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Superior Tribunal de Justiça

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01

Holding and result

Parcial provimento porque, aplicando a Súmula 444/STJ e a jurisprudência que exige motivação concreta para frações diversas de 1/6, impõe-se o decote da valoração negativa da personalidade (não aceitando utilização de inquéritos/ações em curso), manutenção da exasperação por consequências do crime em razão da extensão intermunicipal e determinação de aplicação do índice de 1/6 para cada atenuante em face da falta de fundamentação idônea para fração inferior; mantida a conclusão de autonomia dos tipos penais, afastando-se o bis in idem.

Court disposition

dou parcial provimento ao recurso ordinário em habeas corpus

Orders

  • Determinar que o Tribunal de origem individualize novamente as penas aplicadas ao recorrente, observando-se os termos desta decisão.
  • Decote do aumento relativo à personalidade (retirada da valoração negativa da personalidade na pena-base).
  • Manutenção da valoração das consequências do crime em razão da extensão intermunicipal (exasperação da pena-base por esse vetor).
  • Aplicação do índice de 1/6 para cada atenuante reconhecida, ante ausência de fundamentação idônea para fração inferior a 1/6.

02

Material facts

Parties

LAÉRCIO DE SOUZA COSTA JUNIOR

Recorrente

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Órgão Julgador De Origem

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Interveniente

Amounts and remedies

  • Pena Reclusao Anos: 14.917
  • Dias Multa: 1,360

03

Procedural history

  1. Posture

    Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça

04

Questions and positions

Legal issues

Party arguments

Applicant
Afirma que a condenação simultânea pelos crimes de associação para o tráfico (art. 35 da Lei 11.343/2006) e associação criminosa (art. 288 do CP) configura bis in idem por recair sobre a mesma associação delitiva; sustenta que a valoração negativa da personalidade se fundou em elementos genéricos e em inquéritos/ações em curso, vedados pela Súmula 444/STJ; alega que a fração de redução aplicada às atenuantes, inferior a 1/6, carece de fundamentação concreta, devendo a pena ser reduzida ou haver absolvição quanto à associação para o tráfico.
Respondent
Tribunal de origem e Ministério Público Federal sustentaram que os crimes são autônomos, com fundamentos distintos, não havendo bis in idem; defenderam a manutenção da dosimetria por existência de elementos concretos quanto à culpabilidade e às consequências do crime (tráfico com extensão intermunicipal), e o Ministério Público Federal opinou pelo não provimento do recurso; quanto às atenuantes, reconhece-se necessidade de motivação específica para frações diversas de 1/6.

05

Court’s reasoning

  1. 01

    Súmula 444/STJ

    É vedada a utilização de inquéritos policiais e de ações penais em curso para agravar a pena-base.

  2. 02

    Jurisprudência do STJ (precedentes citados no acórdão)

    A aplicação de fração diversa de 1/6, na segunda fase da dosimetria, exige motivação concreta e idônea.

  3. 03

    Súmula 7/STJ

    Impossibilidade de revolvimento amplo do conjunto fático-probatório em sede de recurso especial; controle limitado de matéria de fato.

  4. 04

    Precedentes do STJ (AgRg no AREsp 2.673.259/AL e similares)

    Condenações por crimes autônomos não implicam, em princípio, bis in idem quando demonstrada autonomia fática e normativa.

06

Ratio, limits and disposition

Ratio decidendi

Parcial provimento porque, aplicando a Súmula 444/STJ e a jurisprudência que exige motivação concreta para frações diversas de 1/6, impõe-se o decote da valoração negativa da personalidade (não aceitando utilização de inquéritos/ações em curso), manutenção da exasperação por consequências do crime em razão da extensão intermunicipal e determinação de aplicação do índice de 1/6 para cada atenuante em face da falta de fundamentação idônea para fração inferior; mantida a conclusão de autonomia dos tipos penais, afastando-se o bis in idem.

Obiter and limits

  • A revisão criminal/revisional é medida excepcional e sujeita à preclusão quando o recorrente deixou de utilizar os recursos próprios.
  • O Tribunal pode reorganizar a dosimetria sem agravar a situação do réu.
  • A aplicação dos princípios da consunção ou especialidade exige demonstração concreta e reexame probatório, o que fica obstado pela Súmula 7/STJ.

Court disposition

dou parcial provimento ao recurso ordinário em habeas corpus

  • Determinar que o Tribunal de origem individualize novamente as penas aplicadas ao recorrente, observando-se os termos desta decisão.
  • Decote do aumento relativo à personalidade (retirada da valoração negativa da personalidade na pena-base).
  • Manutenção da valoração das consequências do crime em razão da extensão intermunicipal (exasperação da pena-base por esse vetor).
  • Aplicação do índice de 1/6 para cada atenuante reconhecida, ante ausência de fundamentação idônea para fração inferior a 1/6.

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Superior Tribunal de Justiça

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Superior Tribunal de Justiça

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DECISÃO Trata-se de recurso ordinário em habeas corpus com pedido liminar interposto por LAÉRCIO DE SOUZA COSTA JUNIOR contra acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO. Depreende-se dos autos que o recorrente foi condenado pela prática dos crimes previstos nos arts. 33 e 35 da Lei n. 11.343/2006, 288 do Código Penal e 16 da Lei n. 10.826/2003, tendo-lhe sido imposta pena de 14 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 1.360 dias-multa. A defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, por meio do qual buscava a revisão da dosimetria da pena, alegando ilegalidades na valoração negativa de circunstâncias judiciais e na fração imposta em razão das atenuantes, bem como a ocorrência de bis in idem. A ordem foi denegada nos termos da seguinte ementa (fls. 175-176): PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DENEGOU ORDEM DE HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. DOSIMETRIA. PENAS PROPORCIONAIS. DISCRICIONARIEDADE VINCULADA. FUNDAMENTOS CONCRETOS. PENAS MANTIDAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM ENTRE A CONDENAÇÃO PELO ART. 35 DA LEI Nº 11.343/2006 E PELO ART. 288, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CP. CRIMES AUTÔNOMOS. MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. AGRAVO NÃO PROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. "Embora seja possível rever a dosimetria da pena em revisão criminal, a utilização do

pleito revisional é prática excepcional, somente justificada quando houver contrariedade ao texto expresso da lei ou à evidência dos autos" RvCr n. 5.247/DF, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 22/3/2023, DJe de 14/4/2023.). O Superior Tribunal de Justiça tem destacado que, em respeito à segurança jurídica e lealdade processual, as nulidades, bem como qualquer outra falha ocorrida no julgamento, devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal. Isso porque o Judiciário não pode deixar eternizar a insatisfação da parte, que poderia ter ingressado com o recurso próprio e deixou a condenação se tornar definitiva para ingressar com revisional como se recurso de apelação fosse. Quanto ao alegado bis in idem pela condenação pelo art. 35 da Lei nº 11.343/2006 e pelo art. 288, parágrafo único, do CP, este Relator consignou que o sentenciante destacou que os crimes foram autônomos, não havendo que se falar em bis in idem, como aduz a defesa. Em relação à dosimetria, observa-se que foram mantidas as penas-base dos delitos de tráfico e associação para o tráfico pois foram valorados corretamente os vetores da culpabilidade, personalidade e consequências do crime, os quais justificaram o afastamento do piso legal. Também se destacou que a fração de 1/6 para a redução pelas atenuantes, embora utilizada pelo Superior Tribunal

Justiça como parâmetro, não foi utilizada no caso em tela. Contudo, tal fato não enseja a sua aplicação automática, considerando que o caso trata de uma condenação com trânsito em julgado há mais de cinco anos, em que a defesa não apelou e, apenas agora, em sede de impetração substitutiva de revisão criminal, vem requerer a redução, estando, sim, preclusa a matéria, Agravo não provido. Decisão unânime. No presente recurso ordinário, o recorrente alega que a condenação simultânea pelos crimes de associação para o tráfico (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) e associação criminosa (art. 288 do CP) configura bis in idem, uma vez que ambas as condutas se referem à mesma associação delitiva. Sustenta que, conforme reconhecido pelo próprio juízo sentenciante, os acusados se associaram para a prática de crimes diversos, o que atrairia a aplicação dos princípios da consunção e da especialidade, devendo prevalecer apenas a condenação pelo art. 288 do CP. Aduz que a valoração negativa da personalidade do agente e das consequências do delito foi inidônea, por se basear em elementos genéricos e inerentes ao tipo penal. Afirma que a existência de processos em curso não pode ser utilizada para desabonar a personalidade, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Assevera que a fração de redução aplicada na segunda fase da dosimetria, inferior a

1/6 para cada atenuante reconhecida, carece de fundamentação concreta, contrariando a jurisprudência dominante que exige motivação específica para afastar o parâmetro de 1/6. No mérito, pugna pela reforma da decisão impugnada, com a consequente redução da pena ou absolvição quanto ao crime de associação para o tráfico. Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo não provimento do recurso, nos termos da seguinte ementa (fl. 238): RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. CRIMES AUTÔNOMOS. PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. PERSONALIDADE E CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. FRAÇÃO DE EXASPERAÇÃO. ADOÇÃO DO PARÂMETRO DE 1/8 PARA CADA CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL NEGATIVA. REVISÃO CRIMINAL TENDO POR BASE MUDANÇA DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. IRRETROATIVIDADE DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. - Parecer pelo desprovimento do recurso. É o relatório. Inicialmente, quanto à alegação de bis in idem entre os crimes dos arts. 35 da Lei n. 11.343/2006 e 288 do Código Penal, o Tribunal de origem foi claro ao consignar que se trata de delitos autônomos, com fundamentos distintos e finalidades diversas. Com efeito, as instâncias ordinárias, após apreciarem o conjunto probatório produzido durante toda a instrução criminal, concluíram que o recorrente, além de

ter se associado para a prática do crime de tráfico ilícito de drogas, também integrou associação criminosa para o fim de cometer infrações alheias à mercancia de entorpecentes. A sentença destacou que os acusados se associaram de forma estável e permanente para a prática de múltiplos crimes, inclusive com o uso de armas de fogo e deslocamentos interestaduais, o que caracteriza a associação criminosa nos moldes do art. 288 do CP, sem absorver a associação específica voltada ao tráfico. Em caso semelhante, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que, sendo autônomos os tipos penais, não há como cogitar de bis in idem. Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONDENAÇÃO SIMULTÂNEA POR CRIME DE ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. DOSIMETRIA. COMPREENSÃO DA CONTROVÉRSIA PREJUDICADA. SÚMULA 284/STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça é no sentido de que não há bis in idem na condenação pela prática do crime de organização criminosa e associação para o tráfico, quando há indicação da prática autônoma das referidas infrações.

2. Afastar a conclusão adotada pelas instâncias ordinárias demandaria amplo revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula 7/STJ.

3. A alegação de ofensa ao art. 42 da Lei de Drogas foi apresentada de maneira genérica, sem a demonstração efetiva da contrariedade ao dispositivo. A ausência de argumentação precisa e fundamentada prejudica a compreensão da controvérsia em debate, inviabilizando a análise jurídica apropriada.Incidência da Súmula 284/STF. 4 . Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp: 2.673.259/AL, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe 17/9/2024, grifo próprio.) Logo , sem razão o recorrente. No tocante à dosimetria da pena, além da culpabilidade, a pena-base foi exasperada com base na valoração negativa da personalidade do agente e das consequências do crime, assim fundamentada (fl. 51): PERSONALIDADE DO AGENTE: O conjunto probatório fornece elementos que levam a crer que o acusado tenha personalidade voltada para o crime, mormente porque envolvido na prática de vários ilícitos, consoante folha de antecedentes criminais. .. CONSEQUÊNCIAS EXTRAPENAIS DO CRIME: são relevantes, porquanto o delito pelo qual foi processado o sentenciado serve de caminho para o aumento da criminalidade. As consequências extrapenais têm relevância, ainda, uma vez que o crime de tráfico de drogas tem desestruturado famílias e tem destruído a vida de muitas pessoas. O acórdão recorrido, por sua vez, manteve a sentença de primeiro grau com a seguinte fundamentação (fls. 172-173): A

defesa insurge-se contra a negativação apenas da personalidade e das consequências do crime. No caso, entendo que constam nos autos elementos concretos a embasar a manutenção da valoração negativa da personalidade, pois, embora o sentenciante tenha mencionado apenas os processos em curso, os quais, sabe-se, não permitem agravar a pena-base, nos termos da Súmula n. 444 do STJ, o fato é que os policiais que participaram do flagrante foram uníssonos em relatar que o acusado possuía envolvimento em outros delitos e o réu, quando interrogado, afirmou que andava armado pois tinha muitos problemas, que a Polícia tinha raiva dele, além de dizer, sem embasamento algum, que parte da droga encontrada foi colocada pelos milicianos, o que, sem dúvidas, aponta uma personalidade desvirtuada. A personalidade do agente resulta da análise do seu perfil subjetivo, no que se refere a aspectos morais e psicológicos, para que se afira a existência de caráter voltado à prática de infrações penais, com base nos elementos probatório dos autos, aptos a inferir o desvio de personalidade de acordo com o livre convencimento motivado, independentemente de perícia. No caso, há motivação concreta para o incremento da básica pela referida vetorial, ante as considerações acima apontadas. Quanto às consequências, entendo que o fato de o tráfico ilícito de entorpecentes envolver mais de uma cidade - Garanhuns e

Arcoverde - são elementos aptos a ensejar o incremento da sanção basilar, pois mais pessoas atingidas por crime tão grave. Por oportuno, destaco que comungo do entendimento no sentido de que é possível reorganizar a dosimetria da pena, sem que haja ofensa ao primado do non reformatio in pejus, pois é cabível nova ponderação dos fatos e circunstâncias em que se deu a conduta criminosa pelo Tribunal, mesmo tratando-se de recurso ou pedido exclusivamente defensivo, desde que não seja agravada a situação do réu. Nessa linha: AgRg no HC 448.608/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 05/06/2018, DJe 08/06/2018. Portanto, no caso, a culpabilidade - valorada negativamente com enfoque para a grande quantidade de droga apreendida (400 pedras de "crack" prontas para o consumo; um pedra de crack pesando 44g; 02 tabletes de "maconha", com peso aproximado de 994g; 112 papelotes de maconha" prontos para o consumo; 01 porção de cocaína, perfazendo um total de 82g (oitenta e dois gramas); a personalidade e as consequências negativas do crime demonstram que deve ser mantida a pena-base aplicada - 8 anos de reclusão -, pois proporcional à gravidade concreta do crime e à variação das penas abstratamente cominadas ao tipo penal violado, qual seja, 5 a 15 anos de reclusão. Cabe ressaltar que a revisão das penas fixadas pelas instâncias de origem somente é admitida em caráter

excepcional, em situações de manifesta violação dos critérios previstos nos arts. 59 e 68 do Código Penal, nas hipóteses de ilegalidade por falta de fundamentação ou por manifesta desproporcionalidade. Como se observa, na primeira fase da dosimetria, a pena do recorrente foi exasperada, considerando que a sua personalidade seria voltada para o crime, em razão de estar envolvido em outros delitos e de ter dito " .. que andava armado pois tinha muitos problemas, que a Polícia tinha raiva dele, além de dizer, sem embasamento algum, que parte da droga encontrada foi colocada pelos milicianos .. " (fl. 172). Entretanto, essas circunstâncias não constituem argumentos idôneos para desabonar a personalidade do agente. Com efeito, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a avaliação da circunstância judicial relativa à personalidade do réu exige maior cautela, dependendo da existência de elementos concretos vinculados aos fatos do processo, que permitam ao julgador aferir de forma objetiva essa característica. Ademais, a existência de inquéritos policiais ou ações penais em curso não pode fundamentar a exasperação da pena-base, o que abrange a circunstância judicial da personalidade, conforme disposto na Súmula n. 444 do STJ. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PROVAS. DISCRICIONARIEDADE. LEGALIDADE. DOSIMETRIA. PENA-BASE. MINORANTE. REINCIDÊNCIA. AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Ao magistrado é dada a liberdade na dinâmica de valoração das provas, desde que o faça de forma motivada, como ocorreu no presente caso.

2. No caso em tela, o julgador deixou bem registrado que uma prova era impossível e a outra irrelevante. 3. "Nos termos da Súmula 444 do STJ, "É vedada a utilização de inquéritos policiais e de ações penais em curso para agravar a pena-base." Nesse passo, a existência de processos em curso não permite a valoração negativa da personalidade do agente" (AgRg no HC n. 462.299/PE, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 20/4/2021, DJe 26/4/2021)" (AgRg no AREsp n. 2.510.209/MA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. em 4/6/2024, DJe de 10/6/2024).

4. A reincidência constitui óbice absoluto à aplicação da minorante do tráfico dito privilegiado, ex vi da literalidade do § 4º da Lei n. 11.343/2006, que disciplina a referida redutora.

5. Agravo regimental parcialmente provido para reduzir a pena-base ao mínimo legal. (AgRg no HC n. 711.372/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 9/9/2024, DJe de 12/9/2024, grifo próprio.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. FURTO QUALIFICADO PELO ABUSO DE CONFIANÇA. DECOTE DA QUALIFICADORA. INVIABILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. ART. 59 DO CÓDIGO PENAL. PERSONALIDADE DO AGENTE. INQUÉRITOS E AÇÕES PENAIS EM TRÂMITE. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. PRECEDENTES. SÚMULA 444 DO STJ. PENA REDIMENSIONADA. IMPLEMENTO DO LAPSO PRESCRICIONAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

1. Recurso especial interposto pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro contra acórdão do Tribunal de Justiça que manteve a condenação do recorrente por furto qualificado pelo abuso de confiança, com valoração negativa de sua personalidade na primeira fase da dosimetria, mantendo a pena fixada em sentença de primeiro grau de 2 anos e 6 meses de reclusão em regime semiaberto, além de 30 dias-multa.

2. Há duas questões de discussão: i) se a qualificadora de abuso de confiança foi corretamente aplicada, considerando o vínculo empregatício do recorrente e seu acesso ao local do crime; ii) se a valoração negativa da personalidade do recorrente, baseada em anotações e condenações posteriores ao crime em análise, é compatível com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

3. A qualificadora de abuso de confiança foi mantida, pois, conforme concluíram as instâncias de origem, o recorrente era empregado do estabelecimento comercial e tinha livre acesso ao local onde os carros ficavam estacionados, sendo certo que os bens subtraídos estavam em um desses veículos. Ademais, o acolhimento da tese defensiva de inexistência de relação de confiança demanda revolvimento de fatos e provas, o que encontra óbice da Súmula 7 do STJ.

4. Em relação à valoração negativa da personalidade, prevalece o entendimento nesta Corte que "nem mesmo condenações transitadas em julgado, por fatos posteriores ao delito em exame, podem ser consideradas reveladoras de má conduta social ou personalidade desajustada e servir como supedâneo a fim de justificar o afastamento da reprimenda básica do mínimo legalmente previsto em lei, sob pena de malferir o princípio constitucional da presunção de não-culpabilidade". (AgRg no HC n. 550.993/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 25/8/2020, DJe de 31/8/2020, sem grifo no original). Nesse cenário, também incide a Súmula 444 deste STJ: "É vedada a utilização de inquéritos policiais e de ações penais em curso para agravar a pena-base".

5. Necessidade de redimensionamento da pena-base em razão do decote da mencionada circunstância judicial, o que, no caso, acarretou o implemento do lapso prescricional.

6. Recurso conhecido e parcialmente provido, com declaração da prescrição da pretensão punitiva estatal. (REsp n. 2.050.735/RJ, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025, grifo próprio.) Assim, impõe-se o decote do aumento relativo à personalidade nos crimes pel os quais o recorrente foi condenado. Por outro lado, da análise dos motivos utilizados pela instância de origem no aumento da pena-base, verifica-se que as consequências do crime foram valoradas com amparo no fato de o ilícito envolver mais de uma cidade (fl. 172), o que está em consonância com entendimento desta Corte Superior. Nesse sent ido: PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. PLEITO ABSOLUTÓRIO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 155 E 386, VII, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. CONDENAÇÃO BASEADA NAS PROVAS PRODUZIDAS EM JUÍZO. AFASTAMENTO QUE DEMANDA REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. DOSIMETRIA DA PENA. CIRCUNSTANCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. CULPABILIDADE E CIRCUNSTÂNCAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 3.1. Na hipótese, foram apontados elementos concretos e não inerentes ao tipo penal para elevação da pena-base, exasperada em razão da culpabilidade e das circunstâncias do crime, elencando o fato da ação criminosa ter tido extensão intermunicipal, o que amplia o número de pessoas atingidas pela atividade criminosa e o fato de ter sido praticado em concurso de pessoas, não havendo falar em ilegalidade da dosimetria.

4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.366.301/PB, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 4/6/2024, DJe de 6/6/2024 - grifo próprio.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. DOSIMETRIA. EXASPERAÇÃO DA PENA-BASE. ART. 59 DO CÓDIGO PENAL E 42 DA LEI N. 11.343/2006. GRANDE QUANTIDADE DE DROGA APREENDIDA. NATUREZA ESPECIALMENTE DELETÉRIA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. TRÁFICO INTERMUNICIPAL. FRAÇÃO PROPORCIONAL. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. ..

4. Ademais, são especialmente graves as circunstâncias do delito - tráfico regional entre municípios de comarca vizinhas -, o que amplia o número de pessoas atingidas pela atividade criminosa e justifica a exasperação da pena-base, também por tal motivo.

5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 801.734/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 14/3/2023, DJe de 17/3/2023 - grifo próprio.) Por fim, no que se refere à fração de redução das atenuantes, o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça é de que " .. o acréscimo da pena, pela aplicação de agravante, em fração superior a 1/6, e/ou a redução da pena, decorrente da aplicação de atenuante, em fração inferior a 1/6, devem ser devidamente fundamentados" (AgRg no AREsp n. 2.835.757/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 20/3/2025, DJEN de 26/3/2025). Assim, à míngua de fundamentação idônea na imposição da fração de redução relativa às atenuantes previstas no art. 65, I e III, d, do CP, deve ser aplicado o índice de 1/6 para cada atenuante, consoante a jurisprudência deste Tribunal Superior. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. DOSIMETRIA DA PENA. ATENUANTE. REDUÇÃO DA PENA EM FRAÇÃO INFERIOR A 1/6. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. A aplicação de fração diversa de 1/6, na segunda etapa do cálculo dosimétrico, ante o reconhecimento de atenuante, exige motivação concreta e idônea, o que não ocorreu no caso em apreço.

2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.447.728/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 23/12/2024 - grifo próprio.) DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO. FRAÇÃO 1/3 APLICADA PARA A REINCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. ..

7. A jurisprudência do STJ exige motivação concreta e idônea para aplicação de fração superior ou inferior a 1/6 nas agravantes e atenuantes genéricas.

8. A ordem foi concedida de ofício para adequar a fração aplicada à reincidência à jurisprudência do STJ, considerando a ausência de fundamentação para a fração aplicada pelo Tribunal de origem. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo regimental não conhecido. Ordem concedida de ofício para adequar a fração de reincidência. Tese de julgamento: "A impugnação à decisão monocrática deve ser clara e suficiente para demonstrar o equívoco dos fundamentos utilizados, sob pena de não conhecimento do agravo regimental. A aplicação de fração superior ou inferior a 1/6 nas agravantes e atenuantes genéricas exige motivação concreta e idônea." Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; CPP, art. 226; CP, arts. 61, I, 70, caput, primeira parte. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp 600.416/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, DJe 18/11/2016; STJ, AgRg no HC 883.502/MG, Sexta Turma, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, DJe 20/6/2024. (AgRg no AREsp n. 2.603.271/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 26/11/2024, DJEN de 17/12/2024 - grifo próprio.) Ante o exposto, com amparo no art. 34, XVIII, c, do Regimento Interno do STJ, dou parcial provimento ao recurso ordinário em habeas corpus para determinar que o Tribunal de origem individualize novamente as penas aplicadas ao recorrente, observando-se os termos desta decisão. Cientifique-se o Mi nistério Público Federal. Publique-se. Intimem-se.

EMENTA

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Authorities

Authorities used by the court

Cases, legislation, regulations, and constitutional provisions identified in the available record.

RvCr n. 5.247/DF (Terceira Seção, rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro)

Case cited

AgRg no AREsp 2.673.259/AL (Rel. Ministro Ribeiro Dantas)

Case cited

AgRg no HC 448.608/SP (Rel. Ministro Felix Fischer)

Case cited

AgRg no HC n. 462.299/PE (Rel. Ministro Ribeiro Dantas)

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.835.757/SP (Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca)

Case cited

AgRg no AREsp n. 2.603.271/SP (Rel. Ministro Messod Azulay Neto)

Case cited

REsp n. 2.050.735/RJ (Rel. Ministra Daniela Teixeira)

Case cited

Lei n. 11.343/2006

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal (art. 288)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Lei n. 10.826/2003 (art. 16)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Código Penal (arts. 59, 65, 68)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Regimento Interno do STJ (art. 34, XVIII, c)

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 444/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

Súmula 7/STJ

Legislation

Legislation referenced in the available case record.

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