Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3db2a97ccdbf40b165dc2f
- Status
- Judgment
- Jurisdiction
- Brazil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Negar Provimento
More details
- Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Negar Provimento
On this page
Professional case brief
Research organized from the available case record
01
Holding and result
O agravo regimental foi desprovado porque o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão já transitado em julgado, sem inauguração da competência do STJ; a Corte só admite, excepcionalmente, exame nesses casos se houver flagrante ilegalidade, o que não ficou demonstrado; além disso, a pena privativa foi substituída por penas restritivas de direitos, não havendo mandado de prisão nem constrangimento à liberdade da paciente, de modo que o writ não pode ser conhecido.
Court disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus
02
Material facts
Parties
BIANCA GABRIELLY PEREIRA BASTOS
Paciente/agravanteAmounts and remedies
- Anos De Reclusao: 1
- Meses De Reclusao: 1
- Dias De Reclusao: 10
03
Procedural history
Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Negar Provimento
04
Questions and positions
Legal issues
- 01
Admissibilidade de habeas corpus utilizado como substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado
- 02
Necessidade de flagrante ilegalidade para conhecimento de habeas corpus substitutivo
- 03
Existência de constrangimento ilegal diante da substituição da pena privativa por penas restritivas de direitos
- 04
Pedido de revisão da negativa de oferta do ANPP pelo Ministério Público
Party arguments
- Applicant
- Sustenta constrangimento ilegal pela negativa de proposta de acordo de não persecução penal pelo Ministério Público; requer concessão da ordem para aplicação do art. 28-A, § 14, do CPP para que a Procuradoria de Justiça revisse a negativa do ANPP; alega possibilidade de concessão de ofício diante de flagrante ilegalidade, invocando art. 647-A do CPP e nulidade apontada (art. 648, VI, do CPP).
- Respondent
- O Tribunal entendeu que o writ não deve ser conhecido quando se volta contra acórdão transitado em julgado e é manejado como substitutivo de revisão criminal sem inauguração da competência desta Corte; jurisprudência do STJ exige flagrante ilegalidade para análise em habeas corpus substitutivo, o que não ocorreu; a pena privativa foi substituída por penas restritivas de direitos, não havendo mandado de prisão nem constrangimento à liberdade de locomoção; manteve-se a decisão monocrática e negou-se provimento ao agravo regimental.
05
Court’s reasoning
Legal principles
- 01
Legal principle 1
(redundant)
- 02
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
É necessária a demonstração de flagrante ilegalidade para conhecimento de matérias trazidas em habeas corpus substitutivo de recurso ou de revisão criminal
- 03
Fundamentos do acórdão
Substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos afasta, em princípio, constrangimento à liberdade de locomoção
06
Ratio, limits and disposition
Ratio decidendi
O agravo regimental foi desprovado porque o habeas corpus foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão já transitado em julgado, sem inauguração da competência do STJ; a Corte só admite, excepcionalmente, exame nesses casos se houver flagrante ilegalidade, o que não ficou demonstrado; além disso, a pena privativa foi substituída por penas restritivas de direitos, não havendo mandado de prisão nem constrangimento à liberdade da paciente, de modo que o writ não pode ser conhecido.
Obiter and limits
- Citação de precedentes: AgRg no HC n. 789.984/GO; AgRg no HC n. 904.983/SP; AgRg no HC n. 901.897/GO; RHC n. 126.604/MT
- Observação sobre racionalização do uso do habeas corpus quando impetrado de forma desvirtuada
Court disposition
Agravo regimental não provido
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus
Source and reliance status
Superior Tribunal de Justiça
This page organises the available record for research. Confirm quotations, current status, and subsequent treatment against the official source before relying on the case.
Judgment reading view
Judgment text
The complete available source text.
Superior Tribunal de Justiça
Judgment
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/02/2025 a 12/02/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO PENA-BASE. REDUTORA. NÃO CONHECIMENTO DO WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. DECURSO DE LONGO TEMPO. NÃO O CORRÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte.
2. A jurisprudência do STJ não admite a análise de matérias trazidas em sede de habeas corpus substitutivo de recurso ou de revisão criminal, salvo se constatada a ocorrência de flagrante ilegalidade, o que não se verificou na hipótese dos autos.
3. Além disso, a pena privativa de liberdade foi substituída por penas restritivas de direitos e, portanto, não foi expedido mandado de prisão em desfavor da paciente, inexistindo, a princípio, qualquer constrangimento à sua liberdade de locomoção.
3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por BIANCA GABRIELLY PEREIRA BASTOS contra a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus. Consta dos autos que a paciente foi condenada pela prática do crime previsto no artigo 33, caput e § 4º, c/c artigo 46, ambos da Lei n. 11.343/2006, à pena de 01 (um) ano, 01 (um) mês e 10 (dez) dias de reclusão, em regime inicial aberto, com substituição da pena corporal por duas penas restritivas de direitos. No writ, a Defesa sustentou constrangimento ilegal decorrente da negativa de proposta de acordo de não persecução penal pelo Órgão Ministerial. Requereu a concessão da ordem para que fosse aplicada a previsão contida no art. 28-A, § 14, do CPP, a fim de que a Procuradoria de Justiça revisasse a negativa de oferta do ANPP. O pedido de habeas corpus não foi conhecido (fls. 300-303). Neste recurso, a Defesa reitera os termos da impetração e alega ser possível a concessão da ordem de ofício, dada a flagrante ilegalidade, da previsão contida no art. 647-A do CPP e da nulidade apontada (art. 648, VI do CPP). (fl. 316). Busca, assim, que seja reconsiderada a decisão agravada ou submetido o presente recurso ao órgão colegiado. É o relatório.
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO PENA-BASE. REDUTORA. NÃO CONHECIMENTO DO WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. DECURSO DE LONGO TEMPO. NÃO O CORRÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte.
2. A jurisprudência do STJ não admite a análise de matérias trazidas em sede de habeas corpus substitutivo de recurso ou de revisão criminal, salvo se constatada a ocorrência de flagrante ilegalidade, o que não se verificou na hipótese dos autos.
3. Além disso, a pena privativa de liberdade foi substituída por penas restritivas de direitos e, portanto, não foi expedido mandado de prisão em desfavor da paciente, inexistindo, a princípio, qualquer constrangimento à sua liberdade de locomoção.
3. Agravo regimental não provido.
VOTO O recurso não apresenta argumento capaz de desconstituir os fundamentos que embasaram a decisão ora impugnada, que deve ser integralmente mantida, in verbis (fls. 301-302): O Superior Tribunal de Justiça, considerando a necessidade de racionalização do emprego do remédio heroico que reiteradamente é impetrado de maneira desvirtuada, alheia aos preceitos constitucionais e legais, entende ser incabível a impetração de habeas corpus em face de condenação transitada em julgado, sendo da Corte estadual a jurisdição, não inaugurada a competência desta Corte Superior. Inviável o conhecimento do writ como substitutivo de recurso próprio, qual seja, a revisão criminal, sob pena subversão do sistema recursal e indevida supressão de instância. Confira-se (grifamos): AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. WRIT SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. PLEITO PELA CONCESSÃO DA PRISÃO DOMICILIAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Inviável o conhecimento da impetração, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023).
2. No caso, foi interposto agravo contra decisão que não admitiu o recurso especial defensivo (AREsp n. 2.481.704/SP), o qual não foi conhecido pela Presidência desta Corte, e cuja decisão transitou em julgado no dia 5/12/2023. Nessa condição, não se deve conhecer do presente habeas corpus, visto que foi utilizado como substituto de revisão criminal, sem que a competência desta Corte tenha sido estabelecida.
3. No mais, verifica-se que o pedido de prisão domiciliar não foi objeto de análise pelo colegiado do Tribunal de origem, razão pela qual dele não se poderá conhecer, por indevida e dupla supressão de instância, visto que não foi nem sequer objeto de análise pelo Juízo da execução criminal. Logo, não debatidas as questões pela Corte a quo, é firme o entendimento de que "fica obstada sua análise a priori pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de dupla e indevida supressão de instância, e violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e devido processo legal" (RHC n. 126.604/MT, rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 7/12/2020, DJe 16/12/2020).
4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 904.983/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. RECONHECIMENTO DO TRÁFICO PRIVILEGIADO. ALTERAÇÃO DO REGIME E SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. WRIT SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
1. Inviável o conhecimento da impetração, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento, segundo o qual, o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023).
2. No caso, o Tribunal local não conheceu da apelação interposta pela defesa, devido à sua intempestividade, e não conheceu do habeas corpus por inadequação. Isso evidencia que as teses da defesa não foram analisadas pelo Tribunal de origem, sendo, portanto, caso de indevida supressão de instância.
3. Na origem, o trânsito em julgado para a defesa ocorreu em 13/6/2023, e o habeas corpus foi impetrado nesta Corte apenas em 2/4/2024, ou seja, após o trânsito em julgado da condenação. Nessa condição, não se deve dele conhecer, visto que foi utilizado como substituto de revisão criminal, sem que a competência desta Corte tenha sido estabelecida.
4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 901.897/GO, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024.). Ademais, verifico que a pena privativa de liberdade foi substituída por penas restritivas de direitos e, portanto, não foi expedido mandado de prisão em desfavor da paciente, inexistindo, à princípio, qualquer constrangimento à sua liberdade de locomoção. Assim, não vislumbro, nos estritos limites cognitivos do writ, flagrante constrangimento ilegal ou nulidade notória, suficientes para ensejar a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Conforme assentado na decisão monocrática, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não admite a análise de matérias trazidas em sede de habeas corpus substitutivo de recurso ou de revisão criminal, salvo se verificada a ocorrência de ilegalidade flagrante, o que não é a hipótese dos autos. Na espécie, a pena privativa de liberdade foi substituída por penas restritivas de direitos e, portanto, não foi expedido mandado de prisão em desfavor da paciente, inexistindo, a princípio, qualquer constrangimento à sua liberdade de locomoção . Desse modo, a inexistência de constrangimento ilegal impossibilita o conhecimento do writ. Mantenho, portanto, a decisão agravada, por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.
Case-aware research
Ask AI about this case
The judgment and available research above are public. New questions open in a separate private conversation grounded in this case.