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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Diante do entendimento consolidado no Tema 692/STJ, complementado pelos embargos de declaração (EDcl na Pet n. 12.482/DF), e da previsão legal (art. 115, II, Lei 8.213/91), o recurso especial foi provido para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores percebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada, permitindo-se a restituição mediante desconto que não exceda 30% e a liquidação nos próprios autos.

Court disposition

Recurso especial provido

Orders

  • Dar provimento ao recurso especial para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada.
  • Intimem-se.

02

Material facts

Parties

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

Recorrente

Amounts and remedies

  • Percentual Máximo De Desconto: 30

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Especial / Decisão De Mérito

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta que não há condicionamento quanto ao modo de restituição; ao utilizar o verbo "poder" o desconto no benefício ativo é uma das possibilidades, mas não a única; inexistindo benefício previdenciário ativo, o ente público pode utilizar outros meios de execução e cobrança.
Respondent
Defende a aplicação da tese consagrada no Tema 692/STJ no sentido de que a reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga a devolução dos valores, podendo esta ser feita por desconto que não exceda 30% do benefício ainda em pagamento, e admite a liquidação nos mesmos autos, além de invocar o art. 115, II, da Lei 8.213/91.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Tema 692/STJ

    A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios percebidos.

  2. 02

    Tema 692/STJ

    A devolução pode ser feita por desconto em valor que não exceda 30% da importância de eventual benefício que ainda estiver sendo pago.

  3. 03

    Art. 520, II, do CPC/2015; Tema 692/STJ; EDcl na Pet n. 12.482/DF

    É possível a liquidação dos prejuízos nos próprios autos, na forma do art. 520, II, do CPC/2015 (art. 475‑O, II, do CPC/1973).

  4. 04

    Art. 115, II, da Lei 8.213/91

    Na hipótese de cessação do benefício por revogação de decisão judicial que determinou sua implantação, os valores recebidos devem ser devolvidos à parte adversa.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Diante do entendimento consolidado no Tema 692/STJ, complementado pelos embargos de declaração (EDcl na Pet n. 12.482/DF), e da previsão legal (art. 115, II, Lei 8.213/91), o recurso especial foi provido para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores percebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada, permitindo-se a restituição mediante desconto que não exceda 30% e a liquidação nos próprios autos.

Obiter and limits

  • O dever de ressarcimento já era aplicado com base no regime de execução provisória do CPC/1973 antes da regulamentação legislativa posterior.
  • Não se vislumbrou hipótese apta a autorizar a modulação dos efeitos do julgado, por se tratar de reafirmação da jurisprudência dominante do STJ.
  • O relator, monocraticamente, pode dar ou negar provimento quando há entendimento dominante (Súmula 568/STJ).

Court disposition

Recurso especial provido

  • Dar provimento ao recurso especial para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada.
  • Intimem-se.

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DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. REMESSA OFICIAL TIDA POR INTERPOSTA. BENEFÍCIO DE AUXÍLIO-DOENÇA. AJUIZAMENTO DE AÇÃO ANTERIOR. TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO. OCORRÊNCIA DE COISA JULGADA. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. No recurso especial, interposto com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição Federal, o recorrente aponta, além da negativa de prestação jurisdicional, negativa de vigência aos arts. 297, parágrafo único, 302, I, 520, I e II, 927, III, do CPC, 876, 884 e 885 do Código Civil, 115, II, da Lei 8.213/91 e 3º da LICC, pois "não há, portanto, qualquer condicionamento em relação ao modo pelo qual a restituição pode ser feita. Ao utilizar o verbo "poder" , esse Colendo Tribunal claramente estabelece que o desconto no benefício ativo é uma das possibilidades de restituição, mas não a única. Inexistindo benefício previdenciário, o ente público pode se valer de outros meios de execução e cobrança" (fl. 381). Requer, ao final, o provimento do recurso. Devolvidos os autos para juízo de retratação, o acórdão recorrido restou mantido. Em seguida, o recurso especial foi admitido. É o relatório. Passo a decidir. Com relação à alegada violação ao art. 1.022, I e, II, do CPC/2015,

considero a matéria prequestionada, pelo que passo à análise do mérito. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do Tema repetitivo 692/STJ, definiu ser legítima a restituição de valores percebidos pelo segurado, em virtude do cumprimento de decisão judicial precária posteriormente revogada, sendo certo, ainda, que não houve qualquer modulação dos efeitos do julgado. Importante frisar que a tese jurídica firmada no Tema 692/STJ foi complementada para incluir a possibilidade de liquidação nos próprios autos, restando assim definida: A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos, na forma do art. 520, II, do CPC/2015 (art. 475-O, II, do CPC/1973). Confira-se a ementa do referido julgado: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA PETIÇÃO. QUESTÃO DE ORDEM NO TEMA REPETITIVO 692/STJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS RECEBIDOS POR FORÇA DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA POSTERIORMENTE REVOGADA. ART. 115, II, DA LEI 8.213/1991. COMPLEMENTAÇÃO DA TESE JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE LIQUIDAÇÃO NOS MESMOS AUTOS. ARTS. 520, II, DO CPC/2015 E 475-O, II, DO CPC/1973. ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO CONFIGURADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.

1. Em análise, embargos de declaração opostos contra acórdão da Primeira Seção do STJ, o qual julgou questão de ordem, no sentido da reafirmação da tese jurídica no Tema 692/STJ, com acréscimo redacional para ajuste à nova legislação de regência, nos termos a seguir: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago." 2. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os embargos de declaração têm o objetivo de introduzir o estritamente necessário para eliminar a obscuridade, contradição ou suprir a omissão existente no julgado, além de corrigir erro material, não permitindo em seu bojo a rediscussão da matéria.

3. Não obstante o voto proferido na Questão de Ordem no Tema 692/STJ tenha sido claro quanto à possibilidade de liquidação nos próprios autos, quando reformada a decisão que lastreava a execução provisória, com base no art. 520, I e II, do CPC/2015 (art. 475-O, I e II, do CPC/1973), a tese jurídica não fez nenhuma referência a essa questão.

4. Por essa razão, a fim de evitar desnecessárias controvérsias derivadas do julgamento da presente Questão de Ordem, pertinente uma complementação no conteúdo da tese jurídica consagrada no Tema 692/STJ, para incluir, expressamente, a possibilidade de liquidação nos próprios autos, na forma do art. 520, I e II, do CPC/2015 (art. 475-O, I e II, do CPC/1973).

5. Solução do caso concreto: Embargos de declaração do INSS parcialmente acolhidos, para complementar a tese jurídica firmada no Tema 692/STJ.

6. Tese jurídica firmada: "A reforma da decisão que antecipa os efeitos da tutela final obriga o autor da ação a devolver os valores dos benefícios previdenciários ou assistenciais recebidos, o que pode ser feito por meio de desconto em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da importância de eventual benefício que ainda lhe estiver sendo pago, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos, na forma do art. 520, II, do CPC/2015 (art. 475-O, II, do CPC/73)." (EDcl na Pet n. 12.482/DF, relator Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, julgado em 9/10/2024, DJe de 11/10/2024.) No voto condutor do julgamento, consignou-se expressamente que: Mais uma vez, não lhe assiste razão, uma vez que o acórdão ora embargado deixou claro que o dever de ressarcimento dos valores indevidamente recebidos decorre da própria provisoriedade da antecipação de tutela e do regime de execução provisória, que já era vigente no CPC/1973, na forma dos arts. 475-O, I e II, e 811, I e III, e foi mantido pelo CPC/2015, como se observa dos arts. 297, 302, I e III, e 520, I e II, e § 5º. Inclusive, sobre a questão, restou inequívoca a compreensão de que o posicionamento adotado no tema repetitivo ora em debate já era aplicado antes da expressa determinação legislativa de devolução dos valores indevidamente recebidos pelo segurado (art. 115, II, da Lei

8.213/1991), conforme se observa do trecho a seguir (..): Com o advento da nova redação trazida pela MP n. 871/2019 e pela Lei n. 13.846/2019, o art. 115, inc. II, da Lei n. 8.213/91 não deixa mais qualquer dúvida: Na hipótese de cessação do benefício previdenciário ou assistencial pela revogação da decisão judicial que determinou a sua implantação, os valores recebidos devem ser devolvidos à parte adversa. Se o STJ - quando a legislação era pouco clara e deixava margem a dúvidas - já tinha firmado o entendimento vinculante no Tema Repetitivo 692/STJ, não é agora que deve alterar sua jurisprudência, justamente quando a posição da Corte foi sufragada expressamente pelo legislador reformador ao regulamentar a matéria. Outrossim, em estreita conexão com o presente tópico, foi a rejeição do pedido de modulação dos efeitos do julgado - para que a tese fosse aplicada somente aos casos de decisões provisórias concedidas a partir da publicação do acórdão do recurso repetitivo, ou, sucessivamente, a partir da vigência da MP 871/2019, que deu origem ao direito material de repetição do indébito -, pois, como bem ressaltou o Relator originário, "não há que se falar em modulação dos efeitos do julgado no caso em tela, uma vez que não se encontra presente o requisito do art. 927, § 3º, do CPC. Isso porque, no caso sob exame, não houve alteração, mas sim reafirmação da jurisprudência

dominante do STJ" .. Como se vê, o voto condutor dos embargos de declaração na PET 12.482/DF esclareceu que o dever de ressarcimento dos valores indevidamente recebidos já era previsto desde o CPC/73 e que o posicionamento adotado no tema repetitivo ora em debate já era aplicado antes da expressa determinação legislativa de devolução dos valores indevidamente recebidos pelo segurado. Inclusive, esse foi o motivo pelo qual não se determinou a modulação dos efeitos do julgado desde o primeiro julgamento do Tema 692/STJ. Portanto, deve ser provido o recurso especial, com fundamento na orientação contida na Súmula 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema." Isso posto, dou provimento ao recurso especial, para reformar o acórdão e determinar a devolução dos valores recebidos a título de tutela antecipada por sentença posteriormente reformada. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

Tema repetitivo 692/STJ

Case cited

EDcl na Pet n. 12.482/DF, relator Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, julgado em 9/10/2024, DJe de 11/10/2024

Case cited

Art. 105, III, a, da Constituição Federal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 297, parágrafo único, 302, I, 520, I e II, 927, III do CPC/2015

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 520, II do CPC/2015

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 1.022, I e II, do CPC/2015

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 475‑O, I e II, do CPC/1973

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 475‑O e 811, I e III do CPC/1973

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 115, II, da Lei 8.213/91

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

MP n. 871/2019

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 13.846/2019

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Arts. 876, 884 e 885 do Código Civil

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 3º da LICC

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Art. 927, § 3º do CPC/2015

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 568/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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