Direitointertemporal Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dbc3c7ccdbf40b16b95a3
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Em Juízo De Reconsideração No Superior Tribunal De Justiça
More details
- Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Em Juízo De Reconsideração No Superior Tribunal De Justiça
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
Aplicou‑se a Lei nº 13.954/2019 ao caso porque o autor permaneceu vinculado às Forças Armadas após a vigência da norma; como ficou demonstrado que sua incapacidade não o tornava inválido para qualquer atividade laboral, pública ou privada, impõe‑se a aplicação do art. 109, §3º, da Lei nº 6.880/1980, determinando licenciamento/desincorporação e não direito à reforma, razão pela qual se deu provimento ao recurso especial e julgou‑se improcedente o pedido autoral.
Court disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido; pedidos autorais julgados improcedentes.
Orders
- Torno sem efeito a decisão de fls. 1.022-1.025
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Julgo improcedentes os pedidos autorais
- Inverto a sucumbência
- Fixada verba honorária em 10% sobre o valor da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça
- Publique-se; intimem-se
02
Material facts
Parties
Elissandro Dias Ribeiro
Autor/recorridoUnião
RecorrenteAmounts and remedies
- Valor Da Causa: BRL 37,000
03
Procedural history
Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão Em Juízo De Reconsideração No Superior Tribunal De Justiça
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Aplicabilidade da Lei nº 13.954/2019 a relações jurídicas em andamento
- 02
Existência ou não de direito adquirido ao regime jurídico anterior
- 03
Aplicação do art. 109, §3º, da Lei nº 6.880/1980 ao militar temporário que não está inválido para qualquer atividade laboral
Party arguments
- Applicant
- A União sustentou que a Lei nº 13.954/2019 deve ser aplicada imediatamente às relações jurídicas em andamento e que não há direito adquirido a regime jurídico (fls. 908-911).
- Respondent
- O autor alegou incapacidade decorrente de acidente em serviço e pleiteou reintegração e reforma, com fundamento nas normas anteriores do Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980).
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
REsp n. 1.997.556/PE, rel. Ministro Francisco Falcão (citado no acórdão)
Não há direito adquirido a regime jurídico; mudança de regime atinge relação jurídica em andamento
- 02
art. 109, §3º, da Lei nº 6.880/1980 (com redação dada pela Lei nº 13.954/2019)
Caso o militar temporário não seja considerado inválido para qualquer atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou desincorporado
- 03
Lei nº 6.880/1980, arts. 108 e 109, com redação da Lei nº 13.954/2019
As hipóteses de reforma e de licenciamento/desincorporação para militares temporários estão definidas nos arts. 108 e 109 da Lei nº 6.880/1980 (com redação dada pela Lei nº 13.954/2019)
- 04
Jurisprudência do STJ citada no acórdão (REsp n. 2.184.605/SP e excertos do aresto)
O vínculo funcional dos militares com a Administração é de trato sucessivo e sujeito à cláusula rebus sic stantibus
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
Aplicou‑se a Lei nº 13.954/2019 ao caso porque o autor permaneceu vinculado às Forças Armadas após a vigência da norma; como ficou demonstrado que sua incapacidade não o tornava inválido para qualquer atividade laboral, pública ou privada, impõe‑se a aplicação do art. 109, §3º, da Lei nº 6.880/1980, determinando licenciamento/desincorporação e não direito à reforma, razão pela qual se deu provimento ao recurso especial e julgou‑se improcedente o pedido autoral.
Obiter and limits
- Cita-se entendimento pacificado do STJ de que alterações no regime jurídico alcançam relações jurídicas em curso
- Aplicabilidade da Lei nº 13.954/2019 avaliada à luz do momento da desincorporação do militar
Court disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido; pedidos autorais julgados improcedentes.
- Torno sem efeito a decisão de fls. 1.022-1.025
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Julgo improcedentes os pedidos autorais
- Inverto a sucumbência
- Fixada verba honorária em 10% sobre o valor da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça
- Publique-se; intimem-se
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pela União contra a decisão que inadmitiu o recurso especial fundado no art. 105, III, da Constituição Federal. Na origem, Elissandro Dias Ribeiro ajuizou ação contra a União, buscando sua reforma por incapacidade definitiva para o serviço militar, alegando que a incapacidade decorre de acidente em serviço. Deu-se, à causa, o valor de R$ 37.000,00 (trinta e sete mil reais). Após sentença que julgou procedente o pedido, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou provimento à apelação da União. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MILITAR. REINTEGRAÇÃO. REFORMA. NEXO CAUSAL ENTRE O SERVIÇO CASTRENSE E A LESÃO. INCAPACIDADE.
1. A Lei nº 13.954/2019 não é aplicável ao caso dos autos, de vez que entrou em vigor em data posterior a do acidente em serviço sofrido pelo autor.
2. Reconhecida a incapacidade do autor para todas as atividades castrenses e para aquelas civis que exijam esforços físicos, cabe resguardar ao autor o direito à reintegração e reforma, no posto ocupado na ativa, nos termos do art. 106, II , c/c art. 108, III, da Lei nº 6.880/80.
3. Apelo desprovido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 897-897). A parte recorrente alega violação dos arts. 50, IV, a, 94, V, 106, II, "a," e "b", 108, I a V, 109, §1º, §2º, e §3º, 111, §1º e 2º e 121, todos da Lei 6.880/1980, com redação dada pela Lei nº 13.954, de 2019, e artigo 31, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei nº 4.375/64 c/c o art. 109, §3º da Lei 6.880/1980, com redação dada pela Lei nº 13.954, de 2019, além do art. 149 do Decreto nº 57.654/66, bem como o art. 1.022 do CPC. Argumenta, em síntese, que a Lei n. 13.954/2019 deve ser aplicada imediatamente às relações jurídicas em andamento, e que não há direito adquirido a regime jurídico (fls. 908-911). Contrarrazões apresentadas às fls. 946-967. O recurso não foi admitido, razão pela qual foi interposto agravo (fls. 970-973). O agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial (fls. 1.022-1.025). A União interpôs agravo interno, em que pleiteia a reforma da decisão ora agravada. É o relatório. Decido. Analisando detidamente os autos, tenho que a decisão ora agravada merece ser revista, uma vez que a discussão se restringe à questão de direito devidamente prequestionada, e que não necessita de reexame de fatos e provas. Desse modo, torno sem efeito a decisão de fls. 1.022-1.025 e passo à nova análise do agravo em recurso especial. Considerando que o agravante, além de atender aos demais
pressupostos de admissibilidade deste agravo, logrou impugnar a fundamentação da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial interposto. Discute-se nos autos se a Lei Federal n. 13.954/2009 deve ser aplicada a casos ocorridos antes de sua entrada em vigor. Com efeito, nos termos do entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, não há direito adquirido a regime jurídico. Assim, havendo uma mudança no regime jurídico a que está submetido o militar, entende-se que a nova conformação legal atinge a relação jurídica em andamento (REsp n. 1.997.556/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 27/4/2023). No caso dos autos, extrai-se que, embora a incapacidade parcial definitiva que acomete o autor tenha se originado em 2003, este, ainda que por conta de decisão judicial, encontrava-se vinculado às Forças Armadas até 9/4/2021, data da publicação do ato de desincorporação, ou seja, após a entrada em vigor da Lei n. 13.954/2009. Neste contexto, mostra-se aplicável ao presente caso a aludida lei. No mesmo sentido, mutatis mutandis: ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. RECURSO ESPECIAL. DIREITO INTERTEMPORAL. MILITAR TEMPORÁRIO DAS FORÇAS ARMADAS LICENCIADO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.954/2019. APLICABILIDADE DAS MODIFICAÇÕES TRAZIDAS POR ESTA ÚLTIMA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO A REGIME JURÍDICO ANTERIOR. ACIDENTE EM SERVIÇO. INCAPACIDADE PARCIAL DEFINITIVA. REFORMA MILITAR. DIREITO. AUSÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONHECIDO. SÚMULA N. 83/STJ.
1. Cuida-se de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que confirmou a sentença que, por sua vez, julgou improcedente o pedido de reforma formulado pelo autor, enquanto militar temporário do Exército.
2. O vínculo funcional existente entre os militares em atividade das Forças Armadas e a Administração Pública é de trato sucessivo e, portanto, sujeita-se à cláusula rebus sic stantibus.
3. Segundo inteligência dos arts. 108 e 109 da Lei n. 6.880/1980 (com a redação dada pela Lei n. 13.954/2019): (a) se, em decorrência de ferimento recebido em campanha ou na manutenção da ordem pública; enfermidade contraída em campanha ou na manutenção da ordem pública, ou enfermidade cuja causa eficiente decorra de uma dessas situações, for considerado inválido por estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, o militar temporário fará jus à reforma; (b) se, em decorrência de acidente em serviço, doença, moléstia ou enfermidade adquirida em tempo de paz, com relação de causa e efeito a condições inerentes ao serviço; tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, lepra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, mal de Parkinson, pênfigo, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave e outras moléstias que a lei indicar com base nas conclusões da medicina especializada, o militar temporário fará jus à reforma desde que, concomitantemente, seja considerado inválido por estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada. Não sendo esse o caso, será ele licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar.
4. Hipótese em que, ao tempo do ajuizamento da demanda, o autor, ora recorrente, estava no serviço ativo do Exército, na condição de militar temporário, vindo a ser licenciado no curso do processo, em 21/5/2020, motivo pelo qual o direito vindicado deve ser examinado à luz das disposições contidas na Lei n. 13.954/2019.
5. A partir das provas contidas nos autos, em especial, do laudo apresentado pelo perito oficial, o Tribunal de origem concluiu que as sequelas decorrentes do acidente em serviço sofrido pelo autor, ora recorrente, não o tornaram impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada. Portanto, não tem ele direito à reforma pleiteada. 6. "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ).
7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp n. 2.184.605/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) Desse modo, considerando que o Autor é militar temporário que foi acometido por doença que o deixou incapaz definitivamente somente para a atividade militar, não há ilegalidade no ato que determinou a sua desincorporação, uma vez que encontra-se em alinhado ao disposto no art. 109, § 3º, da Lei n. 6.880/1980 ("O militar temporário que estiver enquadrado em uma das hipóteses previstas nos incisos III, IV e V do caput do art. 108 desta Lei, mas não for considerado inválido por não estar impossibilitado total e permanentemente para qualquer atividade laboral, pública ou privada, será licenciado ou desincorporado na forma prevista na legislação do serviço militar") Ante o exposto, em juízo de reconsideração, torno sem efeito a decisão de fls. 1.022-1.025 e com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, c, do RISTJ, conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial e julgar improcedentes os pedidos autorais. Inv erto a sucumbência e fixo a verba honorária em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, observada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.