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Superior Tribunal de Justiça

Dosimetria Superior Tribunal De Justi a Unknown 6a3dcffc7ccdbf40b1771c8a

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01

Holding and result

Não conheço do habeas corpus porque a impetração foi protocolada após o trânsito em julgado do acórdão do Tribunal de origem (1/12/2022), tornando o writ substitutivo de revisão criminal, meio inadequado perante o STJ, inexistindo flagrante ilegalidade ou hipótese autorizadora para conhecimento, nos termos do art. 621 do CPP e da jurisprudência que veda o exame de matéria não apreciada na origem para evitar supressão de instância.

Court disposition

não conheço do habeas corpus

Orders

  • Liminar indeferida
  • Não conheço do habeas corpus
  • Publique-se
  • Intimem-se

02

Material facts

Parties

JOÃO HENRIQUE MODESTO DOS SANTOS RODRIGUES

Paciente

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Autoridade Coatora

Amounts and remedies

  • Pena De Reclusão (anos): 10
  • Pena De Reclusão (meses): 4
  • Pena De Reclusão (dias): 13
  • Dias Multa: 24

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Não Conhecido

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta-se constrangimento ilegal pela majoração cumulativa das majorantes na terceira fase da dosimetria (1/3 por concurso de agentes e 2/3 por emprego de arma) sem fundamentação concreta, em afronta à Súmula 443; pede-se que seja fixado apenas um aumento de 2/3 e a imposição de regime inicial menos gravoso, alegando ausência de reincidência e requerendo detração em razão de prisão preventiva desde 10/11/2020.
Respondent
O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do writ. O Tribunal entendeu que, como a condenação transitou em julgado em 1/12/2022, o habeas corpus constitui substitutivo de revisão criminal, não sendo cabível no STJ contra acórdão estadual já transitado em julgado, não havendo flagrante ilegalidade a ser sanada e não se verificando hipóteses do art. 621 do CPP para revisão.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    art. 621 do Código de Processo Penal; jurisprudência do STJ

    Habeas corpus não conhecido quando impetrado contra acórdão transitado em julgado por configurar substitutivo de revisão criminal

  2. 02

    Constituição Federal de 1988, art. 105, I, "e"; jurisprudência do STJ

    STJ não possui competência para processar e julgar habeas corpus contra acórdão transitado em julgado, cabendo a revisão criminal no tribunal de origem

  3. 03

    Jurisprudência do STJ

    Matérias não apreciadas pela corte de origem não podem ser examinadas pelo STJ em habeas corpus para evitar supressão de instância

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Não conheço do habeas corpus porque a impetração foi protocolada após o trânsito em julgado do acórdão do Tribunal de origem (1/12/2022), tornando o writ substitutivo de revisão criminal, meio inadequado perante o STJ, inexistindo flagrante ilegalidade ou hipótese autorizadora para conhecimento, nos termos do art. 621 do CPP e da jurisprudência que veda o exame de matéria não apreciada na origem para evitar supressão de instância.

Obiter and limits

  • O STJ não pode inaugurar tese defensiva não alegada e não debatida na via ordinária.
  • Nulidades ou falhas devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal.
  • A competência do STJ para revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados.

Court disposition

não conheço do habeas corpus

  • Liminar indeferida
  • Não conheço do habeas corpus
  • Publique-se
  • Intimem-se

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de JOÃO HENRIQUE MODESTO DOS SANTOS RODRIGUES, no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 10 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e de pagamento de 24 dias-multa, pela prática do delito previsto no art. 157, §2º, II, e §2-A, I, na forma do art. 70, todos do Código Penal (fls. 26/34). Neste writ, a impetrante sustenta que o paciente estaria sofrendo constrangimento ilegal em razão da majoração da pena na terceira fase da dosimetria, porquanto exasperada na fração de 1/3 em razão do concurso de agentes e, posteriormente, no patamar de 2/3, em virtude do emprego de arma, sem que tenha sido apresentada justificativa concreta para a aplicação cumulativa das majorantes, em ofensa à Súmula n. 443 desta Corte. Sustenta, ainda, que seria devido o abrandamento do regime inicial de cumprimento de pena, sob alegação de que não há reincidência e, caso fixada pena inferior a oito anos, a imposição do regime fechado violaria o artigo 33, § 2º, b, do Código Penal, além dos princípios constitucionais da proporcionalidade e da individualização da pena, devendo ser considerado o instituto da detração, porquanto o paciente se encontra preso preventivamente desde 10/11/2020. Requer, liminarmente,

seja autorizado ao paciente aguardar o julgamento do feito em liberdade ou em regime semiaberto. No mérito, pleiteia a fixação de um único aumento de 2/3 na terceira fase do cálculo dosimétrico, bem como a imposição de regime inicial de cumprimento de pena menos grave. Liminar indeferida às fls. 43-45. Parecer do Ministério Público Federal pelo não conhecimento do writ, assim ementado (fl. 79): PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO. DOSIMETRIA. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. FUNDAMENTAÇÃO DEVIDA. PARECER PELO NÃO CONHECIMENTO DO WRIT, INEXISTINDO RAZÃO PARA A CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. É o relatório. DECIDO. Examinando as informações, verifica-se que, após proferida a sentença condenatória e julgado o recurso de apelação, sobreveio o trânsito em julgado da condenação em 1/12/2022, tendo o presente writ sido impetrado posteriormente, sendo, pois, substitutivo de revisão criminal. Com efeito, nos termos da jurisprudência desta Corte, não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão proferido por Tribunal estadual já transitado em julgado, manejado, assim, como substitutivo de revisão criminal, sendo cabível, apenas, em tais casos, o ajuizamento de revisão criminal no Tribunal de origem, nos termos do art. 621 do CPP. A propósito: AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022; AgRg no

HC n. 883.060/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024. Nesse sentido, cito, ainda, os seguintes precedentes: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO CONHECIMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. SUPRESSÃO INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus, impetrado contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado.

2. O agravante pleiteia a extinção da punibilidade pela decadência do crime-fim tributário, com base no princípio da consunção, ou, subsidiariamente, a aplicação do princípio da insignificância, reconhecendo a atipicidade material do comportamento. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a impetração de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça contra acórdão transitado em julgado, como substitutivo de revisão criminal.

4. Outra questão é saber se há possibilidade de concessão de habeas corpus para declarar a extinção da punibilidade ou aplicar o princípio da insignificância, diante do trânsito em julgado da decisão condenatória. III. Razões de decidir 5. O Superior Tribunal de Justiça não possui competência para processar e julgar habeas corpus contra acórdão transitado em julgado, uma vez que a competência se restringe à revisão criminal de seus próprios julgados.

6. A decisão agravada não apresenta teratologia ou coação ilegal que justifique a concessão da ordem de habeas corpus.

7. A jurisprudência do STJ estabelece que nulidades absolutas ou falhas no acórdão impugnado devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal.

8. A Corte de origem não se pronunciou sobre os temas expostos na impetração, impedindo o STJ de se debruçar sobre as matérias, sob pena de supressão de instância. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: "1. O STJ não possui competência para processar e julgar habeas corpus contra acórdão transitado em julgado, sendo a revisão criminal o meio adequado.

2. Nulidades absolutas ou falhas devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal.

3. O STJ não pode se debruçar sobre matérias não apreciadas pela Corte de origem, sob pena de supressão de instância." Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, "e"; CPP, art. 654, § 2º. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018; STJ, AgRg no HC 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019; STF, AgRg no HC 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe 1º/8/2018. (AgRg no HC n. 916.691/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 12/3/2025, DJEN de 19/3/2025; grifos acrescidos.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATO APONTADO COMO COATOR TRANSITADO EM JULGADO. MATÉRIA NÃO EXAMINADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. REVISÃO CRIMINAL. AÇÃO AUTÔNOMA CABÍVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. "A impetração de habeas corpus, após o trânsito em julgado da condenação e com a finalidade de reconhecimento de eventual ilegalidade na colheita de provas, é indevida e tem feições de revisão criminal" (AgRg nos EDcl no HC n. 633.625/AC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe de 8/8/2022). 2. É vedada a inauguração, em habeas corpus, de tese defensiva não alegada e não debatida na via ordinária.

3. A competência do STJ para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. A defesa busca, diretamente perante esta Corte Superior, a desconstituição do trânsito em julgado da apelação, a fim de que seja reconhecida a nulidade das buscas veicular e pessoal ou que a pena do réu seja readequada. Não há como conhecer da impetração, por não ser o STJ o órgão competente para examinar o pleito. Ademais, a tese de ilicitude das buscas não foi previamente examinada pelas instâncias ordinárias, outra razão para obstar sua apreciação por este Tribunal Superior, a fim de não incidir em supressão de instância.

4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 939.672/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 23/10/2024; grifos acrescidos.) No caso, como o habeas corpus foi impetrado nesta Corte após o trânsito em julgado do acórdão impugnado, tem-se por inviável o seu conhecimento, inexistindo ilegalidade flagrante a ser sanada, especialmente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no HC n. 751.156/SP, rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022

Case cited

AgRg no HC n. 883.060/SP, rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/4/2024, DJe de 25/4/2024

Case cited

AgRg no HC n. 916.691/MG, rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 12/3/2025, DJEN de 19/3/2025

Case cited

HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. p/ acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018

Case cited

AgRg no HC 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019

Case cited

STF, AgRg no HC 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe 1º/8/2018

Case cited

AgRg nos EDcl no HC n. 633.625/AC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 5ª T., DJe de 8/8/2022

Case cited

AgRg no HC n. 939.672/SC, rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 23/10/2024

Case cited

art. 157, §2º, II, e §2-A, I, na forma do art. 70, todos do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 33, § 2º, b, do Código Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

art. 621 do Código de Processo Penal

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CF/1988, art. 105, I, "e"

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

CPP, art. 654, § 2º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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