Direitodevisita Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbb057ccdbf40b16ae8dc
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória (liminar Indeferida)
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- Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória (liminar Indeferida)
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Professional case brief
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01
Holding and result
Denegou-se a ordem porque a decisão que restringiu a visitação ao parlatório estava fundamentada nas informações da unidade prisional sobre a existência de processo em conluio entre a requerente e o sentenciado, sendo a medida proporcional e dirigida à preservação da segurança e disciplina no estabelecimento prisional; ademais, o habeas corpus não é via adequada para impugnar, em caráter geral, decisões dessa natureza quando fundada.
Court disposition
habeas corpus denegado
Orders
- Denego o habeas corpus.
- Publique-se.
- Intimem-se.
02
Material facts
Parties
RAISSA MACHADO ALVES
PacienteMinistério Público Federal
Órgão Ministerial03
Procedural history
Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória (liminar Indeferida)
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
possibilidade de restrição do direito de visita do preso
- 02
necessidade de fundamentação para restrição de visitas
- 03
cabimento do habeas corpus para impugnar decisão administrativa/da execução sobre visitas
Party arguments
- Applicant
- A defesa alega constrangimento ilegal por falta de fundamentação da restrição à visitação, sustentando que a medida foi baseada unicamente na existência de processo em curso sem apresentação de elementos concretos de risco à ordem, disciplina ou segurança, e que a proibição administrativa de visitas por responder a processo em concurso com o companheiro é desproporcional, requerendo a cassação do acórdão para assegurar o regular direito de visita.
- Respondent
- A decisão recorrida e a direção da unidade prisional justificaram a restrição com base nas informações de que a requerente responde a processo criminal em conjunto com o sentenciado (incurso no art. 155, § 4º, inciso IV, do Código Penal), autorizando visitação restrita ao parlatório até o término da fase recursal, por razões de segurança e disciplina; o Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem; a jurisprudência do STJ admite limitação do direito de visita quando fundamentada.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
art. 41, inciso X, da Lei de Execução Penal (LEP)
O direito do preso à visita do cônjuge, companheira, parentes e amigos está previsto no art. 41, inciso X, da Lei de Execução Penal.
- 02
art. 41, § 1º, da Lei de Execução Penal (LEP)
Esse direito não é absoluto e pode ser restringido, desde que a medida esteja devidamente fundamentada, nos termos do art. 41, § 1º, da LEP.
- 03
jurisprudência do STJ citada; informações da unidade prisional; referência a art. 155, § 4º, inciso IV, do Código Penal
A administração penitenciária e o Juízo da execução penal podem regulamentar a forma de exercício do direito de visitação para garantir segurança e ordem no sistema prisional; restrições justificadas por conluio entre visitante e preso são proporcionais.
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Denegou-se a ordem porque a decisão que restringiu a visitação ao parlatório estava fundamentada nas informações da unidade prisional sobre a existência de processo em conluio entre a requerente e o sentenciado, sendo a medida proporcional e dirigida à preservação da segurança e disciplina no estabelecimento prisional; ademais, o habeas corpus não é via adequada para impugnar, em caráter geral, decisões dessa natureza quando fundada.
Obiter and limits
- É inadequada a utilização de habeas corpus para impugnar decisão que indeferiu visita em unidade prisional com contato físico (citação do AgRg no HC n. 548.017/SP).
- O direito de visitação não é absoluto, de modo que a forma de seu exercício pode e deve ser regulamentada pela administração penitenciária e pelo Juízo das execuções (citação do AgRg no HC n. 393.846/SP).
- Jurisprudência do STJ tem admitido manutenção da visitação apenas no parlatório quando justificadas razões de segurança e disciplina (citação do AgRg no HC n. 811.767/SP).
Court disposition
habeas corpus denegado
- Denego o habeas corpus.
- Publique-se.
- Intimem-se.
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
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Judgment reading view
Judgment text
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Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de RAISSA MACHADO ALVES contra acórdão que negou provimento ao agravo em execução defensivo. Consta dos autos que, determinada a limitação à autorização de visita da agravante ao sentenciado ao parlatório, com o qual responde a uma mesma ação penal, a paciente interpôs agravo em execução. Sustenta a defesa, em síntese, constrangimento ilegal, tendo em vista a falta de fundamentação para a determinação, com base "unicamente na existência de processo em curso, sem apresentação de elementos concretos que demonstrem qualquer risco à ordem, a disciplina ou a segurança do estabelecimento prisional" (fl. 5). Aduz que "a proibição administrativa de visitas baseada no fato de a requerente responder a processo por crime cometido em concurso com seu companheiro não impede sua aproximação ao preso, sendo desproporcional restringir a visita ao parlatório (fls. 1/5)" (fl. 78). Requer, liminarmente e no mérito, seja cassado o acórdão impugnado, a fim de assegurar à paciente o regular direito de visita. A medida liminar foi indeferida. Prestadas as informações, o Ministério Público Federal opina pela denegação da ordem. É o relatório. Decido. Sobre a pretensão aqui trazida, assim se manifestou o Tribunal local (fls. 80-81): Inicialmente, cumpre destacar que, nos termos do artigo 41, inciso X, da Lei de Execução Penal
(LEP), constitui direito do preso a visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados, com vistas a mitigar o natural distanciamento do núcleo familiar imposto pelo cumprimento da pena, medida também benéfica para sua ressocialização. Entretanto, esse mesmo dispositivo prevê a possibilidade de restrição de direitos do sentenciado, desde que devidamente fundamentado (art. 41, § 1º, da LEP). No presente caso, verifica-se que a decisão de primeiro grau está devidamente fundamentada. O d. Magistrado considerou as informações prestadas pela unidade prisional, que destacou que a requerente responde a processo criminal junto a seu companheiro, como incursos no art. 155, § 4º, inciso IV, do Código Penal (autos nº 1501871- 91.2024.8.26.0602) e, tendo em vista a ação em conluio, teve autorizada sua visitação com restrição ao parlatório até que seja encerrada a fase recursal. Nessa toada, vê-se que as ponderações feitas pela direção da unidade prisional visam à segurança e disciplina internas da unidade. Tal medida é proporcional e visa resguardar a ordem e a disciplina no ambiente prisional. É reconhecido que o direito do preso de receber visitas não possui caráter absoluto, sendo, portanto, passível de regulamentação tanto pela administração penitenciária quanto pelo Juízo da execução penal, com o objetivo de garantir a segurança e a ordem dentro do sistema
prisional. Com efeito, apresentou-se justificativa determinante para a restrição de visitação, no sentido de que "O d. Magistrado considerou as informações prestadas pela unidade prisional, que destacou que a requerente responde a processo criminal junto a seu companheiro, como incursos no art. 155, § 4º, inciso IV, do Código Penal (autos nº 1501871- 91.2024.8.26.0602) e, tendo em vista a ação em conluio, teve autorizada sua visitação com restrição ao parlatório até que seja encerrada a fase recursal". Nesse sentido, a jurisprudência deste Tribunal tem se consolidado no entendimento de que esse direito pode ser limitado, desde que haja fundamentação adequada para a medida. Confira-se. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DIREITO DE VISITAÇÃO NÃO É ABSOLUTO. NÃO CABIMENTO DO HABEAS CORPUS. VISITAÇÃO PERMITIDA TÃO SOMENTE NO PARLATÓRIO. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. "É inadequada a utilização de habeas corpus para impugnar decisão que indeferiu visita em unidade prisional com contato físico, por não restar configurada ofensa ao direito de ir e vir". (AgRg no HC n. 548.017/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/12/2019, D Je de 17/12/2019.) 2. Ademais, "especificamente sobre a mera restrição de que a visita seja realizada nas dependências do parlatório, o direito de visitação não é absoluto, de modo que a forma de seu exercício pode e deve ser regulamentada pela administração penitenciária e pelo Juízo das execuções" (AgRg no HC n. 393.846/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/6/2017, D Je de 20/6/2017).
3. O direito à visitação foi mantido à companheira do egresso, ora paciente, tão somente no parlatório, em razão daquela estar em cumprimento de pena no regime aberto. A pretensão aqui trazida encontra óbice "no comando disposto no art. 99, § 2º, da Resolução SAP nº 144/2010", não havendo falar-se em ilegalidade.
4. Agravo regimental improvido." (AgRg no HC n. 811.767/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 11/12/2023, D Je de 15/12/2023.) Ante o exposto, denego o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
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