Devolu Odevalores Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3e590c6a15da909d2df4e2
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido
More details
- Posture
- Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
Por ausência de juízo de valor sobre certos dispositivos na decisão de origem, o recurso especial não foi conhecido quanto a essas questões por falta de prequestionamento; porém, no mérito, adotou-se o entendimento desta Corte de que é devida a restituição ao erário dos valores pagos a título de antecipação de tutela posteriormente revogada, independentemente da natureza alimentar ou da boa-fé do beneficiário, determinando-se assim a devolução dos valores.
Court disposition
Recurso conhecido em parte e provido
Orders
- Determinar a restituição dos valores pagos a título de antecipação de tutela posteriormente revogada
- Publique-se.
- Intime-se.
02
Material facts
Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente03
Procedural history
Posture
Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Provido
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Prequestionamento dos dispositivos legais indicados
- 02
Devolução de valores recebidos por força de antecipação de tutela posteriormente revogada
- 03
Conflito entre jurisprudência do STJ e posicionamento do STF quanto à irrepetibilidade dos alimentos e boa-fé do segurado
- 04
Efeito dos embargos de declaração sobre eventual vício de prequestionamento
Party arguments
- Applicant
- O INSS sustentou violação de dispositivos do CPC/2015, da LINDB, da Lei nº 8.213/91 e do Código Civil, pleiteando o sobrestamento do processo em razão de embargos de declaração, invocando o entendimento do STJ (recurso repetitivo) de que deve haver devolução dos valores previdenciários recebidos por força de tutela antecipada posteriormente revogada, afirmando ainda a vedação ao locupletamento ilícito mesmo diante da boa-fé do segurado e da natureza alimentar das verbas e censurando a atuação de órgão fracionário que afaste aplicação de artigo de lei em desatenção ao sistema de controle de constitucionalidade.
- Respondent
- A Corte de origem e as decisões de instâncias anteriores aplicaram o posicionamento do STF no sentido de que os benefícios previdenciários de natureza alimentar recebidos por força de decisão judicial não estariam sujeitos à repetição de indébito em razão da boa-fé do segurado e da irrepetibilidade dos alimentos, afastando a devolução dos valores; além disso, foi afirmado que os embargos de declaração não sanaram eventual vício de prequestionamento.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Súmula n. 282/STF
Exigência de prequestionamento para conhecimento do recurso extraordinário
- 02
Precedentes do STJ (v. AgInt e REsp citados no acórdão)
É possível a restituição ao erário de valores pagos em razão de decisão judicial precária posteriormente revogada, para evitar enriquecimento sem causa
- 03
Posicionamento do STF mencionado no acórdão
Princípio da irrepetibilidade dos alimentos e boa-fé do segurado como fundamento para indevidade da repetição de indébito
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Por ausência de juízo de valor sobre certos dispositivos na decisão de origem, o recurso especial não foi conhecido quanto a essas questões por falta de prequestionamento; porém, no mérito, adotou-se o entendimento desta Corte de que é devida a restituição ao erário dos valores pagos a título de antecipação de tutela posteriormente revogada, independentemente da natureza alimentar ou da boa-fé do beneficiário, determinando-se assim a devolução dos valores.
Obiter and limits
- Os embargos de declaração opostos na origem não sanaram o vício de prequestionamento quanto aos dispositivos apontados
- Questões sobre limitação de descontos para preservação de remuneração mínima devem ser apreciadas pelo juízo da execução
- Em regra não se impõe multa do art. 1.021, §4º, do CPC/2015 apenas pelo improvimento do agravo interno, salvo manifesta inadmissibilidade ou improcedência
Court disposition
Recurso conhecido em parte e provido
- Determinar a restituição dos valores pagos a título de antecipação de tutela posteriormente revogada
- Publique-se.
- Intime-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA N. 282/STF. DEVOLUÇÃO DE VALORES AO ERÁRIO. DECISÃO PRECÁRIA REVOGADA. NECESSIDADE. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E PROVIDO. DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado: "PREVIDENCIÁRIO E PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RESP 1.401.560/MT. PET N. 12.482/DF. TUTELA ANTECIPADA. REVOGAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE VALORES. VERBA DE NATUREZA ALIMENTAR. BOA-FÉ DO SEGURADO. POSICIONAMENTO DO STF. RECURSO DESPROVIDO.
1. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo de Controvérsia, entendeu que a reforma de decisão que antecipa a tutela obriga o autor a devolver os benefícios previdenciários recebidos por força dela.
2. Aplicação do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no sentido de que o benefício previdenciário recebido pelo segurado, em decorrência de decisão judicial, não está sujeito à repetição de indébito, em razão de seu caráter alimentar. Precedentes jurisprudenciais.
3. Apelação desprovida." (e-STJ, fl.
234) Embargos de declaração rejeitados (fls. 263-264). Em suas razões recursais, a recorrente aponta violação aos arts. 296, 297, § único, 300, §3º, 302, caput I e II e § único, 520, 927, III, 948 e caput 949 do Código de Processo Civil de 2015; art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, arts. 115, inciso II e § 1º da Lei nº 8.213/91 e 876, 884 e 885 do Código Civil de 2002, sustentando, em síntese, (a) que o processo deve ser sobrestado em razão de embargos de declaração opostos em face do acórdão na Pet n. 12.482/DF até a definitiva solução da controvérsia; (b) que o STJ já pacificou entendimento em julgamento de recurso repetitivo acerca da necessidade de devolução de valores de natureza previdenciária recebidos a título de tutela antecipada, devendo este ser observado; (c) que é vedado o locupletamento ilícito mesmo diante da boa-fé do segurado e da natureza alimentar das verbas e (d) que é inadmissível que órgão fracionário afaste aplicação de artigo de lei em desatenção ao sistema de controle de constitucionalidade. Recurso admitido na origem às fls. 328-331. É o relatório. Decido. No que diz respeito aos arts. 296, 300, §3º, 948 e caput 949 do CPC/15; art. 3º da LINDB; arts. 115, inciso II e § 1º da Lei nº 8.213/91 e 876, 884 e 885 do CC/02, verifica-se que não houve juízo de valor por parte da Corte de origem, o que acarreta o não conhecimento do
recurso especial pela falta de cumprimento ao requisito do prequestionamento. Aplica-se ao caso a Súmula n. 282/STF. Frise-se, por oportuno, que os embargos de declaração opostos na origem não buscaram sanar eventual vício relativo à aplicação dos aludidos dispositivos legais. No tocante aos arts. 297, § único, 300, §3º, 302, caput I e II e § único, 520, 927, III, do CPC/15, a Corte de origem afirmou que a jurisprudência do STF deve ser seguida e entende que é indevida a devolução de valores recebidos por força de decisão judicial antecipatória dos efeitos da tutela em razão da boa-fé do segurado e da irrepetibilidade dos alimentos, in verbis: "Assim, não se desconhece o julgamento proferido pelo C. STJ no Recurso Especial Representativo de Controvérsia n. 1.401.560/MT (Tema 692) e Pet n. 12.482/DF, que firmou orientação no sentido de que a reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios previdenciários indevidamente recebidos. Todavia, consoante acima mencionado, é pacífica a jurisprudência do E. STF, no sentido de ser indevida a devolução de valores recebidos por força de decisão judicial antecipatória dos efeitos da tutela, em razão da boa-fé do segurado e do princípio da irrepetibilidade dos alimentos. Saliente-se, ademais, que o v. acórdão proferido no Pet 12482/DF ainda não transitou em julgado. Dessa forma, apesar do julgamento do recurso representativo de controvérsia citado, entendo que, enquanto mantido o posicionamento firmado pelo e. STF, este deve continuar a ser aplicado nestes casos, afastando-se a necessidade de devolução de valores recebidos de boa-fé, em razão de sua natureza alimentar." (fl.
222) A decisão contraria o entendimento desta Corte Superior, no sentido de que é devida a restituição ao erário de valores pagos ao beneficiário em razão do cumprimento de decisão judicial precária que é posteriormente cassada em segundo grau de jurisdição, independente de se tratar de valor de natureza alimentar e do recebimento ter se dado de boa-fé. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VALORES PAGOS EM RAZÃO DE DECISÃO JUDICIAL PRECÁRIA. RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO. CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É legítima a restituição ao Erário de valores pagos a segurado em razão do cumprimento de decisão judicial precária, posteriormente cassada em segundo grau de jurisdição. III - A restrição imposta pela Corte de origem, a fim de preservar remuneração não inferior ao salário mínimo após o desconto, "afasta-se da orientação firmada no precedente qualificado do STJ, na medida em que, ao acrescentar uma hipótese de dispensa à
devolução dos valores pagos por força de antecipação de tutela, posteriormente revogada, sem a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal, cria uma exceção à regra da reversibilidade da medida antecipatória revogada, negando vigência à própria norma definida no art. 115, II, da LB, bem como afrontando o art. 927, III, do CPC/2015" (1ª T., REsp n. 2.084.815/SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, DJe de 20.10.2023). IV - Rejeitada a repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 799, é incabível eventual recurso extraordinário para discutir tal matéria, sendo, portanto, inaplicável a Súmula n. 126/STJ. V - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.095.191/PR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO APELO NOBRE. PREENCHIMENTO. IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. VALORES RECEBIDOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL PRECÁRIA, POSTERIORMENTE REFORMADA. RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO. NECESSIDADE. DESPROVIMENTO DA IMPUGNAÇÃO.
1. Na forma da jurisprudência do STJ, "para que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal, em suas razões recursais. É necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como seja exercido juízo de valor sobre os dispositivos legais indicados e a tese recursal a eles vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não, ao caso concreto" (AgInt no REsp 1.890.753/MA, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 6/5/2021). Nesse mesmo sentido: REsp 1.217.893/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 9/12/2011.
2. Caso concreto em que, conquanto não tenha ocorrido o prequestionamento explícito dos dispositivos legais apontados como contrariados no apelo nobre, a questão federal - possibilidade ou não de ressarcimento ao erário dos valores pagos à ora agravante por força de decisão judicial, posteriormente revogada - foi apreciada pela Corte estadual, restando prequestionada a matéria.
3. Este Superior Tribunal, a quem compete dar a última palavra a respeito da interpretação da legislação infraconstitucional federal, posicionou-se no sentido de admitir "a possibilidade de restituição de valores recebidos da Administração Pública por força de liminar ou antecipação de tutela posteriormente revogadas, a fim de evitar o enriquecimento sem causa do beneficiário, sendo desnecessário o ajuizamento de ação autônoma para pleitear a devolução numerário" (AgInt no REsp n. 1.812.326/RS, relator Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 26/11/2020). A propósito: AgInt no REsp n. 1.763.371/AM, relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/9/2022; AgInt no AREsp n. 2.087.564/DF, relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/3/2023.
4. A questão concernente à eventual limitação dos descontos a serem realizados nos proventos de aposentadoria da parte ora agravante, para fins de restituição ao erário, não se encontra prequestionada, devendo ser oportunamente apreciada pelo Juízo da execução.
5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.124.765/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 31/8/2023.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDORES PÚBLICOS. VALORES RECEBIDOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL PRECÁRIA POSTERIORMENTE REFORMADA. RESTITUIÇÃO AO ERÁRIO. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVA. DESCABIMENTO.
1. Consoante o entendimento do STJ, os valores indevidamente pagos a servidores públicos, por força de decisão judicial precária posteriormente revogada, são passíveis de devolução, não havendo que falar em boa-fé a amparar a não devolução.
2. Para a verificação das alegações da parte agravante de que os pagamentos teriam sido feitos sob a rubrica "decisão judicial transitada em julgado" seria necessária a análise de matéria fática, inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7 do STJ.
3. O fato de os pagamentos serem decorrentes de decisões proferidas em ações coletivas propostas por Sindicato Nacional não altera a natureza do pagamento realizado em razão de decisão judicial precária, posteriormente revogada, não sendo referido fundamento suficiente para ilidir o entendimento do STJ.
4. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.877.556/SC, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 3/5/2023.) Ante o exposto, conheço em parte e dou provimento ao recurso especial a fim de determinar a restituição dos valores pagos a título de antecipação de tutela que foi posteriormente revogada. Publique-se. Intime-se.
EMENTA
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.