após a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017.

2. No julgamento do Incidente de Recursos Repetitivos IncJulgRREmbRep-277-83.2020.5.09.0084, na sessão realizada em 14/10/2024, o Tribunal Pleno desta Corte decidiu ser possível a concessão da gratuidade da justiça fundada exclusivamente em autodeclaração, nos termos do parágrafo 3º do art. 99 do CPC.

3. No caso em exame, a Corte Regional indeferiu os benefícios da justiça gratuita, sob o fundamento de que o reclamante não comprovou a hipossuficiência, uma vez que percebe salário superior a 40% do teto de benefícios do RGPS. Nesse contexto, declarada a hipossuficiência econômica pela parte, a decisão regional contraria a tese jurídica vinculante fixada por esta Corte Superior.

Recurso de revista conhecido e provido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de

Agravo em Embargos de Declaração em Recurso de Revista com Agravo

nº TST-

Ag-ED-RRAg - 10662-67.2021.5.03.0102

, em que é Agravante

GILSONEI MARIO DA SILVA

e é Agravada

VALE S.A.

Por meio da decisão monocrática ora atacada, não conheci do recurso de revista do reclamante quanto ao tema "assistência judiciária gratuita".

Irresignada, a parte interpôs agravo.

Intimada, a agravada não apresentou contraminuta.

É o relatório.

V O T O

I – AGRAVO

ADMISSIBILIDADE

Presentes os requisitos legais de admissibilidade, conheço do agravo.

MÉRITO

ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA NATURAL. RECLAMAÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. AUTODECLARAÇÃO COMO MEIO DE PROVA

Por meio da decisão monocrática ora atacada, não conheci do recurso de revista do reclamante quanto ao tema "assistência judiciária gratuita", na esteira dos seguintes fundamentos:

"(...)

2 –ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

2.1 - CONHECIMENTO

O Tribunal Regional negou provimento ao recurso ordinário do reclamante, quanto ao tema, na esteira dos seguintes fundamentos, transcritos pela parte no recurso de revista (fl. 859), nos termos do art. 896, § 1º-A, I, da CLT:

‘[...]

2.1. Gratuidade judiciária

Nos termos do §3° do art. 790 da CLT, "é facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social".

E o § 4º do mesmo artigo dispõe que "o benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas do processo".

No caso, o contrato de trabalho encontra-se em vigor, tendo o reclamante informado na inicial que atualmente percebe salário de R$3.889,11 (fl. 2), montante superior ao limite máximo estabelecido na normal legal.

Assim, deve ser mantida a decisão que indeferiu o benefício, uma vez que o reclamante não comprovou que não dispõe de recursos para custear as despesas processuais.

Desprovejo.

[...]’

O reclamante pretende a reforma do acórdão para ver provido o seu pedido de justiça gratuita, sob a justificativa de que basta declaração de hipossuficiência econômica firmada pela parte ou por seu advogado para o deferimento da assistência judiciária gratuita. Alega que a legislação civil preceitua que a alegação de insuficiência por pessoa natural possui presunção de veracidade. Indica violação dos arts. 5o, XXXV e LXXIV, da Constituição Federal, 15, do Código de Processo Civil, 790, §§ 3o e 4o e 769, da CLT e 14o, §1o da Lei 5.584/70, contrariedade à Súmula 463, I, do TST. Maneja divergência jurisprudencial.

De plano, verifico que, por

se tratar de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista, resta configurada a transcendência jurídica da matéria, nos termos do art. 896-A, IV, da CLT.

O advento da Lei nº 13.467/2017 promoveu notória alteração na disciplina legal da gratuidade da justiça dentro do sistema processual trabalhista. De acordo com a redação do art. 790, § 3º, da CLT até então vigente, facultava-se aos órgãos julgadores a possibilidade de conceder o benefício da justiça gratuita, de ofício ou mediante requerimento, em duas hipóteses: se a parte auferisse remuneração igual ou inferior ao dobro do salário-mínimo, ou, se superior, para aqueles que

declarassem

, sob as penas da lei, não dispor de condições para arcar com as custas do processo, sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.

Extrai-se do conteúdo normativo anterior à Reforma Trabalhista, portanto, a possibilidade de concessão da gratuidade da justiça em face de mera declaração de hipossuficiência econômica, ainda que evidenciada remuneração superior ao limite legal estipulado.

Por outro lado, a partir da atual redação do dispositivo, fixou-se novo patamar remuneratório como referencial à análise de hipossuficiência e, com a inclusão do parágrafo quarto, substituiu-se a expressão ‘declarar’ por ‘comprovar’.

Logo, da nova disciplina processual emergem duas distintas possibilidades para o deferimento da gratuidade da justiça: à pessoa natural cuja remuneração seja igual ou inferior a 40% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, ou à parte que ‘

comprovar insuficiência de recursos

para o pagamento das custas do processo’

(grifos acrescidos).

A esse respeito, relevante mencionar o voto proferido pela Exma. Ministra Rosa Weber, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI nº 5.766, em 20.10.2021, e que tratou de temas relativos à gratuidade da justiça a partir das alterações promovidas pela Lei nº 13.467/2017.

Na ocasião, ressaltou a Ministra, ‘

embora haja aumento do patamar da presunção legal absoluta de hipossuficiência econômica para fins de gratuidade da justiça, houve restrição no que se refere à sua concessão na outra hipótese,

exigindo-se mais do que a mera declaração, exige-se a comprovação

’.

Em idêntica direção, leciona Eduardo Milléo Baracat, em seu livro Acesso à Justiça e a Reforma Trabalhista (Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 144-145):

‘Frise-se, desde logo, que os significados das palavras declarar e comprovar são diferentes. Enquanto declarar significa ‘ar a conhecer, manifestar, pronunciar, expor, dizer’ comprovar tem o sentido de ‘oncorrer para provar, ajuntar novas provas a, confirmar, corroborar’

[...]

Pela interpretação gramatical dos §§ 3º e 4º do art. 790 da CLT, portanto, não basta apenas ao requerente dar a conhecer ou dizer que não possui recursos, sendo necessário, ainda, que concorra para provar ou ajunte novas provas.

A interpretação histórica-autêntica, por seu turno, corrobora, no caso, a gramatical, pois, como acima visto, a Justificativa apresentada pelo Deputado Relator do projeto que culminou com a Reforma, a finalidade do legislador era excluir a presunção de insuficiência de recursos na generalidade dos processos, admitida na parte da redação anterior.

A interpretação sistemática-teleológica, por fim, identifica a compatibilidade entre o dispositivo interpretado - § 4º do art. 790 da CLT –com o vértice valorativo do sistema –inciso LXXIV do art. 5º da Constituição.’

Com efeito, a alteração do vocábulo ‘declarar’ por ‘comprovar’ constitui questão basilar na extração do conteúdo da norma, na esteira do princípio hermenêutico da ‘

verba cum effectu sunt accipienda’

(não se presumem, na lei, palavras inúteis).

Em prosseguimento, sobreleva destacar a impossibilidade de aplicação, ao Processo do Trabalho, do art. 99, § 3º, do CPC (‘

Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural’

, pois o art. 769 da CLT atribui ao direito processual comum natureza de fonte subsidiária, incidente apenas em face de lacunas normativas, e desde que compatíveis com as normas especiais, o que não é o caso da disciplina da gratuidade da justiça.

Isso porque, se o legislador fez inserir regra própria ao Processo do Trabalho, no sentido da necessidade de ‘comprovar’ a insuficiência de recursos, sem conferir presunção de veracidade à declaração da parte, evidente a incompatibilidade lógica com a diretriz do Processo Civil.

Descabe ao Juiz do Trabalho, à evidência, adotar como único elemento de convicção a autodeclaração da parte em benefício próprio, pois legalmente atribuída força probatória tão somente à hipótese de admissão da ‘

verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário’

(art. 389 do CPC).

Aliás, no que tange aos métodos de comprovação, na ausência de disciplina específica na CLT, incide subsidiariamente o capítulo XII do CPC (‘as provas’, em especial o art. 369, segundo o qual ‘

as partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz’.

O eventual apontamento de antinomia resolve-se, ainda, por meio das regras processuais de distribuição do ônus probatório (tanto pela norma do art. 818 da CLT, quanto pelo art. 373 do CPC), seja por se tratar de fato constitutivo do direito do requerente, ou mesmo em razão da melhor aptidão para a prova.

A própria parte requerente dispõe dos elementos necessários à demonstração de seu contexto socioeconômico, de modo que atribuir à parte contrária o encargo probatório representaria injustificado desequilíbrio processual.

Nesse aspecto, exemplifica Baracat a possibilidade de utilização de meios de prova ‘

tanto documental (ex.: prova de desemprego; fatura de luz, água, cartão de crédito; pensão alimentícia; dentre outras), quanto testemunhal, devendo-se, ainda, observar o contraditório e a contraprova’.

Sobreleva destacar que o Imposto de Renda é a mais elementar, acessível e comezinha forma de demonstrar a hipossuficiência.

Sob outro viés, as novas regras da gratuidade da justiça, tal como postas, encontram guarida na própria garantia do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, segundo o qual ‘

o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos’

, além de materializarem, no caso concreto, o princípio constitucional da igualdade (art. 5º, I, da CF) sob o prisma axiológico material de ‘

tratar desigualmente os desiguais’

ao atribuir encargo probatório diferido em função do padrão salarial de cada jurisdicionado, facilitando o acesso à Justiça de quem perceba menores rendimentos.

A esse respeito, nas palavras de Baracat (

op.cit

, p. 146):

‘Não é segredo que o aspecto político dessa alteração legislativa decorreu de excessos de declarações, inclusive, sob as penas da lei, que não refletiam a verdade econômica financeira do beneficiário da gratuidade. Situações incompatíveis com o princípio da isonomia: por tratar da mesma maneira aquele que possuía e o que não possuía recursos, e com o próprio princípio da gratuidade da jurisdição: de acordo com o inciso LXXIV do art. 5º da Constituição, a gratuidade é direito apenas daqueles que comprovarem ausência de recursos.

Se a norma do § 4º do art. 790 da CLT não é inconstitucional, nem polissêmica, não há como negar sua aplicação, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e do Estado Democrático de Direito.

[...]

A concessão dos benefícios da justiça gratuita aos trabalhadores que auferem mais do que 40% do maior valor do RGPS e que são dispensados de comprovar sua condição de hipossuficiência, desequilibra o sistema e impacta negativamente na prestação jurisdicional trabalhista. São processos, em geral, complexos, que envolvem quantias significativas, patrocinados por advogados bem preparados, que consomem a jurisdição trabalhista desproporcionalmente à necessidade social dos interessados. Por isso, a importância de comprovarem –e não apenas declararem –a insuficiência de recursos, como forma de preservarem o sistema, preferencialmente, em benefício dos mais necessitados.

[...]

O custo da máquina judiciária seria igualmente, mas não isonomicamente, dividido entre ambos.’

Em suma, também sob o viés de Política Judiciária, o atual regramento promovido pela Lei nº 13.467/2017 visa a combater "

o problema da saturação do sistema judicial em detrimento do trabalhador pobre que vê prejudicada a celeridade de que necessita

" assegurando, desse modo, "

a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação

"(art. 5º, LXXVIII, da CF).

Finalmente, necessário ponderar acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 791-A, § 4º, da CLT (condenação do beneficiário da justiça gratuita ao pagamento de honorários de sucumbência), pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 5.766.

Como consequência do resultado daquela ação de controle concentrado, acaso concedida de forma geral e indiscriminada a gratuidade da justiça mediante simples declaração, haveria também patente quebra de isonomia processual quanto aos custos da litigância, pois apenas um dos polos da relação processual (em geral, o empregador reclamado) estaria sujeito ao ônus da sucumbência (verba honorária).

De tudo quanto dito, admitir a mera declaração de hipossuficiência como condição bastante para a concessão da gratuidade da justiça, mesmo quando a parte auferir remuneração superior a 40% do teto do RGPS, implicaria contundente negativa de aplicação da regra do art. 790, § 4º, da CLT, de modo a atrair, na hipótese, o enunciado da Súmula Vinculante nº 10, segundo o qual ‘

viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte

’

A se entender equivocada a opção do Legislativo, o caminho seria a atuação contramajoritária do Judiciário, pela declaração de inconstitucionalidade da regra, e não o seu afastamento sob o fundamento de estar-se fazendo simples interpretação sistemática.

Ressalte-se, ainda, nessa linha de compreensão, que, havendo legislação superveniente em sentido contrário, o enunciado do item I da Súmula 463 desta Corte está superado. Não se olvide que o ‘codex’ processual cível não traz regra mais benéfica, pois mantida a constitucionalidade do art. 98, § 3º, do CPC, que exige o pagamento das custas pelo beneficiário que venha a auferir créditos com a ação. A interpretação sistemática do ordenamento não implica pinçar normas isoladas.

Logo, com a devida vênia dos entendimentos em contrário, firme a posição desta Relatora no sentido de que a concessão da gratuidade da justiça baseada exclusivamente em autodeclaração representa violação direta e literal do art. 790, § 4º, da CLT, além de eminentemente inconstitucional, seja no aspecto material (art. 5º, LXXIV, da CF), ou mesmo formal, enquanto não submetida a matéria à reserva de plenário.

Nesse sentido, julgados da 5ª Turma:

‘AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.467/2017. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. JUSTIÇA GRATUITA. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. MERA DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA CARACTERIZADA.

1. A questão jurídica objeto do recurso de revista, "ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. REQUISITOS DO ART. 790, §§ 3º e 4º, DA CLT. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017", representa ‘questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista’, nos termos do art. 896-A, IV, da CLT, porquanto se trata de inovação legislativa oriunda das alterações promovidas pela Lei 13.467/2017, sobre a qual ainda pende interpretação por esta Corte Trabalhista, o que configura a transcendência jurídica da matéria em debate.

2. A ordem jurídica assegura o direito ao acesso à Justiça sem ônus pecuniário de qualquer natureza a todos quantos comprovem insuficiência de recursos (CF, art. 5º, LXXIV), ressalvadas apenas as multas processuais (CPC, art. 98, § 4º) e os honorários de sucumbência, esses últimos com exigibilidade suspensa enquanto persistir a condição de miserabilidade (CPC, art. 98, § 3º). A comprovação da falta de condições econômicas pode ser feita por quaisquer dos meios admitidos em juízo, desde que moralmente legítimos, sejam eles diretos - testemunhas, documentos, perícias etc - ou indiretos de prova (presunções e indícios), a teor do art. 5º, LVI, da CF c/c os arts. 212 do CC e 369 do CPC. Nesse sentido, a declaração pessoal da parte interessada de que não tem condições de arcar com as despesas do processo é válida para tal finalidade (TST, S. 463, I), revestindo-se, porém, de presunção relativa de veracidade (art. 1º da Lei 7.115/83 c/c o art. 99, § 3º, do CPC). Assim, havendo elementos de convicção que afastem a presunção relativa em causa, ao magistrado incumbe determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos, independentemente de impugnação da parte contrária, sob pena de indeferimento do favor legal (CPC, art. 99, § 2º). Cabe considerar, ainda, que a reforma trabalhista, ao exigir a comprovação da falta de condições econômicas para a concessão do acesso gratuito à Justiça (art. 790, § 4º), não alterou essa sistemática, pois não delimitou meio específico de prova ou afastou a declaração pessoal para aquela finalidade. Aliás, a própria Constituição, em seu art. 5º, inciso LXXIV, expressamente prevê que " o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos ;".

3. Nada obstante, esta Turma, por maioria, passou a entender que, às reclamações trabalhistas ajuizadas na vigência da Lei 13.467/2017, como no caso dos autos, para a concessão da justiça gratuita ao trabalhador, exige-se não apenas a declaração de que não possui condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do seu sustento e da sua família, mas a efetiva comprovação da situação de insuficiência econômica, nos termos do art. 790, §§ 3º e 4º, da CLT.

4. No caso presente, o Tribunal Regional registrou que a "mera declaração não basta para o deferimento da benesse ".

5. Nesse cenário, o acórdão regional deve ser mantido, negando-se provimento ao agravo, com acréscimo de fundamentação. Ressalva de entendimento do Ministro Relator. Não afastados, portanto, os fundamentos da decisão agravada, nenhum reparo enseja a decisão. [...]’ (TST-Ag-RRAg-646-46.2020.5.12.0035,

5ª Turma

, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 03/03/2023).

‘AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. MERA DECLARAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA. A partir da vigência da Lei nº 13.467/2017, para a concessão do benefício da gratuidade da justiça, exige-se não apenas a mera declaração ou afirmação que a parte não possui condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do seu sustento e da sua família, mas, também, a efetiva comprovação da situação de insuficiência de recursos, nos termos do art. 790, §§ 3º e 4º, da CLT. No presente caso, verifica-se que o reclamante não se desvencilhou do seu encargo processual. Desse modo, o e. Regional, ao deferir o benefício da gratuidade da justiça, com fulcro na mera declaração de hipossuficiência apresentada, decidiu em desconformidade com a nova realidade normativa decorrente da vigência da Lei nº 13.467/2017. Correta, portanto, a decisão agravada, ao prover o recurso da reclamada para excluir o benefício da justiça gratuita concedido à parte reclamante. Ante a improcedência do recurso, aplica-se à parte agravante a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC. Agravo não provido, com imposição de multa’ (TST-Ag-RRAg-671-97.2020.5.10.0008,

5ª Turma

, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 10/02/2023).

‘AGRAVO DO RECLAMANTE. RECURSO DE REVISTA. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. MERA DECLARAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA NA DECISÃO AGRAVADA. A partir da vigência da Lei nº 13.467/2017, para a concessão do benefício da gratuidade da justiça, exige-se não apenas a mera declaração ou afirmação que a parte não possui condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do seu sustento e da sua família, mas, também, a efetiva comprovação da situação de insuficiência de recursos, nos termos do art. 790, §§ 3º e 4º, da CLT. No presente caso, conforme se extrai do acórdão regional, o valor líquido da última remuneração da reclamante é superior a 40% do teto máximo da Previdência Social (R$5.839,45), o que desautoriza, nos termos do art. 790, § 3º, da CLT, a concessão do benefício da gratuidade processual com base na mera declaração de insuficiência. Desse modo, não tendo a reclamante apresentado a comprovação de que trata o dispositivo legal, o e. Regional, ao deferir o benefício da gratuidade da justiça, com fulcro na mera declaração de hipossuficiência apresentada, decidiu em desconformidade com a nova realidade normativa decorrente da vigência da Lei nº 13.467/2017. Correta, portanto, a decisão agravada, ao prover o recurso da reclamada para excluir o benefício da justiça gratuita concedido à parte reclamante. Agravo não provido. [...].’ (Ag-RRAg-100821-77.2018.5.01.0341,

5ª Turma

, Relator

Ministro Breno Medeiros

, DEJT 30/09/2022).

‘AGRAVOS DOS EXECUTADOS EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. REGIDO PELA LEI 13.467/2017. MATÉRIAS COMUNS.

1. RECLAMADOS PESSOAS FÍSICAS. JUSTIÇA GRATUITA. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. MERA DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA CARACTERIZADA.

1. A questão jurídica objeto do recurso de revista, ‘SSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. REQUISITOS DO ART. 790, §§ 3º e 4º, DA CLT. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017.’ representa ‘questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista’ nos termos do art. 896-A, IV, da CLT, porquanto se trata de inovação legislativa oriunda das alterações promovidas pela Lei 13.467/2017, sobre a qual ainda pende interpretação por esta Corte Trabalhista, o que configura a transcendência jurídica da matéria em debate.

2. A ordem jurídica assegura o direito ao acesso à Justiça sem ônus pecuniário de qualquer natureza a todos quantos comprovem insuficiência de recursos (CF, art. 5º, LXXIV), ressalvadas apenas as multas processuais (CPC, art. 98, § 4º) e os honorários de sucumbência, esses últimos com exigibilidade suspensa enquanto persistir a condição de miserabilidade (CPC, art. 98, § 3º). A comprovação da falta de condições econômicas pode ser feita por quaisquer dos meios admitidos em juízo, desde que moralmente legítimos, sejam eles diretos - testemunhas, documentos, perícias etc - ou indiretos de prova (presunções e indícios), a teor do art. 5º, LVI, da CF c/c os arts. 212 do CC e 369 do CPC. Nesse sentido, a declaração pessoal da parte interessada de que não tem condições de arcar com as despesas do processo é válida para tal finalidade (TST, S. 463, I), revestindo-se, porém, de presunção relativa de veracidade (art. 1º da Lei 7.115/83 c/c o art. 99, § 3º, do CPC). Assim, havendo elementos de convicção que afastem a presunção relativa em causa, ao magistrado incumbe determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos, independentemente de impugnação da parte contrária, sob pena de indeferimento do favor legal (CPC, art. 99, § 2º). Cabe considerar, ainda, que a reforma trabalhista, ao exigir a comprovação da falta de condições econômicas para a concessão do

acesso gratuito à Justiça (art. 790, § 4º), não alterou essa sistemática, pois não delimitou meio específico de prova ou afastou a declaração pessoal para aquela finalidade. Aliás, a própria Constituição, em seu art. 5º, inciso LXXIV, expressamente prevê que ‘ Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;’ 3. Nada obstante, esta Turma, por maioria, passou a entender que, às reclamações trabalhistas ajuizadas na vigência da Lei 13.467/2017, como no caso dos autos, para a concessão da justiça gratuita à parte, exige-se não apenas a declaração de que não possui condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do seu sustento e da sua família, mas a efetiva comprovação da situação de insuficiência econômica, nos termos do art. 790, §§ 3º e 4º, da CLT.

4. No caso presente, o Tribunal Regional registrou que a ‘ simples declaração dos executados não comprovaram a situação de carência’ 5. Nesse cenário, o acórdão regional deve ser mantido, negando-se provimento aos agravos, com acréscimo de fundamentação. Ressalva de entendimento do Ministro Relator. Agravos não providos. [...].’ (Ag-AIRR-1000200-75.2019.5.02.0605,

5ª Turma

, Relator

Ministro Douglas Alencar Rodrigues

, DEJT 30/09/2022).

No caso dos autos

, o Tribunal Regional registrou que a parte reclamante percebe remuneração superior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

Dessa forma, não se evidencia ofensa aos dispositivos tidos como violados.

Impertinente a indicação de contrariedade à Súmula 463, I, do TST, pois esse verbete não trata especificamente das ações ajuizadas após a Lei 13.467/2017.

Inviável o processamento do recurso de revista por divergência jurisprudencial.

Arestos de Turmas desta Corte são inservíveis para o confronto de teses e, por isso, não viabilizam o processamento do recurso de revista (art. 896, ‘a’ da CLT).

Dessa maneira,

não conheço do recurso de revista."

Inconformado, o reclamante insiste na concessão dos benefícios da justiça gratuita, sustentando que não possui condições de arcar com os custos do processo sem prejuízo do próprio sustento e de sua família. Argumenta que a autodeclaração de hipossuficiência não foi infirmada por nenhum outro elemento técnico ou documental. Indica violação dos arts. 5º, "caput", XXXV e LXXIV, da CF e 790, § 3º, da CLT, além de contrariedade à Súmula 463, I, do TST. Colaciona arestos.

Com razão.

Cinge-se a controvérsia sobre os critérios para a concessão dos benefícios da justiça gratuita à pessoa natural após a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017.

No julgamento do Incidente de Recursos Repetitivos IRR-277-83.2020.5.09.0084 (Tema 21 da Tabela de Recursos de Revista Repetitivos), na sessão realizada em 14/10/2024, o Tribunal Pleno desta Corte decidiu ser possível a concessão da gratuidade da justiça fundada exclusivamente em autodeclaração, nos termos do § 3º do art. 99 do CPC. Foram fixadas as seguintes teses jurídicas:

"(i) independentemente de pedido da parte, o magistrado trabalhista tem o poder-dever de conceder o benefício da justiça gratuita aos litigantes que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, conforme evidenciado nos autos;

(ii) o pedido de gratuidade de justiça, formulado por aquele que perceber salário superior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, pode ser instruído por documento particular firmado pelo interessado sob as penas do art. 299 do Código Penal;

(iii) havendo nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, deve o órgão julgador, antes de indeferir o pedido, determinar à parte requerente a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos (art. 99, § 2º, do CPC)."

No caso em exame, a Corte Regional indeferiu os benefícios da justiça gratuita, sob o fundamento de que o reclamante não comprovou a hipossuficiência, uma vez que percebe salário superior a 40% do teto de benefícios do RGPS.

Nesse contexto, declarada a hipossuficiência econômica pela parte, a decisão regional contraria a tese jurídica vinculante fixada por esta Corte Superior.

Constatada a contrariedade a jurisprudência vinculante desta Corte, afasta-se o óbice que motivou o não conhecimento do recurso de revista.

Agravo provido.

II - RECURSO DE REVISTA

Tempestivo o apelo, regular a representação e isento o preparo, estão presentes os pressupostos genéricos de admissibilidade do apelo.

1 - ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA NATURAL. RECLAMAÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. AUTODECLARAÇÃO COMO MEIO DE PROVA

1.1 - CONHECIMENTO

Pelos fundamentos registrados no julgamento do agravo,

conheço do recurso de revista

, por potencial violação do art. 790, § 4º, da CLT.

1.2 - MÉRITO

Constatada a ofensa ao art. 790, § 4º, da CLT, dou provimento ao recurso de revista para deferir ao reclamante os benefícios da justiça gratuita. Como consequência lógica, suspendo a exigibilidade dos honorários advocatícios, nos termos do art. 791-A, § 4º, da CLT e da ADI nº 5.766 do STF.

ISTO POSTO

ACORDAM

os Ministros da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade:

a) conhecer do agravo e, no mérito, dar-lhe provimento

para afastar o óbice indicado na decisão monocrática e remeter ao Colegiado a apreciação do recurso de revista da parte reclamante;

b) conhecer do recurso de revista,

por violação do art. 790, § 4º, da CLT

e, no mérito, dar-lhe provimento

para deferir a concessão dos benefícios da justiça gratuita à parte reclamante e consequentemente, determinar a suspensão da exigibilidade dos honorários advocatícios decorrentes da sucumbência recíproca pelo prazo de 02 (dois) anos, nos termos do art. 791-A, § 4º, parte final, da CLT, sendo vedada, ainda, a utilização de créditos oriundos do presente processo ou de outra demanda para fins de pagamento da parcela (ADI nº 5.766 do STF).

Brasília, 23 de setembro de 2026.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)

MORGANA DE ALMEIDA

Ministra Relatora

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

IncJulgRREmbRep-277-83.2020.5.09.0084

Case cited

IRR-277-83.2020.5.09.0084

Case cited

ADI nº 5.766

Case cited

TST-Ag-RRAg-646-46.2020.5.12.0035

Case cited

TST-Ag-RRAg-671-97.2020.5.10.0008

Case cited

Ag-RRAg-100821-77.2018.5.01.0341

Case cited

Ag-AIRR-1000200-75.2019.5.02.0605

Case cited

art. 790, §§ 3º e 4º, da CLT

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 791-A, § 4º, da CLT

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 896-A, IV, da CLT

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 896, ‘a’, da CLT

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 99, §§ 2º e 3º, do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 99, § 2º, do CPC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 299 do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 5º, caput, XXXV e LXXIV, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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