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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Havendo prova nos autos de que o segurado omitiu condição de saúde preexistente (tratamentos médicos regulares e uso contínuo de medicação anteriores à contratação), está comprovada a má-fé, o que autoriza a recusa de cobertura; a alteração desse entendimento exigiria reexame de provas e cláusulas contratuais, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ.

Court disposition

Agravo interno desprovido; manter decisão agravada.

Orders

  • Negar provimento ao agravo interno
  • Manter a decisão agravada

02

Material facts

Parties

GENINHO MICHELON (ESPÓLIO)

Agravante

03

Procedural history

  1. Posture

    Agravo Interno / Decisão Colegiada

04

Questions and positions

Legal issues

Se a recusa de cobertura por doença preexistente sem exigência de exames prévios é válida quando há comprovação de má-fé do segurado

Party arguments

Applicant
O agravante alega violação dos arts. 757 do CC e 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47 do CDC, sustenta que a seguradora recebeu prêmios por período superior a 3 anos sem exigir exames médicos prévios e que, por isso, a negativa de cobertura afrontaria a legislação consumerista; requer o provimento do agravo interno para que o recurso especial seja admitido e provido, assegurando o pagamento do seguro ou, alternativamente, o ressarcimento do prêmio pago.
Respondent
A decisão agravada e a jurisprudência do STJ sustentam que, comprovada a má-fé do segurado (omissão de doença preexistente comprovada por tratamentos e uso contínuo de medicação anteriores à contratação), a recusa de cobertura é válida; além disso, o reexame do conjunto fático-probatório e de cláusulas contratuais é vedado em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ, e incide a Súmula n. 83 do STJ admitindo a recusa em caso de má-fé comprovada.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    exceção à Súmula n. 609 do STJ

    A recusa de cobertura securitária por doença preexistente é válida quando há comprovação de má-fé do segurado.

  2. 02

    Súmula n. 7 do STJ

    Impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial.

  3. 03

    Súmula n. 83 do STJ

    Admissibilidade da recusa de cobertura em caso de má-fé comprovada.

  4. 04

    CC, art. 757; CDC, arts. 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47

    Aplicação dos dispositivos indicados como relevantes para a controvérsia.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Havendo prova nos autos de que o segurado omitiu condição de saúde preexistente (tratamentos médicos regulares e uso contínuo de medicação anteriores à contratação), está comprovada a má-fé, o que autoriza a recusa de cobertura; a alteração desse entendimento exigiria reexame de provas e cláusulas contratuais, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ.

Obiter and limits

  • A regra da Súmula n. 609 do STJ (ilicitude da recusa sem exigência de exames) é afastada quando comprovada a má-fé do segurado.
  • O fato de a seguradora ter recebido prêmios por período superior a três anos e não ter exigido exames prévios não afasta a conclusão de má-fé quando há provas de tratamentos e uso contínuo de medicação anteriores à contratação.

Court disposition

Agravo interno desprovido; manter decisão agravada.

  • Negar provimento ao agravo interno
  • Manter a decisão agravada

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ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/09/2025 a 22/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.

EMENTA Direito civil. Agravo interno. Seguro de vida. Doença preexistente. Má-fé do segurado. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 7 e 83 do STJ e na má-fé da segurada ao omitir doença preexistente.

2. O agravante sustenta a necessidade de análise da alegada violação dos arts. 757 do Código Civil e 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47 do Código de Defesa do Consumidor, que asseguram a proteção do consumidor e impõem à seguradora a obrigação de pagar a indenização securitária.

3. Alega que a seguradora, embora tenha recebido os prêmios por período superior a 3 anos, não exigiu a realização de exames médicos prévios, o que revelaria afronta ao dever de interpretar a relação contratual conforme as diretrizes da legislação consumerista. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a recusa de cobertura securitária por doença preexistente, sem a exigência de exames prévios, é válida quando há comprovação de má-fé do segurado. III. Razões de decidir 5. A decisão agravada reconheceu que a má-fé do segurado, ao omitir sua condição de saúde preexistente, justifica a recusa de cobertura, conforme exceção à Súmula n. 609 do STJ.

6. O acórdão recorrido concluiu, com base nas provas dos autos, que o segurado agiu com má-fé, omitindo dados relevantes para a avaliação do risco, o que foi corroborado por tratamentos médicos regulares e uso contínuo de medicações anteriores à contratação do seguro.

7. A alteração do entendimento do acórdão recorrido demandaria a análise de cláusulas contratuais e o reexame do conjunto fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ.

8. A decisão agravada está em consonância com a jurisprudência do STJ, que admite a recusa de cobertura em caso de má-fé comprovada, incidindo a Súmula n. 83 do STJ. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: "1. A recusa de cobertura securitária por doença preexistente é válida quando há comprovação de má-fé do segurado.

2. A análise de má-fé do segurado não pode ser revista em recurso especial, em razão da Súmula n. 7 do STJ". Dispositivos relevantes citados: CC, art. 757; CDC, arts. 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n. 2.175.543/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023; STJ, AgInt no AREsp n. 2.133.323/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025.

RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por GENINHO MICHELON (ESPÓLIO) contra a decisão de fls. 1.485-1.490, que negou provimento ao agravo em recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 7 e 83 do STJ e na má-fé do segurado ao omitir doença preexistente. O agravante sustenta ser necessária a análise da alegada violação dos arts. 757 do CC e 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47 do CDC, os quais asseguram a proteção do consumidor e impõem à seguradora a obrigação de pagar a indenização securitária. Aduz ainda que a seguradora, embora tenha recebido os prêmios por período superior a 3 anos, não exigiu a realização de exames médicos prévios, motivo pelo qual a negativa de cobertura revela afronta ao dever de interpretar a relação contratual conforme as diretrizes da legislação consumerista. Requer o provimento do agravo interno para que o recurso especial seja admitido e provido, garantindo-se a vigência da legislação federal e o direito ao recebimento do seguro ou, alternativamente, ao ressarcimento do prêmio pago. Contrarrazões apresentadas às fls. 1.533-1.550. É o relatório.

EMENTA Direito civil. Agravo interno. Seguro de vida. Doença preexistente. Má-fé do segurado. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra a decisão que negou provimento ao agravo em recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 7 e 83 do STJ e na má-fé da segurada ao omitir doença preexistente.

2. O agravante sustenta a necessidade de análise da alegada violação dos arts. 757 do Código Civil e 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47 do Código de Defesa do Consumidor, que asseguram a proteção do consumidor e impõem à seguradora a obrigação de pagar a indenização securitária.

3. Alega que a seguradora, embora tenha recebido os prêmios por período superior a 3 anos, não exigiu a realização de exames médicos prévios, o que revelaria afronta ao dever de interpretar a relação contratual conforme as diretrizes da legislação consumerista. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a recusa de cobertura securitária por doença preexistente, sem a exigência de exames prévios, é válida quando há comprovação de má-fé do segurado. III. Razões de decidir 5. A decisão agravada reconheceu que a má-fé do segurado, ao omitir sua condição de saúde preexistente, justifica a recusa de cobertura, conforme exceção à Súmula n. 609 do STJ.

6. O acórdão recorrido concluiu, com base nas provas dos autos, que o segurado agiu com má-fé, omitindo dados relevantes para a avaliação do risco, o que foi corroborado por tratamentos médicos regulares e uso contínuo de medicações anteriores à contratação do seguro.

7. A alteração do entendimento do acórdão recorrido demandaria a análise de cláusulas contratuais e o reexame do conjunto fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ.

8. A decisão agravada está em consonância com a jurisprudência do STJ, que admite a recusa de cobertura em caso de má-fé comprovada, incidindo a Súmula n. 83 do STJ. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: "1. A recusa de cobertura securitária por doença preexistente é válida quando há comprovação de má-fé do segurado.

2. A análise de má-fé do segurado não pode ser revista em recurso especial, em razão da Súmula n. 7 do STJ". Dispositivos relevantes citados: CC, art. 757; CDC, arts. 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp n. 2.175.543/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023; STJ, AgInt no AREsp n. 2.133.323/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025.

VOTO O inconformismo não merece prosperar. A decisão agravada deve ser mantida por seus próprios fundamentos. No caso, a decisão agravada analisou adequadamente a controvérsia, reconhecendo que, embora a Súmula n. 609 do STJ estabeleça a ilicitude de recusa de cobertura securitária na hipótese de doença preexistente sem a exigência de exames prévios, tal regra é afastada nos casos em que fica comprovada a má-fé do segurado. Nesse contexto, a decisão monocrática fundamentou-se em trecho do acórdão do Tribunal de origem, o qual concluiu, com base nas provas dos autos, que o segurado agira com má-fé ao omitir sua condição de saúde. Aliás, o acórdão recorrido afirmou que "existem provas concretas de que, nas datas em que foram assinadas as declarações, o segurado, não estava em perfeito estado de saúde, como tenta levar crer o espólio autor. Tendo isso em mente, .. parece evidente que foram omitidos dados relevantes ao critério de avaliação do risco, o que coloca em xeque a boa-fé do segurado ao firmar o contrato" (fl. 1.256-1.257). Também consignou a existência de diversos elementos que demonstram a ciência do segurado acerca da enfermidade preexistente à celebração do contrato de seguro, destacando que, já em 2005, se submetia a tratamentos médicos regulares em virtude de diversas moléstias, bem como fazia uso contínuo de medicações, fatos anteriores, em prazo considerável, à

contratação do seguro, formalizada apenas em 2012. Dessa forma, a decisão monocrática acertadamente destacou que a alteração do entendimento do acórdão recorrido para afastar a má-fé do segurado demandaria a análise de cláusulas contratuais e o reexame do conjunto fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.175.543/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 27/6/2023; e AgInt no AREsp n. 2.133.323/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025, DJEN de 5/5/2025. Ademais, a decisão agravada demonstrou que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, que admite a recursa da cobertura em caso de má-fé comprovada, incidindo na espécie, portanto, a Súmula n. 83 do STJ. Desse modo, os argumentos do agravante apenas demonstram o inconformismo com o resultado do julgamento, sem apresentar fundamentação nova e apta a modificar a decisão monocrática, que se encontra alinhada à jurisprudência consolidada desta Corte. Portanto, a parte agravante não logrou êxito em demonstrar situação superveniente que justificasse a alteração da decisão agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

STJ, AgInt no AREsp n. 2.175.543/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023

Case cited

STJ, AgInt no AREsp n. 2.133.323/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/4/2025

Case cited

CC, art. 757

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CDC, arts. 1º, 2º, 6º, 14, 39, 46 e 47

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 7 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 83 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula n. 609 do STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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