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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

O recurso especial foi provido porque a Corte entendeu que a restituição de valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada deve observar o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991 e o entendimento firmado no Tema 692/STJ, autorizando a devolução por meio de desconto de até 30% do benefício ativo, sem que o Tribunal de origem possa criar restrições adicionais (como vedar desconto em benefício de valor mínimo).

Court disposition

Recurso especial provido.

Orders

  • Dar provimento ao recurso especial.
  • Determinar que a restituição dos valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada observe o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991, conforme entendimento firmado no Tema n. 692 do STJ.

02

Material facts

Parties

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

Recorrente

parte autora

Recorrido

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Decisão

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
O INSS alegou que o Tribunal a quo, ao impor restrições à restituição, violou os arts. 115, inciso II, e § 1º, da Lei n. 8.213/1991 e o art. 927, inciso III, do CPC, sustentando que a única limitação autorizada pela lei e pela tese consolidada no Tema 692/STJ é o percentual máximo de desconto de 30% do benefício ativo.
Respondent
O Tribunal de origem admitiu a restituição, mas condicionou a devolução por meio de descontos à impossibilidade de reduzir o valor remanescente do benefício para montante inferior ao salário mínimo, invocando a garantia do mínimo existencial e a proteção da dignidade da pessoa humana.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Tema 692/STJ (REsp n. 1.401.560/MT) e Pet n. 12.482/DF

    A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, podendo a devolução ser feita por desconto que não exceda 30% do benefício ativo.

  2. 02

    art. 115, II, Lei n. 8.213/1991

    O art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991 autoriza a restituição mediante desconto no benefício ativo em valor que não exceda 30% de sua importância.

  3. 03

    art. 201, §2º, da Constituição Federal, conforme menção no acórdão

    A garantia do mínimo existencial e a dignidade da pessoa humana são princípios constitucionais relevantes, citados pelo Tribunal de origem ao restringir descontos que reduzam o valor do benefício abaixo do salário mínimo.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

O recurso especial foi provido porque a Corte entendeu que a restituição de valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada deve observar o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991 e o entendimento firmado no Tema 692/STJ, autorizando a devolução por meio de desconto de até 30% do benefício ativo, sem que o Tribunal de origem possa criar restrições adicionais (como vedar desconto em benefício de valor mínimo).

Obiter and limits

  • A matéria é de índole infraconstitucional e, portanto, não possui repercussão geral, conforme menção ao entendimento do STF no ARE-RG n. 722.421.
  • Reafirmação de precedentes da Primeira Seção e decisões de Turma que consolidaram a orientação do Tema 692/STJ (ex.: AgInt no REsp n. 2.095.191/PR; REsp n. 2.084.815/RS; AgInt no REsp n. 2.126.356/RS).

Court disposition

Recurso especial provido.

  • Dar provimento ao recurso especial.
  • Determinar que a restituição dos valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada observe o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991, conforme entendimento firmado no Tema n. 692 do STJ.

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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra acórdão prolatado pel o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, em juízo de retratação, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TEMA 692. DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS POR FORÇA DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA REVOGADA.

1. No julgamento do Tema 692 o Superior Tribunal de Justiça reafirmou o entendimento no sentido de que "a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago".

2. Em observância à tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 692, deve ser admitida a restituição dos valores pagos pela autarquia por força de antecipação de tutela posteriormente revogada, observando-se o limite de 30% do valor mensal que continuar a ser pago ao segurado.

3. O desconto das quantias percebidas indevidamente pelo segurado, a ser efetuado nos rendimentos mensais de eventual benefício que lhe estiver sendo pago, não poderá reduzir o valor remanescente ao beneficiário para montante inferior ao valor do salário mínimo, em atendimento ao princípio da dignidade da pessoa humana, materializado pela garantia insculpida no artigo 201, parágrafo segundo, da Constituição Federal. Precedentes desta Corte. Os subsequentes embargos de declaração foram rejeitados. Nas razões do apelo nobre, fundamentado na alínea a do permissivo constitucional, o INSS alega que o Tribunal a quo, ao determinar a restituição dos valores recebidos pela parte autora, por força de antecipação da tutela posteriormente revogada, estabeleceu restrições que violam os arts. 115, inciso II, e § 1º, da Lei n. 8.213/1991 e 927, inciso III, do Código de Processo Civil. Aduz, em síntese, que a única limitação imposta pela lei e pela jurisprudência consolidada no Tema n. 692 do STJ foi o percentual máximo de 30% (trinta por cento) de desconto da importância de eventual benefício ativo. Requer, assim, o provimento do recurso, afastando-se as limitações impostas pelo acórdão recorrido na aplicação da tese firmada neste Superior Tribunal de Justiça. Admitido o apelo nobre na origem, ascenderam os autos a esta Corte. É o relatório. Decido. O Tribunal a quo, em juízo de retratação,

determinou a restituição dos valores recebidos pela parte autora, por força de antecipação da tutela posteriormente revogada, deixando assente, contudo, que é "inviável a restituição dos valores em questão mediante descontos a serem realizados nos benefícios de valor mínimo" (fl. 502), e que deve ser observada a necessidade de garantia do mínimo existencial. A questão da devolução das quantias recebidas pelo beneficiário do Regime Geral da Previdência Social - RGPS, em virtude de decisão judicial precária, que venha a ser posteriormente revogada, foi objeto de análise no REsp n. 1.401.560/MT (Julgado em 12/2/2014, DJe de 13/10/2015), sob o rito dos julgamentos repetitivos, tendo sido firmada a seguinte tese (Tema n. 692/STJ): "a reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente recebidos". Posteriormente, a Primeira Seção desta Corte, em questão de ordem na Pet n. 12.482/DF, da relatoria do Ministro Og Fernandes (DJe de 24/5/2022), reafirmou a tese contida no referido Tema n. 692/STJ, com acréscimo redacional a fim de ajustá-la à nova legislação de regência, nestes termos: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30%

(trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago. Destaco, ainda, que firmou-se no precedente qualificado o entendimento de que o legislador ponderou a situação de hipossuficiência do beneficiário que teve cassada a tutela judicial antecipada, ao fixar um limite (de até 30%) para a realização do desconto no benefício vigente, não podendo o Tribunal a quo criar exceções à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, inobservando o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VALORES PAGOS EM RAZÃO DE DECISÃO JUDICIAL PRECÁRIA. RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO. CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. .. II - É legítima a restituição ao Erário de valores pagos a segurado em razão do cumprimento de decisão judicial precária, posteriormente cassada em segundo grau de jurisdição. III - A restrição imposta pela Corte de origem, a fim de preservar remuneração não inferior ao salário mínimo após o desconto, "afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado do STJ, na medida em que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à devolução dos valores pagos por força de

antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, negando vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afrontando o art. 927, III, do CPC/2015" (1ª T., REsp n. 2.084.815/SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 20.10.2023). .. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.095.191/PR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024; sem grifos no original.) PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RESTITUIÇÃO DE VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. TEMA N. 692/STJ. OBSERVÂNCIA DO ART. 115, II, DA LEI N. 8.213/91. MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL. DESCONTO SOBRE BENEFÍCIOS DE VALOR MÍNIMO. POSSIBILIDADE. ATIVIDADE RURAL, EM REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR NO PERÍODO DE CARÊNCIA. COMPROVAÇÃO. SÚMULA 7/STJ.

1. Segundo tese repetitiva consolidada no Tema n. 692/STJ, " a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago".

2. A controvérsia não possui repercussão geral, conforme definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do ARE-RG n. 722.421, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, pois a solução da questão envolve o exame de legislação infraconstitucional.

3. A restituição dos valores provenientes de antecipação de tutela posteriormente revogada deve observar o disposto no inciso II do art. 115 da Lei n. 8.213/91, conforme definido no Tema n. 692/STJ, reafirmado no julgamento da Pet n. 12.482/DF.

4. A Lei n. 8.213/91 autoriza expressamente que a restituição do pagamento judicial do benefício previdenciário ou assistencial, indevido ou além do devido, pode ser feita mediante desconto no benefício ativo em valor que não exceda 30% da sua importância, não impondo nenhuma outra restrição, de forma que é possível o desconto, mesmo em benefício de valor mínimo. ..

7. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.126.356/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 25/9/2024; sem grifos no original.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. VALORES PAGOS POR DECISÃO PRECÁRIA. DEVOLUÇÃO. SÚMULA 126 DO STJ. NÃO INCIDÊNCIA. TEMA 692 DO STJ. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA: PET 12.482/DF. DESCONTO SOBRE BENEFÍCIOS DE VALOR MÍNIMO. POSSIBILIDADE.

1. No tocante ao tema da restituição de benefício previdenciário concedido por decisão judicial precária, não há falar em incidência da Súmula 126 do STJ diante do entendimento do Supremo Tribunal Federal no Tema 799 de que se trata de questão cuja natureza é infraconstitucional e a ela atribuem-se os efeitos da ausência de repercussão geral.

2. No julgamento da Pet n. 12.482/DF, a Primeira Seção desta Corte ratificou o entendimento anteriormente firmado no julgamento do Tema repetitivo n. 692 do STJ, segundo o qual "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago".

3. O legislador, ao fixar um limite de até 30% para a realização do desconto nas situações em que o segurado ainda tiver percebendo um benefício, o fez estabelecendo a ponderação entre a exigibilidade da prestação pecuniária antecipada e a situação econômica do beneficiário que teve cassada a tutela judicial, dando certa margem de discricionariedade à Administração autárquica para a realização dos descontos sem deixar de levar em consideração a hipossuficiência do segurado e/ou dependente.

4. Caso em que o Tribunal de origem deu parcial provimento ao agravo de instrumento interposto pela autarquia por considerar que, não obstante a jurisprudência do STJ tenha se firmado no sentido de que a lei autoriza o desconto de até 30% do valor do benefício, a quantia resultante não pode ser inferior a um salário mínimo.

5. A interpretação adotada pela Corte Regional afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado do STJ, na medida em que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à devolução dos valores pagos por força de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, negando vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afrontando o art. 927, III, do CPC/2015, devendo, por isso, ser reformada.

6. Recurso especial provido. (REsp n. 2.084.815/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 10/10/2023, DJe de 20/10/2023; sem grifos no original.) Portanto, ao restringir a restituição dos valores recebidos pelo beneficiário de aposentadoria por força de antecipação da tutela, o Tribunal a quo decidiu a controvérsia em desconformidade com a jurisprudência desta Corte. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, inciso III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para determinar que a restituição dos valores pagos por antecipação de tutela posteriormente revogada observe o disposto no art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/91, conforme entendimento firmado no Tema n. 692 do STJ. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA PROCESSO CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TUTELA ANTECIPADA. REVOGAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE VALORES. DESCONTO SOBRE BENEFÍCIO DE VALOR MÍNIMO. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA N. 1.401.560/MT. TEMA N. 692 DO STJ. TESE REAFIRMADA NA QUESTÃO DE ORDEM NA PET N. 12.482/DF. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

REsp n. 1.401.560/MT (Tema 692/STJ)

Case cited

Pet n. 12.482/DF

Case cited

REsp n. 2.084.815/RS

Case cited

AgInt no REsp n. 2.095.191/PR

Case cited

AgInt no REsp n. 2.126.356/RS

Case cited

art. 115, inciso II, e § 1º, da Lei n. 8.213/1991

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 927, inciso III, do Código de Processo Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 201, parágrafo segundo, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 255, § 4º, inciso III, do RISTJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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