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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Não conhecer do habeas corpus porque a impetração configura sucedâneo de recurso próprio/revisão criminal e não há flagrante ilegalidade apta a ensejar o conhecimento de ofício; a Corte de origem fundamentou a manutenção da dosimetria e do regime diante de elementos que indicam dedicação criminosa do paciente, afastando a aplicação da minorante do art. 33, §4º, da Lei de Drogas.

Court disposition

não conheço do habeas corpus

Orders

  • liminar indeferida
  • não conhecer do habeas corpus
  • Publique-se. Intimem-se.

02

Material facts

Parties

WESLEY MATHEUS SANTOS BESSA

Paciente

Tribunal de Justiça de São Paulo (Revisão Criminal n. 2390947-56.2024.8.26.0000)

Autoridade Coatora

Ministério Público Federal

Manifestante

Amounts and remedies

  • Pena De Reclusão: 6

03

Procedural history

  1. Posture

    Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Sustenta a defesa que o paciente sofre constrangimento ilegal em razão de equivocada dosimetria da pena aplicada; requer liminar para suspensão do mandado de prisão e, no mérito, o redimensionamento das penas com reconhecimento da minorante do tráfico privilegiado, fixação de regime inicial diverso do fechado e substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos.
Respondent
O Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem, sustentando que a minorante do art. 33, §4º, é inaplicável em razão da demonstração de dedicação à atividade criminosa e de indícios de vínculo com organização criminosa, estando o regime inicial devidamente fixado; não há flagrante ilegalidade que autorize habeas corpus de ofício.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (ex.: AgRg no HC n. 904.330/PR; AgRg no HC n. 834.221/DF; AgRg no HC n. 921.445/MS)

    Habeas corpus não deve ser utilizado como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal

  2. 02

    Art. 33, §4º, Lei n. 11.343/2006; precedente HC 423.189/SP (STJ)

    A aplicação da causa de diminuição do art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/2006 depende do convencimento de que o réu é primário, de bons antecedentes e não se dedica a atividades delituosas nem integra organização criminosa

  3. 03

    Art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal

    Autoridade judicial pode, no âmbito de sua competência, expedir habeas corpus de ofício quando houver flagrante ilegalidade

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Não conhecer do habeas corpus porque a impetração configura sucedâneo de recurso próprio/revisão criminal e não há flagrante ilegalidade apta a ensejar o conhecimento de ofício; a Corte de origem fundamentou a manutenção da dosimetria e do regime diante de elementos que indicam dedicação criminosa do paciente, afastando a aplicação da minorante do art. 33, §4º, da Lei de Drogas.

Obiter and limits

  • Em hipótese de manifesta ilegalidade, é possível a concessão da ordem de ofício, nos termos do art. 654, §2º, do Código de Processo Penal
  • Art. 647-A do Código de Processo Penal autoriza habeas corpus de ofício quando verificada flagrante ilegalidade

Court disposition

não conheço do habeas corpus

  • liminar indeferida
  • não conhecer do habeas corpus
  • Publique-se. Intimem-se.

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DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de WESLEY MATHEUS SANTOS BESSA apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça de São Paulo (Revisão Criminal n. 2390947-56.2024.8.26.0000). Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado em primeira instância, como incurso nas sanções do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 6 anos de reclusão, a ser cumprida no regime inicial fechado. A apelação defensiva foi desprovida pelo Tribunal de origem. Ajuizada revisão criminal, o pedido foi julgado improcedente. Daí o presente writ, no qual alega a defesa que o paciente sofre constrangimento ilegal decorrente da equivocada dosimetria da reprimenda que lhe foi aplicada. Requer, liminarmente, a suspensão do cumprimento do mandado de prisão até a decisão final do habeas corpus. No mérito, pugna pelo redimensionamento das penas, com o reconhecimento da minorante do tráfico privilegiado, a fixação de regime inicial diverso do fechado e a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. Liminar indeferida. Instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pela denegação da ordem, nos termos da seguinte ementa (e-STJ fl. 89): PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA DA PENA. TRÁFICO PRIVILEGIADO. REDUTORA PREVISTA NO §4º DO ART. 33 DA LEI DE DROGAS. IMPOSSIBILIDADE. DEDICAÇÃO À

ATIVIDADE CRIMINOSA. REGIME DEVIDAMENTE FIXADO. PARECER PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. É o relatório. Decido. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é uníssona no sentido de que não cabe a utilização de habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, sob pena de desvirtuamento do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. .. MANDAMUS IMPETRADO CONCOMITANTEMENTE COM RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO NA ORIGEM. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. .. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. ..

2. Não se conhece de habeas corpus impetrado concomitantemente com o recurso especial, sob pena de subversão do sistema recursal e de violação ao princípio da unirrecorribilidade das decisões judiciais. .. (AgRg no HC n. 904.330/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL, IMPETRADO QUANDO O PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DA VIA RECURSAL CABÍVEL NA CAUSA PRINCIPAL AINDA NÃO HAVIA FLUÍDO. INADEQUAÇÃO DO PRESENTE REMÉDIO. PRECEDENTES. NÃO CABIMENTO DE CONCESSÃO DA ORDEM DE OFÍCIO. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É incognoscível, ordinariamente, o habeas corpus impetrado quando em curso o prazo para interposição do recurso cabível. O recurso especial defensivo, interposto, na origem, após a prolação da decisão agravada, apenas reforça o óbice à cognição do pedido veiculado neste feito autônomo. .. (AgRg no HC n. 834.221/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 25/9/2023.) PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO "HABEAS CORPUS". ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE FLAGRANTE. RECURSO NÃO PROVIDO.

1. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. .. (AgRg no HC n. 921.445/MS, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ABSOLVIÇÃO. APLICAÇÃO DO IN DUBIO PRO REO. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. .. 4. "Firmou-se nesta Corte o entendimento de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 733.751/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 20/9/2023). Não obstante, em caso de manifesta ilegalidade, é possível a concessão da ordem de ofício, conforme preceitua o art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 882.773/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024). .. (AgRg no HC n. 907.053/SP,

de minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 16/9/2024, DJe de 19/9/2024.) Não se desconhece a orientação presente no art. 647-A, caput e parágrafo único, do Código de Processo Penal, segundo a qual se permite a qualquer autoridade judicial, no âmbito de sua competência jurisdicional e quando verificada a presença de flagrante ilegalidade, a expedição de habeas corpus de ofício em vista de lesão ou ameaça de lesão à liberdade de locomoção. No entanto, no caso, não há que se falar em flagrante ilegalidade apta a ensejar a superação do supracitado entendimento. Conforme devidamente apontado no parecer ministerial, cujas razões passo a adotar (e-STJ fl. 90): Assim, verifica-se que a Corte de origem negou a aplicação da atenuante do tráfico privilegiado em virtude de as circunstâncias indicarem a dedicação criminosa: "Consta, ainda, nas folhas 38 que: O laudo pericial do aparelho celular apreendido em sua posse não deixa dúvidas que o celular estava registrado em seu nome, onde a polícia identificou arquivos que confirmam seu envolvimento com o tráfico de drogas, áudios indicando corrupção de policiais e prevaricação, assim como conversas relacionadas a entrega de drogas, com "Neguinho", assim como a contabilidade de apostas em jogos de futebol altamente rentáveis, que demonstram ligação com organização criminosa a impor o afastamento do redutor legal (fls. 390/605)." (e-STJ fl.

32). Assim, não prevalece a alegação de constrangimento ilegal apontado no writ. As circunstâncias concretas aferidas demonstram não ser recomendável a concessão do privilégio, pois deixam claro a dedicação criminosa do paciente. Assim, devendo ser mantido o quantum de pena fixado. Ademais, é firme o entendimento exposto por essa Corte Superior de Justiça no sentido de que (..) a aplicação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4o, da Lei n. 11.343/06 depende do convencimento do Magistrado de que o apenado, primário e de bons antecedentes, não se dedique a atividades delituosas nem integre organização criminosa. (HC 423.189/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 21/02/2018). Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

AgRg no HC n. 904.330/PR

Case cited

AgRg no HC n. 834.221/DF

Case cited

AgRg no HC n. 921.445/MS

Case cited

AgRg no HC n. 882.773/SP

Case cited

AgRg no HC n. 907.053/SP

Case cited

HC n. 733.751/SP

Case cited

HC 423.189/SP

Case cited

Lei n. 11.343/2006, art. 33, §4º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Penal, art. 647-A

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código de Processo Penal, art. 654, § 2º

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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