Devolu Odevalores Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dc34c7ccdbf40b16ffd05
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- Superior Tribunal de Justiça
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- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
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- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
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Professional case brief
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01
Holding and result
O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o entendimento do Tema 692/STJ e, com fundamento na Pet 12.482/DF e na redação atual do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, concluiu que é permitida a restituição dos valores pagos por força de decisão judicial posteriormente revogada, podendo a execução para ressarcimento ser promovida nos próprios autos, razão pela qual deu provimento ao recurso especial para autorizar a devolução dos valores.
Court disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos em razão de decisão judicial posteriormente revogada, nos termos do Tema 692/STJ
- Publique-se
- Intime-se
02
Material facts
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
RecorrenteAmounts and remedies
- Percentual Máximo De Desconto: 30
03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Possibilidade de devolução de valores recebidos por força de decisão judicial posteriormente revogada
- 02
Aplicabilidade do entendimento do Tema 692/STJ e da Pet 12.482/DF ao caso concreto
- 03
Necessidade ou não de ação autônoma para ressarcimento dos valores pagos por tutela provisória
Party arguments
- Applicant
- O INSS alega omissão do Tribunal a quo quanto à necessidade de restituição dos valores recebidos pelo recorrido a título de tutela posteriormente revogada, aponta violação aos arts. 489, § 1º, IV e 1.022, II do CPC e sustenta que o art. 115, II, §§ 1º e 3º, da Lei 8.213/1991 e o art. 520, I e II, do CPC autorizam a devolução dos valores pagos indevidamente, inclusive mediante desconto no benefício ativo ou inscrição em dívida ativa.
- Respondent
- O acórdão do Tribunal de origem entendeu pela inaplicabilidade do Tema 692/STJ, por distinguir que o benefício foi concedido por sentença de mérito posteriormente reformada (não por tutela antecipada) e que a decisão que reformou a sentença não ressaltou a necessidade de restituição, razão pela qual declarou inexigibilidade do débito e rejeitou a restituição.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Tema 692/STJ (REsp n. 1.401.560/MT) e Pet 12.482/DF
A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos
- 02
art. 115, inciso II, da Lei n. 8.213/1991 (com redação dada pela Lei n. 13.846/2019) e Pet 12.482/DF
Na hipótese de cessação do benefício pela revogação da decisão judicial que o determinou, os valores recebidos devem ser devolvidos
- 03
REsp n. 1.780.410/SP
É desnecessário o ajuizamento de ação autônoma para ressarcimento de valores pagos a título de tutela provisória posteriormente revogada; é possível a execução nos próprios autos
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o entendimento do Tema 692/STJ e, com fundamento na Pet 12.482/DF e na redação atual do art. 115, II, da Lei 8.213/1991, concluiu que é permitida a restituição dos valores pagos por força de decisão judicial posteriormente revogada, podendo a execução para ressarcimento ser promovida nos próprios autos, razão pela qual deu provimento ao recurso especial para autorizar a devolução dos valores.
Obiter and limits
- A tutela de urgência é precária e passível de modificação ou revogação a qualquer tempo, implicando retorno ao estado anterior à sua concessão
- Em caso de modificação jurisprudencial superveniente, a superação deve ser acompanhada de modulação de efeitos a critério do tribunal que promove a alteração, nos termos do art. 927, § 3º, do CPC
Court disposition
Recurso especial provido
- Dar provimento ao recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos em razão de decisão judicial posteriormente revogada, nos termos do Tema 692/STJ
- Publique-se
- Intime-se
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Superior Tribunal de Justiça
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 451): AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECISÃO QUE REJEITOU A EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE, DETERMINANDO A RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS AO SEGURADO A TÍTULO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO REVOGADO POR DECISÃO JUDICIAL. INSURGÊNCIA DO EXECUTADO. ARGUIÇÃO DE NÃO APLICAÇÃO DO TEMA Nº 692 DO STJ. DISTINGUISHING. ACOLHIMENTO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DE AUXÍLIO-DOENÇA CONCEDIDO EM RAZÃO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO. SENTENÇA POSTERIORMENTE REFORMADA POR ESTA CÂMARA. VALORES QUE NÃO FORAM RECEBIDOS POR FORÇA DE TUTELA POSTERIORMENTE REVOGADA. INAPLICABILIDADE DO TEMA 692, DO STJ. DECISÃO REFORMADA. ACOLHIMENTO DA EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. CONDENAÇÃO DO EXEQUENTE AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. APRECIAÇÃO EQUITATIVA. PROVEITO ECONÔMICO INESTIMÁVEL. ART. 85, §8º, DO CPC. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 481-486). Em seu recurso especial, sustenta o recorrente violação aos artigos 489, § 1º, inciso IV e 1.022, inciso II, § único, inciso II, ambos do Código de Processo Civil, alegando que o Tribunal a quo omitiu-se
na apreciação da tese referente à necessidade de restituição dos valores recebidos pela parte autora a título de tutela específica posteriormente revogada. Ademais, aponta negativa de vigência ao artigo 115, inciso II, §§ 1º e 3º, da Lei n. 8.213/91 e ao artigo 520, incisos I e II, do Código de Processo Civil, ao argumento de que deve haver a "devolução dos valores pagos indevidamente a título de benefício previdenciário ou assistencial, inclusive aqueles decorrentes da cessação de benefício pela revogação de decisão judicial, como é o caso dos autos, seja por meio de desconto no benefício atualmente ativo, seja por meio de inscrição em dívida ativa" (fl. 492). Requer o provimento do recurso para que seja determinada a restituição dos valores recebidos pelo recorrido a título de tutela específica posteriormente revogada. Subsidiariamente, pretende seja anulado o acórdão recorrido com a determinação para que a Corte local julgue novamente os embargos de declaração suprindo a omissão sobre a matéria federal que embasa a tese deste recurso. É o relatório. A insurgência merece prosperar. Ao analisar a controvérsia, o Tribunal de origem decidiu ser indevida a restituição dos valores recebidos a maior pelo segurado a título de auxílio doença, porquanto o direito não foi concedido por tutela antecipada, mas sim por sentença de procedência posteriormente reformada. Ademais, destacou
que a decisão que reformou a sentença não ressalvou a necessidade de restituição dos valores, sendo esta, portanto, incabível. Confira-se, no que interessa (fls. 458-459): No caso em apreço, a sentença julgou procedente a ação, condenando a autarquia ao pagamento de auxílio-doença ao segurado (mov.147.1), mas foi posteriormente reformada por esta Câmara (mov.187.1), com a total improcedência dos pedidos iniciais. No entanto, como sustentou o agravante, não houve a concessão de tutela para o deferimento do benefício previdenciário, apenas a reforma da sentença de procedência, a qual também não ressalvou a necessidade de restituição dos valores. É clara, portanto, a distinção (distinguishing) do presente caso com o que foi pautado pelo Tema 692, do STJ, visto que, além de não se tratar de decisão que concedeu a tutela antecipada, não houve cientificação de qualquer necessidade de devolução dos valores. (..) Desta forma, não se verifica a aplicabilidade do Tema 692 do STJ e, portanto, não é devida a restituição dos valores recebidos a maior a título de auxílio-doença concedido. Desse modo, pelos fundamentos acima expostos, JULGO PROCEDENTE A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE e, consequentemente, julgo extinto o cumprimento de sentença, pela inexigibilidade do débito. Ocorre que, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento da Pet 12.482/DF, de relatoria do Ministro
Og Fernandes (DJe de 24/5/2022), além de confirmar a tese disposta no Tema Repetitivo 692/STJ, com acréscimo de redação para ajuste à nova legislação, estabeleceu que sejam quais forem os tipos de tutelas, "são tratadas pela lei da mesma forma, não merecendo distinção do ponto de vista normativo. Ou seja, em qualquer desses casos, a tutela de urgência não deixa de ser precária e passível de modificação ou revogação a qualquer tempo, o que implicará o retorno ao estado anterior à sua concessão". Confira-se a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. PROPOSTA DE REVISÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO TEMA REPETITIVO 692/STJ (RESP N. 1.401.560/MT). ART. 927, § 4º, DO CPC/2015. ARTS. 256-S, 256-T, 256-U E 256-V DO RISTJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE DECISÃO LIMINAR POSTERIORMENTE REVOGADA. ADVENTO DE NOVA LEGISLAÇÃO. ART. 115, INC. II, DA LEI N. 8.213/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 13.846/2019. TEMA N. 799/STF (ARE 722.421/MG): POSSIBILIDADE DA DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. QUESTÃO DE ORDEM JULGADA NO SENTIDO DA REAFIRMAÇÃO, COM AJUSTES REDACIONAIS, DO PRECEDENTE FIRMADO NO TEMA REPETITIVO N. 692/STJ.
1. A presente questão de ordem foi proposta com a finalidade de definir se o entendimento firmado no Tema Repetitivo 692/STJ (REsp n. 1.401.560/MT) deve ser reafirmado, alterado ou cancelado, diante da variedade de situações que ensejam dúvidas quanto à persistência da orientação firmada pela tese repetitiva referida, bem como à jurisprudência do STF, estabelecida em sentido contrário, mesmo que não tendo sido com repercussão geral ou em controle concentrado de constitucionalidade.
2. O CPC/1973 regulamentava a matéria de forma clara, prevendo, em resumo, que a efetivação da tutela provisória corre por conta do exequente, e a sua eventual reforma restituiria as partes ao estado anterior à concessão, o que obrigaria o exequente a ressarcir eventuais prejuízos sofridos pelo executado. A mesma lógica foi mantida pelo legislador do CPC/2015. Por conta disso que sempre se erigiu como pressuposto básico do instituto da tutela de urgência a reversibilidade dos efeitos da decisão judicial.
3. O debate surgiu especificamente no que tange à aplicação de tal regulamentação no âmbito previdenciário. Ou seja, discutia-se se as normas específicas de tal área do direito trariam solução diversa da previsão de caráter geral elencada na legislação processual.
4. A razão histórica para o surgimento dessa controvérsia na área previdenciária consiste na redação original do art. 130 da Lei n. 8.213/1991, o qual dispunha que: "Ocorrendo a reforma da decisão, será suspenso o benefício e exonerado o beneficiário de restituir os valores recebidos". Nos idos de 1997, a Lei n. 9.528 alterou completamente a redação anterior, passando a valer a regra geral do CPC, na ausência de norma especial em sentido contrário no âmbito previdenciário.
5. A partir de então, começou a amadurecer a posição no sentido da necessidade de devolução dos valores recebidos em caso de revogação da tutela antecipada, o que redundou, em 2014, no entendimento vinculante firmado pelo STJ no Tema Repetitivo 692 (REsp n. 1.401.560/MT): "A reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente recebidos.".
6. Em 2018, esta Relatoria propôs a questão de ordem sob exame, diante da variedade de situações que ensejam dúvidas quanto à persistência da orientação firmada pela tese repetitiva referida, bem como à existência de alguns precedentes em sentido contrário no STF, mesmo não tendo sido com repercussão geral ou em controle concentrado de constitucionalidade. 7. À época, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 que regulamenta a matéria no direito previdenciário trazia redação que não era clara e direta como a da legislação processual, uma vez que não referia expressamente a devolução de valores recebidos a título de antecipação dos efeitos da tutela posteriormente revogada. Tal fato, aliás, não passou despercebido pela Primeira Seção ao rejeitar os EDcl no REsp n. 1.401.560/MT fazendo menção a tal fato.
8. Foi essa redação pouco clara que gerou dúvidas e terminou ocasionando, em 2018, a propositura da questão de ordem ora sob julgamento.
9. A Medida Provisória n. 871/2019 e a Lei n. 13.846/2019, entretanto, trouxeram uma reformulação da legislação previdenciária, e o art. 115, inc. II, passou a não deixar mais qualquer dúvida: Na hipótese de cessação do benefício previdenciário ou assistencial pela revogação da decisão judicial que determinou a sua implantação, os valores recebidos devem ser devolvidos à parte adversa.
10. Se o STJ - quando a legislação era pouco clara e deixava margem a dúvidas - já tinha firmado o entendimento vinculante no Tema Repetitivo 692/STJ, não é agora que deve alterar sua jurisprudência, justamente quando a posição da Corte foi sufragada expressamente pelo legislador reformador ao regulamentar a matéria.
11. Trata-se, pois, de observância de norma editada regularmente pelo Congresso Nacional, no estrito uso da competência constitucional a ele atribuída, não cabendo ao Poder Judiciário, a meu sentir, reduzir a aplicabilidade do dispositivo legal em comento, decorrente de escolha legislativa explicitada com bastante clareza.
12. Ademais, a postura de afastar, a pretexto de interpretar, sem a devida declaração de inconstitucionalidade, a aplicação do art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 pode ensejar questionamentos acerca de eventual inobservância do art. 97 da CF/1988 e, ainda, de afronta ao verbete vinculante n. 10 da Súmula do STF.
13. O STF adota o posicionamento referido em algumas ações originárias propostas (na maioria, mandados de segurança) em seu âmbito. Porém, não o faz com caráter de guardião da Constituição Federal, mas sim na análise concreta das ações originárias. A maioria dos precedentes do STF não diz respeito a lides previdenciárias e, além disso, são todos anteriores às alterações inseridas no art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991. Na verdade, atualmente o STF vem entendendo pela inexistência de repercussão geral nessa questão, por se tratar de matéria infraconstitucional, como se verá adiante.
14. O que se discute no caso em tela é a interpretação de artigo de lei federal, mais especificamente, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991 e vários dispositivos do CPC/2015. Assim, vale o entendimento do STJ sobre a matéria, pois, segundo o art. 105 da Carta Magna, é esta Corte a responsável pela uniformização da interpretação da legislação infraconstitucional no país.
15. A propósito, o STF, ao julgar o Tema 799 da Repercussão Geral (ARE 722.421/MG, j. em 19/3/2015), já firmou expressamente que a questão não é constitucional e deve, portanto, ser deslindada nos limites da legislação infraconstitucional, o que foi feito com bastante clareza pelo legislador ao trazer a nova redação do art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/1991. No mesmo sentido, vide o RE 1.202.649 AgR (relator Ministro Celso de Mello, Segunda Turma, j. em 20/12/2019), e o RE 1.152.302 AgR (relator Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, j. em 28/5/2019).
16. Ao propor a questão de ordem, esta Relatoria citou as seguintes particularidades processuais que supostamente seriam aptas a ensejar uma consideração específica quanto à possibilidade de revisão do entendimento firmado no Tema 692/STJ: a) tutela de urgência concedida de ofício e não recorrida; b) tutela de urgência concedida a pedido e não recorrida; c) tutela de urgência concedida na sentença e não recorrida, seja por agravo de instrumento, na sistemática processual anterior do CPC/1973, seja por pedido de suspensão, conforme o CPC/2015; d) tutela de urgência concedida initio litis e não recorrida; e) tutela de urgência concedida initio litis, cujo recurso não foi provido pela segunda instância; f) tutela de urgência concedida em agravo de instrumento pela segunda instância; g) tutela de urgência concedida em primeiro e segundo graus, cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então existente.
17. Quanto a elas, note-se que se trata basicamente do momento em que foi concedida e/ou revogada a tutela de urgência, se logo no início do feito, se na sentença, se na segunda instância, ou se apenas no STF ou no STJ. A ideia subjacente é que, em algumas hipóteses, a tutela de urgência já estaria, de certa forma, incorporada ao patrimônio jurídico da parte autora, e sua revogação poderia resultar em injustiça no caso concreto.
18. Tais situações, entretanto, são tratadas pela lei da mesma forma, não merecendo distinção do ponto de vista normativo. Ou seja, em qualquer desses casos, a tutela de urgência não deixa de ser precária e passível de modificação ou revogação a qualquer tempo, o que implicará o retorno ao estado anterior à sua concessão.
19. Situação diversa é a da tutela de urgência cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então dominante. Nesses casos, a superação do precedente deverá ser acompanhada da indispensável modulação dos efeitos, a juízo do Tribunal que está promovendo a alteração jurisprudencial, como determina o art. 927, § 3º, do CPC. Assim, como diz a norma, o próprio juízo de superação "de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos" deve ser acompanhado da modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. Dessa forma, uma eventual guinada jurisprudencial não resultará, em princípio, na devolução de valores recebidos por longo prazo devido à cassação de tutela de urgência concedida com base em jurisprudência dominante à época em que deferida, bastando que o tribunal, ao realizar a superação, determine a modulação dos efeitos.
20. Por fim, não há que se falar em modulação dos efeitos do julgado no caso em tela, uma vez que não se encontra presente o requisito do art. 927, § 3º, do CPC. Isso porque, no caso sob exame, não houve alteração, mas sim reafirmação da jurisprudência dominante do STJ.
21. Questão de ordem julgada no sentido da reafirmação da tese jurídica, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos termos a seguir: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago". (Pet n. 12.482/DF, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 11/5/2022, DJe de 24/5/2022.) Dessa forma, deve ser autorizada a devolução dos valores pagos ao segurado por força de decisão judicial de primeiro grau posteriormente reformada pelo Tribunal de Justiça, conforme orientação estabelecida no julgamento do Tema n. 692/STJ e reafirmada no julgamento da Pet n. 12.482/DF. Ainda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal Superior, "é desnecessário o ajuizamento de ação autônoma para ressarcimento de valores pagos a título de tutela provisória, posteriormente revogada, sendo possível proceder à execução nos próprios autos, independentemente de previsão de tal ressarcimento no título executivo" (REsp n. 1.780.410/SP, relator para acórdão Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 23/2/2021, DJe de 13/4/2021) (EDcl no AgRg no REsp n. 1.003.543/RS, relator Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 20/5/2025, DJEN de 26/5/2025). Desse modo, estando o acórdão recorrido em confronto com a jurisprudência dominante desta Corte Superior de Justiça acerca do tema, de rigor o provimento do recurso especial, nos termos da Súmula 568 deste Sodalício, que assim dispõe: Súmula 568. O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para permitir a restituição dos valores pagos em razão de decisão judicial posteriormente revogada, nos termos do quanto decidido no julgamento do Tema n. 692/STJ. Publique-se. Intime-se.
EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE DECISÃO REFORMADA PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE DE PREVIS ÃO DO RESSARCIMENTO NO TÍTULO EXECUTIVO. TEMA REPETITIVO 692/STJ. REAFIRMADO NO JULGAMENTO DA PET 12.482/DF. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. RECURSO ESPECIAL PROVIDO .
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